Arca da Aliança

Rebecca Denova
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Ark of the Covenant (by Mary Harrsch, CC BY-NC-SA)
Arca da Aliança Mary Harrsch (CC BY-NC-SA)

A Arca da Aliança refere-se ao recipiente em forma de caixa que guardava as tábuas da Lei recebidas por Moisés no Monte Sinai. A tradição afirmava que ela continha duas tábuas de pedra, esculpidas por Deus, com os Dez Primeiros Mandamentos dados a Israel. O recebimento das tábuas e os detalhes da construção da Arca aparecem no livro do Êxodo.

Depois da fuga dos israelitas do Egipto, Moisés conduziu-os à montanha no Sinai, onde tivera a sua primeira revelação de Deus. Deixou o povo no acampamento e permaneceu na montanha durante quarenta dias e quarenta noites. O que Moisés recebeu não foi apenas a ideia tradicional dos Dez Mandamentos, mas, literalmente, aquilo que se viria a tornar a constituição da nação de Israel.

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De acordo com as tradições judaicas, Moisés terá recebido um vasto manancial de informações durante a sua permanência na montanha. Grande parte destes pormenores consta nos livros do Êxodo, do Levítico (o manual dos sacerdotes), dos Números (que relata o período de errância dos hebreus no deserto) e do Deuteronómio (uma fonte secundária da legislação original). Compiladores posteriores sustentaram ainda que Moisés recebeu as plantas detalhadas para a edificação do Templo de Salomão, em Jerusalém (cerca de 900 a.C.).

Com o passar do tempo, os mandamentos foram reduzidos a dez palavras, com a redacção hebraica apresentada em frases curtas: "Não mintas", "Não roubes". Na tradução grega das Escrituras Sagradas judaicas, a Septuaginta, estes foram designados como o Decálogo. Em termos teológicos, entende-se que as tábuas estavam divididas: os primeiros cinco são elementos relacionados com a adoração ao Deus de Israel, e os restantes dizem respeito ao comportamento humano enquanto nação. A iconografia moderna das tábuas preserva tanto as letras hebraicas como a posterior de numeração romana.

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A Arca

Para muitos historiadores, os detalhes precisos do Êxodo implicam a realidade da Arca.

O termo "arca" provém do latim arca ("baú" ou "caixa"). Já o termo hebraico tevah deriva, muito provavelmente, da palavra babilónica para "barco". Os babilónios possuíam uma narrativa anterior sobre um dilúvio na Epopeia de Gilgamesh, onde a arca era uma embarcação semelhante à de Noé. O termo "arca" foi imbuído de um profundo significado teológico, sendo a mesma palavra utilizada para a embarcação de Noé, para o cesto que flutuou no Nilo com o bebé Moisés e para a caixa que, eventualmente, guardaria os mandamentos. Estas três estruturas passaram a ser compreendidas como vasos de salvação.

As instruções para a criação da Arca foram incluídas nos paramentos (ou alfaias) daquilo que se viria a tornar o "tabernáculo" ou a "tenda do encontro":

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25 REGRAS PARA A CONSTRUÇÃO DO TEBERNÁCULO — 8Construir-Me-ão um santuário, para que resida no meio deles. (…) 10Far-se-á uma arca de madeira de acácia, e terá de comprimento dois côvados e meio; e de largura, um côvado e meio.

[aproximadamente 131 × 79 × 79 cm ou 52 × 31 × 31 polegadas].

11Revesti-la-ás de oiro puro tanto no interior como no exterior, e cercá-la-ás de uma cornija de oiro. 12 Fundirás, para a arca, quatro argolas de oiro, e fixá-la-ás nos seus quatro ângulos; duas de um lado, duas do outro. 13Mandarás fazer varais de madeira de acácia revestidos de oiro, 14que, passarás nas argolas, ao longo dos lados da arca, a fim de servirem para a transportar. (...) 16Depositarás na arca o testemunho que te darei. 17Também farás um propiciatório de oiro puro com dois côvados e meio de comprimento, um côvado e meio de largura. 18Depois farás dois querubins de oiro; fabricá-lo-ás de uma só peça, sobressaindo nas duas extremidades do propiciatório, um querubim numa extremidade e outro querubim na outra extremidade, 19de maneira que fiquem em frente um do outro. 20Estes querubins terão as asas estendidas para diante, cobrindo o propiciatório, com os rostos voltados um para o outro, inclinados para o propiciatório sobre a arca. 21Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que te darei. 22É ali que Me encontrarei contigo; é do alto do propiciatório, entre os dois querubins dispostos sobre a arca do testemunho, que te comunicarei todas as Minhas ordens para os filhos de Israel. (Êxodo 25:8-22 Villapadierna, Carlos de (†) et al.. Bíblia Sagrada. 3.ª Ed. Lx: Dif Bíblica (MC), 1968, pág. 139).

A "cobertura de expiação" em tecido foi mais tarde retratada como o propiciatório (ou trono de misericórdia) de Deus. Estes detalhes tornaram-se icónicos nas ilustrações da Arca. Para muitos historiadores, o detalhe preciso presente no Êxodo implica a realidade histórica da Arca. Referências subsequentes à Arca nas Escrituras Judaicas apresentam os mesmos detalhes.

A Arca no Deserto

A "tenda do encontro" serviu como um santuário portátil durante os anos de errância no deserto. No interior da tenda, ao centro, encontrava-se a Arca da Aliança, e a partir daí estabeleciam-se zonas de sacralidade; os sacerdotes, os homens e as mulheres posicionavam-se em relação ao espaço sagrado. Apenas a Moisés e a Aarão era permitido entrar na presença da Arca. O primeiro dever ao estabelecer um novo acampamento era erguer o santuário, sendo este a última coisa a ser desmontada quando prosseguiam viagem. Aqueles que transportavam o equipamento eram colocados no centro das migrações, para proteção, enquanto se deslocavam. A Arca era sempre transportada pela tribo dos Levitas, os descendentes de Moisés e Aarão.

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The Ark Passes Over the Jordan
A Arca Atravessa o Jordão James Tissot (Public Domain)

Números 9:15 descreve que o tabernáculo da Arca era coberto por uma nuvem durante o dia e por fogo durante a noite, demonstrando a presença de Deus entre eles.

35Ora quando a arca partia, Moisés dizia: «Levanta-Te, Senhor, a fim de que os Teus inimigos sejam dispersos e os Teus adversários fujam diante da Tua face»; 36e quando a arca parava, dizia: «Volta, Senhor, a residir entre as miríades das famílias de Israel!» (Números 10:35-36, Idem, pág. 235)

Desta forma, consolidou-se a antiga tradição de que a Arca detinha o poder de derrotar os inimigos de Israel. Esta foi a premissa do êxito de bilheteira Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida.

Os livros seguintes das Escrituras Judaicas relatam as histórias dos israelitas a estabelecerem-se na terra de Canaã e a fundarem uma monarquia unida. Com as mortes de Moisés e Aarão no deserto, coube a Josué (o lugar-tenente de Moisés) levar as tribos para a terra prometida. Vindo do Oriente, Josué conduziu os sacerdotes através do rio Jordão, transportando a Arca. As águas abriram-se, numa réplica da travessia do Mar Vermelho. Ao atacarem Jericó, a Arca foi transportada em voltas sucessivas em redor das muralhas da cidade, até que «caíram os muros» (Hebreus 11:30, pág. 2052). Uma vez estabelecidos na terra, Josué leu a Lei ao povo, que se encontrava de ambos os lados da Arca, no Monte Gerizim

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A Captura da Arca pelos Filisteus

A Arca da Aliança foi colocada no centro exato do Templo de Salomão, no "Santo dos Santos".

O livro de Juízes relata o tempo em que Canaã era governada por uma confederação das Doze Tribos. Para evitar o domínio e o ciúme entre as tribos, a "tenda do encontro" era erguida nas terras tribais de forma rotativa por períodos de tempo específicos. A invasão dos Filisteus no final da Idade do Bronze (os "Povos do Mar" noutros textos antigos) resultou em várias derrotas para os israelitas. O primeiro livro de Samuel (1, Samuel 4) relata a decisão dos sacerdotes de Silo (onde a Arca estava temporariamente instalada) de levar a Arca para a batalha como uma garantia contra o inimigo. Para grande consternação, a Arca foi capturada pelos filisteus e colocada no seu templo dedicado a Dagon (o seu deus principal) em Asdod.

O que se seguiu foi uma lista de problemas para os filisteus: todas as manhãs, a estátua de Dagon era encontrada caída por terra perante a Arca; os filisteus foram punidos com tumores e úlceras (muito provavelmente a peste bubónica); e uma praga de ratos destruiu os cereais. Colocaram a Arca numa carroça e devolveram-na aos israelitas. Esta permaneceu na cidade de Quiriate-Jearim (Abu Gosh) durante os vinte anos seguintes.

O Templo de Salomão e a Invasão Babilónica

David (Davi, cerca de 1000 a.C.) ascendeu como rei sobre as restantes tribos naquilo que ficou conhecido como a "monarquia unida". Conquistou Jerusalém (a cidade das tribos jebuseias) e tornou-a a capital. David tinha planos para construir uma casa permanente para Deus (um templo de pedra) e ordenou que a Arca fosse trazida para a cidade. Quando a carroça oscilou pelo caminho, um dos condutores estendeu a mão para impedir a sua queda e caiu morto subitamente. David ordenou então que a Arca fosse carregada para a cidade pelos levitas. David não pôde construir o templo por ser um pecador, mas o seu filho Salomão realizou o feito. A Arca da Aliança foi colocada no centro exato do Templo de Salomão, no "Santo dos Santos". Apenas o sumo sacerdote podia entrar no "Santo dos Santos" no dia de Yom Kippur.

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O Yom Kippur tornou-se um ritual anual, o Dia da Expiação (Levítico 16). O sumo sacerdote sacrificava dois bodes que carregavam, simbolicamente, os pecados do povo. Um era enviado para o deserto (a origem do termo "bode expiatório") e o outro era sacrificado no altar. O sangue era, então, aspergido sobre o propiciatório da Arca da Aliança.

Solomon's Temple, Jerusalem
Templo de Salomão, Jerusalém Unknown Artist (Public Domain)

Após a morte de Salomão, o primeiro livro de Reis (1 Reis 14:25) relata a história do Faraó Sesac do Egipto, que conquistou a região e saqueou Jerusalém. Sesac foi identificado como Sisaque I (Shishak ou Shoshenq I) da Dinastia XXII do Egito (século X a.C.): "26e tomou os tesouros do templo do Senhor, os do palácio real, roubou tudo, inclusive os escudos de ouro que Salomão tinha feito." (Ibid: pág. 541. Os académicos debatem se estes despojos incluíam a Arca.

A Arca volta a aparecer no segundo livro das Crónicas (2 Crónicas 35:1-6 - ou (1 &2) Paralipómenos), quando o Rei Josias (640-609 a.C.), um reformador religioso, ordena aos levitas: "3(...). Depositai a arca santa no templo construído por Salomão, filho de David, rei de Israel" (Ibid. pág. 693). Para alguns teóricos, isto pressupõe que a Arca teria sido escondida durante a invasão de Sisaque, permanecendo oculta até ao reinado de Josias.

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Em 587 a.C., a cidade de Jerusalém e o Templo de Salomão foram destruídos pelos babilónios. O texto apócrifo tardio de 1 Esdras refere que estes levaram os «vasos da Arca de Deus» e os tesouros do rei, juntamente com cativos para a Babilónia (Babilônia), mas não especifica a Arca em si. As Escrituras Judaicas que narram as histórias da vida na Babilónia e na Pérsia não fazem qualquer menção à Arca. É a partir deste momento na cronologia da história de Israel que académicos, arqueólogos e amadores têm procurado a Arca da Aliança ao longo dos últimos dois séculos. Competindo com o Santo Graal, a Arca continua a ser uma das relíquias mais cobiçadas da Antiguidade. As teorias relativas à Arca baseiam-se em elementos coligidos da literatura judaica helenística.

Os livros dos Macabeus relatam a revolta judaica bem-sucedida contra o domínio grego sob Antíoco Epifânio, em 167 a.C. Este segundo livro afirmava que, durante a invasão babilónica, o profeta Jeremias escondeu o fogo sagrado do Templo, bem como a Arca:

4No mesmo escrito se mencionava, também, como o profeta, por revelação divina, havia desejado fazer-se acompanhar pela arca e pelo tabernáculo, logo que chegasse à montanha que subiu Moisés para contemplar a herança de Deus. 5Chegado ao monte, Jeremias descobriu uma ampla gruta, na qual mandou depositar a arca, o tabernáculo e o altar dos perfumes, tapando, a seguir, a entrada. 6Alguns daqueles que o haviam acompanhado, voltaram para marcar o caminho com sinais, mas não o conseguiram. 7Quando Jeremias soube, repreendeu-os, dizendo-lhes: «Este lugar ficará desconhecido, até que Deus reúna o Seu povo e use com ele de misericórdia. 8Então, o Senhor revelará tudo isto e aparecerá a glória do Senhor como uma densa nuvem, semelhante à que apareceu a Moisés, bem como a Salomão, quando rezou para que o templo recebesse uma consagração gloriosa». 9Estava também relatado como este sábio rei ofereceu o sacrifício da dedicação e da conclusão do templo 10e, do mesmo modo, como Moisés, rezando ao Senhor, obteve que o fogo descesse do céu e consumisse as ofertas. Também Salomão se pôs a rezar e o fogo desceu do alto para queimar os holocaustos. (2 Macabeus: 4-10, Ibid. pág. 837)

O Monte Nebo continua a ser um local popular para escavações ilegais, embora o governo da Jordânia tente monitorizar estas actividades.

Josefo e a Arca da Aliança

Flávio Josefo (36-100 d.C.) foi um historiador judeu que descreveu o cerco de Jerusalém por Pompeu (106-48 a.C.) em 63 a.C.:

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Mas nada houve que tanto afligisse a nação, nas calamidades em que então se encontrava, como o facto de o seu lugar sagrado, que até então ninguém tinha visto, ser exposto a estranhos; pois Pompeu, e os que o acompanhavam, entraram no próprio templo, onde a ninguém era lícito entrar excepto ao sumo sacerdote, e viram o que lá estava depositado: o candelabro com as suas lamparinas, a mesa, os vasos de libação e os incensários, todos feitos inteiramente de ouro, assim como uma grande quantidade de especiarias amontoadas, juntamente com dois mil talentos de dinheiro sagrado. (A Guerra dos Judeus, 1. 7. 6.)

A omissão mais notável nesta lista é a da Arca da Aliança. Josefo foi também testemunha da destruição de Jerusalém e do complexo do Templo pelo Império Romano no ano 70 d.C., na guerra que se seguiu à Grande Revolta Judaica de 66 d.C. Numa descrição mais ambígua do triunfo romano do imperador Tito (r. 79-81), Josefo listou o saque:

Mas, de todos os objectos que foram retirados do Templo de Jerusalém, os que mais se destacavam eram a mesa de ouro, com o peso de muitos talentos, e também o candelabro, que era feito de ouro... e, por último, entre todos os despojos, era transportada a Lei dos Judeus. (Guerras, Livro 7:147-151).

O arco triunfal de Tito permanece hoje no Fórum Romano. O candelabro (menorah/menorá) é notório, mas não existe nada que se assemelhe à Arca. A frase «a lei dos Judeus», contudo, contribuiu para teorias posteriores (e ainda actuais) de que a Arca permanece escondida em Roma.

Temple of Solomon Treasure, Arch of Titus
Tesouro do Templo de Salomão, Arca de Tito Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Onde está a Arca da Aliança?

Entre os pergaminhos dos Essénios descobertos em Qumran, encontra-se um item único conhecido como o Pergaminho de Cobre. Neste manuscrito, as letras foram marteladas em folhas de cobre. O pergaminho enumera 64 locais onde estariam ocultos ouro e prata. À semelhança dos demais manuscritos, as descrições dos lugares e dos conteúdos apresentam-se, por vezes, em linguagem codificada, de modo a que os locais específicos sejam difíceis de desvendar. Algumas teorias sustentam que a Arca terá sido escondida durante o cerco de Roma na Revolta Judaica, e que o Pergaminho de Cobre oferece uma pista para o seu paradeiro.

A Arca é mencionada apenas duas vezes no Novo Testamento. A Epístola aos Hebreus (datada variadamente entre os anos 80 ou 90 d.C.) defende que Cristo é o verdadeiro sumo sacerdote, apresentando descrições dum templo celestial que incluem a Arca. No Livro do Apocalipse, nas visões de João de Patmoseste, descreve que viu o Templo no céu 'e a Arca da Aliança apareceu no Seu Templo' (11:19).

Baruc é um texto apocalíptico do final do século I, escrito após a destruição do Templo. Relata a história de anjos que descem antes do cerco para salvar os utensílios do Templo até ao tempo da 'restauração'. Foi ordenado à terra que os 'tragasse' (1:6-7).

Para além das buscas no Monte Nebo e em Roma, a Arca tem sido procurada noutros locais. Os Cavaleiros Templários, cavaleiros europeus dedicados à Igreja, foram organizados durante as Cruzadas para servirem como guarda-costas dos peregrinos na Terra Santa. Existem relatos de que, enquanto acampados no Monte do Templo, em Jerusalém, descobriram tesouros que incluíam tanto o Santo Graal como a Arca da Aliança. Quando a Ordem foi proscrita e os seus membros executados em 1307, os rumores sobre a sua sobrevivência e os seus tesouros multiplicaram-se ao longo dos séculos. Uma teoria popular sustenta que os tesouros foram guardados em Rennes-le-Château, no sul de França. Daí teriam passado para a Escócia e, posteriormente, para os Estados Unidos, partindo da teoria de que os Templários deram origem à Ordem Maçónica.

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Knights Templar
Cavaleiros Templários Unknown Artist (Public Domain)

A Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo mantém uma das reivindicações mais célebres, declarando que a Arca se encontra guardada na Igreja de Nossa Senhora Maria de Sião, na cidade de Axum. A história da jornada da Arca desde Jerusalém até à Etiópia está contida no seu texto sagrado, o Kebra Nagast. Menelik I (século X a.C.) foi o fundador do Império Etíope. Segundo esta versão, ele seria filho de Salomão e da Rainha de Sabá, que teria visitado Jerusalém. Criado como judeu, Menelik visitou a capital e, numa visão (sobre uma destruição iminente), levou a verdadeira Arca, deixando no seu lugar uma réplica.

A Etiópia possuía, de facto, uma grande comunidade de judeus, cujos remanescentes foram transportados para Israel por via aérea durante a Operação Salomão, em 1991. Contudo, durante a Idade Média, o país converteu-se à Igreja Ortodoxa. Mas a Igreja Etíope adoptou as tradições; cada igreja possui um tabot (uma caixa) que se assemelha à Arca. Existe um festival anual onde os sacerdotes desfilam em procissão, transportando os tabots sobre as cabeças. Um sacerdote é seleccionado para passar o resto da vida como guardião na igreja em Axum. Todos os esforços para ver a Arca têm sido vigorosamente negados.

O Monte do Templo e as Sinagogas Nos Dias de Hoje

O local original do complexo do Templo assenta sobre a rocha-mãe, existindo muitos túneis escavados na rocha. Contudo, o Monte do Templo (com o santuário da Cúpula da Rocha) ficou sob a responsabilidade do Mufti (a autoridade muçulmana) durante os últimos dias do mandato britânico, em 1948. As autoridades muçulmanas proíbem qualquer escavação arqueológica no Monte do Templo e ao seu redor, em Jerusalém. Durante a escavação dum túnel em 1981, foi descoberta uma passagem para o complexo a partir do Muro das Lamentações sob o Bairro Muçulmano. Quando esta informação foi transmitida à imprensa, interromperam-se todas as escavações: o Monte do Templo continua a ser uma das áreas mais sensíveis tanto para judeus como para muçulmanos.

Mosaic of Temple Facade with Torah Ark
Mosaico da Fachada do Templo com a Arca da Torá Dana Murray (CC BY-NC-SA)

As sinagogas possuem um nicho ou lugar especial para uma Arca da Aliança simbólica: aqui se guardam os rolos da Tora, que contêm os ensinamentos de Moisés e dos Profetas. Fora de Israel, a Arca está voltada para Jerusalém. No próprio Estado de Israel, o Yom HaAliyah (Dia da Aliyah, ou do 'subir', no sentido de subir para Jerusalém) é um feriado nacional que celebra a travessia do rio Jordão por Josué, enquanto carregava a Arca da Aliança.

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Bibliografia

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Tradutora e autora, o gosto pelas letras é infindável – da sua concepção ao jogo de palavras, da sonoridade às inumeráveis possibilidades de expressão.

Sobre o Autor

Rebecca Denova
Rebecca I. Denova, Ph.D. é Professora Emérita de Cristianismo Primitivo no Departamento de Estudos Religiosos da Universidade de Pittsburgh. Ela escreveu recentemente um livro didático, "The Origins of Christianity and the New Testament" [As Origens do Cristianismo e do Novo Testamento], publicado pela Wiley-Blackwell.

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Estilo APA

Denova, R. (2026, março 15). Arca da Aliança. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15237/arca-da-alianca/

Estilo Chicago

Denova, Rebecca. "Arca da Aliança." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, março 15, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15237/arca-da-alianca/.

Estilo MLA

Denova, Rebecca. "Arca da Aliança." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 15 mar 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15237/arca-da-alianca/.

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