Plotino

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Plotinus (by Anonymous, CC BY-SA)
Plotino Anonymous (CC BY-SA)

Plotino (cerca de 204-270) foi um filósofo platónico nascido em Licópolis, no Egito. Embora a história da sua vida tenha sido escrita pelo seu discípulo Porfírio, são incluídos poucos detalhes biográficos porque Plotino rejeitava o mundo físico das aparências em favor do reino da mente, considerando trivialidades como a data de nascimento, a família e a ancestralidade indignas de menção.

Aos 28 anos, iniciou um percurso de estudos com o platónico Amónio Sacas que marcou profundamente a sua vida. Sendo já estudante de filosofia, Plotino dedicou-se por completo à disciplina, absorvendo Os Diálogos (título original: Διάλογοι; transliterado: Dialogoi) de Platão e os comentários do seu mestre sobre os mesmos. O conceito de Plotino acerca da Mente Divina e do propósito da existência mortal exerceu uma influência tremenda sobre as três grandes religiões monoteístas do mundo e, por essa razão, muitos consideram-no o filósofo mais significativo do mundo antigo.

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É o fundador da corrente de pensamento conhecida como neoplatonismo; um número significativo de famosos escritores antigos, teólogos, políticos, generais e filósofos são hoje reconhecidos como neoplatónicos, embora não se tenham apelidado a si mesmos com esse rótulo. A filosofia de Plotino foi registada nas Eneadas (tít. original: Ἐννεάdes) por Porfírio; ele próprio não escreveu nada. Morreu em Roma aos 66 anos de idade.

O Início de Vida e as Viagens

O local de nascimento de Plotino na colónia grega de Licópolis, no Egito, sugere que era provavelmente grego, mas tal é incerto. Tudo o que se sabe da sua vida é o que ele permitiu que o seu discípulo Porfírio registasse. No final da sua terceira década de vida, perseguindo um interesse pela filosofia, Plotino deslocou-se a Alexandria, que era então um centro intelectual rival de Atenas. Ficou desapontado com as filosofias plebeias que ouvia serem ensinadas como "verdades profundas" e estava progressivamente a ficar cada vez mais frustrado e desiludido quando um amigo sugeriu que fosse assistir a uma palestra do filósofo platónico Amónio Sacas, que era também mestre do teólogo cristão Orígenes.

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Plotino foi à palestra e declarou imediatamente que Sacas era o mestre que tinha procurado toda a sua vida. Após dez anos de estudos sob a tutela de Sacas, Plotino juntou-se à campanha militar do imperador Gordiano III à Pérsia com o intuito de aprender filosofia persa e indiana. Quando Gordiano foi assassinado pelas suas tropas e a campanha gorou-se, Plotino viajou para Antioquia e, posteriormente, para Roma, onde permaneceu o resto da sua vida.

A filosofia de Plotino foi registada nas Eneadas por Porfírio; ele próprio não escreveu nada.

Plotino e o Neoplatonismo

O neoplatonismo é um termo moderno que define o resgate do pensamento platónico, misturado com elementos de misticismo e cristianismo, que floresceu no século III com a obra de Plotino e terminou com o encerramento da Academia de Platão pelo imperador Justiniano em 529. Deve sublinhar-se que a designação neoplatonismo é um rótulo moderno e que nem Plotino nem os seus sucessores se teriam apelidado a si mesmos de neoplatónicos, considerando-se simplesmente estudantes e professores do pensamento de Platão.

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Ao contrário das categorizações académicas modernas, eles não consideravam que o estudo das obras de Aristóteles fosse fundamentalmente diferente do estudo dos conceitos de platónicos. Para os antigos neoplatónicos, Aristóteles era um platónico — e um platónico importante, dado ter estudado diretamente com o mestre. Assim, em vez de ser ensinado como uma filosofia separada, Aristóteles era estudado em jeito de preparação para a leitura de Platão. Plotino sustentava que o mero facto de Aristóteles discordar do mestre em determinados pontos não significava que o discípulo tivesse rompido com os ensinamentos daquele, não se encontrando nada na obra de Aristóteles que contradissesse fundamentalmente a visão de Platão, nem sequer o seu desacordo em relação à Teoria das Ideias de Platão.

Porfírio registou e editou os ensinamentos de Plotino em seis grupos de nove, denominados as Eneadas (que significa simplesmente "nove" em grego), e também fez os maiores esforços para escrever a biografia do mestre, mas sem grande sucesso. A insistência de Plotino na vida da mente significava que os pequenos pormenores do quotidiano eram indignos de atenção. Sabe-se, no entanto, que correspondeu com vários outros filósofos, entre os quais Cássio Longino, amigo e conselheiro da rainha Zenóbia de Palmira, que viria a ser executado quando esta foi derrotada por Aureliano em 273.

A Filosofia das Eneadas

As Eneadas desenvolvem a cosmologia de Platão e a sua insistência numa verdade última que jaz para além do mundo dos nossos sentidos. Plotino chama a esta verdade o "Uno" ou o "Bem", mas, dado que esta verdade não tem limites, nunca foi criada e jamais pode ser destruída; está verdadeiramente para além do poder descritivo das palavras, embora a designação utilizada por Plotino, nous ou "Mente Divina", seja a que mais se aproxima.

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Para Plotino o propósito de estudar filosofia consiste em despertar a alma para a presença desta Mente Divina, este nous, e permitir que alguém consiga consagrar devidamente a sua vida à sua busca — um conceito que viria a exercer um impacto imenso sobre Santo Agostinho de Hipona e a sua conceção do Deus cristão e do dever do cristão na vida. Plotino escreveu: "O Deus não é externo a ninguém, mas está presente em todas as coisas", o que se reflete na visão que Agostinho tem de Deus na sua obra A Cidade de Deus.

A filosofia de Plotino é sucintamente explicada pelos eruditos Baird e Kaufmann:

Desenvolvendo a compreensão dualista da realidade de Platão, Plotino ensinou que a verdadeira realidade reside "para além" do mundo físico. Esta "realidade para além da realidade" não tem limites e, portanto, não pode ser descrita por palavras, uma vez que as palavras têm invariavelmente limites. Plotino, recorrendo novamente a Platão, chama a esta ultra-realidade o "Bem" ou o "Uno". O Uno/Bem não tem limites e é de tal forma supremamente correto que transborda ou "emana" para produzir o "Princípio Intelectual" ou "Mente Divina" — o nous. Este Princípio Intelectual, por sua vez, transborda e a "Alma Divina" emana dele. Este processo continua à medida que a Alma Divina gera o mundo material. O nível mais baixo de emanação, no extremo mais afastado do Uno/Bem, é a completa informeza e irrealidade da matéria. O objetivo da filosofia é despertar os indivíduos para a realidade para além do mundo material. Mas a filosofia por si só não consegue conduzir uma pessoa à realidade suprema do Uno. Apenas a experiência mística pode unir um indivíduo ao Uno.

(pág. 540)

Para Plotino, aquilo a que chamamos "mal" é causado pelo nosso apego às coisas deste mundo, que impede a nossa devoção completa à Mente Divina. Os objetos dos nossos desejos e afetos não são, em si mesmos, "maus", mas apenas o são na medida em que nos afastam do propósito das nossas vidas: realizar a Mente Divina.

Deste modo, o chamado "problema do mal" (com o qual os apologistas cristãos e outros têm lutado durante séculos: se Deus é totalmente bom, porque existe o mal?) fica resolvido no sentido em que, sim, o "mal" provém da Mente Divina, mas não de propósito. Os seres humanos causam o "mal" ao escolherem apegar-se aos prazeres terrenos e aos objetos desses prazeres em vez de à Mente Divina. Os seres humanos são, portanto, a causa do "mal", embora os objetos dos sentidos que nos aliciam sejam providenciados pela Mente Divina.

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Nisto, as crenças de Plotino são semelhantes às de Buda, que afirmou: "Do desejo vem o desgosto, do desejo vem o medo. Aquele que está livre do desgosto nem conhece o desgosto nem o medo", tendo defendido que o apego aos objetos dos sentidos deste mundo era a causa de todo o sofrimento humano. De igual modo, Plotino postulou que o "objetivo" de cada um na vida era uma união mística com a Mente Divina (à semelhança do Nirvana de Buda) e afirmou ter alcançado ele próprio essa união quatro vezes na sua vida.

Conclusão

A ênfase neoplatónica na rejeição do físico em favor do espiritual, no reconhecimento de uma verdade última e na aceitação de determinadas leis espirituais fixas provêm todas da obra de Platão, mas, sob a mente perspicaz de Plotino, foram sintetizadas e desenvolvidas numa espécie de misticismo filosófico-religioso.

É através da obra de Plotino que o pensamento platónico viria a influenciar as estruturas de crença das três grandes religiões monoteístas: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islão. O pensamento monoteísta não teve origem em Platão, mas os grandes pensadores que estruturaram as religiões monoteístas posteriores basearam-se nas ideias de Platão, tal como foram expressas por Plotino e desenvolvidas posteriormente pelos seus discípulos Porfírio e Jâmblico. O misticismo religioso de Plotino continua a atrair pessoas nos dias de hoje e é abraçado por adeptos de todas as fés.

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Perguntas & Respostas

Quem foi Plotino?

Plotino foi um filósofo grego que desenvolveu o pensamento de Platão e fundou o que hoje se conhece como neoplatonismo.

O que é o neoplatonismo?

O neoplatonismo é o desenvolvimento da tese de Platão de que existe uma Verdade Universal e uma Verdade Objetiva, que subsiste independentemente das crenças pessoais de cada um. O propósito da vida é reconhecer e procurar essa Verdade.

Que sistemas de crenças influenciou Plotino?

Plotino é reconhecido como tendo influenciado a teologia do judaísmo, do cristianismo e do islamismo.

Os ensinamentos de Plotino são semelhantes aos do Buda?

Sim. Existem muitas semelhanças entre os ensinamentos de Plotino e os de Buda. Muitos budistas de hoje leem as obras de Plotino pelas perspetivas que estas proporcionam.

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Mark, J. J. (2026, julho 23). Plotino. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13949/plotino/

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Mark, Joshua J.. "Plotino." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 23, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13949/plotino/.

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Mark, Joshua J.. "Plotino." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 23 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13949/plotino/.

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