Ricardo III da Inglaterra

Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Richard III of England, National Portrait Gallery (by National Portrait Gallery, CC BY-NC-ND)
Ricardo III da Inglaterra, National Portrait Gallery National Portrait Gallery (CC BY-NC-ND)

Ricardo III da Inglaterra reinou entre 1483 e 1485, sucedendo a Eduardo V da Inglaterra (reinou de abril a junho de 1483), filho de Eduardo IV da Inglaterra (reinou 1461-1470 e 1471-1483), de froma muito misteriosa. O jovem Eduardo V e o seu irmão Ricardo foram presos na Torre de Londres pelo tio Ricardo, duque de Gloucester, que era o tutor, como protetor do reino, e os príncipes da Torre, como ficaram conhecidos, nunca mais foram vistos. Em 1483 o duque Ricardo autoproclamou-se rei, mas, como foi amplamente acusado de ter assassinado os sobrinhos, foi incapaz de reunir os seus barões para o apoiarem, e o seu reinado seria curto e conturbado. As disputas dinásticas entre as casas de York (Iorque) e Lancaster (Lencastre), conhecidas na história como as Guerras das Rosas (1455-1487), finalmente chegaram ao fim, em termos de eventos importantes, com a morte de Ricardo na Batalha de Bosworth Field em 1485. Henrique Tudor, um parente distante de Eduardo III da Inglaterra (reinou 1327-1377) e vencedor da Batalha de Bosworth Field, tornar-se-ia o rei Henrique VII (reinou 1485-1509). Iniciada com Henrique II da Inglaterra (reinou 1154-1189), a linhagem dos reis Plantagenetas viu o seu termino, iniciando-se uma nova dinastia: os Tudor.

Primeiros Anos de Vida e Família

Ricardo nasceu a 2 de outubro de 1452 no Castelo de Fotheringhay, Northamptonshire, filho de Ricardo, Duque de York (1411-1460) e Cecília Neville (1415-1495). Os seus irmãos mais velhos incluíam Eduardo, que se tornaria Eduardo IV da Inglaterra, e Jorge, duque de Clarence (1449-1478). Após a morte do pai em 1460, Ricardo viveu exilado na Borgonha e quando regressou à Inglaterra no ano seguinte, viveu com a família do conde de Warwick no Castelo de Middleham, no norte da Inglaterra.

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Com Henrique VI assassinado, a rainha presa e o filho morto em batalha, parecia que os Yorks haviam Ganho a Guerra das Rosas.

A 12 de julho de 1472, Ricardo casou-se com Ana Neville (1456-1485), filha do conde de Warwick e viúva do filho de Henrique VI da Inglaterra, Eduardo, príncipe de Gales (1453-1471). E com esta união, Ricardo adquiriu uma parte considerável das propriedades do falecido conde de Warwick. O casal teve um filho, Eduardo de Middleham, nascido em 1473 (ou 1476) e nomeado Príncipe de Gales em 1483.

A Guerras das Rosas

Em 1453, Henrique VI da Inglaterra (1422-1461 e 1470-1471) sofreu o seu primeiro episódio de insanidade, que o tornou incapaz de governar, pelo que Ricardo, duque de York, foi nomeado protetor do reino, na prática, regente, em março de 1454. O duque de York ambicionava tornar-se rei e tinha uma reivindicação legítima, embora distante, ao trono como bisneto de Eduardo III da Inglaterra e sobrinho do conde de March, que afirmava ser o herdeiro legítimo de Ricardo II da Inglaterra (reinou 1377-1399). Assim, começou uma rivalidade entre a casa de York e a casa de Lancaster, da qual o rei Henrique VI era membro, rivalidade que ficou conhecida como a Guerra das Rosas.

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The Wars of the Roses in England (1455–1487)
Guerra das Rosas - Iorque contra Lencastre Simeon Netchev (CC BY-SA)

Ricardo poderia ter o rei nas mãos, mas ainda enfrentava o formidável obstáculo da mulher de Henrique, a rainha Margarida († 1482), que liderou um exército à vitória contra si na Batalha de Ludford Bridge, a 12 de outubro de 1459. O duque de York fugiu para a Irlanda, enquanto o Parlamento, o "Parlamento dos Demónios" de 1459, o designou como traidor e deserdou os seus herdeiros. O filho de Ricardo, Eduardo, assumiu então a causa com o seu principal aliado, Ricardo Neville, o conde de Warwick (1428-71), e os dois derrotaram o exército da rainha Margarida em Northampton, a 10 de julho de 1460, e capturaram o rei Henrique. O duque de York pôde assim regressar da Irlanda e persuadiu Henrique, que se encontrava na Torre de Londres, a nomeá-lo herdeiro oficial do trono, uma decisão ratificada pelo Ato de Acordo de 24 de outubro. No entanto, na Batalha de Wakefield, a 30 de dezembro de 1460, o duque de York foi morto e o seu exército derrotado pelos partidários de Henrique VI, liderados, mais uma vez, pela rainha.

Ricardo, duque de Gloucester, mostrou-se um comandante capaz e a sua lealdade ao irmão Eduardo IV foi inabalável durante os tempos turbulentos.

O filho do duque de York, agora Eduardo de York, assumiu o manto de York a partir de 1460. Após a sua vitória na Batalha de Towton, em 29 de março de 1461, Eduardo foi coroado Eduardo IV a 28 de junho de 1461. Houve uma breve interrupção quando o seu antigo aliado, o conde de Warwick, reinstaurou Henrique VI em 1470 e Eduardo foi obrigado a fugir para o exílio na França, acompanhado pelo irmão Ricardo. Eduardo logo reconquistaria o trono, porém, novamente no campo de batalha, desta vez em Barnet, a 14 de abril de 1471. Henrique VI foi então assassinado na Torre de Londres a 21 de maio de 1471. Com o jovem herdeiro de Henrique, o príncipe Eduardo, morto na Batalha de Tewkesbury a 4 de maio de 1471 e a rainha Margarida presa, parecia que os Yorks tinham finalmente ganho a Guerra das Rosas.

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Duque de Gloucester

Em 1472, Eduardo nomeou o irmão Ricardo duque de Gloucester em agradecimento por ter comando de forma bem-sucedida as divisões nas batalhas de Barnet e Tewkesbury no ano anterior, e mais tarde concedeu-lhe os títulos de Condestável e Lorde Almirante (concedidos em 1471). Ricardo mostrou ser um comandante habilidoso e a sua lealdade ao irmão foi inabalável durante os tempos turbulentos das Guerras das Rosas.

Edward IV of England & Lancastrian Fugitives at Tewkesbury Abbey
Eduardo IV da Inglaterra e os Fugitivos de Lancaster na Abadia de Tewkesbury Jappalang (Public Domain)

Como senhor de vastas propriedades, Ricardo mostrou-se um excelente administrador e era popular entre os seus pares e súditos. Era surpreendentemente piedoso, tendo o duque feito uma doação ao Queen's College, em Cambridge, para que fossem feitas orações pelos seus companheiros mortos em Barnet e Tewkesbury. Ricardo interessava-se por arquitetura e fazia doações a instituições estatais e religiosas, uma tendência que continuaria como rei, nomeadamente com a criação do Royal College of Arms (Colégio Real de Armas) em 1484, que tratava de todos os assuntos relacionados com a heráldica medieval e que ainda hoje continua em funcionamento. O seu brasão de armas era um javali branco.

O reinado de Eduardo IV foi marcado por uma maior estabilidade e uma economia em expansão, graças a um tratado de paz com a França e ao incentivo ao comércio através do Canal da Mancha. Depois de Eduardo e o duque de Gloucester terem liderado um grande exército contra à França, foi assinado um tratado de paz com Luís XI da França (1461-1483) em março de 1475; outro sucesso foi uma incursão na Escócia em 1482, liderada pelo duque de Gloucester, que ocupou Edimburgo por um deteriminado período: a campanha recuperou o controlo de Berwick para a coroa inglesa.

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No entanto, nem tudo estava bem na Inglaterra, e logo começaram a aparecer as brechas no relacionamento entre o rei e os seus irmãos. Ricardo não estava convencido de que a paz com a França fosse a melhor política e, assim, em fevereiro de 1478, o terceiro irmão, Jorge, duque de Clarence, foi preso e executado sob a acusação de traição. Ricardo talvez considerasse que a mulher de Eduardo, Isabel Woodville (1437 e 1492), era a culpada por dividir a família York e favorecer os seus próprios parentes. Após este episódio, Ricardo concentrou-se nas suas terras no norte da Inglaterra e manteve-se afastado da corte real em Londres. Ainda assim, a campanha escocesa ganhou a gratidão de Eduardo e Ricardo foi nomeado Guardião da Marca Ocidental pelo parlamento em 1483, recebendo poderes soberanos sobre o território.

Os Príncipes na Torre

Eduardo IV ao chegar à meia-idade acabou por se tornar demasiado aficionado pelas refeições e pelos vinhos favoritos e ficou seriamente acima do peso. O rei morreu, talvez de um AVC, em Westminster, a 9 de abril de 1483, com apenas 40 anos. Foi sucedido pelo filho mais velho, Eduardo, então com apenas 12 anos (nascido em 1470). Muito jovem para governar sozinho, Eduardo IV já tinha nomeado seu regente, o tio do príncipe, Ricardo, que agora recebia o impressionante título de Lorde Alto Protetor do Reino.

The Princes in the Tower
Os Príncipes na Torre J.E.Millais (Public Domain)

Em maio, Eduardo V e o irmão mais novo Ricardo (nascido em 1473) foram presos na Torre de Londres, tendo ficado conhecidos como os "Príncipes na Torre", e nunca mais foram vistos fora do castelo. De acordo com os historiadores posteriores e a propaganda dos Tudor, os príncipes foram feitos prisioneiros e assassinados por Ricardo. William Shakespeare (1564-1616) partilha desta opinião na sua famosa peça Ricardo III. O que sabemos é que os dois príncipes passaram algum tempo na Torre — que não era apenas uma prisão para figuras importantes, mas também uma residência real — e que foram vistos por testemunhas brincando nos jardins. Ricardo pode tê-los confinado lá para impedir o plano da rainha Isabel de realizar uma coroação antecipada para Eduardo em junho. Uma coroação poderia muito bem significar que o título e a função de Ricardo como Protetor do Reino fossem retirados.

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O suposto assassinato dos príncipes na Torre recaiu sobre Ricardo.

A primeira tática do duque foi desacreditar a legitimidade dos dois príncipes, alegando que Eduardo IV já estava vinculado por um acordo de casamento com Lady Eleanor Butler, filha do conde de Shrewsbury, antes de se casar com Isabel Woodville. Era bem conhecida a promiscuidade do falecido rei, facto que foi o suficiente para lançar dúvidas sobre a legitimidade dos príncipes Eduardo V e do irmão mais novo, o quais foram declarados como iligítimos pelo Parlamento. Consequentemente, Eduardo foi deposto em 25 de junho de 1483 e Ricardo foi nomeado herdeiro legítimo do trono; assim o duque de Gloucester, com 30 anos, foi coroado rei a 6 de julho de 1483 na Abadia de Westminster, tornando-se Ricardo III.

Assim, em algum momento no final do verão de 1483, os príncipes desapareceram da Torre e da história, e o óbvio assassinato resultou em suspeitas apontadas contra Ricardo. Curiosamente, Ricardo estava de serviço na Torre de Londres na noite do assassinato de Henrique VI e era suspeito de ter cometido muitos outros atos sombrios para progredir na sua carreira. No entanto, a morte dos príncipes ainda permanece um mistério. Como nota de rodapé a este episódio macabro, em 1674 foram descobertos dois esqueletos pertencentes a jovens num baú enterrado perto da Torre Branca, aquando da demolição do edifício, e os restos mortais, identificados na altura como sendo os dois príncipes, foram novamente enterrados na Abadia de Westminster. Os restos mortais foram reexaminados em 1933 e confirmados como sendo de jovens do sexo masculino com idades semelhantes às dos príncipes. Quem quer que os tenha matado, Ricardo foi, sem dúvida, quem mais ganhou com as suas mortes. Eduardo V foi certamente o infeliz 13.º rei da linhagem Plantageneta.

Henrique Tudor

Houve algumas vozes de protesto, mesmo entre os apoiantes dos York, no que concerne a atitude arrogante de Ricardo em relação à sucessão real, mas estas foram tratadas da forma tradicional, através da confiscação de terras e execuções. No entanto, problemas de maior importância estavam a emergir. Os apoiantes da causa Lancaster encontravam-se em posição fraca, contudo a família não tinha desaparecido por completo e era agora liderada pelo exilado Henrique Tudor, Conde de Richmond (nasceu em 1457). Henrique era, através da linhagem ilegítima de Beaufort, descendente de João de Gante, filho de Eduardo III. Não era uma linhagem real muito forte, mas era o melhor que podiam esperar já que não havia herdeiros por parte de Henrique VI.

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Henrique Tudor aliou-se aos alienados Woodvilles, senhores poderosos como o duque de Buckingham, que não estavam satisfeitos com a distribuição de propriedades feita por Ricardo, e qualquer outra pessoa que estivesse interessada em que Ricardo III recebesse o que merecia. Estes aliados incluíam o novo rei do outro lado do Canal da Mancha, Carlos VIII da França (reinou 1483-1498). A primeira ação dos rebeldes revelou-se prematura e mal planeada, de modo que a frota invasora de Henrique foi adiada pelo mau tempo e Buckingham foi capturado e executado em novembro de 1483.

A próxima reviravolta na Guerra das Rosas foi a morte de Eduardo, filho e herdeiro de Ricardo III, a 9 de abril de 1484, e mais uma vez os Lancaster viam uma oportunidade. Ricardo sofreu outro golpe em março de 1485, quando a rainha, Ana Neville, morreu após uma longa doença. Os detratores do rei espalharam rumores de que tinha sido assassinada — provavelmente por um veneno de ação lenta — para que Ricardo se pudesse casar com a filha mais velha de Eduardo IV, a sua própria sobrinha, e, assim, impedir Henrique Tudor de fazer o mesmo e fortalecer os seus laços reais.

Governo e Administração

Enquanto isso, Ricardo tentava consolidar o reinado viajando extensivamente pelo reino e, em julho de 1484, criou o Conselho do Norte, que tinha plenos poderes para governar a região em nome do rei. Outro novo órgão foi o Conselho de Pedidos e Súplicas, criado para dar aos pobres um maior acesso ao sistema judiciário. O rei também tornou mais eficiente a cobrança das receitas reais, um dos problemas que Eduardo IV tinha sido aconselhado a resolver com urgência. Por fim, Ricardo encorajou o único Parlamento que convocou, em janeiro de 1484, a promulgar novas leis que visavam reduzir a corrupção por parte dos conselheiros e tribunais locais; a acabar com a prática de empréstimos forçados; e tornar o processo de seleção de jurados mais rigoroso. Todas estas medidas indicam que o rei poderia ter-se tornado um bom governante para o povo se tivesse tido tempo. Infelizmente, o tempo não estava a favor de Ricardo, pois Henrique Tudor, agora, apostava no trono.

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Bosworth Field e a Morte

A 8 de agosto de 1485, a Guerra das Rosas atingiu o ponto de ebulição quando Henrique Tudor desembarcou com um exército de mercenários franceses em Milford Haven, no sul do País de Gales, uma força que talvez não ultrapassasse os 5.000 homens. O exército de Henrique cresceu em número à medida que marchava para enfrentar o exército do rei em Bosworth Field, em Leicestershire, a 22 de agosto de 1485. Ricardo, embora comandasse um exército de cerca de 8.000 a 12.000 homens, foi, no último momento, abandonado por alguns dos seus principais aliados, e o conde de Northumberland chegou a recusar-se a unir as suas tropas até ter uma ideia clara de qual lado iria vencer a batalha. No entanto, o rei lutou bravamente, e, talvez, um pouco tolamente num esforço para matar Henrique Tudor com a sua própria espada, e embora tenha conseguido derrubar o porta-estandarte de Henrique, o cavalo do rei Ricardo foi cortado por baixo de si — daí a famosa frase de Shakespeare: "Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!" (Ato 5, Cena IV) — e o rei foi morto. Ricardo foi o último monarca inglês a cair no campo de batalha. O corpo do rei morto foi exposto nu, exceto por um pedaço de pano, na Igreja de Santa Maria em Newarke, perto do campo de batalha, e depois enterrado na Abadia de Greyfriars, em Leicester.

Skeleton of Richard III of England
Esqueleto de Ricardo III da Inglaterra R.Buckley et al (CC BY)

Ricardo III ficou na história como possivelmente o rei mais vilão e desprezado da Inglaterra. Uma grande contribuição para este retrato sombrio foi a peça teatral Ricardo III, de Shakespeare, na qual o rei é um corcunda sem princípios e tem falas como "Estou determinado a provar que sou um vilão" (Ato 1, Cena 1) e "Assim, visto minha vilania nua. Com trechos roubados das escrituras sagradas, e pareço um santo quando mais interpreto o diabo" (Ato 1, Cena 3). O rei é até mesmo visitado por uma longa sucessão de fantasmas, os espíritos inquietos de todas as pessoas importantes que supostamente matou.

Os historiadores Tudor também espalharam a ideia de que Ricardo era favorecido pelo diabo, o que explicava por que saiu do útero da mãe de pés, com dentes, faltavam-lhe alguns dedos e desenvolveu um gosto por assassinatos. Estas histórias não correspondem aos retratos contemporâneos de Ricardo ou à confiança e boa vontade que lhe foram concedidas por Eduardo IV e muitas das pessoas que foram governadas por ele no norte da Inglaterra. Por fim, é possível que os Príncipes da Torre, o crime mais infame de Ricardo, ainda estivessem vivos após a Batalha de Bosworth Field e que tenha sido Henrique Tudor quem os mandou matar. Certamente, se Eduardo V ainda estivesse vivo, teria sido um sério obstáculo à reivindicação de Henrique ao trono.

Segundo a lenda, o vitorioso Henrique Tudor recebeu a coroa de Ricardo, encontrada por Lord William Stanley debaixo de um espinheiro em Bosworth Field. O novo rei foi coroado como Henrique VII de Inglaterra (reinou 1485-1509) a 30 de outubro de 1485, e ao casar-se com Isabel de York, filha de Eduardo IV, em 1486, unificou finalmente as duas casas rivais e criou uma nova: os Tudors. As batalhas da Guerra das Rosas estavam (quase) terminadas, metade dos barões ingleses tinham sido mortos no processo, mas a Inglaterra estava finalmente unida ao deixar a Idade Média e entrar na era moderna.

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Porém, Ricardo III ainda não tinha cessado a sua participação nos livros de História. Em 2012, em Leicester os arqueólogos escavaram o local onde acreditavam que estavam enterradas as ruínas da Abadia de Greyfriars, na altura, a superfície dum estacionamento, e revelaram um esqueleto masculino, com muitos sinais de ferimentos de espada ou adaga e, o mais intrigante, que sofria de curvatura da coluna vertebral. Curiosamente, o esqueleto, encontrado sob o coro do convento em ruínas, estava diretamente abaixo de uma vaga reservada no estacionamento moderno, marcada com a letra R. Os pesquisadores da Universidade de Leicester realizaram testes de ADN e confirmaram que, com uma probabilidade de 99,9%,, aquele era o esqueleto de Ricardo III. Os restos mortais foram finalmente enterrados, novamente, num túmulo construído na Catedral de Leicester.

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Mark Cartwright
Mark é escritor, pesquisador, historiador e editor. Tem grande interesse por arte, arquitetura e por descobrir as ideias compartilhadas por todas as civilizações. Possui mestrado em Filosofia Política e é Diretor Editorial da WHE.

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Cartwright, M. (2025, novembro 23). Ricardo III da Inglaterra. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18598/ricardo-iii-da-inglaterra/

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Cartwright, Mark. "Ricardo III da Inglaterra." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, novembro 23, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18598/ricardo-iii-da-inglaterra/.

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Cartwright, Mark. "Ricardo III da Inglaterra." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 23 nov 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18598/ricardo-iii-da-inglaterra/.

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