Lasus de Hermione foi um célebre poeta lírico e músico grego do século VI a.C., creditado por introduzir inovações significativas na música grega. A Suda (um vasto registo bizantino do século X) data o seu nascimento à 58.ª Olimpíada (548–544 a.C.).
Lasus esteve em Atenas sob o patrocínio do tirano Hiparco, o que o tornou contemporâneo de Simónides. Em As Vespas (tít. orignal: Σφῆκες, transliterado: Sphēkes/ em latim: Vespae) de Aristófanes, afirma-se que ambos se defrontaram num concurso, embora esta referência diga pouco sobre a relação entre os dois: «Lasus e Simónides constestavam um contra o outro pelo prémio de canto. Lasus disse: "Mal jugue eu se me importa"» (As Vespas, 1411).
Uma das inovações mais importantes de Lasus foi a popularização em Atenas de um canto coral e dança em honra do deus do vinho, Dioniso, conhecido como ditirambo. Segundo Plutarco, foi em Atenas que Lasus introduziu oficialmente as Grandes Dionísias, que consistiam num concurso ditirâmbico. A Crónica de Paros, um documento grego antigo, data este evento de 509–508 a.C., o que teria acontecido após a morte do seu patrono.
Afirma-se também que Lasus implementou o «assigmatismo», uma técnica poética que se refere quer à abstenção completa da letra dórica san (a palavra dórica para sigma, o nosso «s») nos ditirambos, quer à sua abstenção parcial, o que parece ser mais aquilo que o termo pretende significar, dado que, do ponto de vista prático, o «s» é uma letra grega muito comum. Uma das poucas obras que faz referência a esta técnica provém do poeta grego Píndaro, que escreveu para uma atuação em Tebas: «Antigamente, o canto dos ditirambos arrastava-se, esticado como uma corda, e o "s" saía bastardo da boca dos homens...» (Píndaro, fr. 61.1-21).
Este fragmento de Píndaro encontra-se tanto num manuscrito antigo conhecido como o Papiro de Oxirrinco como citado por Dionísio de Halicarnasso na sua obra Da Composição das Palavras (tít. original: Περὶ συνθέσεως ὀνομάτων; transliterado: Peri Syntheseōs Onomatōn). É interessante notar que uma das nossas únicas fontes contemporâneas que faz referência ao «assigmatismo» é da autoria de Píndaro, e que este aparenta não ter uma boa opinião da técnica, visto dizer-se que Lasus foi seu professor. A razão para Lasus ter introduzido tal técnica nunca é diretamente abordada, mas Ateneu, citando Aristoxeno, refere que a razão para a rejeição do «s» por parte de músicos anteriores não nomeados se devia ao facto de ser «difícil de pronunciar», de ter um «som áspero» e de ser «pouco adequado ao aulo», uma flauta dupla que acompanhava o ditirambo (Athen. 11.467a), e quando Dionísio cita Píndaro, fá-lo para apoiar a sua afirmação de que «alguns dos escritores antigos usavam o sigma com moderação e cautela, chegando alguns a compor odes inteiras sem sigmas». Lasus bem podia ser um destes «escritores antigos».
A Lasus também foram atribuídas melhorias na técnica áulica:
Lasus de Hermione, ao alterar os ritmos para o movimento do ditirambo e ao seguir o exemplo da multiplicidade de notas pertencentes ao aulo (recorrendo assim a mais notas, amplamente dispersas), transformou a música que existia antes dele.
(Pseudo-Plutarco, 1141c, cf. escólio a Píndaro, Olímpicas, 13.26)
Isto significa provavelmente que Lasus modulava entre harmonias, embora esta técnica esteja mais relacionada com a música do século V a.C. É notavelmente raro que um teórico musical grego fosse também músico, como é o caso de Lasus, dado ter sido um dos primeiros musicólogos de destaque. No entanto, a sua obra não sobreviveu, embora seja referido como pertencendo à escola de pensamento de Epígono no que diz respeito à altura sonora. A faceta de musicólogo manifesta-se não só na adesão de Lasus ao «assigmatismo», mas também através da referência à sua decisão de utilizar um modo atípico nas suas próprias peças, ou possivelmente ao demonstrar a sua capacidade de o identificar e utilizar: «De Deméter canto, e da donzela, consorte de Clímeno, elevando um hino de melífero eco na afinação eólia de profundo ressoar...», o que M.L. West compara a cantar «louvemos o Senhor a uma só voz em sol maior». Este é o único fragmento sobrevivente de Lasus, preservado através de Ateneu (14.624e), onde se refere que é mencionado por Heráclides do Ponto no terceiro livro da sua obra Sobre a Música (tít. original: Περὶ μουσικῆς; transliterado: Peri Mousikēs).
Fora de um contexto musical, Heródoto refere-se a Lasus como sendo a pessoa que apanhou Onómrito de Atenas a inventar uma profecia de Museu — segundo a qual as ilhas da costa de Lemnos seriam um dia submersas pelo mar —, o que resultou no banimento de Onómrito de Atenas por parte de Hiparco (Heródoto, 7.6.3-5).
Os poucos indícios que se podem retirar das fontes antigas sobre Lasus de Hermione revelam-no como um músico influente e inovador em Atenas no final do século VI a.C. Resta apenas desejar que mais dos seus escritos e da sua música possam vir a ser descobertos, para que possamos compreender melhor uma figura tão vital no desenvolvimento da música grega.

