A Rainha Himiko, também conhecida como Pimiko ou Pimiku (183? – 248), foi uma governante do século III do território no antigo Japão conhecido como Hsieh-ma-t'ai ou Yamatai, que mais tarde viria a ser designado por Yamato. Considerada pelos chineses como a governante de todo o Japão ou Wa, dado o poder do seu Estado, ela trocou embaixadas diplomáticas com a dinastia governante Wei. Sendo uma figura semilendária, Himiko está curiosamente ausente dos registos históricos japoneses, mas surge brevemente nas histórias chinesas. Himiko era conhecida por ser uma rainha-xamã, solteira, e por viver numa fortaleza onde era servida por 1000 mulheres.
Yamatai
O nome de Himiko em japonês arcaico significa "Filha do Sol" ou "Criança do Sol" e alude, provavelmente, à sua descendência divina de Amaterasu, a deusa xamânica do Sol do Xintoísmo, da qual todos os governantes japoneses viriam mais tarde a ser identificados como descendentes. Os académicos não chegam a consenso sobre a localização exata do Estado da Rainha Himiko, Hsieh-ma-tai/Yamatai. Uma minoria localiza-o no norte de Kyushu, mas a maioria considera a região de Nara como a candidata mais provável. No Japão, à data do seu reinado durante o século III, existiam cerca de 100 reinos espalhados pelas ilhas. Tudo indica que o Estado de Himiko era o mais poderoso de entre estes e poderá ter liderado uma federação frouxa de 30 estados, razão pela qual o Estado chinês contemporâneo a reconheceu, efetivamente, como a governante de todas as ilhas japonesas.
As Referências Históricas
O papel da Rainha Himiko como xamã ou suma-sacerdotisa, uma prática que não era invulgar entre os governantes nas primeiras culturas da Ásia Oriental, é aludido em fontes chinesas. O livro de história chinês Wei Chih ("História do Reino de Wei"), escrito em 297, relata que Himiko "se ocupava de magia e feitiçaria, enfeitiçando o povo" (Henshall, pág. 152). As histórias dinásticas japonesas, tais como o Kojiki ("Registo de Coisas Antigas"), compilado em 712, e o Nihon Shoki ("Crónica do Japão", também conhecido como Nihongi), compilado em 720, não mencionam a Rainha Himiko pelo nome. Contudo, está registado no Nihon Shoki que a rainha (embora não nomeada) enviou uma embaixada tributária ao reino Wei da China em 238:
No sexto mês do terceiro ano de Ching-ch'u [238], no reinado do Imperador Ming Ti, a rainha dos Wa enviou o dignitário Nashonmi e outros; eles visitaram a prefeitura e pediram permissão para prosseguir para a corte do imperador e apresentar tributo. O governador, Teng Hsia [na verdade, Liu Hsia], enviou um funcionário que os escoltou até à capital.
(Keene, pág. 72)
Na sequência desta embaixada, os chineses concederam a Himiko a honra do título de "Rainha de Wa, Amiga de Wei" e um selo de ouro. Em troca do seu tributo de tecidos finos e escravos oferecidos à grande potência da região, a rainha recebeu outros presentes que incluíam contas, 100 espelhos de bronze e espadas — alguns dos quais poderão ter passado a fazer parte das joias da coroa imperial japonesa. Himiko enviou mais duas embaixadas à China, em 243 e 247. Apesar destas boas relações, não voltaria a haver qualquer contacto entre os dois Estados até à Dinastia Sui, no século VII.
Os Detalhes Biográficos
De acordo com o Wei Chih, a Rainha Himiko foi escolhida pelo seu povo após um período turbulento de 70 ou 80 anos marcado por revoltas e guerras. Embora tenha desfrutado de um reinado pacífico, dizia-se que a rainha nunca tinha casado e que vivia como uma reclusa numa imponente fortaleza com torres, a qual era guardada pelo exterior por 100 homens. No interior, a monarca era servida por 1000 criadas. Himiko tinha apenas um assistente masculino, que lhe servia a comida e funcionava como o seu ponto de contacto com o reino e com outros Estados. Além disso, ela delegava os assuntos de Estado no seu irmão mais novo, ou, pelo menos, partilhava-os com ele, enquanto se dedicava ao xamanismo.
É possível que esta descrição romântica de isolamento e de cedência da política ao irmão seja fruto de um preconceito do autor, era comum, por exemplo, os governantes japoneses não receberem embaixadores, o que daria aos visitantes chineses a impressão de uma monarca retraída; mais tarde, os escritores (homens) demonstraram grande interesse em estabelecer uma linha de soberanos exclusivamente masculina no trono japonês.
Quando Himiko morreu em 248, diz-se que foi sepultada num túmulo que media 100 "passos" (o equivalente a 150 metros) e que 100 escravos foram sacrificados em sua honra. Com a sua morte, o Japão transitou do Período Yayoi (cerca de 300 a.C. – cerca de 250 d.C.) para o Período Kofun (cerca de 250 – 538).
O Legado
Os académicos continuam a debater o papel de Himiko na história japonesa: quem era, onde poderá ter reinado e qual a localização do seu lendário túmulo; sem que alguma vez se tenha alcançado um consenso sobre estes três pontos. A antiga rainha continua também a apelar à imaginação do público japonês em geral, sendo, sem margem para dúvidas, o nome histórico mais reconhecível para a maioria das crianças em idade escolar no Japão. Com concursos de beleza regionais organizados em seu nome, cartas de Tarot com a sua imagem e bandas desenhadas (manga) que a elevam a protagonista nas mais diversas facetas, que vão desde uma personagem erótica a um símbolo de liderança feminina, o lenda de Himiko continuará, certamente, bem viva por muito tempo.
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