A vida cotidiana no Egito Antigo

Joshua J. Mark
por , traduzido por Marco Terres
publicado em
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A visão popular da vida no Egito antigo costuma retratar uma cultura obcecada pela morte em que poderosos faraós obrigavam seu povo a construir pirâmides e templos, e que, por um tempo indeterminado, escravizaram os hebreus para esse propósito.

Entretanto, os egípcios amavam a vida, independentemente de sua classe social, e o governo do Egito antigo usava mão de obra escrava assim como toda a cultura do mundo antigo, sem qualquer fixação por uma etnia em particular. Embora tivessem certo desprezo pelos não egípcios, isso se devia simplesmente à crença de que estavam vivendo a melhor vida possível no melhor dos mundos.

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Na verdade, a vida no Egito antigo era considerada tão perfeita que o conceito de pós-morte era imaginado como uma continuação eterna da vida terrena. Os escravos no Egito eram constituídos por criminosos, ou devedores que não podiam pagar por suas dívidas, ou prisioneiros de campanhas militares estrangeiras. Essas pessoas eram consideradas como tendo perdido seu direito de liberdade, seja por suas escolhas individuais ou por conquista militar, e por isso eram submetidas a uma existência muito inferior à dos egípcios livres.

Plowing Egyptian Farmer
Agricultor egípcio arando Zenodot Verlagsgesellschaft mbH (GNU FDL)

No entanto, os indivíduos que, de fato, construíram as pirâmides e outros famosos monumentos eram egípcios pagos por seu trabalho, e muitas vezes eram mestres nessa arte. Esses monumentos eram construídos não para homenagear a morte, mas para enaltecer a vida e a crença de que a vida individual era suficientemente importante para ser lembrada pela eternidade. Além disso, a crença egípcia de que a vida era uma jornada eterna e a morte apenas uma transição inspirava os egípcios a tornarem suas vidas dignas de serem vividas eternamente. Longe de uma cultura sombria e obcecada pela morte, o cotidiano egípcio era pautado em desfrutar ao máximo o tempo que se tinha e tornar a vida alheia igualmente memorável.

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Por meio da prática de harmonia E equilíbrio, as pessoas eram incentivadas a viver em paz com os outros E a contribuir para a felicidade coletiva.

Esportes, jogos, leituras, festivais e passatempos com os amigos e família faziam parte da vida egípcia tanto quanto trabalhar arduamente no cultivo da terra ou na edificação de monumentos e templos. Além disso, o mundo dos egípcios era impregnado de magia. A magia (heka) precedia os deuses e era a força fundamental que lhes permitia cumprir seus deveres.

A magia era personificada no deus Heka (também deus da medicina), que havia participado da criação e a sustentado posteriormente. O conceito de ma'at (harmonia e equilíbrio) era central para a compreensão egípcia da vida e do funcionamento do universo, e era Heka quem tornava ma'at possível. Por meio da prática de harmonia e equilíbrio, as pessoas eram incentivadas a viver em paz com os outros e a contribuir para a felicidade coletiva. Um trecho do texto de sabedoria de Ptahhotep (vizir do rei Djedkare Isesi, 2414–2375 a. C.) admoesta o leitor:

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Deixe que sua face seja iluminada pelo tempo que viver. É a bondade de um homem que será lembrada nos anos que se seguirão.

Permitir que a face fosse "iluminada" significava ser feliz, ter um bom espírito, na crença de que isso tornaria o próprio coração leve e também aliviaria o dos outros. Embora a sociedade egípcia fosse altamente estratificada desde um período muito antigo (já no Período Pré-Dinástico do Egito, cerca de 6000–3150 a. C.), isso não significa que a realeza e as classes altas aproveitassem suas vidas às custas dos camponeses.

O rei e a corte são sempre os indivíduos mais bem documentados porque, assim como hoje em dia, as pessoas prestavam mais atenção às celebridades do que aos seus vizinhos, e os escribas que registravam a história da época documentavam aquilo que despertava maior interesse. Ainda assim, relatos de escritores gregos e romanos posteriores, assim como evidências arqueológicas e cartas de diferentes períodos, mostram que egípcios de todas as classes sociais valorizavam a vida e se divertiam sempre que podiam, assim como as pessoas da atualidade.

Egyptian Grinding Grain
Egípcio moendo grãos Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

População & Classes Sociais

A população do Egito era rigidamente dividida em classes sociais, começando pelo rei no topo, seguido pelo seu vizir, os membros da corte, os governadores regionais (eventualmente chamados de 'nomarcas'), os generais militares (após o período do Império Novo), os fiscais do governo nas obras (supervisores) e, por fim, os camponeses. A mobilidade social não era nem incentivada nem observada durante a maior parte da história do Egito, pois acreditava-se que os deuses haviam decretado uma ordem social completamente perfeita que refletia a deles.

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De acordo com a cultura, os deuses haviam dado tudo ao povo e colocado o rei sobre eles como o mais capacitado para compreender e implementar a vontade divina. O rei foi o intermediário entre os deuses e o povo desde o Período Pré-Dinástico até o antigo Império (por volta de 2613–2181 a. C.), quando os sacerdotes do deus sol Rá começaram a ganhar mais poder. Mesmo após isso, o rei continuava sendo considerado o emissário escolhido por Deus. Até mesmo na parte final do Império Novo (1570–1069 a. C.), quando os sacerdotes de Amon em Tebas detinham mais poder que o rei, o monarca ainda era respeitado como divinamente ordenado.

Classe alta

O rei do Egito (não conhecido como 'faraó' até o início do período do Império Novo), como 'escolhido' dos deuses, "desfrutava de grande riqueza, status e luxos inimagináveis para a maioria da população" (Wilkinson, 91). Era responsabilidade do rei governar em conformidade com ma'at, e por se tratar de uma tarefa séria, ele era considerado merecedor desses luxos, que condiziam com seu status e o peso de seus deveres. Conforme o historiador Don Nardo escreve:

Os reis desfrutavam de uma existência amplamente livre de carências. Eles possuíam poder e prestígio, servos para realizar os trabalhos braçais, muito tempo livre para se dedicarem a atividades de lazer, roupas finas e inúmeros luxos em suas casas. (10)

O rei é frequentemente retratado em cenas de caça, e inscrições frequentemente se vangloriam do número de grandes e perigosos animais que um monarca específico matou durante seu reinado. Entretanto, quase sem exceções, animais como leões e elefantes eram capturados por guardas reais de caça e levados para reservas onde o rei então "caçava" as feras cercado por guardas que o protegiam. Na maior parte, o rei caçava em áreas abertas somente depois que a região havia sido limpa de animais perigosos.

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Os membros da corte viviam em um conforto semelhante, embora a maioria tivesse poucas responsabilidades. Os nomarcas também podiam viver bem, mas isso dependia da riqueza do distrito que governavam e da sua importância para o rei. O nomarca de uma região que incluía um local como Abidos, por exemplo, esperava ter uma vida bastante confortável devido à grande necrópole dedicada ao deus Osíris, que atraía muitos peregrinos para a cidade, incluindo o rei e a corte. Já um nomarca de uma região sem uma atração assim viveria de forma mais modesta. Portanto, a riqueza da região e o sucesso pessoal do nomarca determinavam se ele residiria em um palacete ou em uma casa mais modesta. De maneira geral, esse mesmo modelo aplicava-se aos escribas.

Escribas & Médicos

Os escribas eram muito valorizados no antigo Egito, pois eram considerados especialmente escolhidos pelo deus Tote, que inspirava e presidia a arte da escrita. O egiptólogo Toby Wilkinson observa que "o poder da palavra escrita para tornar permanente um estado desejado das coisas estava no cerne da crença e prática egípcias" (204). Era a responsabilidade dos escribas registrar os acontecimentos para que se tornassem permanentes. As palavras dos escribas gravavam os eventos diários no registro da eternidade, já que se acreditava que Tote e sua consorte Sexate guardavam as palavras dos escribas nas bibliotecas eternas dos deuses.

O trabalho de um escriba o tornava imortal não apenas porque as gerações futuras leriam o que foi escrito, mas porque os próprios deuses tinham conhecimento disso. Sexate, deusa patrona das bibliotecas e dos bibliotecários, cuidadosamente colocava o trabalho de cada um em suas estantes, assim como os bibliotecários a seu serviço faziam na Terra. A maioria dos escribas era composta por homens, mas havia mulheres escribas que viviam com o mesmo conforto que seus colegas do sexo masculino. Um texto literário popular do antigo Império, conhecido como Instruções de Duauf, defende o amor pelos livros e incentiva os jovens a buscarem o aprendizado superior e a se tornarem escribas para viverem a melhor vida possível.

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Egyptian Scribe's Palette
Paleta de escriba egípcio Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Todos os sacerdotes eram escribas, mas nem todos os escribas se tornavam sacerdotes. Os sacerdotes precisavam saber ler e escrever para desempenhar suas funções, especialmente no que dizia respeito aos rituais mortuários. Como os médicos precisavam ser letrados para ler os textos médicos, eles iniciavam sua formação como escribas. A maioria das doenças era considerada um castigo dos deuses por algum pecado ou uma lição a ser aprendida, e por isso os médicos precisavam saber qual deus (ou espírito maligno, fantasma ou outro agente sobrenatural) poderia ser o responsável.

Para desempenhar suas funções, eles precisavam ser capazes de ler a literatura religiosa da época, o que incluía obras sobre odontologia, cirurgia, redução de fraturas e o tratamento de diversas doenças. Como não havia separação entre a vida religiosa e a cotidiana, os médicos geralmente eram sacerdotes até um período mais tardio da história do Egito, quando houve uma secularização da profissão.

Todos os sacerdotes da deusa Serquete eram médicos, e essa prática continuou mesmo após o surgimento de médicos mais secularizados. Assim como ocorria com os escribas, as mulheres podiam exercer a medicina e o número de médicas era grande. No século IV a. C., Agnódice de Atenas ficou famosa ao viajar para o Egito para estudar medicina, já que as mulheres eram mais respeitadas e tinham mais oportunidades lá do que na Grécia.

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Forças Armadas

O exército egípcio, antes do Império Médio, era composto por milícias regionais recrutadas pelos nomarcas para um determinado fim, geralmente defesa, e então enviadas ao rei. No início da 12ª Dinastia do Império Médio, Amenemhat I (por volta de 1991–1962 a. C.) reformou as forças armadas para criar o primeiro exército permanente a serviço do Império. Isso acabou por reduzir o poder e o prestígio dos nomarcas, colocando o exército diretamente sob o controle do rei.

Após isso, o exército passou a ser composto por líderes da classe alta e soldados da base pertencentes às classes mais baixas. Havia possibilidade de ascensão na carreira militar, independentemente da classe social de origem. Antes do Império Novo, o exército egípcio se concentrava principalmente na defesa, mas faraós como Tutemés III (1458–1425 a. C.) e Ramsés II (1279–1213 a. C.) lideraram campanhas além das fronteiras do Egito para expandir o império. Os egípcios geralmente evitavam viajar para outras terras porque temiam que, se morressem fora do Egito, teriam mais dificuldade para alcançar o pós-vida. Essa crença era uma preocupação real para os soldados em campanhas no exterior, e providências eram tomadas para que os corpos dos mortos fossem trazidos de volta ao Egito para serem sepultados.

Não há evidências de que mulheres tenham servido no exército ou, segundo alguns relatos, que sequer tivessem desejado isso. O Papiro Lansing, para citar apenas um exemplo, descreve a vida no exército egípcio como uma miséria sem fim que levava a uma morte precoce. No entanto, é importante denotar que os escribas (especialmente o autor do Papiro Lansing) frequentemente retratavam sua própria profissão como a melhor e mais importante de todas, e foram justamente os escribas que deixaram a maior parte dos relatos sobre a vida militar.

Agricultores & Trabalhadores

A classe social mais baixa era formada por camponeses agricultores que não tinham posse da terra que plantavam ou das casas em que viviam. A posse de terras era do rei, membros da corte, nomarcas ou sacerdotes. Uma frase comum dos camponeses para começar o dia era "Vamos trabalhar para os nobres!". Além disso, os camponeses eram majoritariamente todos agricultores, independentemente de qualquer outro ofício que exercessem (como barqueiro, por exemplo). Eles plantavam e colhiam suas safras, entregavam a maior parte ao proprietário da terra e ficavam com uma parte para si. A maioria possuía hortas particulares, que eram cuidadas pelas mulheres enquanto os homens iam para os campos.

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Até o período de invasão dos Persas em 525 a. C., a economia egípcia operava com base no sistema de barganhas e era fundamentada na agricultura. A unidade monetária do antigo Egito era o deben, que segundo o historiador James C. Thompson: "funcionava de modo semelhante ao dólar na América do Norte hoje, para informar aos clientes o preço das coisas, exceto pelo fato de que não existia uma moeda física de deben" (Egyptian Economy, 1). Um deben equivalia a "aproximadamente 90 gramas de cobre; itens muito caros também podiam ser avaliados em debens de prata ou ouro, com alterações proporcionais no valor" (ibid). Thompson continua:

Como setenta e cinco litros de trigo custavam um deben e um par de sandálias também custava um deben, fazia total sentido para os egípcios que um par de sandálias pudesse ser comprado com um saco de trigo tão facilmente quanto com um pedaço de cobre. Mesmo que a fabricante de sandálias já tivesse trigo em abundância, ela aceitaria com satisfação o pagamento, já que poderia facilmente trocá-lo por outra coisa. Os itens mais comuns usados para compras eram trigo, cevada e óleo de cozinha ou de lamparina, mas na teoria quase qualquer coisa podia servir. (1)

Portanto, a classe mais baixa da sociedade produzia os bens usados no comércio e fornecia os meios para que toda a cultura prosperasse. Esses trabalhadores também compunham a mão de obra que construiu as pirâmides e outros monumentos do Egito. Quando o rio Nilo transbordava, a agricultura se tornava impossível e os homens e mulheres iam trabalhar nos projetos do rei. Esse trabalho era sempre remunerado, e a alegação de que qualquer uma das grandes estruturas do Egito foi sustentada com trabalho escravo — especialmente a alegação do livro bíblico do Êxodo de que foram construídas por escravos hebreus oprimidos por tiranos egípcios — não é sustentada por nenhuma evidência literária ou concreta em nenhum momento da história do Egito. A alegação de certos autores, como a do egiptólogo David Rohl, de que se deixa de encontrar evidências de uma escravidão em massa dos hebreus por se olhar para o período histórico errado, é insustentável. Isso porque tal evidência não existe independentemente da época da história egípcia que se examine.

Egyptian Wooden Statue of a Woman Grinding Cereals
Estátua de madeira egípcia de uma mulher moendo cereais Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Trabalhar em monumentos como as pirâmides e seus complexos mortuários, templos e obeliscos oferecia a única oportunidade de mobilidade social para os pobres. Artistas e escultores especialmente habilidosos eram muito requisitados no Egito e recebiam um pagamento melhor do que outros trabalhadores que apenas transportavam as pedras de um lugar para outro. Camponeses também podiam melhorar sua posição social praticando um ofício para produzir vasos, tigelas, pratos e outras cerâmicas de que as pessoas precisavam. Carpinteiros habilidosos podiam obter uma vida confortável fabricando mesas, bancadas, cadeiras, camas e baús. Não obstante, pintores eram requisitados para decorar as casas da elite, palácios, tumbas e monumentos.

Os cervejeiros também eram muito respeitados, e as cervejarias às vezes eram administradas por mulheres. Para ser mais preciso, nos primórdios da história egípcia, as cervejarias parecem ter sido totalmente controladas por mulheres. A cerveja era a bebida mais popular no antigo Egito e era frequentemente usada como forma de pagamento (o vinho nunca foi tão popular, exceto entre a realeza). Os trabalhadores na planície de Gizé recebiam uma ração de cerveja três vezes ao dia. Acreditava-se que a bebida havia sido dada ao povo pelo deus Osíris, e as cervejarias eram regidas pela deusa Tenenete. A cerveja era levada muito a sério pelos egípcios, conforme aprendeu a faraó grega Cleópatra VII (69-30 a. C.) quando impôs um imposto sobre a cerveja; sua popularidade despencou mais por esse imposto do que pelas suas guerras contra Roma.

Ancient Egyptian Brewery and Bakery
Cervejaria e Padaria do Egito antigo Keith Schengili-Roberts (CC BY-SA)

A classe mais baixa também podia encontrar oportunidades trabalhando com metais, pedras preciosas e escultura. As joias requintadas do antigo Egito, gemas montadas delicadamente em adornos ornamentados, foram criadas por membros da classe dos camponeses. Essas pessoas, a maioria da população egípcia, também compunham as fileiras do exército e, em casos raros, podiam se tornar escribas. No entanto, o trabalho e a posição social geralmente eram transmitidos de pais para filhos.

Casas & Mobílias

Artistas artesãos eram responsáveis por criar os móveis para os palácios luxuosos, casas da alta sociedade e templos do Egito, assim como para as tumbas, que eram consideradas o lar eterno de uma pessoa. O rei, sua rainha e a família viviam em um palácio ricamente decorado e tinham suas necessidades atendidas por servos. Os escribas viviam nos complexos mortuários e templos, ou perto deles, em apartamentos especiais; e trabalhavam em escritórios de escrita, enquanto, como mencionado, os nomarcas viviam em acomodações maiores ou menores, de acordo com seu nível de sucesso. Os camponeses, que forneciam alimentos para as classes altas, também ajudavam a construir suas casas e a fornecer-lhes baús, gavetas, cadeiras, mesas e camas, enquanto eles mesmos não podiam arcar com nenhum desses itens. Nardo escreve:

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Após um dia de trabalho árduo, os camponeses retornavam às suas casas, que ficavam próximas aos campos ou em pequenas aldeias rurais situadas nas proximidades. A casa típica de um agricultor apresentava paredes feitas de tijolos de barro. O teto era construído com feixes de caules de plantas, e o piso consistia em terra batida coberta por uma camada de palha ou tapetes feitos de juncos. Havia um ou dois cômodos (talvez três) nos quais o agricultor, sua esposa e filhos (se houvesse) viviam. Em muitos casos, eles abrigavam alguns ou todos os seus animais de criação nos mesmos cômodos. Como essas casas modestas não possuíam banheiros, os moradores precisavam usar um latrino externo (um buraco no chão) para suas necessidades. É claro também que a água tinha que ser carregada em baldes vindos do rio ou do poço mais próximo, cavado manualmente. (13)

Em contraste, o palácio do faraó Amenófis III (1386-1353 a. C.), conhecido hoje como Malkata, ocupava mais de 30.000 metros quadrados (30 hectares) e incluía amplos apartamentos, salas de conferência, salas de audiência, uma sala do trono, um salão de recepção, um salão de festivais, bibliotecas, jardins, depósitos, cozinhas, um harém e um templo dedicado ao deus Amon. As paredes externas do palácio eram pintadas de branco intenso, enquanto as cores do interior eram vibrantes, com tons de azul, amarelo e verde.

A estrutura inteira, é claro, precisava ser mobiliada, e esses móveis eram fornecidos pelos trabalhadores das classes mais baixas. Na época, o palácio era conhecido como “a casa dos deleites” e outros nomes semelhantes. Hoje é conhecido como Malkata, do árabe “lugar onde as coisas são recolhidas”, devido ao enorme campo de detritos encontrado ali, proveniente do palácio em ruínas.

Os apartamentos e casas dos escribas, assim como os dos nomarcas, eram opulentos ou modestos dependendo de seu nível de sucesso e da região em que viviam. O autor do Papiro Lansing, Nebmare Nakht, afirmava viver em grande estilo e possuir terras e escravos comparáveis aos de um grande rei. Essa afirmação, sem dúvida, também é verdadeira, já que está bem estabelecido que os sacerdotes podiam alcançar o mesmo nível de riqueza e poder que alguns governantes do Egito, e os escribas teriam a mesma oportunidade.

Crimes & Punições

No Egito antigo, assim como em cada era da história humana, a riqueza de uma pessoa muitas vezes era cobiçada por outra, que poderia optar por roubá-la, e, nesses casos, a lei egípcia agia rapidamente. Após o Império Novo, existia uma força policial, mas mesmo antes desse período, os indivíduos eram apresentados ao oficial local e acusados de crimes que abrangiam toda a gama de atividades criminosas conhecidas na modernidade. O Estado não se envolvia nos assuntos locais, a menos que o criminoso tivesse roubado ou vandalizado propriedades estatais, como roubar ou depredar uma tumba. O egiptólogo Steven Snape escreve:

As oportunidades para a prática de crimes proporcionadas pela concentração de riqueza e propriedades em vilas e cidades eram aproveitadas com entusiasmo por alguns egípcios antigos, assim como acontece em todas as sociedades. Da mesma forma, centros populacionais e administrativos significativos ofereciam locais onde a justiça podia ser aplicada e as punições impostas. No entanto, o quadro que se tem do Egito antigo indica que a administração da justiça era descentralizada ao máximo possível. Esperava-se que os moradores regulassem seus próprios assuntos. (111)

O julgamento e a justiça eram, em última instância, responsabilidade do vizir, o braço direito do rei, que delegava essa função a oficiais subordinados, que por sua vez repassavam a outros. Mesmo antes do Império Novo, havia em qualquer cidade um edifício administrativo chamado Salão de Julgamento, onde os casos eram ouvidos e os veredictos proferidos. Em pequenas cidades e vilarejos, esses tribunais podiam ser realizados na praça do mercado. O tribunal local era conhecido como kenbet, composto por líderes comunitários de reconhecida integridade moral, que ouviam os casos e decidiam sobre a culpa ou inocência.

No Império Novo, o Salão de Julgamento e o kenbet foram gradualmente substituídos por julgamentos oraculares, nos quais o deus Amon era consultado diretamente sobre o veredicto. Isso era feito por um sacerdote de Amon, que formulava uma pergunta à estátua do deus e, em seguida, interpretava sua resposta por diversos meios. Às vezes, a estátua acenava com a cabeça; em outras ocasiões, eram dados sinais diferentes. Se o réu fosse considerado culpado, a punição era rápida.

A maioria das punições consistia em multas por infrações menores, mas estupro, roubo, agressão, assassinato ou roubo de tumbas podiam resultar em mutilação (corte do nariz, orelhas ou mãos), encarceramento, trabalho forçado (que, em muitos casos, equivalia à escravidão por toda a vida) ou até mesmo morte. A Grande Prisão de Tebas abrigava criminosos condenados, que eram usados em trabalhos manuais no Templo de Amon em Karnak e em outros projetos.

Além disso, não havia corredor da morte nas prisões egípcias, pois a pessoa considerada culpada de um crime grave que merecesse a pena de morte era executada imediatamente. Não havia advogados para defender um caso, nem recursos eram apresentados após a emissão de um veredicto. Os sacerdotes eram confiados pelo povo para conduzir uma audiência justa e imparcial em qualquer queixa e julgar de acordo com os preceitos dos deuses, sabendo que enfrentariam um destino muito pior na vida após a morte caso falhassem nessas funções.

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Família & Lazer

Os sacerdotes podiam ser homens ou mulheres. O sacerdote chefe de qualquer culto religioso geralmente era do mesmo sexo da divindade a que servia; a líder do Culto de Ísis era feminina, enquanto a do Culto de Amon era masculina. Os sacerdotes podiam e tinham famílias, e seus filhos geralmente se tornavam sacerdotes após eles.

A mobilidade social não era incentivada nem observada na maior parte da história do Egito, pois acreditava-se que os deuses haviam decretado uma ordem social perfeita que refletia a dos próprios deuses.

Esse era o paradigma para todo o Egito no que dizia respeito à sucessão: os filhos seguiam a profissão dos pais, geralmente do pai. As mulheres tinham quase direitos iguais no Egito antigo. Elas podiam possuir seus próprios negócios, terras, casas, iniciar divórcios, firmar contratos com homens, realizar abortos e dispor de suas propriedades como desejassem; esse era um nível de igualdade de gênero que nenhuma outra civilização antiga alcançou e que a era moderna só começou a implementar — sob pressão — em meados do século XX.

Ao menos quatro mulheres governaram o Egito, sendo as duas mais conhecidas: Hatshepsut (1479-1458 a. C.) e Cleópatra VII. No entanto, isso não era a norma, pois a maior parte dos governantes eram homens. As mulheres da realeza, majoritariamente, tinham escravos e servos que cuidavam das crianças e não tinham responsabilidade pela limpeza ou manutenção da casa. Elas auxiliavam seus maridos ao receber dignitários estrangeiros e ao promover determinadas políticas. As mulheres das classes altas viviam de forma semelhante, mas podiam dedicar mais tempo à atenciosidade com os filhos, enquanto que nas classes baixas o cuidado da casa e das crianças era totalmente responsabilidade da mulher.

Os casamentos no Egito antigo eram mais um assunto secular do que religioso. A maioria dos casamentos, em qualquer classe social, era arranjada pelos pais. As meninas geralmente se casavam por volta dos 12 anos e os meninos por volta dos 15. Os filhos da realeza eram frequentemente prometidos aos herdeiros de reis estrangeiros para selar tratados quando ainda na infância, embora fosse proibido que mulheres deixassem o Egito como noivas de governantes estrangeiros, pois acreditava-se que não seriam felizes fora de sua terra natal.

Como o Egito era considerado o melhor lugar de todos, achava-se desrespeitoso enviar uma jovem para algum lugar inferior. No entanto, era perfeitamente aceitável que mulheres estrangeiras viessem ao Egito como noivas. Uma vez no Egito, essas mulheres recebiam o mesmo respeito que as nativas. Mulheres de todas as classes sociais eram consideradas ao nível de seus maridos, embora o homem fosse considerado o chefe do lar. Nardo observa:

Maridos e esposas da classe alta comiam, realizavam festas e caçavam em companhia um do outro, enquanto mulheres abastadas e pobres compartilhavam muitos direitos legais com os homens. De fato, as mulheres do Egito antigo parecem ter desfrutado de mais liberdade em suas vidas privadas do que mulheres na maioria das outras sociedades antigas, mesmo que os homens tomassem a maioria das decisões realmente importantes. Os homens egípcios também se beneficiavam de relações afetuosas e positivas tanto quanto suas esposas. (23)

Embora as esposas dos camponeses, na maior parte, não fossem aos campos com seus maridos, ainda tinham muito trabalho em manter a casa limpa, cuidar dos animais que não eram usados no arado, atender às necessidades dos idosos da família e criar os filhos. Mulheres e crianças também cuidavam da horta da família, que era um recurso importante para qualquer lar. A limpeza era um valor importante para os egípcios, e tanto a pessoa quanto a casa precisavam refletir isso.

Homens e mulheres de todas as classes se banhavam com frequência (os sacerdotes mais do que qualquer outra profissão) e raspavam a cabeça para prevenir piolhos e reduzir a necessidade de cuidados. Quando a ocasião exigia, usavam perucas. Homens e mulheres também usavam maquiagem, especialmente kohl sob os olhos, para ajudar a reduzir o brilho intenso do sol e manter a pele macia. Inscrições e pinturas em tumbas frequentemente mostram homens e mulheres arando e colhendo juntos nos campos ou construindo uma casa.

Apesar disso, a vida dos egípcios antigos não consistia apenas em trabalho. Eles encontravam bastante tempo para se divertir com esportes, jogos de tabuleiro e outras atividades. Os esportes do Egito antigo incluíam hóquei, andebol, arco e flecha, natação, cabo de guerra, ginástica, remo e um esporte conhecido como “justa aquática”, que consistia em uma batalha naval em pequenos barcos no rio Nilo, na qual um “cavaleiro” tentava derrubar o outro do barco enquanto um segundo membro da equipe manobrava a embarcação.

As crianças eram ensinadas a nadar desde muito cedo, e a natação estava entre os esportes mais populares, o que deu origem a outros jogos aquáticos. O jogo de tabuleiro de Senet era extremamente popular, representando a jornada de uma pessoa pela vida até a eternidade. Música, dança, ginástica coreografada e luta livre também eram apreciadas, e, entre as classes altas, caçar animais grandes ou pequenos era um passatempo favorito.

Game of Senet
Jogo de Senet Tjflex2 (CC BY-NC-ND)

Havia também um esporte chamado “descer as corredeiras”, descrito pelo dramaturgo romano Sêneca, o Jovem (século I d. C.), que viveu no Egito:

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As pessoas embarcam em pequenos barcos, duas por barco, sendo que uma rema enquanto a outra tira a água. Então, são violentamente lançadas nas corredeiras furiosas. Por fim, chegam aos canais mais estreitos e, arrastadas por toda a força do rio, controlam o barco em movimento com as mãos e mergulham de cabeça, para grande terror dos espectadores. Seria natural acreditar, com pesar, que já haviam se afogado e sido dominadas por tal volume de água, quando, longe do local da queda, são lançadas como se por um estilingue, ainda navegando, e a onda que se dissipa não as submerge, mas as leva para águas calmas. (citado em Nardo, 20)

Após, ou mesmo durante tais eventos, os espectadores apreciavam sua bebida favorita: a cerveja. A receita mais consumida era a Heqet (também chamada de Hecht), uma cerveja com sabor de mel, semelhante, mas mais leve, ao hidromel posterior da Europa. Havia muitos tipos de cerveja (geralmente chamados de zytum), e frequentemente eram recomendadas como remédio, pois aliviavam o coração e melhoravam o ânimo. A cerveja era produzida comercialmente e em casa, sendo especialmente apreciada nos diversos festivais celebrados pelos egípcios.

Festivais, Comidas & Vestimentas

Todos os deuses egípcios tinham aniversários que precisavam ser celebrados, e havia também aniversários individuais, comemorações de grandes feitos do rei, observâncias de atos dos deuses na história humana, além de funerais, vigílias, festas de inauguração de casas e nascimentos. Todos esses eventos, e outros mais, eram celebrados com uma festa ou um festival.

Os festivais do Egito antigo eram únicos em caráter, dependendo da natureza do evento, mas todos tinham em comum a bebida e a alimentação festiva. A dieta egípcia era principalmente vegetariana e consistia em cereais (trigo) e vegetais. A carne era muito cara, e geralmente apenas a realeza podia consumi-la. Além disso, a carne era difícil de conservar no clima árido do Egito, de modo que os animais sacrificados ritualmente precisavam ser consumidos rapidamente.

Os festivais eram a oportunidade perfeita para se entregar a todos os tipos de excessos, incluindo o consumo de carne para aqueles que assim quisessem, embora a indulgência não fosse apropriada em todas as reuniões. Cada celebração ou comemoração possuía suas características únicas, conforme explica a historiadora Margaret Bunson:

A Bela Festa do Vale, em honra ao deus Amon, realizada em Tebas, era celebrada com uma procissão das barcas dos deuses, acompanhada de música e flores. A Festa de Hathor, celebrada em Dendera, era um momento de prazer e embriaguez, em consonância com os mitos do culto da deusa. A festa da deusa Ísis em Busíris e a celebração em homenagem a Bastet em Bubástis também eram momentos de folia e embriaguez. (91)

Esses festivais eram “normalmente de natureza religiosa e realizados de acordo com o calendário lunar nos templos”, mas também podiam “comemorar certos eventos específicos da vida cotidiana do povo” (Bunson, 90). Em funerais, como é de se esperar, as pessoas vestiam preto em sinal de respeito (embora os sacerdotes geralmente usassem branco), enquanto em aniversários ou outras celebrações vestia-se o que se desejasse. Na Festa de Bastet, as mulheres usavam apenas um pequeno kilt, que frequentemente levantavam em homenagem à deusa.

As roupas no Egito antigo eram feitas de linho tecido a partir de algodão. No Período Predinástico e Época Dinástica Inicial, mulheres e homens usavam simples kilts de linho. As crianças ficavam nuas desde o nascimento até cerca dos dez anos. Bunson observa que: “Com o tempo, as mulheres passaram a usar uma saia longa no estilo império, que caía logo abaixo dos seios descobertos. Os homens mantinham os kilts simples. Estes podiam ser tingidos com cores ou desenhos exóticos, embora o branco provavelmente fosse usado em rituais religiosos ou eventos da corte” (67). Na época do Império Novo, as mulheres usavam vestidos de linho que cobriam os seios e chegavam até os tornozelos, enquanto os homens usavam o kilt curto e, às vezes, uma camisa solta.

Mulheres de classes baixas, escravas e servas são frequentemente retratadas usando apenas um kilt até o período do Império Novo. Ao mesmo tempo, mulheres da realeza ou da nobreza aparecem usando vestidos justos, do ombro até os tornozelos, e os homens são mostrados em blusas transparentes e saias. Durante o clima mais frio da estação chuvosa, utilizavam-se capas e xailes.

A maioria das pessoas, de todas as classes sociais, andava descalça em imitação aos deuses, que não precisavam de calçado. Em ocasiões especiais, ou quando alguém fizesse uma longa viagem, ou fosse a um lugar onde pudesse machucar os pés, ou em clima mais frio, usavam sandálias. As sandálias mais baratas eram feitas de juncos entrelaçados, enquanto as mais caras eram de couro ou madeira pintada. As sandálias não pareciam ter grande importância para os egípcios até os períodos do Império Médio e Novo, quando passaram a ser vistas como símbolos de status. Uma pessoa que podia pagar por boas sandálias demonstrava estar bem de vida, enquanto os mais pobres andavam descalços. Essas sandálias eram frequentemente pintadas ou decoradas com imagens, que podiam ser bastante elaboradas.

Durante os festivais — e havia muitos ao longo do ano egípcio — as vestes dos sacerdotes eram brancas, mas as pessoas podiam usar o que quisessem ou quase nada. Os egípcios desejavam viver a vida ao máximo, aproveitar tudo o que seu tempo na Terra podia oferecer e aguardavam com expectativa a continuação dessa vida após a morte.

Male Egyptian Mummy with Amulets
Múmia egípcia masculina com amuletos Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

A vida terrena de uma pessoa era apenas uma parte de uma jornada eterna, e a morte era vista como uma transição de uma fase para a seguinte. Um enterro adequado era de extrema importância para os egípcios antigos de todas as classes. O corpo do falecido era lavado, vestido com faixas (mumificado) e enterrado com os objetos que poderiam querer ou precisar na vida após a morte. Quanto mais dinheiro se tinha, mais elaborados eram o túmulo e os bens funerários, mas mesmo os mais pobres providenciavam sepulturas apropriadas para seus entes queridos.

Sem um enterro adequado, não se podia esperar avançar para o Salão da Verdade e passar pelo julgamento de Osíris. Além disso, se uma família não honrasse corretamente os mortos, quase garantiria o retorno do espírito da pessoa, que os assombraria e causaria todo tipo de problema. Honrar os mortos significava não apenas prestar respeito ao indivíduo, mas também reconhecer suas contribuições e conquistas em vida, todas possibilitadas pela bondade dos deuses.

Através da vida com atenção à bondade, à harmonia, ao equilíbrio e à gratidão aos deuses, eles esperavam encontrar seus corações mais leves que a pena da verdade ao se apresentarem ao julgamento diante de Osíris após a morte. Uma vez justificados, passariam a uma eternidade da própria vida cotidiana que haviam deixado para trás quando morreram. Tudo em suas vidas que parecia perdido na morte era devolvido na vida após a morte. O foco deles, em todos os aspectos da vida, era criar uma existência digna de ser vivida por toda a eternidade. Sem dúvida, muitos indivíduos frequentemente falhavam nisso, mas o ideal era digno de ser perseguido e impregnava a vida diária dos egípcios antigos com um sentido e propósito que inspiravam e davam significado à sua impressionante cultura.

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Sobre o Tradutor

Marco Terres
Marco Terres é professor de inglês e português brasileiro, revisor de textos e tradutor. Atualmente está terminando a graduação em Letras inglês pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e é um amante de literatura inglesa e brasileira.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

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Mark, J. J. (2025, setembro 23). A vida cotidiana no Egito Antigo. (M. Terres, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-933/a-vida-cotidiana--no-egito-antigo/

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Mark, Joshua J.. "A vida cotidiana no Egito Antigo." Traduzido por Marco Terres. World History Encyclopedia, setembro 23, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-933/a-vida-cotidiana--no-egito-antigo/.

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Mark, Joshua J.. "A vida cotidiana no Egito Antigo." Traduzido por Marco Terres. World History Encyclopedia, 23 set 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-933/a-vida-cotidiana--no-egito-antigo/.

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