A Companhia Inglesa das Índias Orientais (EIC) foi estabelecida por Carta Real a 31 de dezembro de 1600, sob o reinado de Isabel I (reinou 1558–1603), concedendo-lhe o monopólio do comércio inglês a leste do Cabo da Boa Esperança. Inicialmente concebida como uma empresa comercial, a Companhia focou-se em mercadorias asiáticas de elevado valor, tais como especiarias, têxteis, chá e, mais tarde, ópio, comercializados na Índia, no Sudeste Asiático e na China. No início do século XVII, a EIC já tinha estabelecido uma rede crescente de postos comerciais costeiros ("feitorias"), integrando-se nos sistemas de comércio já existentes no Oceano Índico, ao mesmo tempo que competia com os rivais portugueses e holandeses. O seu sucesso refletia tendências mais amplas da Idade Moderna: a expansão marítima, o mercantilismo e a integração de mercados distantes numa economia global.
Ao longo do século XVIII, a Companhia evoluiu de uma corporação comercial para uma poderosa força territorial e militar. Por volta de 1700, realizava dezenas de viagens anuais à Ásia e mantinha os seus próprios estaleiros, frota mercante e milhares de marinheiros. Após as vitórias militares na Índia, especialmente após Plassey (1757), a EIC exerceu de forma crescente a autoridade política, culminando num exército privado de aproximadamente 260.000 homens em 1803, uma força superior à de muitos Estados europeus. Por volta de 1800, a Companhia representava quase metade do comércio global da Grã-Bretanha, ilustrando como o capitalismo comercial, o apoio estatal e o poder militar podiam fundir-se num único sistema imperial.

