Mahabalipuram

Dola RC
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Pancha Ratha, Mahabalipuram (by Jean-Pierre Dalbéra, CC BY)
Pancha Ratha, Mahabalipuram Jean-Pierre Dalbéra (CC BY)

Mahabalipuram ou Mamallapuram é uma cidade histórica e Património Mundial da UNESCO em Tamil Nadu, na Índia. Durante o reinado da dinastia Pallava, entre o século III e o século VII, tornou-se um importante centro de arte, arquitetura e literatura. Mahabalipuram já era um porto de mar próspero na Baía de Bengala antes deste período. Uma quantidade significativa de moedas e outros artefactos escavados nesta região indica também uma relação comercial pré-existente com os romanos, mesmo antes de se tornar parte do Império Pallava.

A História Antiga

A história antiga de Mahabalipuram está completamente envolta em mistério. Os antigos navegadores consideravam este lugar a terra das Sete Pagodas. Há outros que pensam que Mahabalipuram sofreu uma grande inundação entre 10 000 e 13 000 a.C. O controverso historiador Graham Hancock foi um dos membros principais de uma equipa de mergulhadores do Instituto Nacional de Oceanografia da Índia e da Sociedade de Exploração Científica sediada em Dorset, no Reino Unido, que examinou o leito oceânico perto de Mahabalipuram em 2002. Ele está mais inclinado a acreditar na teoria da inundação. A sua exploração proporcionou-lhe também um vislumbre claro da vastidão das ruínas submersas da cidade. Após a sua exploração submarina, terá comentado: “Defendi durante muitos anos que os mitos de inundações do mundo merecem ser levados a sério, uma opinião que a maioria dos académicos ocidentais rejeita... Mas aqui em Mahabalipuram, provámos que os mitos têm razão e que os académicos estão errados.”

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Existem também muitas opiniões sobre a origem do nome do local. A explicação mais popular é que o lugar recebeu o nome do rei benevolente Bali, também conhecido como Mahabali. O antigo texto indiano Vishnu Puran documenta as suas façanhas. Após sacrificar-se a Vaman, uma encarnação de Vishnu, alcançou a libertação. "Puram" é um termo sânscrito para uma cidade ou povoado urbano. Mamallapuram é a versão em prácrito do nome sânscrito original.

Durante o governo de Mahendravarman I (600–630), Mahabalipuram começou a florescer como um centro de arte e cultura.

Durante o reinado de Mahendravarman I (600–630), Mahabalipuram floresceu como um centro de arte e cultura. Ele próprio era um conhecido poeta, dramaturgo e orador. O seu patrocínio ajudou a criar vários dos marcos mais emblemáticos da cidade. Este período de excelência artística foi devidamente continuado pelo seu filho Narasimhavarman I (630–680) e pelos subsequentes reis Pallava.

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As Obras-Primas de Arte e Arquitetura

Templos Rupestres

O Templo Rupestre de Adi Varaha Perumal é a mais antiga de todas as estruturas Pallava em Mahabalipuram, mas também a menos visitada. A grandiosidade do mandapa (pavilhão) original está oculta por trás de uma estrutura de aspeto bastante comum de data posterior. A construção deste local começou antes do reinado de Mahendravarman I. O templo é dedicado a Vishnu (Varaha é uma encarnação de Vishnu) e a sua execução segue o espírito dos textos ágamos vaishnavas. Tanto o salão exterior como o santuário estão adornados com elaborados relevos escultóricos. Este templo alberga duas esculturas em relevo de reis Pallava, Simhavishnu (cerca de 537–570) e Mahendravarman I, acompanhados pelas respetivas mulheres.

A Gruta de Trimurti é dedicada à trindade de Brahma, Vishnu e Maheswara (Shiva), representando o processo de criação, manutenção e destruição. Para além da divindade, as colunas esculpidas e as esculturas mostram também devotos em várias posturas. As grutas de Varaha e Krishna exibem contos míticos relacionados com Vishnu e Krishna.

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A Gruta de Mahishasuramardini pode ser encontrada num local no topo de uma colina. Mahishasuramardini é outro nome da deusa Durga, que é uma encarnação de Shakti (poder), cujo nome advêm após a vitória sobre o demónio Mahishasura. Esta é a segunda gruta dedicada a Durga, juntamente com a Gruta de Kotikal.

Tecnicamente falando, a Gruta Yali ou do Tigre pode não ser uma fissura geográfica, mas ostenta um conjunto de pilares e esculturas desenhados com o máximo esmero, representando várias criaturas míticas, leões e tigres. Esta gruta possui também um relevo escultórico dedicado a Narasimhavarman II ou Rajasimha (700–728). Em muitospetos, a Gruta do Tigre sintetiza a evolução das estruturas de templos rupestres dos Pallava ao longo do tempo.

Descent of the Ganges
Descida do Ganges Jean-Pierre Dalbéra (CC BY)

Descida do Ganges

Alternativamente conhecida como Penitência de Arjuna, a Descida do Ganges é um gigantesco baixo-relevo ao ar livre esculpido em granito cor-de-rosa. Esta dramática escultura em relevo narra histórias de epopeias indianas, como o Mahabharata. Os mandapas próximos, em particular o Mandapa de Krishna, exibem no entanto cenas de vida pastoril em redor de figuras míticas. Outras obras de arte rupestre semelhantes nas imediações ficaram inacabadas devido a alguma razão inexplicável.

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Pancha Ratha

Os Pancha Ratha (cinco carruagens) constituem uma ode arquitetónica aos cinco irmãos Pandava do Mahabharata — Yudhistir, Bhima, Arjuna, Nakula, Sahadeva — e à respetiva mulher, Draupadi. Temática e estruturalmente, cada ratha é significativamente diferente dos restantes, mas todos foram esculpidos a partir de uma única pedra longa ou monólito. Distribuídos por um a três pisos, as suas formas variam de quadradas a apsidais. As paredes destes antigos edifícios estão decoradas com baixos-relevos e murais. Um elefante (airavata) e um touro (nandi) monolíticos, lindamente esculpidos, decoram o recinto. Embora tivessem sido originalmente concebidos como locais de culto, nunca foram consagrados nem utilizados ativamente para quaisquer ritos sagrados.

Templo da Costa

O Templo da Costa situa-se na praia e, se a tradição local for merecedora de crédito, é a única estrutura sobrevivente das lendárias Sete Pagodas. Apesar dos efeitos erosivos contínuos do ar marítimo húmido e salgado, o Templo da Costa preserva a sua beleza em muitas partes. Construído entre 700 e 728, durante o reinado de Narasimhavarman II, este monumento constitui efetivamente um vestígio de um complexo maior de templos e estruturas civis, grande parte do qual jaz atualmente sob a profundidade do mar.

Shore Temple, Mahabalipuram
Templo da Costa, Mahabalipuram Arian Zwegers (CC BY)

Este edifício de cinco andares está situado de tal forma que os primeiros raios do sol nascente incidem sobre a divindade tutelar do templo, Shiva. Os visitantes entram no recinto através de um gopuram (pórtico de entrada) em forma de abóbada de berço. O shikhara (telhado) do santuário principal assemelha-se a uma estrutura piramidal. Tal como outras estruturas notáveis em Mahabalipuram, esta também se encontra embelezada com intrincados baixos-relevos. Esculturas monolíticas também se encontram dispersas pelo complexo do templo.

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Templo de Olakkanneshvara

Também conhecido como Templo de Olakkanatha, o Templo de Olakkanneshvara (Templo de Shiva, alusivo ao terceiro olho de Shiva) foi construído sensivelmente na mesma altura que o Templo da Costa. Situa-se no alto de uma colina, a alguma distância da praia, o que deu origem à crença de que funcionou como um farol em tempos antigos. Está igualmente construído no topo da Gruta de Mahishasuramardini, mas tratam-se de duas estruturas distintas erguidas em momentos diferentes.

Mahabalipuram Hoje

Existe outra estrutura curiosa conhecida como a Manteiga de Krishna que fascina todos em Mahabalipuram. Não se trata de uma peça esculpida, mas sim de uma obra da natureza. Hoje, Mahabalipuram tenta reinventar-se como a principal estância balnear do país, mas não perdeu totalmente o contacto com as suas façanhas culturais do passado. Todos os anos, acolhe festivais de dança clássica e teatro para preservar e promover a herança de uma cultura milenar.

Ironia do destino, enquanto o tsunami de 2004 causou danos substanciais nas estruturas existentes e deixou a cidade inundada durante dias, também desenterrou alguns dos tesouros há muito escondidos no seio do mar. Esculturas em granito, estátuas de bronze e ruínas do que parecem ser estruturas artificiais vieram à tona. O arqueólogo subaquático Dr. Alok Tripathi comentou: “À medida que as ondas do tsunami recuavam, varreram os depósitos de areia que tinham coberto estas esculturas durante séculos.” A prospeção subaquática em Mahabalipuram é um processo contínuo que promete revelar muitos mais dos grandes edifícios da cidade e resolver algumas das questões de longa data sobre o seu passado.

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Bibliografia

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RC, D. (2026, agosto 02). Mahabalipuram. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14098/mahabalipuram/

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RC, Dola. "Mahabalipuram." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 02, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14098/mahabalipuram/.

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