Prambanan

James Wiener
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Prambanan (by Andrea Schieber, CC BY-NC-ND)
Prambanan Andrea Schieber (CC BY-NC-ND)

Prambanan (em javanês: Rara Jonggrang) é um complexo de templos hindus que data do século IX, situado perto de Bokoharjo, na ilha de Java, na Indonésia. Prambanan é o maior templo hindu da Indonésia e um dos maiores templos hindus do Sudeste Asiático. Dedicado à Trimurti do hinduísmo — Brahma, Vishnu e Shiva —, a arquitetura de Prambanan segue as tradições arquitetónicas hindus baseadas no Vastu Shastra, e o templo reflete, assim, as conceções hindus do cosmos no seu desenho e disposição. Apesar da sua grandiosidade e da rica ornamentação exterior, os javaneses abandonaram Prambanan menos de 100 anos após a sua conclusão, por volta do ano de 950. Embora a passagem do tempo e as catástrofes naturais tenham deixado a sua marca em Prambanan, os javaneses nunca se esqueceram das ruínas, e Prambanan continuou a desempenhar um papel no folclore javanês. A investigação e a restauração de Prambanan tiveram início a sério no início do século XX, e o complexo do templo foi declarado Património Mundial da UNESCO em 1991. É hoje um dos locais históricos mais visitados da Indonésia.

A História e a Geografia

Prambanan situa-se a cerca de 17 km (11 milhas) a nordeste da cidade indonésia de Yogyakarta, perto da fronteira entre as duas províncias de Yogyakarta e Java Central, na ilha de Java. As próprias ruínas encontram-se a 0,5 km a sul da aldeia de Prambanan.

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O período em que os javaneses construíram Prambanan e os templos vizinhos está envolto em lendas e mistério. Uma forte influência cultural e religiosa chegou ao que é hoje a Indonésia, proveniente do subcontinente indiano, a partir do século I, aproximadamente. Esta influência cresceu rapidamente a partir de cerca do ano de 400. Os mercadores e os comerciantes hindus e budistas estabeleceram-se na região, casaram-se com a população local e facilitaram as relações comerciais de longa distância entre os javaneses indígenas, a Índia antiga e o resto do Sudeste Asiático. Ao longo dos séculos, os javaneses fundiram a cultura e as religiões da Índia antiga com as suas próprias.

Reza a lenda que uma princesa javanesa foi transformada em pedra pelo seu marido cruel, tendo-se assim tornado a bela imagem da deusa hindu Durga que hoje decora o exterior do templo.

Alguns historiadores defendem que a construção de Prambanan teve início por ordem do rei Rakai Pikatan (reinou 830-860?) algures entre cerca de 840 e 85. Rakai Pikatan supervisionou a construção e o projeto do complexo principal do templo, enquanto outras estruturas foram erguidas pouco tempo depois por reis posteriores, incluindo Rakai Kayuwangi (reinou 850-898), Balitung (reinou 899-911), Daksa (reinou 910-919) e Tulodong (reinou 919-924). A certa altura, os habitantes locais desviaram um rio próximo para que este também passasse pelo complexo do templo. Rakai Pikatan e os seus sucessores pertenciam à dinastia hindu Sanjaya, que rivalizava com a dinastia budista Sailendra pelo poder no reino de «Medang» ou Mataram, na região central de Java. Vale a pena referir que a dinastia Sailendra supervisionou a construção do templo budista de Borobudur. Como Borobudur se situa a apenas 19 km (12 milhas) de Prambanan, alguns estudiosos interpretam a génese de Prambanan como uma resposta artística, política e religiosa direta à de Borobudur e, por sua vez, à dinastia rival Sailendra. Diz-se mesmo que a mulher de Rakai Pikatan, a princesa Pramodhawardhani (ativa entre 820 e 860), era filha do rei Samaratungga (que reinou entre 812 e 833), que poderá ter supervisionado a construção de Borobudur. (Apesar de tudo isto, outros historiadores javaneses consideram as dinastias «Sailendra» e «Sanjaya» como uma única e mesma família, interpretando o patrocínio religioso do budismo ou do hinduísmo como resultado da crença pessoal de um governante.)

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Prambanan Complex Model
Modelo do Complexo de Prambanan Gunawan Kartapranata (CC BY-SA)

De acordo com fontes khmer antigas, o rei Jayavarman II (reinou 802-835), fundador do Império Khmer (802-1431), passou grande parte da sua vida em Java e foi nomeado por Samaratungga como governador de Indrapura, que mais tarde se tornou a capital de Champa por volta de 875. Diz-se que Jayavarman visitou tanto Borobudur como Prambanan, o que o inspirou a construir a cidade de Angkor Wat em grande escala. Isto é perfeitamente possível, uma vez que as dinastias Sailendra e Sanjaya exerceram grande influência política e cultural através das suas talassocracias naquilo que é hoje Java, Sumatra, Malásia e sul do Camboja entre os séculos VIII e X.

As erupções vulcânicas do Monte Merapi no século X e os inúmeros terramotos podem ter afetado o encanto de Prambanan como local de culto e peregrinação.

O abandono de Prambanan espelha o de Borobudur, nas proximidades. À medida que o centro do poder político se deslocava da parte central para a parte oriental de Java, sob o reinado do rei Mpu Sindok (ativo por volta de 928), Prambanan tornou-se menos importante, tanto política como culturalmente, para os antigos javaneses. A dinastia Sanjaya tinha usurpado com sucesso o poder da dinastia Sailendra, deixando a ilha de Java sob a sua soberania quase total. As erupções vulcânicas do Monte Merapi no século X e os inúmeros terramotos podem ter afetado o apelo de Prambanan como local de culto e peregrinação, inclusive entre os fiéis hindus.

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Com o passar do tempo, Prambanan deteriorou-se e ficou rodeado por uma densa selva. O explorador holandês C. A. Lons relatou a sua «redescoberta» de Prambanan em 1733 às autoridades coloniais holandesas, mas o templo nunca foi completamente esquecido pelos javaneses nas suas histórias, mitos e lendas. Uma lenda javanesa muito popular é a de Rara Jonggrang, que se passa em Prambanan e nos templos vizinhos. Na lenda, uma princesa javanesa é transformada em pedra pelo seu marido cruel. Diz-se que a princesa é a bela imagem da deusa hindu Durga, localizada na ala norte do templo de Shiva em Prambanan. Os trabalhos de restauro começaram em 1885, mas aceleraram em 1918. Estes esforços foram interrompidos quando a Indonésia foi invadida em 1941 pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1953, o Templo de Shiva foi reconsagrado aos fiéis hindus, e Prambanan foi restaurado mais uma vez na sequência do terramoto de Yogyakarta, em 2006. Atualmente, continuam a realizar-se escavações arqueológicas e trabalhos de restauração intermitentes em Prambanan e arredores.

Durga, Shiva Temple, Prambanan
Durga, Templo de Shiva, Prambanan Gunawan Kartapranata (CC BY-SA)

A Arte e a Arquitetura

Situado na fértil planície de Prambanan, Prambanan é apenas um dos 30 templos construídos entre cerca de 750 e 950 numa área de 30 km² (11,5 milhas²). A poucos quilómetros a norte de Prambanan encontram-se três antigos templos budistas construídos no século VIII — Lumbung, Bubrah e Sewu —, enquanto a 2,5 km a sul e a sudeste de Prambanan se situam as ruínas dos templos budistas de Ratu Boko e Sojiwan, do século IX, respetivamente. A cerca de 3 km a oeste de Prambanan encontram-se também o templo budista de Sari, do século VIII, o templo de Kalasan, que data de cerca de 778, e o templo de Sambisari, que data do século IX e é dedicado a Shiva.

Prambanan é composto por seis templos, todos situados num pátio elevado, que, por sua vez, é rodeado por 224 templos menores, agora em ruínas. Quanto maior for a distância de um templo em relação ao complexo principal, menor será a sua altura e área. Uma pequena muralha rodeia os templos menores, tal como uma grande muralha circunda o complexo principal. Prambanan possui um templo central com 47 m (154 pés) de altura — dedicado a Shiva — que se situa no interior de um complexo de outras estruturas templárias, num traçado concêntrico em forma de mandala. Prambanan, de forma semelhante a Borobudur, delineia a hierarquia celestial e transpõe-na para três zonas distintas do templo. Tanto na horizontal como na vertical, Prambanan reflete as conceções hindus do céu.

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Os três maiores templos, os locais mais sagrados do complexo principal, são dedicados à tríade de deuses hindus. O templo de Shiva é o mais proeminente, com o templo de Brahma situado a sul do templo de Shiva e o templo de Vishnu situado a norte do templo de Shiva. Paralelamente a estes magníficos templos encontram-se três templos mais pequenos, cada um dedicado a figuras animais mitológicas que proporcionam proteção, companhia e transporte aos deuses acima mencionados: Garuda, uma criatura alada mítica, Hamsa, o cisne, e Nandi, o touro.

O Templo de Shiva é o mais ornamentado dos três templos imponentes, contendo uma série de elegantes esculturas ao longo da parede interior, que retratam cenas do antigo épico indiano O Ramayana. Este templo possui quatro salas, incluindo um santuário interior com uma estátua de Shiva, enquanto outra câmara próxima do santuário interior contém uma grande estátua do filho de Shiva, Ganesha. A sala sul do templo de Shiva é dedicada a Batara Guru, que, segundo os adeptos do hinduísmo javanês, é um avatar de Shiva que concede profecias, dons e outras capacidades humanas. Existe também uma estátua do bezerro sagrado, guardião e veículo (vahana) de Shiva, Nandi, que se encontra em frente ao Templo de Shiva. As paredes do Templo de Brahma dão continuidade à narração d'O Ramayana, enquanto o Templo de Vishnu está decorado com entalhes que recontam as batalhas épicas de Krishna ao longo do seu terraço.

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Wiener, J. (2026, outubro 14). Prambanan. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17393/prambanan/

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Wiener, James. "Prambanan." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, outubro 14, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17393/prambanan/.

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Wiener, James. "Prambanan." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 14 out 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17393/prambanan/.

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