Martinho Lutero

Joshua J. Mark
por , traduzido por Lucas de Oliveira
publicado em
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Martin Luther (by Sergio Andres Segovia, Public Domain)
Martinho Lutero Sergio Andres Segovia (Public Domain)

Martinho Lutero ( 1483-15460) foi um padre alemão, monge, e um teólogo que se tornou uma figura religiosa central e do cultural movimento conhecido como A Reforma Protestante. Embora reformadores anteriores tenham expressado as opiniões de Lutero, sua personalidade carismática e o uso eficiente da imprensa incentivaram a aceitação generalizada de sua visão do cristianismo.

Ele nasceu de pais de classe baixa, que esperavam que ele se tornasse um advogado, mas sua insistência em definir verdades indiscutíveis, juntamente com um apelo por ajuda divina que ele fez durante uma tempestade, o levou a se tornar um monge agostiniano. Ele era um padre devoto, embora conturbado, na Igreja Católica Romana em Wittenberg, Alemanha, até que sua indignação com a política da igreja, especialmente a venda de indulgências, o incentivou a questionar a autoridade da igreja.

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Lutero nunca teve a intenção, inicialmente, de desafiar a hierarquia da igreja ou o papa. As 95 Teses de Martinho Lutero de 1517 foram um convite para discutir políticas e práticas da Igreja que ele considerava incomodas e anti-bíblicas. O documento original, escrito em latim, era destinado a um público eclesiástico, mas foi traduzido para o alemão por seus amigos e apoiadores e, graças ao avanço da imprensa em 1440, eles espalharam as teses pela Alemanha e por outras nações, dando início à Reforma Protestante.

Início da vida e o voto

Lutero nasceu em Eisleben, na atual Alemanha, em 1483, uma região que na época fazia parte do Sacro Império Romano. Seus pais pertenciam à classe alta camponesa, visto que seu pai não era um agricultor ligado à terra, mas possuía várias minas de cobre. O estudioso Roland H. Bainton comenta:

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Seu pai, Hans Luther, e sua mãe, Margaretta, eram alemães robustos, atarracados e morenos [camponeses]. Na verdade, eles não estavam envolvidos no cultivo da terra porque, como filho sem herança, Hans havia se mudado da fazenda para as minas. Nas entranhas da terra, ele prosperou com a ajuda de Santa Ana, padroeira dos mineiros, até se tornar proprietário de meia dúzia de fundições; no entanto, ele não era excessivamente rico, e sua esposa ainda precisava ir à floresta e trazer lenha para casa. A atmosfera da família era a dos camponeses: rude, áspera, por vezes grosseira, crédula e devota. O velho Hans rezava ao lado do leito do filho e Margaretta era uma mulher de oração. (10-11)

Lutero teve dificuldades nos estudos e abandonou o curso de Direito, acreditando que, no fim das contas, seria inútil.

Lutero era o mais velho de vários filhos e seu pai cuidou para que ele recebesse uma boa educação, para que pudesse se tornar advogado e subir na hierarquia social, alcançando uma posição mais confortável. Lutero foi educado inicialmente em Magdeburgo e Eisenach antes de ingressar na Universidade de Erfurt em 1501, aos 17 anos. De acordo com os seus escritos posteriores, Lutero teve dificuldades nos estudos e abandonou o curso de Direito, acreditando que, em última análise, era algo sem sentido.

Sua busca por um sentido para a vida, algo concreto e imutável, o levou à filosofia, mas ele achou isso igualmente insatisfatório, pois dependia da razão humana e da interpretação de circunstâncias mutáveis que, em sua opinião, não eram confiáveis, pois o raciocínio intelectual era falho, já que os seres humanos estavam necessariamente à mercê de interpretações subjetivas de suas experiências. Ele acreditava que Deus era a verdade suprema, mas não tinha ideia de como se deveria buscar uma comunhão significativa e duradoura. Ele foi criado temendo a Deus como um juiz severo e implacável e não conseguia conceber nenhuma outra imagem do divino.

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Em julho de 1505, quando Lutero estava voltando para a universidade por uma estrada, uma tempestade começou e um raio atingiu uma árvore próxima. Assustado, ele gritou: “Santa Ana, me ajude! Vou me tornar monge!” (Bainton, 5). Ele considerou isso um voto solene e, ao voltar para a universidade, vendeu seus livros e abandonou os estudos, entrando no Mosteiro de Santo Agostinho naquele mesmo mês, em 17 de julho de 1505, para grande descontentamento de seu pai.

Joseph Fiennes as Luther
Joseph Fiennes como Lutero Eikon Film and NFP Teleart (Copyright)

Crise Espiritual & Revelação

Lutero levou seu voto a Santa Ana tão a sério porque tinha pavor da morte e acreditava que a santa havia salvado sua vida naquele dia da tempestade. Seu medo da morte vinha diretamente de sua compreensão de Deus como um ser divino, todo-poderoso e onisciente, que via o coração das pessoas e as punia por suas falhas. Ao perceber que era um ser humano com muitas falhas, Lutero não via como conseguir o perdão de Deus ou a vida após a morte no céu, e só conseguia imaginar os tormentos do inferno por toda a eternidade.

Ele se dedicou a uma disciplina rigorosa de oração, jejum, confissão quase constante de pecados e estudo das Escrituras, mas ainda assim não conseguia compreender um Deus amoroso que oferecia perdão. Mais tarde, Lutero escreveu sobre sua visão de Deus nessa época:

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Não é contra toda a razão natural que Deus, por mero capricho, abandone os homens, os endureça, os condene, como se deleitasse nos pecados e nos tormentos eternos dos miseráveis, ele que é considerado tão misericordioso e bondoso? Isso parece injusto, cruel e intolerável em Deus, pelo que muitos se ofenderam em todas as épocas. E quem não ficaria? Eu mesmo fui levado mais de uma vez ao abismo do desespero, a ponto de desejar nunca ter sido criado. Amar a Deus? Eu o odiava! (Bainton, 44)

Ele reclamou de suas dificuldades ao seu mentor, Johann von Staupitz, esperando talvez ser dispensado da ordem, mas, em vez disso, Staupitz o aconselhou a prosseguir com seu doutorado e assumir a cátedra de Staupitz de Estudos Bíblicos na Universidade de Wittenberg. Lutero não aceitou esse conselho de bom grado, argumentando que tal caminho o mataria, mas Staupitz o assegurou de que, se assim fosse, ele encontraria muitas coisas para ocupar seu tempo no céu.

Reformation in Germany
Reforma na Alemanha Eikon Film and NFP Teleart (Copyright)

Lutero recebeu seu doutorado em 1512, assumiu o cargo de Staupitz e se tornou membro do corpo docente da universidade. Por volta de 1513, teve uma revelação sobre a natureza de Deus enquanto lia a Epístola de São Paulo aos Romanos. A passagem de Romanos 1:17, que diz, em parte, “o justo viverá pela fé”, o tocou profundamente. Mais tarde, ele escreveu sobre aquele momento:

Pensei dia e noite até perceber a conexão entre a justiça de Deus e a afirmação de que “o justo viverá pela sua fé”. Então compreendi que a justiça de Deus é aquela retidão pela qual, por meio da graça e da misericórdia pura, Deus nos justifica pela fé. Então, me senti renascido e como se tivesse atravessado as portas abertas do paraíso. Toda a Escritura assumiu um novo significado e, enquanto antes a “justiça de Deus” me enchia de ódio, agora ela se tornou para mim indescritivelmente doce em um amor maior. Esta passagem de Paulo foi para mim uma porta para o céu. (Bainton, 51)

Essa experiência também impressionou Lutero quanto à supremacia das Escrituras sobre os ensinamentos da Igreja, já que a Igreja não havia sido capaz de lhe oferecer nada significativo para lidar com suas lutas espirituais, enquanto a passagem bíblica havia aberto o caminho para a comunhão completa com o divino.

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95 Teses

Uma vez compreendida a natureza de Deus revelada nas Escrituras, ele começou a questionar seriamente a visão desse Deus promovida pela Igreja medieval. Se alguém fosse salvo somente pela fé, argumentava Lutero, qual seria o propósito de todas as políticas, regras e dízimos que a Igreja impunha aos fiéis? Onde, na Bíblia, existe algum apoio para o ensinamento da Igreja sobre o purgatório, a zona intermediária entre o inferno e o céu, onde os pecadores eram atormentados em chamas até que seus pecados fossem expiados e pudessem entrar no paraíso? Onde estava, afinal, a justificativa bíblica para o papa?

As 95 teses não tinham como objetivo desafiar diretamente a Igreja e também não eram nada de novo.

Os questionamentos de Lutero se tornaram mais urgentes em 1516, quando o arcebispo de Mainz, Alberto de Brandemburgo, pediu ao Papa Leão X que permitisse a venda de indulgências — documentos que supostamente reduziam o tempo de permanência no purgatório — em sua região. Albrecht, nessa época, estava profundamente endividado e concordou em dividir o dinheiro das indulgências com Leo X, que precisava de fundos para a reconstrução da Basílica de São Pedro, em Roma. Leo X enviou o frade dominicano Johann Tetzel à região em 1516, e Lutero, que nada sabia do acordo firmado entre o arcebispo e o papa, protestou escrevendo sua Disputa sobre o Poder e a Eficácia das Indulgências, mais tarde conhecida como suas 95 Teses.

De acordo com a tradição, Lutero pregou seu manifesto na porta da Igreja de Wittenberg em 31 de outubro de 1517, véspera do Dia de Todos os Santos, mas os estudiosos modernos contestam essa afirmação. A história de Lutero e da porta da igreja foi divulgada mais tarde pelo amigo e colega de Lutero, Philip Melanchthon (1497-1560), que nem sequer estava em Wittenberg na época. Ainda assim, os estudiosos admitem que pregar seus argumentos na porta da igreja é o tipo de gesto dramático pelo qual Lutero ficaria conhecido. As teses de Lutero foram traduzidas por seus seguidores para o alemão, impressas e divulgadas, provocando amplos desafios à autoridade eclesiástica na Alemanha e, traduzidas e disseminadas ainda mais, na Inglaterra, França e outras regiões.

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As 95 teses não tinham como objetivo desafiar diretamente a Igreja e também não eram nada de novo. As 97 teses de Lutero, apresentadas apenas um mês antes, em setembro, apresentavam suas objeções à teologia escolástica. Suas 95 teses, escritas em latim, proporam apenas 95 “pontos de discussão”, mas se tornaram o catalisador da reforma depois que foram traduzidas e distribuídas, pois, para o povo, elas desafiavam a autoridade da Igreja.

Luther's Ninety-Five Theses Nailed to the Wittenberg Church's Door
As 95 Teses de Lutero pregadas à porta da Igreja de Wittenberg Eikon Film and NFP Teleart (Copyright)

Embora tenham sido pregadas na porta da igreja de Wittenberg, as 95 teses foram enviadas por Lutero a Alberto de Brandemburgo, que as mandou examinar para verificar se eram heréticas e as enviou para Roma. O Papa Leo X enviou então várias delegações para persuadir Lutero de que ele estava errado, especialmente no que dizia respeito à sua afirmação de que o papa deveria financiar a construção da Basílica de São Pedro, em vez de exigir dinheiro aos pobres. Entre os delegados mais famosos estava o cardeal Tomás Cajetan (cerca de 1468-1534), que tentou, sem sucesso, reconduzir Lutero à ortodoxia, em Augsburgo, em 1518.

Outro delegado famoso foi o teólogo Johann Eck (1486-1543), antigo amigo de Lutero, que, na disputa com Lutero e seu colega reformador Andreas Karlstadt (1486-1541) em Leipzig, em 1519, defendeu a opinião de que, se não houvesse uma autoridade central para interpretar as Escrituras, qualquer pessoa que as lesse poderia interpretá-las por conta própria, o que levaria ao caos, pois nem todas as pessoas seriam capazes de compreender corretamente os textos sagrados. A Igreja, alegou Eck, se baseava em uma tradição acadêmica (a mesma que Lutero havia criticado em setembro de 1517) para interpretar a Bíblia, o que significava que sua compreensão estava correta e que as afirmações de Lutero sobre a justificação pela fé estavam erradas. Lutero se recusou a recuar e, em 1520, foi emitida a bula papal Exsurge Domine, que ameaçava com a excomunhão, e que Lutero queimou publicamente em Wittenberg naquele mês de dezembro.

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Worms & Wartburg

Ele foi excomungado em janeiro de 1521, e seu caso foi encaminhado às autoridades seculares, que convocaram Lutero para comparecer à Dieta de Worms, uma audiência na cidade de Worms. Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano, presidiu a sessão, e um certo Johann Eck (não o mesmo homem mencionado acima) representou a Igreja, pressionando novamente Lutero a se retratar. Lutero recebeu a promessa de Frederick III (o Sábio, 1463-1525), um eleitor (um dos nobres que elegiam o imperador) da Saxônia que simpatizava com as opiniões de Lutero, de que teria segurança durante a viagem de ida e volta à audiência.

Em 18 de abril de 1521, Lutero se recusou a se retratar, proferindo seu famoso discurso que incluía as seguintes palavras:

A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou por uma razão clara (pois não confio nem no Papa nem nos concílios por si só, já que é sabido que eles muitas vezes erraram e se contradisseram), estou vinculado às Escrituras que citei e minha consciência está cativa à Palavra de Deus. Não posso e não vou retratar nada, pois não é seguro nem correto ir contra a consciência. Não posso fazer outra coisa, aqui estou, que
Deus me ajude. Amém (Roper, 172)

Quando terminou de falar, dizem que ele levantou o braço no tradicional gesto de saudação de um cavaleiro após vencer uma batalha. Assim como no caso das 95 teses, os estudiosos modernos questionam a inclusão da famosa frase “Aqui estou” no discurso de Martinho Lutero na Dieta de Worms, pois ela só aparece em transcrições posteriores da audiência, mas a frase é geralmente aceita como autêntica.

Luther at the Diet of Worms
Lutero e a Dieta de Worms Anton Werner (Public Domain)

Lutero foi condenado como fora-da-lei em 25 de maio de 1521, o que significava que qualquer pessoa que lhe oferecesse ajuda seria acusada e ele poderia ser morto sem consequências. No caminho de volta de Worms para Wittenberg, ele foi sequestrado por soldados de Frederico III, disfarçados de salteadores para desviar as atenções, e levado para o castelo de Frederico em Wartburg, onde ficou protegido. Enquanto estava em Wartburg, Lutero escreveu quase constantemente e traduziu o Novo Testamento do latim para o alemão, que rapidamente se tornou um grande sucesso de vendas devido à velocidade e eficiência da imprensa.

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Revolta dos Camponeses

A imprensa, na verdade, foi a “arma secreta” de Lutero, que permitiu não só a rápida divulgação de suas ideias, mas também a publicação de ilustrações que o retratavam como uma figura heróica e um “homem do povo” que desafiava as autoridades que mantinham políticas de desigualdade e mantinham o povo na pobreza. Anteriormente, os chamados “protorreformadores”, como John Wycliffe, da Inglaterra (1330-1384), e Jan Hus, da Boêmia (1369-1415), não tinham acesso a esse tipo de tecnologia, pois a imprensa ainda não havia sido inventada. Eles tinham que recorrer à impressão em blocos de madeira, que levava mais tempo e produzia textos de pior qualidade. A imprensa da época de Lutero podia produzir panfletos, cartazes, livros e qualquer outra coisa rapidamente, que eram então disponibilizados ao público.

Embora a maioria da população não soubesse ler, eles podiam ouvir esses materiais sendo lidos para eles, e Lutero se tornou um herói para o povo que, encorajado por líderes locais, começou a se revoltar em Wittenberg, dando início à Guerra dos Camponeses Alemães (1524-1525), que foi incentivada, em parte, por um antigo admirador de Lutero, que se tornou seu adversário, Thomas Muntzer (1489-1525), que pregava uma interpretação apocalíptica/mística do cristianismo. Os camponeses esperavam que Lutero apoiasse sua causa, mas, em vez disso, ele condenou a violência, citando passagens das Escrituras sobre a importância de obedecer à autoridade temporal e, em oito sermões proferidos em Wittenberg, pôs fim à revolta.

Mais tarde, ele mudaria de ideia e encorajaria a resistência à autoridade injusta, mas, naquela época, ele acreditava estar obedecendo à sua consciência e às escrituras ao condenar a violência e manter a ordem estabelecida. Os críticos apontaram, no entanto, que ele pode ter sido motivado por sua relação com Frederico III, cujas terras e riquezas, e consequentemente a proteção de Lutero, estavam ameaçadas pela revolta. Essa mesma acusação foi feita por Muntzer em ataques escritos contra Lutero entre 1521 e 1524, e também por Karlstadt, que culpou Lutero por interromper o progresso da Reforma em Wittenberg a pedido de Frederico III.

Casamento e Luteranismo

Lutero se casou em junho de 1525 com Katharina von Bora (1499-1552), uma ex-freira que, em 1523, escreveu a Lutero pedindo sua ajuda para libertar ela e algumas de suas companheiras do convento. Lutero providenciou para que elas fossem contrabandeadas em uma carroça cheia de barris de peixes e encontrou lares adequados para todas as mulheres, exceto Katharina, que queria se casar com ele. Ele já havia concluído que não havia base bíblica para o celibato do clero e, embora inicialmente tivesse algumas dúvidas, decidiu seguir em frente com o casamento.

Martin Luther Monument
Monumento a Martinho Lutero Nick Morieson (CC BY)

Lutero e Katharina eram muito próximos, e seu casamento serviu de inspiração para outros clérigos seguirem seu exemplo. Katharina cuidava da administração das terras deles, deu a ele seis filhos e ajudou Lutero a formular o que viria a se tornar o luteranismo. Entre 1526 e sua morte, Lutero, Katharina, Philip Melanchthon e outros se ocuparam com a organização e administração da nova igreja, com ênfase na educação do povo para que pudessem interpretar as escrituras de acordo com seu próprio entendimento.

Lutero escreveu seu Grande Catecismo para educar os padres e seu Pequeno Catecismo para os leigos em 1529 e publicou a Bíblia completa em alemão em 1534. Ele também escreveu vários hinos, ainda populares nos dias de hoje ( especialmente Castelo Forte é Nosso Deus), obras teológicas e participou do Colóquio de Marburgo, uma tentativa de unificar os diferentes movimentos protestantes na Europa. Na conferência, Lutero e o reformador suíço Huldrych Zwingli (1484-1531) se dividiram quanto à interpretação da Eucaristia, enquanto outras diferenças entre os grupos protestantes se mostraram igualmente intransponíveis, e as várias seitas foram deixadas à própria sorte para desenvolver suas próprias visões.

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Conclusão

Lutero morreu de um derrame aos 62 anos, em 18 de fevereiro de 1546, em sua cidade natal, Eisleben. Ele foi enterrado em frente ao púlpito da Igreja do Castelo em Wittenberg, a mesma igreja em cujas portas ele havia pregado suas 95 teses anos antes. Na época de sua morte, ele era um herói internacional para as seitas protestantes e um demônio irremediável para os católicos, que o viam como um agente de Satanás que havia quebrado a unidade da Igreja.

Mesmo entre seus admiradores, Lutero enfrentou críticas, pois foi censurado por sua maneira de lidar com um escândalo envolvendo Filipe I de Hesse, a quem Lutero aconselhou a mentir sobre sua bigamia, e por sua recusa em fazer concessões a outros líderes protestantes em Marburgo. Lutero também era fortemente antissemita, publicando várias obras que condenavam os judeus como “os outros” e perpetuavam a imagem dos judeus como “assassinos de Cristo” e um povo decaído que havia rejeitado a graça de Deus.

Embora os estudiosos modernos tenham apresentado várias apologias para esse aspecto de seu caráter, é impossível explicar facilmente que Lutero era simplesmente “um homem de seu tempo”, pois ele era claramente extraordinário em muitos aspectos. Ainda assim, sua retórica poderosa e habilidade como escritor continuaram a incentivar o antissemitismo e os crimes de ódio após sua morte. As obras de Lutero, na verdade, eram muito admiradas pelo partido nazista da Alemanha na década de 1930 e no início da década de 1940 e foram usadas como justificativa para o genocídio.

Sua teimosia foi observada por seu amigo Melanchthon, e sua atitude em relação ao judaísmo parece ser sintomática disso, pois, uma vez que ele decidia algo, era improvável que mudasse de posição (o que também pode ser visto em sua rejeição à teoria heliocêntrica do universo de Copérnico). Não há evidências de que ele tenha interagido de forma significativa com qualquer pessoa judia, e é muito provável que ele tenha desenvolvido seu antissemitismo da mesma forma que muitos ainda fazem hoje, sem nunca questionar o que ouvem sobre pessoas que nunca conheceram.

Esse aspecto de sua personalidade contrasta com um homem que não tinha medo de questionar os preceitos da Igreja, que afirmava conter as chaves do céu e do inferno. A história, no entanto, apresenta narrativas de muitas mulheres e homens notáveis que, apesar de suas realizações, tinham defeitos em maior ou menor grau, e Martinho Lutero não é exceção.

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Perguntas & Respostas

Quem foi Martinho Lutero?

Martinho Lutero foi um padre católico e teólogo que iniciou a Reforma Protestante na Alemanha ao questionar as políticas da Igreja em 1517.

Com o que Martinho Lutero discordava na política da Igreja?

Lutero inicialmente se opôs à venda de indulgências (documentos comprados para reduzir o tempo de permanência no purgatório), mas depois criticou os ensinamentos da Igreja como um todo, considerando-os antibíblicos.

Como Lutero iniciou a Reforma Protestante?

Dizem que Lutero começou a Reforma ao pregar suas 95 teses sobre a venda de indulgências na porta da Igreja de Wittenberg em 31 de outubro de 1517.

Quem era a esposa de Martinho Lutero?

Martinho Lutero era casado com Catarina von Bora, uma ex-freira.

Como Martinho Lutero morreu?

Martinho Lutero morreu de um derrame em sua casa, em 1546.

Sobre o Tradutor

Lucas de Oliveira
Sou Lucas, nascido no Brasil, moro no Rio de Janeiro, atualmente estou cursando bacharelado em tradução e sou apaixonado por inglês.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2025, setembro 07). Martinho Lutero. (L. d. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19256/martinho-lutero/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Martinho Lutero." Traduzido por Lucas de Oliveira. World History Encyclopedia, setembro 07, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19256/martinho-lutero/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Martinho Lutero." Traduzido por Lucas de Oliveira. World History Encyclopedia, 07 set 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19256/martinho-lutero/.

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