Toga Romana

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Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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A toga era uma peça de vestuário usada pelos homens que eram cidadãos de Roma, e consistia num único pedaço de tecido de lã cortado em semicirculo e enrolado à volta do corpo de quem a vestia, sem quaisquer fechos ou fivelas. A toga romana era um símbolo de estatuto claramente identificável.

Embora a maioria das togas fossem brancas, algumas indicavam a categoria de uma pessoa ou o seu papel específico na comunidade, ao serem coloridas ou incluíam uma risca, nomeadamente a de cor púrpura, que indicava que quem a vestia era membro do Senado romano. Graças ao cinema e à literatura, a toga tornou-se a veste masculina por excelência da antiguidade, e esta perspetiva não está longe da verdade, uma vez que os próprios romanos se descreviam a si próprios como os togati ou «o povo da toga».

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Roman Toga, Tarragona
Toga Romana, Tarragona Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Quais foram as origens da toga?

Tal como em muitas outras vertentes da sua cultura, os romanos foram influenciados pelos seus antecessores, os gregos e os etruscos. Os homens e as mulheres gregos vestiam roupa drapeada, que era feita a partir de uma única peça de tecido enrolada à volta de quem a vestia e mantida no lugar apenas através de dobras, com um uso mínimo de alfinetes e atilhos. O enkyklon grego era uma peça de vestuário semelhante à toga, mas não lhe foi atribuída a importância social que os romanos acrescentaram à sua toga. A tebenna etrusca era outro precursor da toga romana, embora fosse mais curta e se vestisse de forma muito mais simples, com uma dobra a passar por cima do ombro e a cair pela parte da frente de quem a vestia (conforme indicado por pinturas tumulares datadas do século VI a.C. e por estatuetas de bronze do século V a.C.). Aparentemente, a toga não tinha uma distinção social na sociedade etrusca, vendo-se até músicos de estatuto inferior a vesti-la em pinturas tumulares. Por fim, os próprios romanos tinham uma versão primitiva da toga, a trabea, semelhante mas mais curta, que estava associada aos primeiros reis romanos.

A toga que a maioria dos homens romanos cobiçava era a toga praetexta do senador, que apresentava uma risca púrpura.

O Material e as Dimensões da Toga

As primeiras togas eram as mais curtas, havendo exemplares que mediam cerca de 3,5 metros de comprimento. No período imperial, as togas atingiam uns impressionantes 5,5 metros de comprimento e 2,75 metros no seu ponto mais largo (19,5 x 10 pés). O corte essencial nunca mudou, mantendo sempre uma forma semicircular, embora com profundidade variável ao longo do tempo. Como sempre acontecia com o vestuário, os ricos podiam pagar os materiais mais finos e o maior comprimento, enquanto os cidadãos mais pobres tinham de se contentar com uma versão mais curta feita de tecido menos trabalhado. A maioria das togas era feita de lã leve e não tratada, sendo a peça acabada depois escovada e tosquiada para lhe conferir um aspeto macio e uniforme. O Oxford Classical Dictionary (Dicionário Clássico de Oxford) fornece as seguintes instruções para vestir uma toga corretamente:

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Um canto era colocado à frente dos pés e a extremidade reta era levantada por cima do ombro esquerdo, passando pelas costas e por baixo ou por cima do braço direito, atravessando o peito e passando novamente por cima do ombro esquerdo, ficando o segundo canto a cair atrás dos joelhos; a extremidade curvada tornava-se a bainha da peça de vestuário. No período imperial, desenvolveram-se duas características que ajudaram a acomodar o tamanho aumentado da peça: um umbo ou «umbigo» na cintura, resultante de a parte superior da camada inferior ser puxada por cima da segunda camada, e um sinus ou «colo», criado ao dobrar a extremidade reta onde esta passava por baixo do braço direito. No século III d.C., o umbo era geralmente dobrado numa faixa que assentava sobre o peito de quem o vestia e, no século IV, o sinus era habitualmente suficientemente comprido para ser lançado sobre o antebraço esquerdo.

(pág. 1488)

Magistrates Wall Painting, Pompeii
Pintura Mural dos Magistrados, Pompeia Unknown Artist (Public Domain)

Talvez não seja de estranhar, tendo em conta a complexidade de vestir uma toga corretamente e o custo do tecido de uma peça de vestuário em constante expansão, que a toga tenha caído em desuso na Antiguidade Tardia, sendo substituída pela combinação muito mais prática de túnica e manto, que se manteria popular ao longo de toda a Idade Média.

Porque É que a Toga Era um Símbolo de Estatuto?

A toga não era usada a toda a hora, mas acabou por ficar associada à vida nas vilas e cidades, uma vez que era especialmente importante em quaisquer eventos públicos, tais como jogos, rituais e casamentos. No entanto, quando os cidadãos mais ricos visitavam as suas propriedades no campo ou vilas à beira-mar, vestiam frequentemente túnicas mais informais. Para além desta divisão entre a cidade e o campo, os senadores que também eram comandantes militares preferiam a sua armadura em tempos de guerra, fazendo com que estes dois hábitos tornassem a toga num símbolo tanto da vida cívica como dos tempos de paz. Tal era a natureza omnipresente da toga que esta chegou a dar o seu nome a uma forma de teatro romano, a togata ou «drama de toga», que era um tipo de comédia, frequentemente baseada nos acontecimentos quotidiano de um agregado familiar romano típico.

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À semelhança de uma gravata nos dias de hoje, a disposição correta das dobras de uma toga podia demonstrar claramente a atenção de uma pessoa aos detalhes e o seu requinte.

Não só a própria toga era um símbolo de estatuto, como até a forma como era vestida se tornou uma marca da distinção e da familiaridade de uma pessoa com a moda do momento. O tecido comprido, tal como referido acima, não era fácil de enrolar corretamente à volta do corpo — tornando-se mais complexo à medida que o tempo passava — e esta evolução na moda tem sido um meio útil para os historiadores datarem peças de arte romana. À semelhança de uma gravata nos dias de hoje, a disposição correta das dobras de uma toga podia demonstrar claramente a atenção de uma pessoa aos detalhes e o seu requinte. Certamente, um escravo encarregado com conhecimentos de toga era desejável para ajudar a obter o efeito pretendido e alcançar pequenos truques, como fazer alguns bolsos a partir de algumas das dobras. Além disso, como a peça de vestuário era pesada e restritiva — o braço esquerdo tinha de estar sempre dobrado para suportar o peso —, a manutenção do asseio irrepreensível de quem a vestia e a preservação das dobras adequadas ao longo do dia indicavam que a pessoa era um homem de ócios e, portanto, um verdadeiro aristocracia. Para além destes indicadores mais subtis de classe social, havia formas bem mais óbvias de exibir a sua categoria e privilégio, por exemplo, o uso da cor.

Quais Eram os Diferentes Tipos de Toga?

A toga podia, portanto, ser utilizada para distinguir os diferentes papéis dos cidadãos e até os seus feitos. Um dos símbolos da transição de um jovem para a cidadania plena era o direito de vestir a toga simples, a toga virilis. Por seu lado, a toga candida dos candidatos políticos era branqueada com enxofre para se tornar muito mais branca do que a habitual versão em tom creme. Da palavra candida deriva a palavra moderna «cândido» / «candidato», uma vez que se esperava que estes candidatos fossem honestos e verdadeiros. Indo para o outro extremo, a toga pulla era tingida de uma cor escura e usada durante os períodos de luto. A mais impressionante de todas as togas era a toga picta. Tingida inteiramente de púrpura e com rebordos dourados, estava reservada apenas aos generais quando celebravam um triunfo romano e, no período imperial tardio, aos imperadores.

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Marble Statue of a Man from Jerash
Estátua de Mármore de um Homem de Jerash Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Contudo, a toga que a maioria dos homens romanos cobiçava era a toga praetexta, que tinha uma risca púrpura. Esta toga indicava que quem a vestia era um senador, um magistrado ou detinha um estatuto ritual especial, por exemplo, o de sacerdote ou alguém encarregado de cuidar de um santuário. Quando os sacerdotes realizavam um sacrifício, puxavam a parte de trás da toga para cima para cobrir a cabeça (capite velato). O Flamen Dialis, o sumo sacerdote de Júpiter, era obrigado a usar a sua toga e um barrete cónico branco sempre que aparecia ao ar livre. Outra categoria autorizada a usar a cobiçada risca púrpura era a dos jovens que ainda não eram adultos de pleno direito, mas que demonstravam grande promessa em assuntos militares ou políticos.

A risca da toga praetexta era conhecida como latus clavus e considerava-se que tinha o poder de afastar o mal. A risca, tal como a toga picta inteiramente púrpura, era feita com o fabulosamente caro corante púrpura de Tiro, que era extraído com grande esforço a partir do molusco murex (Bolinus brandaris). De acordo com a historiadora B. Caseau, «10.000 moluscos produziam 1 grama de corante, e isso apenas serviria para tingir a bainha de uma peça de vestuário com uma cor profunda» (Bagnall, pág. 5673). Literalmente valendo mais do que o seu peso em ouro, um édito de preços de 301 d.C. informa-nos que uma libra de corante púrpura custava então 150.000 denários, ou seja, cerca de 3 libras de ouro.

Por fim, e de forma algo bizarra, as prostitutas usavam por vezes uma versão da toga praetexta (tingida com um substituto barato do púrpura de Tiro), talvez numa tentativa de atiçar os seus clientes ao inverter as convenções de vestuário da sociedade romana. Uma representação famosa da toga praetexta numa ação mais quotidiana é uma pintura mural do século I proveniente do edifício Murecine de Pompeia, que mostra um cortejo de magistrados todos a usar as suas togas com rebordo púrpura. Outro registo importante desta peça de vestuário é uma pequena estatueta de terracota pintada de um funcionário público obeso, também proveniente de Pompeia.

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Perguntas & Respostas

Qual é o significado da toga romana?

O significado da toga romana residia no facto de apenas os cidadãos do sexo masculino poderem usá-la. O significado dependia também da cor da toga. Por exemplo, uma toga com uma faixa roxa indicava que quem a usava era membro do Senado romano. As togas eram, portanto, símbolos de estatuto social para os romanos.

Qual é a origem da toga romana?

A origem da toga romana remonta ao "enkyklon" de características semelhantes, usado pelos gregos, à "tebenna" usada pelos etruscos, e à "trabea" usada pelos primeiros reis romanos.

Como se usava a toga romana?

A toga romana tinha uma forma semicircular e era usada com a borda curva a servir de bainha inferior, enquanto um canto da borda reta era colocado sobre o ombro e enrolado à volta do tronco.

Bibliografia

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Cartwright, M. (2026, agosto 12). Toga Romana. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-48/toga-romana/

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Cartwright, Mark. "Toga Romana." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 12, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-48/toga-romana/.

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Cartwright, Mark. "Toga Romana." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 12 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-48/toga-romana/.

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