Banquetes Etruscos

Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Os etruscos, que prosperaram na Itália central entre os séculos VIII e III a.C., destacavam-se na Antiguidade pelos seus banquetes sumptuosos, festas com libações (bebedeiras) e, em geral, pelo seu estilo de vida descontraído. Embora esses prazeres fossem provavelmente restritos à elite abastada, há fortes indícios da popularidade desta prática em muitas pinturas murais de túmulos e sarcófagos esculpidos etruscos. Os banquetes podem também ter tido um objetivo político, servindo assim como uma oportunidade para os governantes espalharem um pouco de felicidade entre aqueles que governavam.

Tomb of The Lionesses, Tarquinia
Tumba das Leoas, Tarquinia AlMare (Public Domain)

A Disposição dos Lugares

As pinturas sugerem dois tipos de atividade social: banquetes em que se servia comida e os convidados se recostavam em sofás de um único braço, cobertos por tapetes coloridos e almofadas, e festas de bebida em que os participantes se sentavam no chão, sobre esteiras. Existem alguns exemplos na arte etrusca primitiva de comensais sentados em cadeiras verticais, mas, por volta do século VI a.C., o costume tinha mudado para sofás baixos, ao estilo dos utilizados numa festa de bebida ou simpósio grego. Os lugares eram dispostos ao longo das paredes da sala, de modo a que todos os convidados se pudessem ver uns aos outros enquanto comiam. A comida e o vinho eram servidos por escravos e colocados em mesas baixas de três pernas, posicionadas à frente de cada comensal.

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As mesas de banquete estariam repletas de todo o tipo de alimentos exóticos, a par de produtos básicos cultivados localmente.

A Comida e Bebida

Os etruscos não eram apenas agricultores experientes, mas também grandes comerciantes, trocando mercadorias com todas as culturas mediterrânicas da época, desde a Fenícia até ao sul de Espanha e ao Norte de África. Consequentemente, para aqueles que tinham meios para tal, as mesas de banquete estariam repletas de todo o tipo de alimentos exóticos, a par dos alimentos básicos cultivados localmente. A carne incluía vaca, borrego, porco, veado, javali, lebre e aves de caça. Havia peixe (especialmente atum) e marisco em abundância, enormes rodelas de queijo de ovelha, azeitonas, papas de aveia, panquecas de pão, legumes, fruta, ovos, passas e frutos secos. Os sabores eram realçados pela adição de ervas aromáticas, hortelã, mel, vinagre, pimenta e outras especiarias. Os etruscos eram também grandes exportadores de vinho, pelo que também não teria faltado nada nesse aspeto.

Tão magnífica era a variedade de iguarias nos banquetes etruscos que Diodoro Sículo, o historiador grego do século I a.C., escreveu, com um toque de inveja na sua desaprovação:

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Como habitam uma terra fértil em frutos de todos os tipos e a cultivam assiduamente, desfrutam de uma abundância de produtos agrícolas que não só é suficiente para si próprios, mas cujo excesso os leva a um luxo desenfreado e à indolência.» Pois, duas vezes por dia, têm mesas sumptuosamente decoradas e postas com tudo o que pode contribuir para uma vida requintada; têm toalhas bordadas com flores e são servidos com vinho em taças de prata, e têm à sua disposição um número considerável de escravos.

(Heurgon, pág. 36)

Esta visão é confirmada pelo seu contemporâneo, o historiador romano Lívio, que descreve a elite etrusca como passando «a maior parte do seu tempo livre a divertir-se em festas da mais luxuosa escala» (Keller, pág. 196).

Etruscan Banquet Scene
Cena de Banquete Etrusco The British Museum (Copyright)

O Entretenimento

Para além de um bom banquete, haveria músicos presentes para animar o ambiente, tocando liras de concha de tartaruga, castanholas e a flauta dupla aulos. Os convidados pareciam ter-se vestido a rigor para a ocasião, uma vez que todos usavam roupas extravagantes, coloridas e de aspeto dispendioso, com grinaldas de murta no cabelo — e isto apenas no que diz respeito aos homens; as mulheres tinham tudo isso e ainda joias requintadas. Nas festas com bebida, um entretenimento adicional era o jogo grego do kottabos, em que os bebedores tentavam atirar os restos de vinho para um vaso colocado do outro lado da sala, para uma pessoa que segurava alvos de cerâmica ou mesmo para um infeliz escravo que por ali passasse.

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A Representações na Arte

Embora apenas 2% dos túmulos etruscos tivessem as paredes interiores pintadas com cenas da vida quotidiana e da mitologia, a maioria destes apresenta pelo menos uma área dedicada a uma cena de banquete ou de bebedeira. A Tumba das Leoa, em Tarquinia — cujo nome pode induzir em erro —, construída entre 530 e 520 a.C., apresenta, na verdade, duas panteras pintadas, uma grande cena de festa com bebedeira e é interessante pelo seu invulgar teto com padrão xadrez e pelas seis colunas de madeira pintadas. Será que isto recria a prática mais antiga de cobrir os mortos com tendas ou mostra apenas o gosto etrusco por comer ao ar livre?

Etruscan Diners, Tarquinia
Comensais Etruscos, Tarquínia Wolfgang Sauber (CC BY-SA)

A Tumba do Macaco em Chiusi, construída entre 480 e 470 a.C., apresenta outra cena de festa com bebidas que inclui uma figura feminina a dançar enquanto equilibra um incensário na cabeça, a fim de servir de alvo para os bebedores jogarem kottabos. A Tumba de Golini, em Orvieto (Volsini), oferece um raro vislumbre dos bastidores, onde uma parede mostra as cozinhas com onze escravos, tanto homens como mulheres, ocupados a preparar o jantar com carne e aves penduradas, prontas para serem cortadas em cubos por um rapaz escravo que desempenha o papel de talhante. Outra figura está a amassar ou a moer algo numa tigela, ao som da música de um flautista nas proximidades.

Cenas de banquetes também aparecem frequentemente em esculturas em relevo de pedra etruscas nas laterais de urnas funerárias e sarcófagos. Dois belos exemplos provêm de Chiusi. Datados dos séculos VI e V a.C., respetivamente, ambos apresentam cenas em que os convidados se reclinam em sofás de um único braço enquanto seguram taças com pé, com grandes crateras para misturar vinho, músicos e até um cão ao fundo. Tais cenas de festividade coexistem harmoniosamente com relevos mais sérios de cenas de luto noutros lados do mesmo sarcófago. Por fim, por vezes, placas moldadas em terracota, utilizadas para decorar edifícios, retratam cenas de banquete muito semelhantes às já descritas. Um exemplo é uma placa do século VI a.C. proveniente de Acquarossa, que, mais uma vez, apresenta comensais masculinos e femininos, músicos e cães à procura de restos debaixo das cadeiras.

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Etruscan Drinking Party
Festa de Bebida Etrusca Sailko (CC BY)

Em conjunto, estas cenas sociais proporcionam uma visão importante sobre o estatuto das mulheres etruscas, uma vez que ilustram que estas podiam participar em eventos onde as suas homólogas na Grécia não podiam. Lá, apenas as cortesãs (hetaerae) podiam entreter os convidados, mas as inscrições de algumas cenas indicam que mulheres respeitáveis participavam em pé de igualdade com os homens nestas soirées etruscas. Isto era bastante chocante para os escritores gregos, como se vê neste excerto de Ateneu, que cita o escritor Teopompo, do século IV a.C., na sua obra O Banquete Erudito (tít. original: Δειπνοσοφισταί; transliterado: Deipnosophistaí):

Elas [as mulheres etruscas] sentam-se à mesa não ao lado dos seus próprios maridos, mas ao lado de qualquer um dos convidados, e chegam mesmo a brindar à saúde de quem lhes apetecer. Além disso, são grandes bebedoras de vinho e muito belas de se ver. (Heurgon, pág. 34)

A Função Social

Só podemos especular sobre o verdadeiro significado dos banquetes pintados. Serão representações do falecido num momento feliz há muito passado ou de pessoas em luto a organizar um banquete fúnebre para o seu ente querido perdido? Será que poderiam até ser uma visão da vida após a morte, onde a comida, a bebida e a alegria nunca cessam? A presença de serviços de mesa em cerâmica «bucchero», com copos, taças e talheres todos cuidadosamente dispostos numa bandeja junto ao falecido, sugere que sim. Talvez nunca venhamos a saber realmente qual é a ligação entre a arte etrusca e a vida.

Bucchero Dinner Set
Serviço de Mesa de 'Bucchero' Mary Harrsch (Photographed at the Art Institute of Chicago) (CC BY-SA)

Uma coisa é certa: a arte e o vestuário etruscos foram influenciados pelas culturas do Próximo Oriente e da Jónia, graças às suas ligações comerciais, pelo que parece natural que os hábitos de banquetes e festas com bebidas também tenham sido adotados. Devemos considerar, também, que os banquetes podem ter sido oportunidades importantes para os governantes demonstrarem a sua generosidade para com o povo comum e garantirem o seu apoio contínuo ao status quo. Esta era uma prática que remontava à cultura Villanova da Idade do Ferro na Etrúria.

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Seja qual for a função dos banquetes, independentemente de quando fossem realizados e de quem os pudesse ter desfrutado, fica claro pelas pinturas que eles realmente os apreciavam, pois raramente o puro prazer de comer e beber foi retratado de forma tão vívida na arte antiga. Os etruscos sabiam como descontrair, disso não há dúvida.

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Bibliografia

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Cartwright, M. (2026, outubro 11). Banquetes Etruscos. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1024/banquetes-etruscos/

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Cartwright, Mark. "Banquetes Etruscos." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, outubro 11, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1024/banquetes-etruscos/.

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Cartwright, Mark. "Banquetes Etruscos." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 11 out 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1024/banquetes-etruscos/.

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