Henry Hudson

Kim Martins
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Henry Hudson (by Unknown Artist, Public Domain)
Henry Hudson Unknown Artist (Public Domain)

Henry Hudson (cerca de 1570-1611) foi um navegador e explorador marítimo inglês. É conhecido pelas suas quatro viagens entre 1607 e 1610 em busca de uma passagem a noroeste através do Oceano Ártico até ao Extremo Oriente. A atração por uma passagem a noroeste tornou-se uma obsessão durante o século XVI, pois permitiria contornar as águas do sul controladas pelos espanhóis e portugueses.

Uma rota marítima a norte da Rússia ártica ou do Canadá ajudaria os ingleses a estabelecerem-se no lucrativo comércio de seda e especiarias. Considerava-se que uma rota polar era a mais direta, e Peter Plancius (1552-1662), um cartógrafo holandês que mais tarde viria a trabalhar com Hudson, sugeriu que existia um clima polar quente e sem gelo porque:

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perto do Polo, o sol brilha continuamente durante cinco meses; e embora os seus raios sejam fracos, devido ao longo período de tempo em que persistem, têm força suficiente para aquecer o solo, torná-lo temperado e adequá-lo à habitação dos homens...

(citado em Johnson, pág. 20).

Esta crença alimentou tentativas falhadas de encontrar a lendária Passagem do Noroeste, que começaram com a viagem de 1576 do aventureiro isabelino Martin Frobisher (cerca de 1535-1594), durante a qual ele chegou ao Labrador (costa leste do Canadá) e à Ilha de Baffin (entre a Gronelândia e o continente canadiano).

Henry Hudson não conseguiu encontrar a Passagem do Noroeste, mas descobriu o rio Hudson e cartografou a região do Ártico.

A Inglaterra persistiu em enviar exploradores às extensões geladas do Ártico, com o capitão James Cook (1728-1779) a ser enviado em 1776 e a expedição malfadada de Sir John Franklin (1786-1847) a pôr fim às tentativas do Almirantado britânico de encontrar uma rota mais curta entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

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O nome de Henry Hudson foi incluído na longa lista de marinheiros que não conseguiram encontrar a Passagem do Noroeste, mas ele descobriu o rio Hudson, a baía de Hudson e o estreito de Hudson, cartografou a região ártica, o que lançou as bases para as expedições polares dos séculos XVIII e XIX, e as suas explorações do rio Hudson levaram à colonização holandesa de Nova Iorque.

Os Primeiros Anos

Muito pouco se sabe sobre os primeiros anos de Henry Hudson. É muito provável que tenha nascido na cidade de Hoddesdon, em Hertfordshire, a noroeste de Londres, durante o reinado da rainha Isabel I de Inglaterra (reinou 1558-1603). Desconhece-se os nomes dos seus pais são, mas os estudiosos acreditam que o pai era um comerciante marítimo e vereador de Londres, e que o avô (também chamado Henry Hudson) foi um dos fundadores da Muscovy Company (uma companhia comercial inglesa fundada em 1555).

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Dadas as ligações do avô, Henry Hudson pode ter-se feito à mar como grumete e, mais tarde, trabalhado no escritório da empresa em Londres. Tem-se sugerido que ele foi membro da tripulação do Capitão John Davis (cerca de 1550-1605), um marinheiro inglês e um dos principais navegadores da Rainha Isabel, que procurou a Passagem do Noroeste entre 1585 e 1588. Hudson era também amigo do capitão John Smith (1580-1631), um dos fundadores do assentamento inglês na Colónia de Jamestown, na Virgínia. Quando Hudson entrou para os registos históricos em 1607, com cerca de trinta e cinco anos, já possuía considerável habilidade como navegador e anos de experiência no mar, particularmente na região do Ártico.

No início da década de 1590, Hudson casou-se com uma mulher chamada Katherine, com quem teve três filhos, Oliver, John e Richard, e viveram no bairro de St. Katherine, em Londres. John acompanharia o pai em todas as quatro viagens.

Purchas His Pilgrimes
"Purchas His Pilgrimes" Berger Collection (Public Domain)

Não se conhece a existência de nenhum retrato contemporâneo de Henry Hudson, embora tenha sido pintado um em 1620 pelo artista flamengo Paul van Somer (1577-1621). Esboços e pinturas a óleo retratando Hudson numa canoa a caminho da costa para ser recebido por povos indígenas ou à deriva devido a um motim da tripulação são fruto da imaginação artística. O que se sabe sobre Henry Hudson provém de correspondência oficial, diários de bordo das suas quatro viagens e de um livro intitulado Purchas His Pilgrimes, (O Hakluyt Póstumo ou As Peregrinações de Purchas) publicado em 1625. O reverendo Samuel Purchas (cerca de 1577-1626) compilou contratos, cartas e registos de navegadores importantes, incluindo Henry Hudson.

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A Primeira Viagem

Henry Hudson tinha 37 anos em 1607 quando a Muscovy Company o encarregou de navegar pelas águas do Ártico em busca de uma rota pelo Polo Norte até ao Extremo Oriente. O reverendo Richard Hakluyt (1553-1616), um geógrafo de renome que fazia parte do conselho de administração da empresa, recomendou Hudson. Foi a primeira de quatro viagens, e Hudson partiu de Gravesend, Inglaterra, a 1 de maio de 1607. O seu navio, uma barca de 40 toneladas, chamava-se Hopewell e tinha doze tripulantes, incluindo o filho mais novo de Hudson, John.

Hudson chegou a 928 quilómetros do Polo Norte; nenhum explorador europeu tinha alcançado latitudes tão elevadas antes.

As Ilhas Shetland (a norte da Escócia) foram avistadas a 26 de maio e, a 13 de junho, o Hopewell tinha-se aproximado da costa leste da Gronelândia. A 22 de junho, o Hopewell ancorou junto a uma península, a que Hudson deu o nome de Hold-with-Hope, um nome ainda em uso e um dos nomes geográficos mais antigos da Gronelândia oriental.

Hudson aderiu à teoria de Plancius sobre águas quentes na região ártica, mas o seu navio deparou-se com mares tempestuosos e o gelo impediu a viagem para norte. Baleias e grampus (membros da família dos golfinhos) cercaram o navio enquanto este se dirigia para Spitsbergen, a maior ilha do arquipélago de Svalbard, onde chegou a 29 de julho. Hudson e a sua tripulação chegaram a 928 quilómetros (577 milhas) do Polo Norte, mas foram forçados a regressar devido aos perigos representados pelos icebergues. Nenhum explorador europeu tinha alcançado latitudes tão elevadas antes.

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Henry Hudson regressou a Tilbury, Inglaterra, em frente a Gravesend, a 15 de setembro de 1607, tendo-se desviado 800 quilómetros (497 milhas) da rota, presumivelmente numa busca determinada pela passagem do noroeste. Enquanto o Hopewell rumava para sul, Hudson descobriu as Ilhas Tutches de Hudson (Ilha Jan Mayen) a norte da Islândia.

Embora não tenha conseguido encontrar uma rota mais curta para o Extremo Oriente durante a viagem de três meses e meio, a exploração de Hudson em torno de Spitsbergen e o seu avistamento de uma abundância de baleias nas baías do arquipélago de Svalbard deram início à lucrativa indústria baleeira. Alguns membros da sua tripulação mataram um urso polar em Spitsbergen e adoeceram após consumirem o fígado tóxico e rico em vitamina A. A Muscovy Company também beneficiou dos relatos de Hudson sobre morsas em Hudson's Tutches, tendo milhares sido mortas pelas suas presas.

Dutch Whalers off Spitsbergen
Baleeiros Holandeses ao largo de Spitsbergen Abraham Storck (Public Domain)

A primeira viagem de Henry Hudson mapeou partes de uma região ártica inexplorada, mas a árdua e gelada jornada também destacou a falta de competências de liderança de Hudson – um problema que mais tarde se revelaria fatal. O imediato de Hudson era William Collins, com quem Hudson entrou em conflito e o despromoveu a contramestre, substituindo Collins pelo menos experiente John Colman. As ações de Hudson causaram descontentamento entre a tripulação, uma tripulação já perturbada pelo que consideravam o «feitiço maligno» lançado pelo comportamento errático da bússola de Hudson no norte magnético.

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A Segunda Viagem

De volta a Inglaterra, Hudson passou algum tempo com Richard Hakluyt, que lhe mostrou cartas náuticas e a rota seguida pelo navegador holandês Willem Barentsz (1550-1597), que tinha partido de Amesterdão em 1594 em busca de uma passagem nordeste para Cathay (China), que se acreditava existir a norte da Rússia. A Muscovy Company contratou Hudson novamente em 1608 para seguir uma rota marítima passando pelo extremo norte de Novaya Zemlya, na Rússia, onde Barentsz tinha explorado. Isso levaria ao Mar de Kara, e Hudson pretendia então navegar para leste ao longo da costa siberiana até chegar à passagem que conduzia ao Oceano Pacífico. No entanto, nenhum explorador tinha chegado tão a norte, pelo que os mapas e cartas náuticas continham latitudes e longitudes incorretas. Hudson partiu novamente no Hopewell em abril de 1608 com um mapa de Peter Plancius de 1594 baseado num mapa de Mercator de 1569. Ambos os mapas mostravam possíveis (mas incorretas) passagens a nordeste.

Hudson partiu com uma tripulação de 15 homens, incluindo o seu filho John e Robert Juet (1578-1611). Apenas três homens da primeira tripulação de Hudson se alistaram para esta segunda viagem. Juet era um marinheiro inglês mais velho que viria a navegar com Hudson em viagens posteriores e que manteve um extenso diário da viagem. As próprias notas de Hudson seriam mais tarde publicadas em Purchas His Pilgrimes. O Hopewell foi reforçado com tábuas para proteção contra o gelo marinho.

Map of the Two North American Voyages of Henry Hudson
Mapa das Duas Viagens à América do Norte de Henry Hudson Jon Platek (CC BY-NC-SA)

Em maio de 1608, Hudson tinha chegado ao extremo norte da Noruega e, no final de junho, avistou-se Novaya Zemlya. A viagem não decorreu sem incidentes. O Hopewell ficou preso no gelo e a tripulação conseguiu finalmente libertar o navio após quatro horas. O diário de bordo de Hudson, datado de 15 de junho de 1608, registou uma sereia a nadar ao lado do navio (provavelmente uma foca).

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Hudson tentou navegar para norte, mas espessas camadas de gelo provaram que uma passagem nordeste para Cathay não era possível, pelo que o navio deu meia-volta. Tendo falhado em encontrar uma passagem nordeste para a Muscovy Company, Hudson fez duas coisas: caçou morsas pelas suas presas e gordura e alterou subtilmente o rumo para sul, de modo que o Hopewell se dirigiu para oeste. A primeira ação seria lucrativa para a Companhia de Moscóvia, pois a sua administração não ficaria satisfeita por o seu navegador não ter cumprido as instruções da expedição. A segunda ação resultou da determinação de Hudson em encontrar uma passagem a noroeste e, quando a tripulação, liderada por Robert Juet, percebeu que a Inglaterra não era o seu destino, surgiu a ameaça de um motim. Hudson cedeu à pressão, e o Hopewell chegou a Gravesend a 26 de agosto de 1608. Cada membro da tripulação recebeu um certificado de libertação antes de desembarcar. Os amotinados podiam ser enforcados, e a formulação do certificado exonerava a tripulação do Hopewell.

A parceria de Hudson com a Muscovy Company terminou porque a administração não estava disposta a financiar mais expedições, e o seu interesse em encontrar uma passagem nordeste esmoreceu.

A Terceira Viagem: Capitão Contratado ou Espião Inglês?

Em novembro de 1608, Henry Hudson recebeu uma carta da Verenigde Oostindische Compagnie (VOC), ou Companhia Holandesa das Índias Orientais. Os holandeses controlavam o comércio no Oceano Índico, mas os seus navios faziam longas viagens contornando o Cabo da Boa Esperança ou através do Estreito de Magalhães (a ponta sul da América do Sul). Tal como os ingleses, a VOC queria encontrar uma rota mais curta e convidou Hudson para ir a Amesterdão. No entanto, o vasto conhecimento de Hudson sobre a região ártica e a sua fama não convenceram todos os 17 membros do conselho, e não havia planos para patrocinar uma expedição.

Enquanto esteve em Amesterdão, Hudson reuniu-se com Peter Plancius, desenhando mapas das suas duas viagens e tentando convencê-lo de que existia uma passagem noroeste a norte da latitude 60º N (Plancius defendia uma passagem nordeste). A VOC soube então que Hudson estava a negociar secretamente com Henrique IV de França (1553-1610) e prontamente ofereceu-lhe um contrato que foi assinado em janeiro de 1609. O contrato estipulava que Hudson procuraria uma passagem nordeste a norte ou nordeste de Novaya Zemlya e em direção à Índia. Estipulava ainda que ele não deveria procurar outra rota. Presumivelmente, os holandeses tinham tomado conhecimento do hábito de Hudson de desobedecer às instruções durante a sua segunda viagem, quando rumou para oeste no Hopewell em vez de regressar imediatamente a Inglaterra.

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Replica of the Dutch Vessel Halve Maen
Réplica da Embarcação Holandesa Halve Maen Library of Congress (Public Domain)

Hudson não foi o primeiro capitão a navegar sob bandeira estrangeira. Sebastian Cabot (1474-1557), um navegador veneziano, navegou para a Inglaterra, e Giovanni da Verrazano (1485-1528) era um italiano ao serviço da França.

Os holandeses forneceram a Hudson o navio de três mastros e velas quadradas Halve Maen (a Meia Lua), um navio velho e incrivelmente pequeno, com 25 metros (84 pés) de comprimento e 5,1 metros (17 pés) de largura. Hudson recrutou uma tripulação de 20 homens (embora alguns registos indiquem 16), que incluía novamente o seu filho John e John Colman como segundo imediato. Robert Juet, um homem de temperamento difícil, gerou tensão entre a tripulação inglesa e a holandesa enquanto navegavam para norte em abril de 1609, seguindo a costa norueguesa. O mau tempo e os ventos de força de tempestade talvez tenham contribuído para o que aconteceu a seguir: Hudson ignorou as instruções da VOC para procurar uma rota para leste até ao Extremo Oriente e navegou para oeste através do Atlântico até à América, o Novo Mundo, acreditando que isso proporcionaria uma rota mais curta. O amigo de Hudson, o capitão John Smith, passou mais de três meses a explorar a Baía de Chesapeake, à procura de uma passagem noroeste para o Pacífico, e a correspondência entre os dois amigos pode ter convencido Hudson de que o sucesso estava na América do Norte. Ele tinha mapas do Novo Mundo a bordo do Halve Maen. A tripulação também estava farta das tempestades violentas e do tempo frio, por isso talvez Hudson lhes tenha prometido um clima mais quente para não se deparar com um navio cheio de amotinados.

Landing of Henry Hudson
O Desembarque de Henry Hudson Christie's (Public Domain)

O Halve Maen atracou na Terra Nova, no Canadá, antes de rumar para sul e explorar a Baía de Penobscot (sul do Maine), Cape Cod, a Baía de Chesapeake e a Baía de Delaware, entrando no porto de Nova Iorque a 3 de setembro de 1609, na foz do largo rio que hoje leva o nome de Hudson. Explorou então a costa da atual Nova Jérsia e ancorou ao largo da Ilha de Manhattan, recebendo indígenas a bordo para trocar peles e tabaco.

A 4 de outubro, Henry Hudson decidiu regressar não à Holanda, mas a Dartmouth, Inglaterra, onde o rei Jaime I de Inglaterra (1566-1625) não estava disposto a permitir que Hudson cumprisse as exigências da VOC de que ele e a tripulação regressassem à Holanda. O historiador holandês Hessel Gerritz (1581-1632) sugeriu que a verdadeira razão da chegada de Hudson à Inglaterra era para prestar contas aos seus verdadeiros empregadores e que ele se dirigiu propositadamente para o Novo Mundo, em vez de encontrar uma rota marítima mais curta para o Extremo Oriente que beneficiasse os rivais do seu país. Os diários de bordo de Hudson acabaram por ser devolvidos à Holanda, e o Halve Maen partiu de regresso a casa em julho de 1610.

A Quarta e Última Viagem

A Company of Gentlemen Adventurers, um grupo independente de investidores que incluía o diplomata Sir Dudley Digges (1583-1639) e o comerciante Sir Thomas Smythe (1558-1625), apoiou Hudson na sua quarta viagem em abril de 1610 com uma tripulação de 21 pessoas, incluindo John Hudson e Robert Juet. O Discovery era um barco de 19,8 metros (65 pés) que partiu do St. Katherine's Dock, em Londres, com destino à Gronelândia.

Com apenas 14 dias de provisões restantes, o capitão Henry Hudson, o seu filho John e sete tripulantes leais ficaram à deriva... para nunca mais serem vistos.

O conhecimento adquirido nas três viagens anteriores tinha convencido Hudson de que a Passagem do Noroeste seria encontrada a norte da latitude 60º N, e o Discovery entrou na Baía de James, no extremo sul da Baía de Hudson, no Canadá. Quando Hudson partiu de Inglaterra, havia comida suficiente para oito meses, mas os mantimentos tinham-se esgotado, e foram feitas acusações de acumulação de alimentos contra o capitão.

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O Discovery explorou a Baía de James, e uma teoria interessante foi proposta na revista Beaver Magazine em setembro de 1999 por Carl Schuster (escritor e explorador). Schuster sugeriu que Hudson explorou sistematicamente a Baía de James, cobrindo faixas de 25 quilómetros (16 milhas) a cada passagem, e que não procurava uma passagem do Noroeste, mas sim cobre, ouro ou prata – riquezas minerais que a Baía de Hudson possuía em abundância. Tendo em conta os ricos mercadores que constituíam a Companhia dos Cavalheiros Aventureiros, todos eles com laços estreitos com a coroa e um monarca fortemente endividado, esta teoria pode explicar por que razão Hudson optou por permanecer na Baía de James em vez de se dirigir mais para noroeste, onde se pensava que se situava a lendária passagem para o Extremo Oriente.

[imagem:17596]

À medida que as temperaturas desciam para -45 °C, Hudson decidiu passar o inverno na Baía de James, enquanto as águas congelavam à volta do casco do Discovery. A tripulação foi obrigada a caçar para se alimentar, e o artilheiro, John Williams, morreu, o que aumentou a tensão. Por fim, os homens sofreram de escorbuto, podridão dos pés e queimaduras pelo frio.

Quando a primavera chegou em 1611 e Hudson decidiu continuar a exploração da Baía de James, a tripulação, liderada por Robert Juet, amotinou-se. Com apenas 14 dias de comida restantes, o capitão Henry Hudson, o seu filho John e sete tripulantes leais foram abandonados à deriva a 23 de junho numa chalupa (pequeno barco com remos e vela), para nunca mais serem vistos. Juet assumiu o comando, e o Discovery partiu para Inglaterra, atracando em Londres com apenas oito tripulantes, que foram julgados no Supremo Tribunal do Almirantado. Juet morreu durante a viagem de regresso, e o seu corpo foi lançado ao mar ao largo da Irlanda.

Teria sido um motim assassino? Foram encontradas manchas de sangue no navio, bem como cartas que sugeriam um conflito entre Hudson e a sua tripulação. Alguns dos pertences de Hudson também estavam em falta. Terá ele sido assassinado e o seu corpo atirado ao mar? Existe também a possibilidade de Henry Hudson ter sobrevivido. Em 1959, um trabalhador da construção civil perto de Chalk River (a cerca de 1,5 horas de James Bay) descobriu «HH 1612 CAPTIVE» gravado na superfície de uma rocha – será que as iniciais HH significam Henry Hudson?

A chalupa encontrava-se a 75 quilómetros (46 milhas) da costa, e é possível que Hudson e a sua tripulação tenham conseguido chegar a terra apenas para serem capturados pelo povo algonquino que habitava a área. O explorador francês Samuel De Champlain (1567-1635), que subia o rio Ottawa em 1613, ouviu rumores de que os algonquinos tinham capturado um jovem inglês (possivelmente o filho adolescente de Hudson).

O desaparecimento de Henry Hudson continua a ser um dos mistérios mais intrigantes da história.

As Conquistas de Hudson

O nome de Henry Hudson talvez tenha ficado mais na memória do que as suas conquistas. Após a sua presumível morte em 1611, passaram-se dois séculos até que as suas viagens fossem reconhecidas pela Sociedade Histórica de Nova Iorque em 1809, que comemorou a descoberta de Nova Iorque por Hudson e as suas quatro viagens.

As principais contribuições de Hudson foram:

  • A descoberta do rio Hudson, da baía de Hudson e do estreito de Hudson
  • O aprofundamento do conhecimento da geografia marítima do Ártico
  • A expansão da influência holandesa e a abertura do caminho para a fundação de Nova Amsterdão (mais tarde Nova Iorque)
  • A contribuição para o conhecimento cartográfico do Novo Mundo

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Perguntas & Respostas

Quem foi Henry Hudson?

Henry Hudson (cerca de 1570-1611) foi um navegador e explorador marítimo inglês. É conhecido pelas suas quatro viagens, realizadas entre 1607 e 1610, em busca de uma passagem a noroeste através do Oceano Ártico até ao Extremo Oriente.

Quais são algumas das conquistas de Henry Hudson?

Henry Hudson explorou o que hoje se conhece como o rio Hudson, a baía de Hudson e o estreito de Hudson. Também lançou as bases para a colonização holandesa de Nova Amsterdão (Nova Iorque). As suas viagens pela região ártica, em semda de uma passagem noroeste para o Extremo Oriente, ampliaram o conhecimento marítimo da região e prepararam o caminho para a indústria baleeira.

O que é que Henry Hudson pretendia alcançar?

Henry Hudson comandou quatro viagens de descoberta — três para os ingleses e uma para os holandeses. O seu objetivo era encontrar uma rota marítima polar a norte da Rússia ártica ou do Canadá, que ajudasse os ingleses a estabelecerem-se no lucrativo comércio de seda e especiarias no Extremo Oriente.

O que aconteceu a Henry Hudson?

A história conta que morreu em 1611, na sua quarta e última viagem. Na Baía de James (Canadá), após um inverno rigoroso, a sua tripulação amotinou-se e abandonou à deriva Hudson, o seu filho adolescente, John, e sete tripulantes leais. Nunca mais foram vistos.

Bibliografia

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Estilo APA

Martins, K. (2026, maio 26). Henry Hudson. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19287/henry-hudson/

Estilo Chicago

Martins, Kim. "Henry Hudson." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, maio 26, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19287/henry-hudson/.

Estilo MLA

Martins, Kim. "Henry Hudson." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 26 mai 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19287/henry-hudson/.

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