Nero

O Imperador Artista
Harrison W. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Roman Emperor Nero (by cjh1452000, CC BY-SA)
Imperador Romano Nero cjh1452000 (CC BY-SA)

Nero (37-68 d.C.) foi o quinto imperador romano, que reinou de 54 a 68 d.C. Sendo o último imperador da Dinastia Júlio-Claudiana, subiu ao poder aos 16 anos com a ajuda da sua mãe, Agripina, a Jovem. Inicialmente um governante popular, o seu reinado caracterizou-se tanto pela arte como pela tirania. Adorava cantar e tocar lira, apreciava corridas de quadrigas e actuava frequentemente em tragédias. Todavia, também assassinou a mãe, matou duas das suas esposas e expurgou os seus oponentes no exército e no Senado Romano. Perdeu grande parte da sua popularidade após o Grande Incêndio de 64 d.C. e suicidou-se em 68 d.C., após ter sido declarado inimigo público pelo Senado. A sua morte foi seguida por uma breve guerra civil conhecida como o Ano dos Quatro Imperadores.

Os Primeiros Anos e a Família

Nero nasceu como Lúcio Domício Enobarbo a 15 de dezembro de 37 d.C. em Âncio, uma cidade costeira a sul de Roma. O seu pai, Cneu Domício Enobarbo, era um político romano que o historiador Suetónio descreve como "um homem detestável em todos os aspectos" (Nero, pág. 5). Domício teria, aparentemente, arrancado o olho a um homem que o criticara e atropelado deliberadamente uma criança com a sua quadriga enquanto acelerava pela Via Ápia. A mãe de Nero, Agripina, a Jovem, tinha casado com Domício quando tinha apenas 13 anos. Ela era bisneta de Augusto e irmã de Calígula, mas, apesar deste elevado estatuto social, teve de lutar arduamente pela sobrevivência toda a sua vida. Assistiu à destruição dos seus pais e irmãos, e passou até algum tempo no exílio; a experiência tornou-a ambiciosa, astuta e perigosa. Eram, certamente, um casal formidável. Como o próprio Domício disse após saber do nascimento do filho: "É impossível que qualquer homem bom possa nascer de mim e desta mulher" (citado em Strauss, pág. 86).

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Agripina tentava posicionar Nero como o herdeiro presuntivo do Império Romano, substituindo o filho biológico de Cláudio, o adolescente Britânico.

Domício não viveria para ver como a sua previsão se confirmaria, pois morreu quando o filho tinha apenas três anos. O rapaz foi, a partir daí, criado por Agripina, que procurou usá-lo como um peão para promover a sua própria posição. Ela teria uma oportunidade em 49 d.C., quando casou com o tio, o Imperador Cláudio. A mulher anterior de Cláudio, Valéria Messalina, fora recentemente executada após alegadamente conspirar contra ele. Não querendo segui-la para o túmulo, Agripina foi mais cuidadosa com as suas próprias intrigas. Silenciosamente, encheu a corte com os seus apoiantes – conquistou o secretário do tesouro, um liberto chamado Pallas, e nomeou o seu amigo leal, Sexto Afrânio Burro, como prefeito da Guarda Pretoriana. Persuadiu Cláudio a adoptar o Nero, a quem foi dado o extravagante novo nome de Nero Cláudio César Druso Germânico, que entrou formalmente na vida pública aos 13 anos, proferindo um discurso perante o Senado. Alguns anos depois, casou-se com a filha de Cláudio, Cláudia Octávia. Claramente, Agripina estava a tentar posicionar Nero como o herdeiro presuntivo do Império Romano, substituindo o filho biológico de Cláudio, o adolescente Britânico.

Cláudio pode ter estado ciente disto e, à medida que Britânico crescia, começou a falar em encontrar formas de promover a sua carreira. Mas então, em outubro de 54 d.C., Cláudio morreu subitamente. Pode ter sido morte natural – afinal, uma febre grassara por Roma durante todo o ano – mas muitas fontes antigas afirmam que foi envenenado por Agripina, para garantir o trono para o filho. Embora seja impossível saber com certeza se ela foi cúmplice na morte do marido, ela certamente aproveitou-se da situação. Cobriu a Guarda Pretoriana com subornos e estes, por sua vez, proclamaram Nero imperador. Com menos de 17 anos, a sua juventude oferecia um contraste marcante com o seu antecessor idoso e débil; de olhos azuis e cabelo louro-areia, com um rosto que tinha "traços regulares mas não especialmente agradáveis", a sua aparência juvenil entusiasmou o povo romano, que viu nele um novo começo (citado em Strauss, pág. 81). De facto, Nero prometeu exatamente isso no seu primeiro discurso ao Senado, jurando pôr fim aos abusos de imperadores idos, como os temidos julgamentos por traição, e restaurar alguns dos poderes do Senado.

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Julio-Claudian Dynasty of the Roman Empire
Dinastia Júlio-Claudiana do Império Romano Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

O Conflito com Agripina

Embora agora fosse imperador, Nero não conseguia escapar à sombra dominadora da mãe. Todas as suas roupas eram cuidadosamente escolhidas por ela, tal como os homens que o rodeavam; até o seu tutor, o filósofo Lúcio Anneu Séneca (Séneca, o Jovem), fora um dos nomeados por ela. A efígie de Agripina aparecia nas moedas, de frente para a do filho, como se fossem co-governantes, e ela era acompanhada para onde quer que fosse por dois lictores e uma guarda-costas germânica. Ela usou os seus novos poderes para liquidar oponentes políticos e chegou a frequentar reuniões do Senado; uma vez que as mulheres não podiam testemunhar os procedimentos senatoriais, ela observava por trás de uma cortina. Poder-se-ia dizer que, nesta altura, Agripina era o verdadeiro poder em Roma, um facto que incomodava o seu filho vaidoso e ciumento.

Para Nero, a gota de água foi quando Agripina lhe disse para acabar com um caso sexual que ele mantinha com uma escrava, Acte. Ele respondeu impedindo publicamente a sua mãe de se juntar a ele no tribunal para ouvir uma embaixada estrangeira. Depois, demitiu Pallas, um dos seus maiores apoiantes na corte. Enfurecida, Agripina aproximou-se do filho e disse-lhe que, se ele continuasse a rebelar-se, fá-lo-ia ser deposto e substituído pelo mais maleável Britânico. Nero não respondeu de imediato, mas descarregou as suas frustrações no seu meio-irmão, a quem sodomizou repetidamente. A 11 de fevereiro de 55 d.C., ele organizou um banquete para o qual convidou uma grande seleção de familiares e cortesãos, incluindo Agripina e Britânico. A meio da refeição, Britânico começou a ter convulsões e ficou sem conseguir respirar – foi retirado da sala e o banquete continuou, com os convidados a evitarem nervosamente o olhar de Nero. Britânico foi cremado no dia seguinte. Embora a versão oficial fosse a de que ele sofrera um ataque epilético, poucos deixaram de ver a mão de Nero na sua morte.

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Nero and Agrippina
Nero e Agripina Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Mas a mensagem era destinada a Agripina, que percebeu a indireta. Sem mais cartas para jogar, ela deixou o palácio imperial e passou os anos seguintes de forma discreta. Não demorou muito, porém, até tentar infiltrar-se de novo no poder, procurando oportunidades para reafirmar a sua influência sobre o filho. Por volta de 59 d.C., Nero tinha chegado ao limite, e convidou-a para jantar com ele na vila em Âncio. Antes de se despedirem, beijou-a e disse: "Por ti vivo, e é graças a ti que governo" (citado em Holland, pág. 360). Ela embarcou então num navio que, sem que ela soubesse, fora preparado para se desmoronar. No entanto, após ter sido lançada na Baía de Nápoles, ela conseguiu nadar até à margem e cambalear de volta para a vila. Ali, foi abordada por um grupo de homens armados e finalmente caiu em si sobre o que estava a acontecer. Em vez de implorar pela vida, apontou para o ventre e disse-lhes para a golpearem ali. Eles obedeceram, pondo fim a uma das mulheres mais incríveis da Roma Antiga. O seu corpo foi levado de volta para Roma e despido para ser preparado para a cremação. Ao olhar para o cadáver nu, diz-se que Nero comentou: "Não sabia que tinha uma mãe tão bonita" (citado em Holland, pág. 361).

O Artista e o Amante

Após o seu regresso a Roma, Nero não tentou encobrir o seu crime. Em vez disso, fez com que o Senado rotulasse Agripina como traidora e apresentou-se como um herói trágico que fora forçado a matá-la antes que a sua sede de poder destruísse Roma. Embora algumas pessoas estivessem horrorizadas com o seu matricídio, outras ficaram deslumbradas; o historiador Tom Holland explica que Nero calculara que a enormidade do seu crime acabaria apenas por aumentar o seu carisma e que "as multidões se enfileiravam para o encontrar como se fosse para um triunfo" (pág. 362). Ele até organizou jogos para celebrar a sua vitória sobre a mãe, convidando todo o povo romano a comparecer; realizados em vários locais diferentes da cidade, os jogos foram bastante espetaculares e incluíram peças de teatro, combates de gladiadores e corridas de quadrigas. O imperador cobriu generosamente o seu povo adulador com presentes. Numa festa, realizada mais tarde nesse verão, Nero apareceu mesmo em palco, cantando e tocando lira.

Embora Nero levasse os assuntos de Estado a sério, considerava-se, acima de tudo, um artista.

Embora Nero levasse os assuntos de Estado a sério, considerava-se, acima de tudo, um artista. Sempre gostara de cantar, mas fora forçado a fazê-lo em privado enquanto Agripina era viva. Agora, com ela morta, podia actuar onde desejasse e começou a cantar cada vez mais para audiências. Também gostava de escrever poesia e, embora nada tenha sobrevivido, alguns comentadores antigos julgaram-na bastante boa. Mas talvez a sua maior paixão fosse a representação. Era conhecido por interpretar papéis trágicos como Hércules e Édipo. Não querendo confinar o seu teatralismo ao palco, participou em corridas de quadrigas no Circo Máximo – embora alguns senadores da velha guarda desaprovassem este passatempo, isso granjeou-lhe grande favor junto das massas. À noite, Nero deambulava frequentemente pelas ruas com os amigos, incluindo Marco Sálvio Otão (o futuro imperador). Disfarçados com perucas e roupas de escravos, entravam em bares e teatros, onde solicitavam prostitutas e iniciavam zaragatas.

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Em 59 d.C., Nero apaixonou-se pela mulher mais bela de Roma: Popeia Sabina era famosa pela sua aparência – dizia-se que se banhava no leite de 500 jumentas para preservar a sua beleza e que uma vez dissera que preferia morrer jovem do que envelhecer e ficar feia. Ela tinha até a sua própria marca popular de cosméticos. Nero ficou instantaneamente rendido e escreveu um poema elogiando os seus cabelos de âmbar. O facto de ela já ser casada com o amigo de Nero, Otão, não foi obstáculo. Nero afastou-o ao nomeá-lo governador da remota província da Lusitânia. Nero e Popeia iniciaram um caso que durou até 62 d.C., quando ela engravidou. O imperador respondeu drasticamente, divorciando-se da sua esposa, Octávia, e enviando-a para o exílio na ilha árida de Pandataria. Facto que foi recebido com protestos públicos, e Nero mandou simplesmente executar Octávia; a cabeça dela foi trazida para Roma e oferecida a Popeia. Ele e Popeia casaram-se nesse mesmo ano, embora o filho viesse a morrer na infância.

Poppaea and Nero Have the Head of Octavia Brought Forward to Them
Popeia e Nero Recebem a Cabeça de Otávia  Giovanni Muzzioli / Bardazzi/Museo Civico di Modena (CC BY-SA)

O Grande Incêndio

Na noite de 18 de julho de 64 d.C., um incêndio deflagrou numa das lojas de mercadores no Monte Aventino, com vista para o Circo Máximo. Espalhou-se rapidamente pelos edifícios de madeira apertados, devorando bairros inteiros. Durou seis dias. Muitas vidas foram perdidas e muitas mais pessoas ficaram desalojadas. Nero estava na sua vila à beira-mar quando o incêndio começou e não regressou a Roma até que as chamas ameaçaram o seu próprio palácio. Assim que regressou, porém, entrou em acção. Abriu edifícios públicos e parques para aqueles que tinham perdido as casas, trouxe alimentos de cidades vizinhas e reduziu drasticamente o preço dos cereais. Mas, para muitos romanos, tudo isto foi pouco e chegou demasiado tarde. Eles não esqueceriam a sua inactividade inicial e, de facto, espalhou-se rapidamente o rumor de que Nero estivera a tocar a sua lira e a cantar sobre a queima de Troia enquanto as chamas consumiam a sua própria cidade. (A ideia de que ele tocara violino enquanto Roma ardia foi uma adição posterior à história, já que os violinos só foram inventados no século XVI.)

The Great Fire of Rome, 64 CE.
O Grande Incêndio de Roma, 64 d.C. Hubert Robert (Public Domain)

Nero não ajudou a sua própria reputação quando, na sequência do incêndio, confiscou grande parte do centro de Roma para construir um novo palácio. Chamado Domus Aurea (Casa Dourada), este consistiria em aposentos grandiosos para o imperador, belas obras de arte e até um magnífico parque público. Mas, para muitos, esta exibição de excesso e poder ostensivo era demais; alguns chegaram mesmo a acreditar que Nero tinha iniciado o incêndio propositadamente, apenas para poder reconstruir Roma à sua imagem. Alarmado por estar a perder a boa vontade das massas, Nero sabia que precisava de encontrar um bode expiatório para desviar as culpas. De acordo com algumas fontes antigas, ele tentou culpar os cristãos pelo incêndio, que eram então uma seita pequena mas crescente na cidade. Reuniu cristãos e mandou crucificá-los, lançá-los às feras ou queimá-los como tochas humanas nos seus jardins. No entanto, a perseguição de Nero aos cristãos não tranquilizou a população. Após o Grande Incêndio, Nero nunca mais conseguiu recuperar a mesma popularidade de que desfrutara anteriormente.

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O Reinado Tardio

Em 62 d.C., morreu Burro, o prefeito pretoriano. Este facto revelou-se um ponto de viragem no reinado de Nero – Burro servira como uma influência moderadora sobre o imperador, enquanto o seu sucessor, Ofónio Tigelino, apenas encorajava os piores impulsos de Nero. Por insistência de Tigelino, Nero reabriu os julgamentos por traição que outrora prometera abandonar. Mais tarde nesse ano, ordenou as execuções de dois senadores que o tinham ofendido e parodiou quando lhe apresentaram as suas cabeças decepadas. Isto, combinado com o divórcio arbitrário e a execução de Octávia, perturbou o Senado, que temia que Nero se estivesse a tornar um tirano.

Em 65 d.C., um dos senadores mais proeminentes, Caio Calpúrnio Pisão, orquestrou uma conspiração para depor Nero. No final, a trama foi traída e os conspiradores foram presos: foram executados 19 homens e 13 exilados. Pisão foi forçado ao suicídio, tal como o antigo tutor de Nero, Séneca. Embora não tivesse sido um participante activo na conspiração, Séneca tivera conhecimento da mesma, mas optara por permanecer em silêncio. O esmagamento da conspiração de Pisão em nada aplacou a fúria de Nero. Nesse mesmo ano, ele envolveu-se numa discussão acesa com Popeia, depois de esta o ter confrontado por ele ter passado a noite toda nas corridas. Ele acabou por lhe dar um pontapé no abdómen, o que causou a sua morte pouco tempo depois. Ela estava grávida do segundo filho de ambos.

Nero (Artistic Facial Reconstruction)
Nero (Reconstituição Facial Artística) Daniel Voshart (Copyright)

Ao longo do seu reinado, eclodiram crises por todo o império. Em 60 d.C., a rainha dos Icenos, Boudica, liderou uma revolta contra a ocupação romana na Britânia. Esta foi esmagada um ano depois, após dezenas de milhares de mortes. Em 66 d.C., rebentou uma revolta na Judeia, resultante de tensões entre as populações grega e judaica. Nero enviou um dos seus generais, Vespasiano, para esmagar esta rebelião no ano seguinte. Em nenhum dos casos Nero lidou com a crise pessoalmente; em vez disso, confiou os problemas aos seus generais. De facto, ele deixou a Itália apenas uma vez durante o seu reinado. Em 66 d.C., foi para a Acaia, na Grécia, para competir nos Jogos Olímpicos. Participou em quatro concursos diferentes e, sem surpresa, permitiram-lhe vencer todas as vezes. Durante esta viagem autoindulgente, conheceu um jovem escravo chamado Esporo, que se assemelhava imenso a Popeia. Num estranho acto do que poderá ter sido luto ou arrependimento, Nero mandou castrar o rapaz e casou-se com ele com todas as cerimónias.

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A Queda e Morte

Por volta de 67 d.C., Nero tinha-se revelado um homem amargo e ciumento, capaz de grandes crueldades. Em lado nenhum estas características foram mais evidentes do que quando ordenou ao seu melhor general, Cneu Domício Córbulo, que se matasse. Córbulo, que aparentemente não cometera outro crime senão ser popular entre as massas, cumpriu o dever e lançou-se sobre a sua espada. Isto perturbou os outros generais, que sabiam que, se tal pudera acontecer a Córbulo, poderia acontecer a qualquer um deles. Enquanto estes generais contemplavam a sua própria sobrevivência, havia no Senado quem estivesse horrorizado com os rumores de que Nero planeava mudar o nome de Roma para 'Nerópolis', em sua própria honra. Este nível de egomania superava até as acções mais ultrajantes de Calígula. A elite romana sabia que, de alguma forma, Nero tinha de ser travado.

O primeiro dominó caiu em março de 68 d.C., quando Caio Júlio Víndex, governador da Gália Lugdunense, se sublevou contra as políticas fiscais de Nero. Na carta que enviou a Roma declarando a sua rebelião, Víndex provocou Nero referindo-se a ele pelo seu nome de baptismo, "Enobarbo", e insultando as suas capacidades musicais. Nero ripostou pedindo a cabeça de Víndex e ordenando a Lúcio Vergínio Rufo que liderasse um exército contra os rebeldes. Em maio, Vergínio derrotou o exército rebelde em batalha e Víndex suicídou-se.

Mas este era apenas o início, pois a deserção de Víndex tinha aberto as comportas da rebelião. Na Hispânia, Sérvio Sulpício Galba revoltou-se e muitos romanos proeminentes acorreram à sua bandeira. Exércitos tanto na África como no norte de Itália rebelaram-se, e as tropas de Vergínio tentaram até proclamar o seu general imperador (Vergínio recusou; manteve-se neutral durante o resto do conflito). Cada vez mais desesperado, Nero tentou reunir a Guarda Pretoriana a seu lado, mas até eles viram o que o destino reservava. Um pretoriano disse a Nero para aceitar a sua sorte, citando uma passagem da Eneida de Virgílio: "Será assim tão terrível morrer?" (citado em Holland, pág. 414).

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Depois de contemplar as suas opções, mas sem chegar a qualquer decisão, Nero decidiu ir dormir. Acordou por volta da meia-noite de 9 de junho e descobriu que os seus guardas o tinham abandonado e que o seu palácio estava quase vazio. Em pânico, Nero disfarçou-se e fugiu, juntamente com Esporo e três libertos acompanhantes. Dirigiram-se a uma vila a cerca de 6,4 km (4 milhas) de Roma, onde Nero ordenou aos seus acompanhantes que lhe cavassem uma sepultura. Pouco tempo depois, souberam que o Senado o tinha declarado inimigo público. Tendo perdido o exército, o Senado e, em breve, até o império, Nero sabia que restava apenas uma coisa a fazer. Com a ajuda de um dos seus libertos, levou o punhal à garganta e enterrou-o profundamente. "Que artista morre comigo!", diz-se que lamentou pouco antes de cometer suicídio. Com ele morreu a Dinastia Júlio-Cláudia, a Casa de César, que governara desde a fundação do império.

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Perguntas & Respostas

Qual era o nome completo de Nero e quando ele reinou?

O nome completo de Nero era Lúcio Domício Enobarbo, mas depois de Agripina se ter casado com Cláudio, ele tornou-se Nero Cláudio César Augusto e reinou de 54 a 68 d.C.

Quem era Agripina?

Agripina era a mãe de Nero, filha de Agripina, a Velha, e bisneta do Imperador Augusto.

Quais foram as principais catástrofes do reinado de Nero?

Algumas das principais catástrofes do reinado de Nero foram a Conspiração de Pisão, uma trama malograda para matar Nero, a fracassada rebelião de Boudica na Britânia e o Grande Incêndio que começou a 19 de julho de 64 d.C. e durou seis dias.

O que fez Nero após o incêndio?

Após o incêndio, Nero precisou de aumentar os impostos para financiar a reconstrução de Roma, com novos distritos residenciais, ruas mais largas, edifícios de tijolo e colunatas para abrigar os moradores do sol. A nova Roma também incluiu o Palácio Dourado de Nero.

Como morreu Nero?

Nero suicidou-se. O Senado declarou-o inimigo público e nomeou Galba como o novo imperador. Percebendo que os seus dias tinham acabado, Nero tentou suicidar-se enquanto estava na sua vila, mas falhou, e precisou de ajuda para o fazer.

Bibliografia

A World History Encyclopedia é uma Associada da Amazon e recebe uma contribuição na venda de livros elegíveis

Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Tradutora e autora, o gosto pelas letras é infindável – da sua concepção ao jogo de palavras, da sonoridade às inumeráveis possibilidades de expressão.

Sobre o Autor

Harrison W. Mark
Harrison Mark é pesquisador e escritor para a World History Encyclopedia. Ele é graduado pela SUNY Oswego, onde estudou História e Ciência Política.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, H. W. (2023, setembro 25). Nero: O Imperador Artista. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10280/nero/

Estilo Chicago

Mark, Harrison W.. "Nero: O Imperador Artista." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, setembro 25, 2023. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10280/nero/.

Estilo MLA

Mark, Harrison W.. "Nero: O Imperador Artista." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 25 set 2023, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10280/nero/.

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