Por volta de 1200 a.C., o Levante meridional encontrava-se num ponto crítico de transformação, na sequência do declínio dos sistemas da Idade do Bronze Final. Durante séculos, a hegemonia egípcia sob governantes como Ramessés II (reinado 1279–1213 a.C.) e os seus sucessores estruturou a região através de uma rede de cidades-estado cananeias. No final do século XIII e início do século XII a.C., este quadro imperial enfraqueceu, deixando centros urbanos fundamentais, como Hazor, Megido e Laquis, a persistirem com graus variáveis de autonomia, enquanto a influência egípcia sobrevivia apenas em reduzidos bastiões administrativos. Simultaneamente, as regiões costeiras testemunharam a chegada e o povoamento gradual de grupos associados às migrações dos Povos do Mar, incluindo os Filisteus, marcando uma mudança significativa no equilíbrio de poder ao longo do Mediterrâneo oriental.
Em vez de estados claramente definidos, a região formava um mosaico de zonas sobrepostas e fluidas. As provas arqueológicas apontam para o crescimento de povoamentos dispersos nas terras altas, nas zonas centrais e meridionais, frequentemente associados em tradições posteriores a uma identidade israelita primitiva, enquanto a Transjordânia permanecia dominada por comunidades agro-pastoris fragmentadas e grupos nómadas, incluindo aqueles identificados em fontes egípcias como Shasu. Nesta paisagem de transição, sistemas urbanos mais antigos, comunidades rurais emergentes e populações móveis coexistiam, ilustrando uma transformação gradual e regionalmente variada que viria a moldar os desenvolvimentos políticos e culturais da Idade do Ferro Inicial.
Um agradecimento especial a Patrick Scott Smith, M.A., pela sua investigação e contributo.

