Arquitetura Hoysala

Celebre o Nosso Aniversário com Trivia!

Junte-se a nós a 23 de agosto para uma festa de trivia virtual gratuita, com perguntas sobre civilizações antigas, história dos EUA, factos históricos insólitos, cultura pop e muito mais.

$194 / $5000
Dhruba RC
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
Translations 2
bookmark_addbookmark_addedGuardar Artigo headphonesVersão Áudio printImprimir picture_as_pdfPDF

A era Hoysala (1026–1343) ficou marcada por realizações ilustres na arte, na arquitetura e na cultura. O núcleo desta atividade situava-se no atual distrito de Hassan, em Karnataka, na Índia. A conquista mais notável desta era reside, sem dúvida, no campo da arquitetura. A intenção de superar o Império Chalukya Ocidental (973–1189) no seu próprio domínio forneceu um impulso adicional para a excelência arquitetónica.

Hoysaleswara Temple in Halebidu
Templo de Hoysaleswara em Halebidu Jean-Pierre Dalbéra (CC BY)

A História do Império Hoysala

Os governantes Hoysala começaram como chefes locais nas colinas dos Gates Ocidentais. Com o tempo, a sua fortuna começou a prosperar e, em poucas décadas, alcançaram o estatuto de vassalos poderosos sob os imperadores Chalukya Ocidentais. No início da história da dinastia Hoysala, a capital do seu domínio nascente foi transferida das colinas dos Gates Ocidentais para Belur.

Remover Publicidades
Publicidade

As conquistas militares de Vishnuvardhan (1108–1152) contra o vizinho Império Chola (cerca de 300 a.C. – 1279 d.C.) em 1116 marcam o primeiro grande acontecimento na história destes dinastas. Uma nova era inaugurou-se com Vishnuvardhan, que mandou pôr de pé o templo de Chennakesava (1117) em Belur para celebrar esta vitória; além disso, decidiu transferir a capital quase 20 km para leste, para Halebidu ou Halebid.

Chennakesava Temple in Belur
Templo de Chennakesava em Belur Jean-Pierre Dalbéra (CC BY)

Os Hoysalas conquistaram a sua independência política em 1192, durante o reinado de Veera Ballala II (1173–1220). Tornaram-se rapidamente numa potência de primeiro plano no Sul da Índia e desfrutaram de supremacia territorial e prosperidade económica durante o século seguinte ou pouco mais. No seu apogeu, o império abrangia o atual estado de Karnataka, partes de Tamil Nadu e o sudoeste de Telangana. No entanto, as invasões de sultanatos vindos de Deli e Madurai, a partir de 1311, revelaram-se fatais para o monarca reinante da época, Veera Ballala III (1292–1343), que acabou por sucumbir a estas investidas repetidas em 1343.

Remover Publicidades
Publicidade

A Natureza e a Influência

Os governantes Hoysala foram influenciados pela arquitetura dos Chalukya Ocidentais e puseram também ao seu serviço os artesãos dos mesmos.

As dinastias Nolamba (final do século VIII – século XI) e Ganga Ocidental (350–1000) — antecessoras dos Hoysalas no sul de Karnataka — construíram templos tanto hindus como jainistas, inspirados na herança tâmil. Em contrapartida, os governantes Hoysala foram influenciados pela arquitetura dos Chalukya Ocidentais e puseram também os seus artesãos ao trabalho.

Uma abundância de esculturas figurativas cobre quase todos os templos Hoysala. A pedra-sabão, que permite um nível de detalhe e nitidez refinados, também contribuiu para esta predileção. Trata-se de um regresso a uma representação iconográfica mais vasta de episódios de epopeias populares, em comparação com a arquitetura posterior dos Chalukya Ocidentais. É preciso lembrar, contudo, que na arquitetura de templos estas obras não servem meramente um propósito decorativo, mas são essenciais para a integridade e a composição da estrutura.

Remover Publicidades
Publicidade

A Breve Introdução à Arquitetura de Templos

Uma cela cúbica, o garbha griha (sanctum sanctorum), abriga um murti (ícone consagrado) colocado centralmente sobre um pitha (pedestal). O shikhara (superestrutura) ergue-se sobre o garbha griha e, juntamente com o santuário, formam o vimana (ou mulaprasada) de um templo. Uma pedra estriada, o amalaka, põe-se no topo do shikhara, com um kalash no seu pináculo. Um antarala (vestíbulo) intermédio liga o garbha griha a um mandapa (alpendre) colunado e espaçoso à frente, virado principalmente para leste (ou para norte). O templo pode ser acedido através de entradas com gopurams gigantescos (torres de entrada ornamentadas) que se erguem sobre cada porta. No prakaram (átrio do templo) abundam frequentemente vários santuários menores e edifícios anexos.

Garuda in Chennakesava Temple, Belur
Garuda no Templo de Chennakesava, Belur Jean-Pierre Dalbéra (CC BY)

Os vimanas têm planta estrelada, semiestrelada ou ortogonal. Os embasamentos com faixas intrincadamente esculpidas, uma caraterística distintiva dos templos Hoysala, compreendem uma série de fiadas horizontais que se estendem como tiras retangulares com recessos estreitos entre si. Além disso, os próprios templos são por vezes construídos sobre uma plataforma elevada ou jagati, que serve para o efeito de pradakshinapatha (circunambulação).

Para estudar em pormenor a arquitetura do período, consideraremos exemplos de Belur e Halebidu que, em conjunto, contêm alguns dos melhores templos sobreviventes dessa era.

Remover Publicidades
Publicidade

Belur

O Complexo do Templo de Chennakesava

Trata-se de um ekakuta, ou seja, um templo com um único santuário. Lamentavelmente, o shikhara perdeu-se devido aos estragos do tempo. O garbha griha abriga uma imagem consagrada de Krishna (Chenna significa belo, enquanto Kesava é outro nome de Krishna). Todo o templo, construído a uma escala grandiosa, segue o padrão geral da arquitetura Hoysala. Possui uma orientação leste-oeste assente sobre um jagati. O salão tem 60 vãos e um santuário com 10 metros de cada lado. Sob a cornija do beirado do mandapa (sala de rituais ao ar livre), encontram-se 38 esculturas sumamente maravilhosas chamadas salabhanjika ou madanika (figuras de mísula). A respetiva colocação e as inscrições revelam que se tratam de adições posteriores (principalmente durante o reinado de Veera Ballala II).

Shalabhanjika Sculpture in Belur
Escultura Shalabhanjika em Belur Jean-Pierre Dalbéra (CC BY)

No extremo sul deste templo principal fica o Kappechennigaraya, consagrado pela rainha de Vishnuvardhan, Shantala, no mesmo ano. Ao lado do santuário principal existe um santuário secundário que abriga a imagem de Venugopal. Este templo segue a planta estrelada, mas é menos ornamental.

No mesmo complexo encontra-se outro templo chamado Viranarayan, a oeste de Chennakesava. Trata-se de um templo ekakuta vaixnava, erguido provavelmente numa data posterior do século XII d.C. Está construído segundo o padrão básico de um garbha griha e um antarala que se abrem para o mandapa, tudo edificado sobre um jagati. Curiosamente, este templo é relativamente austero, carecendo dos frisos narrativos que abundam no templo de Chennakesava.

Remover Publicidades
Publicidade
Elephants, Chennakesava Temple
Elefantes, Templo de Chennakesava Jean-Pierre Dalbéra (CC BY)

Uma estrutura relativamente secundária, o templo de Saumyanayaka situa-se a sudoeste do templo principal. O seu shikhara danificado foi reparado em 1387 d.C. por um ministro do rei de Vijayanagar Harihara II.

Um lago escalonado chamado Vasudev Tirtha foi construído a noroeste de Chennakesava por Veera Ballala II. Trata-se de um elemento comum a qualquer templo em que os devotos realizam uma ablução antes de entrarem no mandapa.

Muitas adições e modificações semelhantes, tanto menores como significativas, foram levadas a cabo até bem dentro do reinado de monarcas posteriores desta região.

Remover Publicidades
Publicidade

Halebidu

Originalmente, Halebidu chamava-se Dwarasamudra, nome que remete para um grande reservatório de água escavado quase três quartos de século antes de a cidade ser escolhida como capital do Império Hoysala. O seu nome atual significa "cidade velha", aludindo indubitavelmente ao facto de ter sido abandonada após ter sido saqueada duas vezes pelos exércitos invasores dos sultanatos.

Hoysaleshwara e Shantaleshwara

Neste templo xivaísta dvikuta (templo com dois santuários), os dois garbha grihas (sanctum sanctorum) encontram-se ligados por um mandapa (alpendre), formando um grande salão aberto. Um santuário é dedicado ao rei Vishnuvardhan e o outro à sua rainha Shantala, razão pela qual é designado por Shantaleshwara. Construído em 1121, foi edificado principalmente sob o patrocínio de ricos comerciantes locais e aristocratas. Há quatro entradas para o templo duplo, flanqueadas de ambos os lados por vimanas em miniatura. Dois santuários adjacentes, um para Nandi (o touro) e outro para Surya (o sol), encontram-se também construídos sobre o mesmo jagati. Os frisos primorosos nas paredes do templo retratam com eloquência histórias do Ramayana, do Mahabharata e do Bhagavata Purana. Estes relevos preservam uma das maiores realizações dos artesãos Hoysala e constituem uma lição exaustiva sobre a simbologia da arte hindu.

Ceiling Decoration in Hoysaleswara Temple, Halebidu
Decoração de Tetos no Templo de Hoysaleswara, Halebidu Jean-Pierre Dalbéra (CC BY)

Kedareshwara

Este templo xivaísta trikuta (templo com três santuários) situa-se a apenas um par de quilómetros a sul do Hoysaleshwara. Foi construído sob o patrocínio do rei Veera Ballala II e da rainha Ketala Devi. Desenhado segundo uma planta estrelada, o santuário central está ligado aos outros dois santuários posicionados lateralmente por um mandapa comum. Os pormenores escultóricos ilustram representações magnificamente executadas de Bhairava, Vishnu como Bharadwaj e Kaliyadamana, entre outras.

Remover Publicidades
Publicidade
Kedareshwara Temple in Halebidu
Templo de Kedareshwara em Halebidu Arian Zwegers (CC BY)

Tanque Kalyani, Hulikere

No subúrbio de Halebidu, na atual localidade de Hulikere, este tanque magnificamente decorado foi construído para um templo xivaísta durante o reinado do imperador Narasimha I (1152–1173). Ironicamente, não restam vestígios do templo nos dias de hoje, mas este tanque ainda sobrevive. Este lago escalonado está adornado com 27 santuários em miniatura, alguns dos quais ostentando inclusivamente uma superestrutura no topo.

Templos Jainistas em Bastihalli

Mais a sul do Kedareshwara, na aldeia de Bastihalli, situa-se um grupo de três templos jainistas. Estes templos são dedicados aos tirthankars (divindades docentes) jainistas Adinath, Parsvanath e Shantinatha. Cada templo abriga uma imagem do respetivo tirthankar no respetivo garbha griha. O Basti de Parsvanath foi construído em 1133 pelo rei Vishnuvardhan para celebrar o nascimento do seu filho, Narasimha I. Alinhadas ao longo do eixo norte-sul, todas estas estruturas seguem fielmente o padrão arquitetónico geral dos Hoysalas.

Destes, o Adinath Basti, construído no final do século XII, é o de menores dimensões. Contém uma imagem de Saraswati belamente decorada no interior do seu vestíbulo. Este local parece ter sido durante muito tempo um espaço sagrado para os jainistas, uma vez que nele se encontram vestígios arqueológicos que remontam a meados do século X.

As cidades gémeas de Belur e Halebidu foram outrora as joias da coroa do Império Hoysala. Hoje em dia, atraem a atenção mais do que merecida de turistas, estudiosos e devotos oriundos de diferentes partes do país e do mundo em geral. Os cultos diários continuam na maioria dos santuários ainda hoje. Apesar das perdas irreparáveis sofridas às mãos do tempo e de forças humanas mercenárias, a grandeza destas estruturas e a piedade que esteve na base da respetiva construção continuam a inspirar reverência no observador silencioso até aos dias de hoje.

Remover Publicidades
Publicidade

Remover Publicidades
Publicidade

Sobre o Tradutor

Cite Este Artigo

Estilo APA

RC, D. (2026, agosto 11). Arquitetura Hoysala. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-898/arquitetura-hoysala/

Estilo Chicago

RC, Dhruba. "Arquitetura Hoysala." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 11, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-898/arquitetura-hoysala/.

Estilo MLA

RC, Dhruba. "Arquitetura Hoysala." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 11 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-898/arquitetura-hoysala/.

Remover Publicidades