A Guerra da Rainha Ana (1702-1713) foi o segundo maior conflito colonial na América do Norte, travado entre as colónias de Inglaterra — Grã-Bretanha após 1707 — e as de França e Espanha, com cada um dos lados auxiliado pelos seus respetivos aliados nativos americanos. Sendo uma extensão de um conflito europeu mais amplo, a Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), a Guerra da Rainha Ana teve as suas próprias origens únicas, decorrentes da política tempestuosa da América Colonial.
A guerra começou oficialmente quando Ana, Rainha da Grã-Bretanha (reinado 1702-1714) — de quem o conflito norte-americano recebeu o nome —, declarou guerra à França e à Espanha, em resposta a uma disputa sobre quem herdaria o trono espanhol. Esta guerra dinástica, embora de pouca importância para os colonos na fronteira norte-americana, iria contudo reacender tensões que vinham a fervilhar desde a última guerra colonial. A Nova França, por exemplo, disputava com os seus rivais ingleses o controlo do lucrativo comércio de peles, bem como uma disputa fronteiriça entre a sua colónia da Acádia e o território do Maine, na Nova Inglaterra. A Confederação Wabanaki indígena mantinha igualmente uma rivalidade de gerações com as colónias da Nova Inglaterra, que remontava à violência da Guerra do Rei Filipe (1675-1678). E, no sul, a Província inglesa da Carolina competia com a sua própria rival, a Florida espanhola, que por vezes autorizava incursões de nativos americanos em território da Carolina. Assim, quando a notícia da declaração de guerra da Rainha Ana chegou às costas americanas, as colónias e as nações nativas americanas envolveram-se prontamente numa guerra feroz, caracterizada por ciclos sangrentos de incursões de retaliação e escaramuças mortais na fronteira.
O Contexto
Na viragem para o século XVIII, a América Colonial era um barril de pólvora. Décadas de tensões, decorrentes de questões como disputas fronteiriças, tratados desonrados e a luta por recursos, já tinham levado ao derramamento de sangue da Guerra do Rei Guilherme (1688-1697). No entanto, este conflito, bastante limitado em âmbito, pouco tinha alcançado para além do incêndio de aldeias fronteiriças e da morte ou rapto dos seus habitantes, servindo apenas para aumentar a animosidade entre as colónias inglesas, de um lado, e a Nova França, do outro. Um dos principais pontos de discórdia situava-se no nordeste, no atual Maine, que era reivindicado tanto pela colónia francesa da Acádia (atuais Nova Escócia e Novo Brunswick) como pelas colónias da Nova Inglaterra. O Maine tinha sido o palco dos combates mais brutais da guerra anterior, com os seus colonatos ainda marcados pelas chamas e as sepulturas dos mortos ainda recentes no seu solo. A Nova França há muito que lutava também com os seus rivais ingleses pelo controlo do lucrativo comércio de peles de castor na região dos Grandes Lagos. Embora os ingleses gozassem de uma vantagem numérica sobre os seus rivais franceses — a população das colónias inglesas aproximava-se dos 200 000 habitantes por volta de 1700, ao passo que a Nova França tinha menos de 20 000 —, os franceses dispunham de uma melhor liderança e de mais colonos com experiência militar, o que ajudava a equilibrar as probabilidades.
Embora a rivalidade entre estas duas potências europeias estivesse no centro das tensões políticas, algumas organizações políticas indígenas poderosas não podiam ser ignoradas. Uma delas, a Confederação Wabanaki, lutava contra os habitantes da Nova Inglaterra há décadas; por várias vezes, os Wabanakis e os ingleses tinham assinado tratados de paz, apenas para que os ingleses, mais tarde, espezinhassem esses acordos e avançassem ainda mais pelas terras dos Wabanakis. Em resposta, os Wabanakis alinharam-se mais estreitamente com os franceses, casando-se com colonos franceses e permitindo missionários jesuítas no seu seio. Durante a Guerra do Rei Guilherme, tinham sido os Wabanakis a realizar a maior parte das incursões contra as vilas da Nova Inglaterra, lançando o terror e o medo nos corações dos colonos ingleses. Outra organização política nativa americana era a Confederação Iroquesa, que tinha sido aliada dos ingleses durante a Guerra do Rei Guilherme, apenas para se ver abandonada no final da mesma. Quando os ingleses fizeram as pazes com os franceses em 1697, negligenciaram o apoio aos seus aliados iroqueses. Assim, os iroqueses foram deixados a lutar sozinhos contra os franceses. Muitas das suas aldeias foram queimadas e pessoas foram mortas pelos franceses vingativos, antes de os iroqueses conseguirem finalizar o seu próprio tratado de paz em 1701. Os iroqueses, compreensivelmente, acusaram os ingleses de os terem abandonado, sendo pouco provável que quisessem ajudar caso eclodisse uma segunda guerra colonial.
O que, como se viria a constatar-se, não demoraria a chegar. Mas a faísca que iria incendiar este barril de pólvora norte-americano viria de milhares de quilómetros de distância, na Europa. Em novembro de 1700, o rei Carlos II de Espanha morreu sem deixar filhos. O trono espanhol vago foi devidamente reivindicado por um membro da dinastia Bourbon francesa, neto do rei Luís XIV, uma iniciativa que alarmou algumas das outras nações europeias, as quais temiam que uma união entre a França e a Espanha perturbasse o frágil equilíbrio de poder. Estas nações, uma poderosa coligação que incluía a Inglaterra, o Sacro Império Romano-Germânico e a República Batava, favoreciam, em vez disso, um candidato da dinastia Habsburgo para suceder ao trono de Espanha. Esta disputa acabou por levar à Guerra da Sucessão Espanhola, à medida que as alianças pró-Bourbon e pró-Habsburgo competiam pelo controlo do Império Espanhol. No início, a Inglaterra e a França tentaram fazer um acordo para manter as suas colónias ultramarinas neutras no conflito. Porém, na altura em que a notícia de que a guerra tinha eclodido na Europa chegou à América Colonial, em 1702, já nada podia fazer o génio voltar para dentro da lâmpada. Uma nova guerra colonial tinha começado.
A Guerra no Sul
Ao contrário da Guerra do Rei Guilherme, que se tinha limitado maioritariamente à Nova Inglaterra e ao Canadá, este novo conflito seria travado a uma escala mais ampla, sendo as primeiras salvas de combate disparadas no Sul. Por esta altura, tanto os colonos ingleses como os franceses corriam para garantir o acesso comercial ao rio Mississippi; a Província da Carolina, então a mais meridional das colónias inglesas, estava a ganhar esta corrida até ao momento, tendo estabelecido uma lucrativa rede comercial que chegava às margens do Mississippi. Pierre Le Moyne d'Iberville, um explorador e comerciante francês, estava ansioso por desmantelar esta rede comercial da Carolina. No início da guerra, dirigiu-se à Florida espanhola e instou o comandante pró-Bourbon de Pensacola a armar os nativos Apalachee locais e a enviá-los para a Carolina para semear o caos. Assim foi feito e, em agosto de 1702, um destacamento de guerreiros Apalachee, liderado por espanhóis, começou a fazer incursões nos postos comerciais do interior da Carolina. Os ingleses reuniram rapidamente um exército próprio para enfrentar esta ameaça e combateram os espanhóis e os Apalachee na Batalha do Rio Flint, em outubro de 1702. A batalha foi uma vitória inglesa estrondosa; 500 guerreiros Apalachee foram mortos ou feridos, e os restantes foram forçados a recuar para a Florida espanhola.
James Moore, o governador da Carolina, não estava disposto a deixá-los escapar tão facilmente. Nesse outono, reuniu uma força de 500 milicianos ingleses e 300 aliados indígenas — na sua maioria Muscogee — e liderou-os pessoalmente numa invasão da Florida espanhola. A 10 de novembro de 1702, Moore cercou St. Augustine, incendiando as comunidades espanholas periféricas. Durante mais de um mês, os ingleses mantiveram o cerco, mas os seus canhões tiveram pouco impacto nas fortes muralhas de St. Augustine. Quando uma força de socorro espanhola vinda de Havana chegou a 29 de dezembro, Moore levantou o cerco e retirou as suas forças de volta para Charles Town (Charleston). No ano seguinte, liderou 50 milicianos ingleses e mais de 1000 guerreiros aliados Muscogee de regresso à Florida, incendiando as missões espanholas a oeste de St. Augustine. Esta campanha de retribuição atingiu o auge em janeiro de 1704, quando os homens de Moore realizar a uma série de incursões contra as aldeias Apalachee. O próprio Moore viria mais tarde a afirmar ter morto mais de 1100 homens, mulheres e crianças Apalachee, e ter forçado outros 4300 à escravatura. Muitos dos sobreviventes foram forçados a fixar-se em reservas ao longo do rio Savannah. Em 1706, os franceses e os espanhóis retaliaram com um ataque conjunto a Charles Town, embora este tenha acabado por fracassar. Nos anos seguintes, este ciclo de incursões de retaliação continuou entre os espanhóis na Florida e os ingleses na Carolina.
A Guerra na Nova Inglaterra
Mais a norte, a série de sangrentas incursões fronteiriças que tinha caraterizado a Guerra do Rei Guilherme recomeçou com uma nova fúria. No início de 1703, uma força liderada por franceses com 500 guerreiros Wabanaki desceu da Acádia e incendiou vários colonatos ingleses no Maine, incluindo Wells e Falmouth (atual Portland). Os colonos ingleses que tinham sobrevivido ao derramamento de sangue da década anterior devem ter assistido horrorizados ao incêndio dos seus colonatos reconstruídos, com os seus familiares chacinados ou levados para o Canadá como cativos. De facto, durante as incursões francesas e Wabanaki de 1703, mais de 300 colonos ingleses foram mortos ou feitos cativos. Mas a incursão mais infame da guerra ocorreria no ano seguinte, quando um oficial militar francês, Jean-Baptiste Hertel de Rouville, liderou um bando de 250 guerreiros Abenaki e Caughnawaga até à pacata vila de Deerfield, na Colónia da Baía de Massachusetts. Às 4 horas da manhã de 29 de fevereiro de 1704, avançaram silenciosamente pelos campos periféricos cobertos de neve, entraram na vila indefesa e começaram a arrancar os colonos ingleses das suas camas. Ao todo, 47 homens, mulheres e crianças foram mortos no imediato, enquanto outros 112 foram reunidos e levados como cativos. Estes cativos foram arrastados ao longo de mais de 300 milhas até ao colonato francês de Montreal, tendo alguns deles morrido pelo caminho. Os sobreviventes foram integrados na tribo Abenaki — um costume praticado por algumas nações nativas americanas para substituir as perdas nas suas comunidades — ou resgatados de volta para Massachusetts.
Em 1704, os ingleses retaliaram contra estas incursões enviando uma expedição própria para a Acádia. Esta foi liderada pelo coronel Benjamin Church, um renomado combatente de indígenas que tinha ganho fama nas batalhas sangrentas tanto da Guerra do Rei Filipe como da Guerra do Rei Guilherme. Church atacou vários colonatos da Acádia, retribuindo aos franceses e Wabanakis com fogo e sangue. Alguns relatos afirmam que Church tentou atacar Port Royal, a capital da Acádia, mas considerou-a demasiado bem defendida e desistiu, regressando a New Hampshire. Em 1705, os franceses e os seus aliados Wabanaki realizaram novas incursões no norte de Massachusetts. Eram rápidos no seu trabalho sangrento e, muitas vezes, já tinham partido há muito quando a milícia local conseguia organizar qualquer tipo de defesa. O governador de Massachusetts, Joseph Dudley, cedo percebeu que a melhor forma de defender a sua colónia era lançar uma ofensiva contra a Nova França. Em maio de 1707, organizou uma expedição de 1600 homens para capturar Port Royal. Tal como Church antes deles, estas tropas da Nova Inglaterra acharam as defesas de Port Royal demasiado fortes e foram repelidas após um curto cerco. Por esta altura, tinha-se tornado claro que os habitantes da Nova Inglaterra precisavam de ajuda se quisessem inverter o rumo contra as incursões dos franceses e dos Wabanakis. Essa ajuda teria de vir da dormente Confederação Iroquesa, que continuava neutral e a curar as feridas da última guerra.
Mas, na verdade, a maior parte dos iroqueses não estava disposta a ajudar. À exceção dos Mohawks, a mais anglófila das Cinco Nações da confederação, os iroqueses desconfiavam dos ingleses, lembrando-se de como estes os tinham traído no final da última guerra. De facto, alguns dos iroqueses, particularmente as nações Onondaga e Seneca superior, começavam a favorecer a criação de laços mais fortes com os franceses, tendo permitido a presença de missionários jesuítas franceses nas suas comunidades. Alarmada, a Província de Nova Iorque enviou o seu comissário para os assuntos indígenas, Peter Schuyler, para lembrar os iroqueses da sua antiga aliança com os ingleses, conhecida como a Covenant Chain (Corrente do Pacto), e para os atrair de volta ao grupo. Após múltiplas reuniões, os iroqueses continuaram a recusar oferecer total apoio militar, embora tenham acalmado Schuyler com promessas vagas de ajuda. Entretanto, alguns iroqueses informaram os franceses sobre as tentativas de Schuyler de invocar a Covenant Chain, bem como sobre os planos militares ingleses que este lhes tinha mostrado — ao jogarem em ambos os lados, os iroqueses provaram mais uma vez que eram operadores políticos astutos, garantindo a sua própria sobrevivência ao assegurarem que ambas as potências europeias dependiam deles. Contudo, enquanto Schuyler tentava obter ajuda dos iroqueses, outros colonos procuravam apoio do outro lado do oceano, na pessoa da própria Rainha Ana.
Os Ataques ao Canadá
Em 1708, Samuel Vetch, um comerciante escocês com ligações coloniais, planeou uma ofensiva em duas frentes para capturar Quebeque, a capital da Nova França. Vez após vez, Vetch tinha testemunhado os franceses concederem santuário aos Wabanakis após as suas incursões destrutivas nos colonatos ingleses, o que o levou à conclusão de que a única forma de garantir a segurança da Nova Inglaterra era expulsar definitivamente os franceses da América do Norte. Para o efeito, viajou até Londres e apelou à própria Rainha Ana por apoio militar da Grã-Bretanha (a Inglaterra tinha-se fundido na Grã-Bretanha com os Atos de União em 1707). A rainha aprovou o "grande empreendimento" de Vetch e ofereceu-se para fornecer navios para a sua campanha. No ano seguinte, Vetch e o seu colaborador, o funcionário colonial Francis Nicholson, organizaram a sua expedição: um exército de 1500 homens marcharia por terra para capturar Montreal, enquanto outra força de 1000 homens navegaria para Quebeque a bordo de navios britânicos. Esta campanha ambiciosa, no entanto, teve de ser cancelada quando os navios britânicos prometidos nunca chegaram a aparecer; na verdade, tinham sido redirecionados para operações militares ao largo de Portugal. De forma frustrante, o teatro de operações norte-americano tinha provado não passar de um palco secundário para os generais da Europa.
Os dois homens recusaram-se a desistir. No início de 1710, regressaram a Londres, desta vez na companhia de quatro chefes indígenas, três dos quais eram iroqueses da nação Mohawk, que era pró-inglesa. A presença destes chamados "Quatro Reis Mohawk" causou uma grande sensação em Londres. Os chefes foram transportados pelas ruas em carruagens reais, banqueteados pela Junta de Comércio e até convidados para uma representação de Macbeth, de William Shakespeare, onde lhes foi permitido sentarem-se no palco. Quando os chefes indígenas receberam uma audiência com a rainha, pediram assistência militar contra os franceses, bem como o envio de missionários anglicanos para as suas aldeias, de modo a contrabalançar a influência dos jesuítas. Esta iniciativa, calculada por Nicholson e Vetch, tornou difícil a recusa por parte da rainha. Assim, em julho de 1710, Nicholson regressou a Boston com 400 fuzileiros navais vindos da Grã-Bretanha. Recrutou 1500 milicianos nas colónias e, no final de setembro, zarpou a bordo de uma frota composta por 36 navios de transporte e 5 navios de guerra britânicos. Os britânicos e os colonos chegaram às imediações de Port Royal e capturaram-na a 13 de outubro, após um cerco de uma semana. As forças de Nicholson ocuparam-na prontamente e rebatizaram-na de Annapolis Royal, em honra da rainha.
Encorajado por este sucesso, Nicholson regressou a Londres em 1711 para pedir apoio para outra ofensiva contra Quebeque. Este foi concedido e, em junho, uma frota de 15 navios de linha chegou a Boston sob o comando do almirante Hovenden Walker, transportando 5000 soldados britânicos. Esta era, até à data, a maior força militar que a Grã-Bretanha alguma vez tinha oferecido em apoio às suas colónias norte-americanas. A expedição teve de partir rapidamente — a então pequena vila de Boston mal tinha capacidade para alimentar este afluxo de bocas — e navegou em direção a Quebeque no final de julho. Contudo, à medida que a frota se aproximava da foz do rio São Lourenço, entrou num nevoeiro denso. Vários navios naufragaram nas margens rochosas e afundaram-se, resultando no afogamento de cerca de 700 soldados. Após esta calamidade, o almirante Walker não teve outra escolha senão cancelar a expedição. Nicholson, entretanto, liderava uma expedição terrestre simultânea para capturar Montreal, a qual incluía alguns batedores iroqueses. No entanto, assim que teve conhecimento do fracasso de Walker, cancelou prontamente a sua expedição e regressou a Albany, em Nova Iorque.
A Paz
Em 1712, foi alcançado um armistício entre a Grã-Bretanha e a França, e um tratado de paz definitivo foi assinado no ano seguinte. No Tratado de Utreque de 1713, Filipe V — o candidato Bourbon — foi reconhecido como rei de Espanha, em troca da sua renúncia a todas as reivindicações ao trono francês. Mas onde a Grã-Bretanha realmente ganhou mais foi na América do Norte; a França cedeu à Grã-Bretanha o controlo da Acádia, da Terra Nova, da zona da Baía de Hudson e da ilha de São Cristóvão, nas Caraíbas. Em contrapartida, os franceses mantiveram o controlo da Île-Royale (atual Ilha de Cape Breton) e conservaram o direito de pescar ao largo da costa da Terra Nova. O Tratado de Utreque não acautelou os interesses dos Wabanakis, que fizeram uma paz separada com as colónias da Nova Inglaterra em julho de 1713. No subsequente Tratado de Portsmouth, os Wabanakis e os habitantes da Nova Inglaterra estabeleceram uma fronteira no rio Kennebec — resolvendo assim a longa disputa fronteiriça no Maine — e os Wabanakis permitiram que os colonos estabelecessem postos comerciais no seu território.
Deste modo, a Guerra da Rainha Ana chegava ao fim. Ao contrário da Guerra do Rei Guilherme, que nada tinha alcançado e que restabelecera o status quo anterior à guerra, a Guerra da Rainha Ana terminou com uma vitória britânica, consolidando a presença britânica no atual Canadá em detrimento dos franceses. De facto, os franceses, receosos de perder os seus restantes territórios canadianos, passaram os anos seguintes a construir uma poderosa fortaleza na Ilha de Cape Breton, à qual deram o nome de Louisbourg; esta viria a servir como um grande ponto de discórdia entre franceses e britânicos, aumentando as tensões na região. Na antiga colónia francesa da Acádia — rebatizada de Nova Escócia pelos britânicos —, muitos acadianos recusaram-se a jurar fidelidade à Coroa Britânica e partiram para outras colónias sob controlo francês. Os iroqueses tinham mantido a sua neutralidade ao longo da guerra. No entanto, no Tratado de Utreque, foram reconhecidos como súbditos britânicos, alinhando-os ainda mais com as colónias britânicas, quer o quisessem quer não. Embora o mapa colonial da América do Norte tivesse mudado, as animosidades entre todos os principais intervenientes permaneciam tão fortes como sempre, o que levaria ao terceiro grande conflito colonial: a Guerra do Rei Jorge (1744-1748).

