Os Magos são os visitantes que vieram a Belém para adorar o recém-nascido Jesus de Nazaré no Evangelho de São Mateus (2:1-2). A palavra "Magos" advém do grego magos, do antigo persa magus ("poderoso"), em referência aos sacerdotes zoroastrianos do antigo Império Persa. Eram igualmente conhecidos como famosos astrólogos que tentavam compreender a relação entre os poderes do universo e os seres humanos.
Na Bíblia King James (Versão do Rei Jaime), o Evangelho de São Mateus denominou-os de "sábios do Oriente para Jerusalém" (Mateus 2:1). Neste sentido, muitos consideraram que tinham mais conhecimento sobre a natureza e os fenómenos naturais. Assim, a palavra inglesa "magic" (magia) derivou da ideia de que a natureza poderia ser manipulada por meio deste conhecimento: tanto para o bem como para o mal.
Heródoto afirmou que os magos eram originalmente os aristocratas da nação Meda, que também eram dotados da interpretação dos sonhos. Com a difusão do helenismo, magos tornou-se um adjetivo; magas techne, ou ars magica em latim, referia-se à especialização em astrologia e rituais mágicos. Todos estes elementos teóricos reúnem-se na história de Mateus.
A Natividade de Mateus
Os evangelhos utilizaram os livros dos Profetas de Israel relativos aos dias finais, quando o Deus de Israel estabeleceria o seu reino na terra, o que incluía a ascensão de um messias ("o ungido"). O ministério de Jesus de Nazaré foi enquadrado nesta tradição; os evangelhos utilizam consistentemente passagens dos Profetas. Quando José descobriu que Maria estava grávida antes do casamento, um anjo apareceu para explicar:
Tudo isso sucedeu para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor e anunciado pelo profeta;
«Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho; e chamá-Lo-ão Emmanuel, que quer dizer: Deus connosco». (Mateus 1:22-23 - Villapadierna, Carlos (✝) et al. Bíblia Sagrada. 3.ª Ed. Lx: Dif. Bíblica (MC), 1968, pág. 1643)
Mateus citou Isaías 7:14, mas há um problema histórico notável. Quando as Escrituras Hebraicas foram traduzidas para o grego por volta de 200 a.C. (conhecidas como a Septuaginta), houve alguns erros de tradução. Na citação supra citada de Isaías 7:14 onde ele usou o termo hebraico almah (que significa uma jovem que passou pela puberdade) a tradução grega usou o termo parthenos ("virgem").
A Visita dos Magos
2 Adoração dos Magos — Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram uns magos vindo do Oriente. «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? — perguntavam. Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele. E, reunindo todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo, perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: «E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Príncipe que apascentará o Meu povo Israel». (Mateus 2:1-6, Idem)
Herodes, o Grande (cerca de 75-4 a.C.), enviou-os a Belém, mas disse-lhes que o avisassem se encontrassem a criança, para que ele também a pudesse adorá-la.
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(...), e entrando na casa viram o Menino com Maria, Sua mãe. Prostrando-se, adoraram-n'O, e, abrindo os cofres, ofereceram-Lhe presentes: Ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho a não voltarem para junto de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.
(Mateus 2:11-12, Ibid., pág. 1644)
A estrela é provavelmente uma referência a uma passagem do Livro de Números:
(...):
Uma estrela sai de Jacob,
E um ceptro flamejante surge do seio de Israel,
O qual despedaçará os cimos de Moab,
E derrubará todos os filhos de Seth.
(Números 24:17, Ibid., pág. 260)
Um tema dominante no evangelho de Mateus era que Jesus era um profeta como Moisés, que surgiria nos últimos dias (previsto por Moisés no seu discurso de despedida). Tudo nesta história tinha como objetivo lembrar ao leitor o tempo de Moisés no Egipto. O facto de José ter recebido todas as suas informações em sonhos lembra José no Êxodo, que era um intérprete de sonhos. Os magos que visitaram Herodes primeiro são usados como o impulso para o posterior massacre dos inocentes (meninos de dois anos em Belém) por Herodes, imitando a ordem do Faraó de matar os meninos hebreus.






A Gallery of Crowns Through the Ages
Os Magos como Gentios
A história da natividade de Mateus incorpora muitos elementos que foram importantes na formação do cristianismo primitivo. Os Magos são personagens importantes para Mateus, pois são gentios (não judeus), forasteiros. Numa geração, os não judeus superaram os judeus em número nas primeiras comunidades cristãs. Mateus afirmou que esta era a intenção de Deus desde o início.
Nesse contexto, a citação anterior de Isaías, de que a criança seria chamada Emanuel ("Deus connosco"), era um termo partilhado pela cultura dominante para descrever uma manifestação de um deus na terra. Em muitas das culturas antigas, o rei era frequentemente considerado divino ou produto de um deus e um humano e, portanto, digno de adoração. Mateus enfatizou a ideia de que foram os Magos, gentios, que primeiro reconheceram uma manifestação (a presença) do Deus de Israel nesta criança.
Outro termo grego, epiphaneia ("aparência" ou "manifestação"), contribuiu para a palavra inglesa "epiphany", uma revelação. Assim, a história dos Magos foi incorporada à liturgia cristã como a Epifania, tradicionalmente designada para os doze dias após o Natal no calendário ocidental e duas semanas depois no calendário ortodoxo.
Os Presentes dos Magos
Ouro, incenso e mirra eram artigos muito caros, oferecidos apenas a reis ou usados em rituais reais. A mirra era uma erva misturada com óleo e aplicada na preparação do funeral do rei. No século II, os Magos foram designados como reis, provavelmente a partir das Escrituras, como Isaías 60:3-6: "«As nações caminharão para a tua luz, e os reis para o resplendor da tua aurora (...) trazendo-te ouro e incenso» (Ibid., pág. 1318). Comentários cristãos posteriores interpretaram os três presentes como símbolos prolépticos de Jesus: ouro porque ele era um rei; incenso porque Jesus era digno de adoração; mirra pela sua eventual morte e sepultamento.
A Origem e os Nomes dos Magos
Mateus não mencionou três magos, mas isso foi derivado dos três presentes. As especulações sobre o Oriente incluem a Arábia, fonte comercial do incenso e da mirra. O entendimento mais comum continuou a ser a Pérsia. A iconografia cristã medieval retratava-os vestidos como persas, com turbantes e túnicas esvoaçantes. Eles continuam a ser retratados desta forma nos tradicionais presépios de Natal.
Os nomes individuais dos Magos provavelmente vieram de um manuscrito escrito em Alexandria, Egipto, por volta do ano de 500. Foram acrescentados outros detalhes a partir de um manuscrito irlandês do século VIII. Na tradição ocidental, eles são:
- Belchior – um homem idoso com cabelos brancos e barba longa – um rei da Pérsia
- Gaspar – sem barba e de pele avermelhada – um rei da Índia
- Baltasar – pele negra e barba espessa – um rei da Arábia ou um mouro
A menção à cor da pele pode representar as nações descritas nas genealogias dos filhos de Noé: Sem, Cão e Jafé. Por tradição, todos eles viveram mais de 100 anos. A sua experiência levou-os a converterem-se ao cristianismo, e surgiram histórias de que todos morreram como mártires (do Chronicon de Dexter, espanhol do século XVII).
Helena, mãe do imperador romano Constantino I, viajou para a Terra Santa no ano de 324, e descobriu os locais do nascimento e do túmulo de Jesus em Jerusalém. As lendas posteriores afirmavam que ela também encontrou os ossos dos Reis Magos e os levou para Constantinopla. Eles estão agora guardados no Santuário dos Três Reis na Catedral de Colónia. Este foi estabelecido por Frederico I, Imperador do Sacro Império Romano (reinou 1155-1190). No entanto, Marco Polo (1254-1324) afirmou ter visitado os seus túmulos em Saveh, uma cidade ao sul de Teerão.
Historicidade
Os estudiosos continuam a debater a história de Mateus quanto à sua credibilidade histórica. Os astrónomos apontam que houve uma retrogradacão e estacionamento da estrela real, Júpiter, em 17 de abril de 6 a.C. No entanto, este evento não foi mencionado em nenhuma literatura antiga.
Herodes, o Grande, tornou-se o rei mais odiado da história judaica. O seu biógrafo da corte, Nicolau de Damasco, escreveu uma obra em 20 volumes intitulada Vida de Herodes, que não sobreviveu intacta, mas grande parte dela foi citada e usada para reconstruir a história deste período pelo historiador judeu Flávio Josefo (36-100). Fora de Mateus, não há evidências de que Herodes tenha massacrado bebés em Belém. No entanto, décadas após a morte de Herodes, a história era credível porque Herodes era famoso por ter morto os seus próprios filhos por conspirarem contra ele.
E, finalmente, a versão de Lucas sobre o nascimento de Jesus não inclui a visita dos Magos, nem é mencionada em qualquer outro lugar do Novo Testamento. No entanto, as tradicionais representações natalícias incorporam ambas as versões, combinando todos os elementos em Belém.

