Plínio, o Velho

Donald L. Wasson
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Pliny the Elder (by Littlehelper, Public Domain)
Plínio, o Velho Littlehelper (Public Domain)

Para além das habituais contribuições dos seus nobres políticos e comandantes militares, a história de uma nação regista também as inestimáveis influências literárias dos seus poetas, dramaturgos e historiadores. A longa história do Império Romano não é diferente, pois pode orgulhar-se das célebres obras de homens como Ovídio, Virgílio, Suetónio e Tácito. No entanto, um indivíduo, muitas vezes desconhecido pelos leitores da atualidade, supera todos os outros — a história simplesmente recorda-o como Plínio, o Velho. Mais do que apenas um autor, foi um administrador, comandante e cientista de sucesso. Embora não fosse considerado um filósofo, era um homem de uma curiosidade intensa, cujas obras conquistariam até o respeito da Igreja Medieval. Infelizmente, esta curiosidade apaixonada conduziria a uma morte prematura.

Caio Plínio Segundo nasceu numa família equestre abastada, uma família com fortes ligações políticas, na Gália Cisalpina (norte de Itália), ou no ano de 23 ou 24 d.C., durante o reinado do Imperador Tibério, um homem que Plínio descreveria mais tarde como tristissimus hominum — o mais triste e sombrio dos homens. Os historiadores, bem como o seu sobrinho e filho adotivo Plínio, o Jovem, descrevem Plínio como um excêntrico, de uma dedicação incansável ao trabalho que temia desperdiçar tempo, escrevendo muitas vezes até altas horas da noite. Dedicou a sua vida à escrita, nunca casando nem tendo filhos. Como considerava caminhar uma perda de tempo, deslocava-se por Roma numa liteira, acompanhado por um secretário que caminhava a seu lado a tirar notas; na verdade, uma inflamação na garganta dificultava-lhe a respiração e, por conseguinte, afetava a sua capacidade de andar. No inverno, usava uma túnica de mangas compridas para manter os braços quentes, novamente para que pudesse escrever enquanto se deslocava. Homem de estudo intenso, afirmou ter lido mais de 2000 volumes de mais de 100 autores, catalogando mais de 20 000 factos.

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A curiosidade apaixonada de Plínio conduziria, infelizmente, a uma morte prematura.

Graças às ligações dos seus pais em Roma, a cidade onde completaria a educação, Plínio conseguiu obter um comando militar, deixando o conforto da capital no ano de 47 d.C. para combater na Germânia. Serviu como oficial cadete no Reno, ascendendo eventualmente ao posto de prefeito da infantaria auxiliar e, mais tarde, comandante de uma ala de cavalaria. Algumas histórias contemporâneas registam que poderá ter participado na invasão da Britânia. Durante a Dinastia Flávia, retomou a sua carreira militar ao servir como almirante encarregue da frota do Mediterrâneo ocidental. Aproveitou o seu tempo na Germânia para escrever um pequeno tratado sobre a difícil arte de lançar uma lança a cavalo (De iaculatione equestri) — é preciso recordar que o estribo ainda não tinha sido inventado. Mais tarde, escreveria uma história de 20 volumes sobre as guerras germânicas: Bella Germaniae. O historiador Tácito utilizou estes livros como fonte para os seus próprios Anais (tít. original: Annales). Foi também na Germânia que Plínio se tornou amigo do futuro imperador romano Vespasiano, uma amizade que viria a render valiosos frutos mais tarde. Ambos os homens sofriam de insónias e passavam muitas horas da noite em conversa.

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Após terminar o seu período na Germânia, Plínio regressou a Roma e à sua residência no monte Esquilino, onde se cansou de exercer advocacia e dedicou o seu tempo a escrever tratados sobre uma variedade de assuntos, incluindo as suas opiniões sobre os imperadores, passados e presentes. Reconheceu o comportamento algo excêntrico do imperador Caio Calígula, mas não o considerou notável para a época e, embora respeitasse o imperador Cláudio e o considerasse um dos autores mais eruditos do seu tempo, Plínio comentou as muitas indiscrições de Messalina, a esposa do imperador. Contudo, entre os seus temas mais interessantes, para além da gramática (escreveu uma série de oito volumes) e da oratória, estavam os seus conselhos sobre cosmética feminina. O leite de burra eliminava as rugas, a manteiga misturada com alvaiade era útil contra o acne, e a placenta de vaca quente podia remover úlceras faciais.

Durante o tempo do imperador Nero, e temendo possíveis repercussões, Plínio evitou quaisquer funções administrativas, abstendo-se de discussões políticas nos seus escritos. O rabino Josefo, amigo e admirador de Nero, acusou Plínio, assim como outros autores, de nutrir um ódio intenso e de mentir sobre o imperador caído. A atitude de Plínio em relação à casa imperial mudou rapidamente quando o seu amigo Vespasiano assumiu o trono após o imperador Vitélio, em 69 d.C. Vespasiano recompensou Plínio com o cargo de procurador imperial em Espanha, na Gália e na Bélgica, onde foi responsável pelas finanças de cada província. Foi durante este período que continuou a reunir os factos que mais tarde utilizaria nos seus escritos, especialmente a sua obra mais famosa (iniciada por volta de 77 d.C.) — a Naturalis Historia (História Natural), composta por 37 livros (dez volumes). Este imenso empreendimento, que ainda sobrevive, abrangia uma grande variedade de tópicos, desde botânica, geografia e biologia até matemática, agricultura, artes e antropologia. Infelizmente, não conseguiu rever a obra antes da sua morte prematura.

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Em agosto de 79 d.C., toda a Itália ficou em choque quando o Monte Vesúvio entrou em erupção, soterrando as cidades de Pompeia e Herculano. Foi durante este período que Plínio servia como comandante da frota de Miseno, na vizinha Campânia. A sua intensa curiosidade científica, bem como a sua compaixão natural, levaram-no a conduzir esforços de socorro para a evacuação dos cidadãos de Pompeia. Infelizmente, os seus esforços valentes levaram-no à morte; o ar em redor de Pompeia estava denso de cinzas e, enquanto dava ordens para ajudar, ele simplesmente deitou-se no convés do seu barco e morreu. O historiador Tácito contactou o sobrinho de Plínio e perguntou-lhe sobre a morte do seu tio. Recebeu esta resposta:

O seu pedido de que lhe envie um relato da morte do meu tio... merece o meu reconhecimento, pois, se este acontecimento for celebrado pela sua pena, a glória do mesmo, estou bem certo, tornar-se-á para sempre ilustre. E não obstante ter perecido por desventura... parece prometer-lhe uma memória eterna... ele próprio compôs muitas e duradouras obras... (que) contribuirão grandemente para tornar o seu nome imortal.

Lamentavelmente, o nome de Plínio não se tornou tão duradouro como o seu sobrinho previu. Embora lembrado por alguns, não alcançou a fama desfrutada por escritores como Ovídio e Virgílio. A maioria das suas obras perdeu-se; o nosso conhecimento sobre ele provém principalmente dos escritos de outros. Contudo, a sua intensa curiosidade e a sua montanha de trabalhos colocam-no entre os maiores vultos que o Império alguma vez produziu.

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Wasson, D. L. (2026, julho 10). Plínio, o Velho. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12850/plinio-o-velho/

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Wasson, Donald L.. "Plínio, o Velho." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 10, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12850/plinio-o-velho/.

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Wasson, Donald L.. "Plínio, o Velho." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 10 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12850/plinio-o-velho/.

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