Na sociedade germânica, o sucesso nas batalhas era o caminho mais seguro para a riqueza, o estatuto e o poder. A sua instituição mais importante era o comitatus, ou grupo de guerra, a comitiva pessoal de guerreiros de elite que cada rei ou chefe procurava reunir à sua volta e que constituía o núcleo do exército tribal. A necessidade de manter unido o grupo de guerra ditava frequentemente a política das primeiras chefias e reinos germânicos.
Os guerreiros precisavam da guerra como uma arena para demonstrar a destreza e conquistar estatuto e riqueza. Os reis e os chefes precisavam do sucesso na guerra para ter meios de recompensar os seus guerreiros e mantê-los leais. Desta forma, e numa sociedade assim, era impossível sustentar longos períodos de paz. O sucesso gerava sucesso, uma vez que mais guerreiros seriam atraídos para o grupo de guerra de um líder triunfante. As confederações e a centralização política dos séculos III e IV foram, em parte, impulsionadas por bandos de guerra particularmente bem-sucedidos.
A Lealdade até à Morte
Esperava-se que os guerreiros fossem leais aos seus líderes, até à morte, se necessário. Não havia disciplina formal; o medo da desonra era geralmente suficiente para impedir um guerreiro de abandonar os companheiros em batalha. A lealdade ao líder militar era superior à lealdade ao próprio povo (as ideias modernas de nacionalismo não se aplicam à Alta Idade Média). Os mercenários germânicos mantinham esta atitude quando se alistavam no exército romano – não eram mais propensos a amotinar-se do que os soldados romanos e eram leais aos seus comandantes romanos, mesmo quando lhes era pedido que lutassem contra o seu próprio povo. Na sociedade germânica primitiva, esperava-se que todos os homens livres fisicamente aptos pegassem em armas.
As Armas e as Armaduras
A arma ofensiva preferida era uma espada longa de dois gumes, cujas melhores exemplares eram fabricadas através da técnica romana de forja padronizada ou da técnica de damasquinagem. As espadas eram muito caras e a maioria dos guerreiros lutava apenas com uma lança e uma grande faca de lâmina única para o combate corpo a corpo. Também eram utilizados o arco e a flecha, e o machado de arremesso, especialmente populares entre os francos.
Para proteção, um guerreiro germânico bem equipado teria uma cota de malha ou uma armadura de escamas (um casaco de couro ao qual eram rebitadas placas de metal sobrepostas), um elmo cónico de ferro com proteções laterais para a cara e um protetor de pescoço de malha, e um grande escudo circular de madeira coberto de couro e, por vezes, com a borda reforçada com metal. Tal proteção não era barata, as leis francas avaliavam o valor de uma cota de malha em dois cavalos ou seis bois e de um capacete num cavalo, pelo que só era acessível a guerreiros de alto escalão.
A maioria dos guerreiros germânicos entrava em batalha protegida apenas por um escudo de madeira e talvez um gorro de couro reforçado – uma séria desvantagem quando confrontados com as tropas romanas regulares, que usavam todas cota de malha ou armadura de escamas. À medida que as suas migrações avançavam, os guerreiros germânicos adquiriram cada vez mais equipamento romano, especialmente espadas e armaduras.
As Técnicas e as Táticas de Combate
A maioria dos germânicos lutava a pé. Apenas os godos, sob a influência dos nómadas das estepes, tinham desenvolvido uma cavalaria eficaz, e o seu papel foi decisivo na vitória sobre os romanos em Adrianópolis, no ano de 378. Os estribos só começaram a ser usados na Europa no século VI ou VII, mas as selas foram concebidas para permitir que os guerreiros lutassem eficazmente a cavalo sem o risco de serem derrubados pelo choque do impacto com um adversário.
Entre os outros germânicos, a cavalaria era importante para escaramuças, incursões e reconhecimento, mas num combate defensivo mesmo os guerreiros que possuíam cavalos costumavam desmontar e lutar a pé. Ao abdicarem de um meio fácil de fuga, os líderes militares demonstravam a sua disposição para partilhar o mesmo destino que os seus seguidores menos bem equipados.
Os germânicos não empregavam táticas de batalha sofisticadas e careciam de habilidades de guerra de cerco. O líder visigodo Fritigern disse que «não tinha nada contra muros de pedra». Os ataques eram lançados em formações profundas, com os guerreiros de alto escalão e melhor equipados na primeira linha e os mais humildes na retaguarda.
A formação defensiva preferida era a muralha de escudos, em que os guerreiros se agrupavam firmemente por trás dos seus escudos sobrepostos. A formação foi provavelmente inspirada nas táticas dos legionários romanos. Os guerreiros germânicos não eram treinados como os soldados romanos: se uma formação fosse quebrada, havia poucas hipóteses de se reorganizar e seguir-se-ia uma debandada.
