A cerâmica grega tem quatro tipos principais: geométrica, coríntia, ateniense de figuras negras e ateniense de figuras vermelhas. Os objectos de cerâmica eram feitos para uso diário, como a ânfora de duas asas para armazenamento, a taça kylix (cílix) de haste única para beber vinho e a hídria de três asas para armazenar água. A cerâmica grega era frequentemente decorada com desenhos geométricos ou imagens da mitologia grega.
A cerâmica da Grécia antiga, de cerca de 1000 a cerca de 400 a.C., oferece não apenas alguns dos formatos de vasos mais distintos da antiguidade, como também algumas das representações mais antigas e diversificadas das crenças e práticas culturais dos antigos gregos. Além disso, a cerâmica, com a sua durabilidade (mesmo quando partida) e falta de apelo para os caçadores de tesouros, é um dos objectos que mais sobreviveu em termos arqueológicos e, por isso, uma ferramenta importante para arqueólogos e historiadores na determinação da cronologia da Grécia antiga. Independentemente do seu valor artístico e histórico, a grande maioria dos vasos gregos, apesar de agora serem peças empoeiradas de museu, destinavam-se na verdade ao uso diário e, parafraseando Arthur Lane, talvez valha a pena lembrar que, em pé sobre um pavimento de pedra e encharcados de água, eles outrora teriam brilhado sob o sol do Mediterrâneo.
Materiais e Produção
A argila (keramos) para produzir a cerâmica (kerameikos) encontrava-se facilmente por toda a Grécia, embora a melhor delas fosse a argila ática, com o seu alto teor de ferro, que lhe conferia uma cor laranja-avermelhado com um leve brilho quando queimada, e a argila de cor bege claro de Corinto. A argila era geralmente preparada e refinada em tanques de decantação, para que se pudesse obter diferentes consistências do material, dependendo dos tipos de objectos a serem moldados com ela.
A cerâmica grega era invariavelmente feita na roda do oleiro e geralmente em secções horizontais separadas: o pé, a parte inferior e superior do corpo, o gargalo e, finalmente, as asas ou as pegas (consoante o objecto), se necessário, eram barbotinadas após a secagem e, em muitos casos, é possível ver as marcas do oleiro impressas no interior do vaso. A peça era então colocada de volta na roda para suavizar as marcas de união e dar o formato final. Portanto, todos os vasos eram únicos e as pequenas variações nas dimensões revelam que o uso de ferramentas simples e não de moldes recortados.
Em seguida, era decorado e o processo dependia do estilo decorativo em voga na época. Mas os métodos populares incluíam pincelar, todo ou parte do objecto, com uma tinta adesiva preta fina (cujas marcas em muitos casos permanecem visíveis) resultante da mistura de potássio alcalino ou soda, argila com teor de silício e óxido ferroso preto de ferro. A tinta era fixada ao vaso usando um fixador de urina ou vinagre que queimava com o calor do forno, unindo a tinta à argila. Outra técnica, usada mais raramente, era cobrir o vaso com uma tinta de argila branca. Alternativamente, apenas linhas ou figuras eram adicionadas em preto usando uma versão mais espessa da tinta preta mencionada acima e aplicada com um pincel rígido ou pena; como resultado, era obtido um leve efeito de relevo. Eram frequentemente adicionados pequenos detalhes com uma tinta preta diluída, dando uma cor amarelo-acastanhada, uma argila branca e um vermelho escuro de ocre e manganês, estas duas últimas tendiam a descascar com o tempo.
Seguia-se a cozedura no forno a uma temperatura de cerca de 960.° C, que é relativamente baixa e explica a "suavidade" da cerâmica grega (em comparação, por exemplo, com a porcelana chinesa). Eram cozidos várias vezes (no mesmo forno) para obter o acabamento e a coloração desejados. Primeiro, era cozido num fogo oxidante, onde uma boa ventilação do forno garantia que o laranja/vermelho da argila se destacasse. De seguida, era cozido novamente num forno sem oxigénio (processo de redução), adicionando água ou madeira húmida dentro do forno, o que garantia que as cores pintadas, especialmente o preto, escurecessem. Uma terceira cozedura, novamente com boa ventilação, avermelhava a argila, enquanto que as áreas pintadas, agora protegidas por uma fina camada, mantinham a sua coloração original. Este processo complicado exigia, obviamente, uma excelente coordenção temporal por parte do oleiro, para não estragá-lo com uma descoloração imprópria.
Oleiros e Pintores Gregos
Embora nem sempre, os pintores e os oleiros (kerameus) eram geralmente especialistas separados. No entanto, existiam parcerias duradouras, como a que existia entre o oleiro Ergotimos e o pintor Kleitas. Muitos oleiros e, com menos frequência, pintores, foram devidamente identificados através das suas assinaturas (mais comummente como "feito por..."), embora a maioria dos objectos gregos não seja assinada. No entanto, no século XX, o professor J. D. Beazley identificou mais de 500 artistas não assinados que se distinguem pelo seu estilo particular; a sua catalogação sistemática e abrangente da cerâmica grega também permitiu o estudo da sua evolução em termos de técnicas, desenho e decoração.
Geralmente, os pintores trabalhavam em oficinas coletivas, sob a supervisão de um "mestre" oleiro (o que sugere que para o gregos a forma era realmente mais importante do que a decoração). Embora os artistas não estivessem sob a alçada do controlo político centralizado ou de restrições, sem dúvida, eles eram impulsionados pela pocura do mercado por estilos, temas e modas específicos. Muitos oleiros e artistas eram prolíficos na sua produção e, em alguns casos, pode-se atribuir mais de 200 objectos a um único artista. A maioria dos ceramistas provavelmente recebia um salário não superior ao de qualquer outro trabalhador manual, e um bom artigo de barro provavelmente custava apenas o salário de um dia. Certamente, porém, alguns artistas eram muito procurados e os seus produtos eram vendidos não apenas localmente, mas em toda a região do Mediterrâneo. Por vezes, os próprios oleiros mudavam-se para outras cidades, especialmente colónias, levando consigo o seu estilo regional. Havia também alguma rivalidade entre eles, como indica um comentário assinado num vaso: "melhor do que Eufónio alguma vez poderia ter feito".
As Formas da Cerâmica Grega
Embora a cerâmica grega nos ofereça uma ampla variedade de formas: de chavenas a pratos e a ânforas enormes, muitas das formas permaneceram relativamente constantes ao longo dos séculos. Tal se deve, principalmente, ao fato de que os oleiros gregos produziam artigos para uso prático — para armazenar vinho, água, azeite e perfumes — e, assim que a forma prática ideal era alcançada, ela era copiada e mantida. No entanto, apesar desta restrição na forma, os oleiros e os pintores gregos podiam expressar a sua versatilidade na decoração dos artigos.
As formas mais comuns de cerâmica eram as ânforas para armazenar vinho; grandes kraters (crateras) para misturar vinho com água; oinochoai (oinócoes) jarros para servir vinho; kylixes ou cálices com hastes e asas horizontais para beber (especialmente práticos para levantar um copo do chão quando reclinado numa espreguiçadeira durante o jantar); hydra com três asas para a água; skyphoi (escifos) ou tigelas fundas; e lekythoi (lécitos) jarros para guardar óleos e perfumes. Precisamente porque estes objectos eram para uso prático, as asas (quando presentes) são geralmente resistentes, contudo o oleiro, usando formas cuidadosamente pensadas, conseguia muitas vezes integrar estes acréscimos à harmonia geral do objecto e auxiliado nesta tarefa pela arte do pintor ao usar decorações adicionais sutis.
Estilos Decorativos: Cerâmica Proto-Geométrica
A cerâmica grega, particularmente em termos de decoração, evoluiu ao longo dos séculos e pode ser categorizada em quatro grandes grupos:
- Cerâmica proto-geométrica
- Cerâmica geométrica
- Cerâmica de figuras negras
- Cerâmica de figuras vermelhas
No entanto, os grupos ou estilos não passaram abruptamente de um para o outro, mas, em alguns casos, coexistiram por décadas. Além disso, algumas cidades-estado e regiões demoraram a aderir aos novos estilos ou simplesmente preferiram a decoração do estilo "antigo" muito tempo depois de terem sido descontinuados noutros lugares. Além disso, algumas cidades e regiões eram consistentemente um pouco excêntricas na sua decoração (notadamente Lacónia-Esparta, Chipre, Creta e Beócia) e preferiam seguir o seu próprio caminho artístico em vez de imitar os estilos dos centros mais dominantes, como Atenas e Corinto.
O primeiro estilo distinto de cerâmica grega surgiu por volta de 1000 a.C. ou talvez mesmo antes. Reminiscente da técnica das civilizações gregas anteriores da Creta minóica e do continente micénico, a decoração da cerâmica grega primitiva empregava formas simples, usadas com moderação. A cerâmica proto-geométrica, no entanto, difere da minóica e da micénica em termos de forma. O centro de gravidade do vaso é deslocado para baixo (criando um recipiente mais estável), com os pés e o gargalo mais articulados.
Os desenhos proto-geométricos mais populares eram círculos pintados com precisão (pintados com vários pincéis fixos a um compasso), semicírculos e linhas horizontais em preto, com grandes áreas do vaso pintadas exclusivamente em preto. Um novo motivo na base dos vasos eram as pontas triangulares verticais, que perdurariam durante séculos e se tornariam uma característica essencial do desenho posterior da cerâmica de figuras negras.
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Cerâmica Geométrica
Por volta de 900 a.C., surgiu o estilo geométrico completo, que privilegiava o espaço retangular no corpo principal do vaso, entre as asas. Os desenhos lineares arrojados (talvez influenciados pelos estilos contemporâneos de cestaria e tecelagem) surgiram aqui, com decoração de linhas verticais em ambos os lados. Foi neste período que apareceu pela primeira vez o desenho Meandro (talvez inspirado pela prática de enrolar folhas nas bordas de tigelas de metal), destinado a se tornar para sempre associado à Grécia e ainda hoje presente em tudo, desde pratos a toalhas de praia. A parte inferior dos vasos geométricos era frequentemente pintada de preto e separada do resto do vaso por linhas horizontais. Surgiu uma forma geométrica interessante, que era a caixa circular com uma tampa plana, sobre a qual um a quatro cavalos serviam de pega.
A partir do século VIII a.C., a decoração da cerâmica geométrica começou a incluir figuras humanas estilizadas, pássaros e animais, com quase toda a superfície do vaso coberta por linhas e formas arrojadas pintadas em castanho e preto. No final do período, no século VII a.C., o chamado estilo oriental tornou-se popular em Corinto. Com as ligações comerciais orientais, a cidade apropriou-se das plantas estilizadas (por exemplo, lótus, palmeira e árvore da vida), frisos de animais (por exemplo, leões) e linhas curvas da cerâmica egípcia e assíria para produzir a sua própria versão grega única. O resto da Grécia oriental seguiu o exemplo, muitas vezes preferindo o vermelho sobre um fundo branco. Atenas também seguiu a nova tendência, que se tornou generalizada, com as Cíclades, por exemplo, a produzir cerâmica neste novo estilo mais livre, muitas vezes em vasos muito grandes e com decoração mais espaçada.
No final do século VII a.C., a cerâmica proto-coríntia atingiu novos patamares de técnica e qualidade, produzindo a melhor cerâmica já vista, em termos de cozedura, forma e decoração. As figuras estilizadas em preto tornaram-se cada vez mais precisas e ganharam ainda mais detalhes, graciosidade e vigor. Nasceu o célebre estilo de cerâmica de figuras negras.
Cerâmica de Figuras Negras
Embora tenha sido produzida pela primeira vez em Corinto, seguida por belos exemplares feitos na Lacónia e no sul da Itália (por colonos eubeus), foram os oleiros e os pintores da Ática que se destacaram, acima de todos os outros, no estilo de figuras negras, passando a dominar o mercado grego pelos próximos 150 anos. Nem todas as figuras eram pintadas de preto, pois foram adoptadas certas convenções de cores, como o branco para a pele feminina e o vermelho-púrpura para roupas e acessórios. É característico deste estilo um maior interesse por detalhes finos, como músculos e cabelos, que eram adicionados às figuras usando um instrumento afiado. No entanto, são as posturas das figuras que também marcam a cerâmica de figuras negras como o auge da pintura de vasos gregos. As figuras mais refinadas recebem graça e equilíbrio e são frequentemente ilustradas nos momentos antes do movimento real ou a descansar após o esforço.
O famoso vaso de Exekias, com Ájax e Aquiles a jogar um jogo de tabuleiro durante a Guerra de Tróia, é um excelente exemplo da dignidade e energia que a pintura de figuras negras podia alcançar. Além disso, os vasos de figuras negras frequentemente contavam, pela primeira vez, uma narrativa. Talvez o exemplo mais famoso seja o Vaso François, um grande krater de volutas feito por Ergotimos e pintado por Kleitas (570-565 a.C.), com 66 cm de altura (26 polegadas) e coberto por 270 figuras humanas e animais que retratam uma variedade impressionante de cenas e personagens da mitologia grega. Outros recipientes típicos do estilo de figuras negras são ânforas, lekythoi (lécito), kylixes, copos simples, pyxides (píxide - pequenas caixas com tampa) e tigelas.
Cerâmica de Figuras Vermelhas
A técnica de figuras negras foi substituída pela técnica de figuras vermelhas (figuras vermelhas criadas ao se pintar os contornos com um fundo preto) por volta de 530 a.C., que perduraria pelos próximos 130 anos. Os dois estilos coexistiram por algum tempo e há até exemplos "bilíngues" de vasos com ambos os estilos, mas a figura vermelha, com a vantagem do pincel sobre o buril, podia tentar retratar de forma mais realista a figura humana e acabou tornando-se o estilo preferido da decoração da cerâmica grega. Talvez influenciado pelas técnicas contemporâneas de pintura mural, são características deste estilo: os detalhes anatómicos; as diversas expressões faciais; os maiores detalhes no vestuário (especialmente nas pregas, seguindo a nova moda do vestido chiton (quíton) mais leve, que também fascinava os escultores contemporâneos); as maiores tentativas de retratar a perspetiva; a sobreposição de figuras, e a representação da vida quotidiana, como cenas de educação e desporto.
As formas dos vasos de figuras vermelhas são geralmente as do estilo de figuras negras. Uma exceção é a kylix, que se torna mais rasa e com um pé mais curto, quase como uma terceira asa. Além disso, a narrativa pintada deve ser lida girando a taça na mão. Outras pequenas modificações são a hidra, que se torna um pouco mais cheia na figura, e a ânfora de pescoço mais fino. Os lekythoi deste período geralmente tinham um fundo branco, assim como (mais raramente) taças e caixas.
Novos Meios de Comunicação
No século IV a.C., talvez na tentativa de copiar as inovações de perspectiva do afresco contemporâneo, o estilo de figuras vermelhas revelaria as suas limitações e os vasos degenerariam em cenas superlotadas com estranhas perspectivas flutuantes. Significativamente, a pintura na cerâmica deixaria de estar intrinsecamente ligada à forma que decorava e, assim, deixou de existir como forma de arte por direito próprio. Consequentemente, a atenção e a excelência artísticas afastar-se-iam das limitações da cerâmica para outras expressões mais abertas, como a pintura mural.
Conclusão
Em conclusão, podemos dizer que a cerâmica grega não só nos deu algumas das formas e desenhos mais distintos, influentes e belos da antiguidade, mas também uma janela para a vida, práticas e crenças de um povo há muito desaparecido e do qual muitas vezes não temos registros escritos contemporâneos. Estes objetos do quotidiano, ao contrário de outros vestígios arqueológicos, como a literatura, a escultura e a arquitetura, permitem-nos sentir um pouco mais próximos das pessoas comuns do mundo antigo, aquelas que não podiam comprar obras de arte ou joias preciosas, mas podiam dar-se ao luxo de possuir um objeto finamente trabalhado, como um vaso grego.
