Etnicidade e Identidade Dentro da Casa de Quatro Divisões

Dana Murray
por , traduzido por Filipa Oliveira
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O processo de determinação da etnia é uma tarefa problemática, ainda mais quando interpretado através dos registros arqueológicos. Apesar desta questão, evidências, como a casa de quatro divisões, foram preservadas e podem ser interpretadas como marcadores étnicos, ajudando a esclarecer a vida de indivíduos e grupos do passado. Seguindo a perspectiva teórica de Fredrik Barth, a etnia é entendida como um fenómeno maleável e autoatribuído dentro de um determinado grupo. À luz disto, os artefatos encontrados nos registros arqueológicos têm a capacidade de ilustrar como um determinado grupo se identificava e como perpetuava a identidade. Proponho demonstrar o ato de autoatribuição e perpetuação da identidade étnica por meio de um exame da arquitetura antiga "israelita", ou seja, casas de quatro divisões durante os períodos Ferro I e Ferro II das terras altas centrais. Esta análise incluirá uma interpretação da estrutura, função e origem da casa de quatro divisões, bem como um exame cruzado com passagens bíblicas que sugerem possíveis paralelos egípcios, bem como um estilo de vida igualitário.

Four-Room House Model
Modelo de Casa de Quatro Divisões SieBot (CC BY-SA)

Determinando a Etnicidade

A definição e interpretação da etnicidade evoluíram ao longo do último século, e foram adotados novos métodos e perspectivas. Esta mudança ocorreu no final da década de 1960 com o trabalho de Fredrik Barth que desencadeoua evolução com a hipótese de que a etnicidade é maleável, pode variar, ser aprendida e mudar. Antes desta interpretação, teóricos como Durkheim e Weber entendiam a etnicidade como algo estático, uma compreensão que continuou até o final da década de 1960. De acordo com Barth, os grupos étnicos são uma forma de organização social construída em resposta à autoatribuição e à atribuição de outros. Por outras palavras, uma identidade étnica é formada através da compreensão de um grupo de si mesmo como um grupo étnico, bem como da forma como os outros fora do grupo os compreendem. Esta autocompreensão é alcançada por meio da autoidentificação, um processo que muitas vezes inclui uma construção consciente da identidade pelo grupo. Isto pode ser influenciado por fatores como psicologia individual, relacionamentos, família, comunidade, nação e assim por diante. Geoff Emberling argumenta que o processo de autoatribuição é provavelmente a “característica fundamental da etnicidade”, enfatizando a genealogia comum e a construção cultural como fatores-chave (Emberling, pág. 302). A chave para o conceito de etnicidade de Barth e Emberling é a ênfase nos "fatos sociais" em vez dos biológicos, o que significa que a etnicidade é mais do que uma simples "relação genética". (Idem)

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Se um grupo étnico não é determinado simplesmente de acordo com a relação genética, então outros fatores determinantes devem ser considerados; estes incluem, mas não limitados a: língua, religião, culinária, vestuário, objetos domésticos e arquitetura. Para os fins deste artigo, no entanto, os vestígios arquitetónicos terão precedência sobre os outros fatores simplesmente devido ao foco em casas de quatro divisões e à identificação da etnicidade através da arquitetura.

Voltando ao processo de autoatribuição, Elizabeth Bloch-Smith levanta as seguintes questões: que interesse comum forjou o vínculo de Israel do Ferro I e que instituições comuns perpetuaram a identidade do grupo? Contrariamente à sua análise do assunto, sugiro o desenvolvimento e o uso da casa de quatro divisões como uma possível solução para ambas as questões. A casa de quatro divisões representava mais do que um simples tipo de habitação doméstica; representava comportamentos ideológicos e étnicos que eram esperados e exigidos por aqueles que a utilizavam. É verdade que as fontes bíblicas parecem omitir a importância das plantas das casas, mas isso não significa que essa importância fosse totalmente ausente. As fontes bíblicas representam um recurso; elas não são os juízes definitivos dos fatos e certamente não representam a fonte mais precisa historicamente; no entanto, a crítica de Bloch-Smith chama a atenção para a questão da incorporação da arqueologia bíblica aos estudos bíblicos. Embora os dois dependam um do outro até certo ponto, o processo está longe de ser simples.

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Como observa Emberling, a questão para o arqueólogo que determina a etnia é a identificação de objetos e características que eram socialmente significativos. Como sugere o debate entre os estudiosos, está longe de existir um consenso uniforme na interpretação da casa de quatro divisões como um marcador étnico, e o mesmo pode ser dito sobre outros fatores determinantes. Esta questão de interpretação é abordada por Ziony Zevit, que defende uma maior tentativa de objetividade nos estudos, particularmente nos estudos bíblicos e na arqueologia bíblica. Essencialmente, Zevit enfatiza o impacto da visão de mundo de uma pessoa sobre o seu comportamento. Um estudante ou estudioso do passado deve reconhecer a sua própria visão de mundo preconcebida, a fim de excluir padrões que possam ser incompatíveis com o objeto de estudo. Por outras palavras, é problemático para um indivíduo do século XXI diferenciar entre o que era e o que não era importante na antiguidade, e é bem possível que seja esse processo que crie o debate entre os estudiosos da área. Com isto em mente, no entanto, pode-se prosseguir com a interpretação das evidências arqueológicas, ao mesmo tempo em que se tem em consideração a natureza problemática e se coloca conscientemente de lado a própria visão de mundo.

O grupo em questão aqui, ou seja, os primeiros israelitas, fornece um caso interessante para a interpretação da identidade étnica.

À luz desta discussão, ainda é necessário fornecer uma definição de etnia para esclarecer o meu objetivo. De forma eloquente, Norman K. Gottwald descreve o termo etnia como “uma identidade compartilhada claramente articulada dentro de um grupo populacional, atestada por reivindicações de história, cultura e valores comuns”(Gottwald, pág. 29). Em resposta a esta definição, o termo etnia será utilizado aqui em referência à identidade de grupo que foi construída pelo grupo em resposta a fatores ecológicos, políticos, socioeconômicos e/ou religiosos. Também está relacionado à sua memória coletiva e identidade coletiva, conforme entendida por si mesmo e por aqueles fora do grupo. Basicamente, a etnia deve ser entendida como conscientemente construída, em vez de meramente herdada biologicamente, e não apenas autoatribuída, mas atribuída por outros.

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O grupo em questão aqui, ou seja, os primeiros israelitas, fornece um caso interessante para a interpretação da identidade étnica. Embora as origens dos israelitas em Canaã não sejam o foco deste artigo, é importante notar a ambiguidade da sua chegada à região, bem como a interpretação amplamente contestada entre os estudiosos. As teorias populares incluem a pré-existência dos israelitas em Canaã, sugerindo que as evidências materiais não sustentam a chegada de um novo povo seminómada; o que contrasta com a teoria alternativa, na qual o influxo de assentamentos rurais durante o início do período Ferro I é interpretado como representando a chegada de um novo grupo cultural ou étnico. Não querendo dar preferência a uma teoria em detrimento de outra, proponho uma solução mais intermediária.

Como o fim da Idade do Bronze e o final do século XIII a.C. representaram um período turbulento em todo o mundo mediterrâneo antigo, é perfeitamente possível que uma variedade de povos se tenha estabelecido nas terras altas centrais de Canaã. William G. Dever sugere um argumento semelhante, no sentido de que os «proto-israelitas» não eram homogéneos desde o início. Em vez disso, os membros do grupo podem ter incluído cananeus deslocados, refugiados urbanos, agricultores migrantes, beduínos semelhantes aos Shasu e assim por diante. Supondo que tenha sido esse o caso, com o tempo, um grupo unificado e ideologias ter-se-iam desenvolvido em resposta a uma nova autoconsciência, como aconteceu noutras situações semelhantes. Essa parece ser uma situação altamente plausível, especialmente considerando a situação socioeconómica durante este período, como a destruição e o abandono de vários centros urbanos cananeus e a possibilidade de que vários grupos (não exclusivos dos cananeus urbanos deslocados) possam ter optado por se estabelecer nas terras altas. Esta situação não só parece razoável, mas também parece ridículo supor que apenas um grupo tenha escolhido ou sido autorizado a se estabelecer na área, especialmente devido à sua adaptabilidade à agricultura de subsistência. Independentemente de como os israelitas chegaram às terras altas centrais, o mais importante para esta discussão é a representação de ideologias e autoconsciência recém-descobertas, e é através da análise da casa de quatro divisões que estas construções podem ser interpretadas.

Estrutura da Casa de Quatro Divisões

O uso do termo “casa de quatro divisões” deve ser precedido por uma explicação. No contexto deste artigo, a “casa de quatro divisões” das terras altas centrais não se limita apenas a residências com quatro divisões. Na verdade, estas casas podem ter três, quatro ou mais divisões. Também é importante observar que nem sempre há pilares. Apesar das discrepâncias, o termo "casa de quatro divisões" é preferível às alternativas "casa com pátio com pilares" ou "casa israelita", devido à natureza problemática de rotulá-las como "casas israelitas" sem evidências mais diretas para provar que as casas eram usadas exclusivamente por israelitas.

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A disposição típica da casa de quatro divisões consistia numa planta retilínea dividida em três, quatro ou mais espaços/divisões. O espaço central maior era separado por uma ou duas fileiras de pilares de pedra, com uma entrada que levava de um pátio externo ao espaço central. As divisões adicionais podem ser acrescentadas ou subdivididas, mas a planta básica segue a descrição acima. Frequentemente no pátio havia uma cisterna profunda, assim como fornos de barro ou tijolos de barro e lareiras para cozinhar. O que sugere que a maioria das tarefas domésticas era realizada ao ar livre, especialmente porque as divisões laterais eram frequentemente utilizadas para o gado, como sugere a existência de pisos de paralelepípedos, ou como espaço de armazenamento. Foram descobertas estruturas de um, dois e possivelmente três andares, o que corrobora a teoria de que os habitantes dormiam e comiam no andar superior, separados dos animais.

A estrutura teria um telhado plano, ideal para secar alimentos e armazenamento adicional, embora uma das salas longas, geralmente a do centro, pudesse não ter telhado. Em termos de proteção, a comunidade parece ter possuído uma parede perimetral. Estas paredes não devem ser confundidas com um sistema de defesa; pelo contrário, como nas mais de trezentas casas com pátio escavadas, não se identificou qualquer parede de defesa. Tanto Dever como Killebrew descrevem o povoado oval de comunidades de casas de quatro divisões, explicando que o desenho cria uma muralha perimetral utilizando os próprios edifícios. Muito simplesmente, a defesa não parece ter sido uma prioridade dos habitantes das casas de quatro divisões, como se expressa através da ausência de armas, destruição repentina ou a existência de incêndios. Em vez disso, a muralha perimetral sugere que os habitantes recolhiam o gado dentro das muralhas à noite, a fim de o proteger de outros animais ou saqueadores.

O restos de alimentos e ossos de animais sugerem que as comunidades eram compostas por agricultores e criadores de gado, com espaço de armazenamento suficiente para os produtos, o que indica que eram autossuficientes. Além disso, as evidências escavadas nas instalações domésticas sobre a fabricação de ferramentas de pedra e sílex, oficinas de oleiros, instalações de processamento de azeitonas e azeite, pesos de teares, etc., reforçam, ainda mais, a teoria da autossuficiência, ao mesmo tempo em que demonstram que a sociedade era composta por pequenas propriedades familiares, representando um grupo coeso e ligado por laços de parentesco. Curiosamente, Dever enfatiza o paralelo entre a identificação destas comunidades como baseadas em laços familiares e a tradição bíblica, apoiando a teoria da origem "israelita". Além disso, outra interpretação detse material define a comunidade como igualitária ou comunitária, novamente traçando paralelos com a sociedade israelita e seu caráter igualitário, um conceito a ser interpretado com mais detalhes posteriormente.

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Uma interpretação adicional dos vestígios da casa de quatro divisões inclui a identificação de estruturas públicas ou monumentais. Tanto Killebrew quanto Faust atestam a ausência de tais estruturas, enquanto Dever sugere que o plano da casa de quatro divisões foi adotado para as estruturas públicas de vários tipos. Mais uma vez, a questão da interpretação vem à tona. Quem está a ignorar ou omitir evidências, e quem está certo? A opinião dominante nas fontes secundárias sugere maior legitimidade para a falta de estruturas públicas, mas a mera existência de uma teoria alternativa merece reconhecimento e consideração. Sem acesso aos relatórios originais da escavação e de uma perspectiva totalmente externa, a verdade pode não ser alcançável. Aqui reside o dilema sempre presente da arqueologia e da academia; tudo o que é possível determinar são teorias, nunca fatos.

No entanto, é possível determinar a cronologia da estrutura. Aparecendo pela primeira vez nas terras altas centrais no final do século XIII - início do século XII a.C., a casa de quatro divisões desenvolveu-se em resposta às necessidades ambientais e socioeconómicas. Embora originalmente adotada pelas suas qualidades funcionais, o projeto da casa de quatro divisões não se "cristalizou", ou se tornou mais uniforme, até o final do século XII - início do século XI a.C. (Killebrew, Biblical Peoples, pág. 82). Ann E. Killebrew sugere que esta cristalização representa algo além da seleção devido à funcionalidade. Em vez disso, o desenvolvimento de uma casa de quatro divisões uniforme sugere que os habitantes escolheram o projeto como resultado do comportamento étnico. Este conceito de comportamento étnico ou identidade de grupo influenciando as ações de um grupo não se limita à casa de quatro divisões nas terras altas centrais. Na verdade, Peter J. Burke e Jan E. Stets enfatizam a importância da identidade de um grupo e “como as suas identidades influenciam o seu comportamento, pensamentos e sentimentos ou emoções” (Burke & Stets, pág. 3). Simplificando, a seleção da casa de quatro divisões como estrutura habitacional uniforme não foi um acidente e não se limitou a fins funcionais.

O uso da casa de quatro divisões foi o resultado de uma escolha consciente em nome do grupo, um grupo que se pode ter originado em Canaã ou surgido noutro lugar. De qualquer forma, a popularidade da casa de quatro divisões durante a Idade do Ferro representa uma escolha deliberada em nome de um grupo étnico distinto, refletindo o seu comportamento e necessidades étnicas. Faust demonstra a relação entre o projeto arquitetónico e a identidade do grupo, onde afirma:

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As casas de quatro cômodos, pela própria uniformidade de seus projetos, pelo ethos igualitário refletido por elas e por sua posição dominante na sociedade discutida, eram usadas para reforçar os valores e a ideologia da comunidade e para fortalecer o senso de união da população.

O tipo de casa de quatro divisões certamente não era o único estilo funcional para o ambiente das terras altas e certamente não era o único disponível durante este período. A casa de quatro divisões servia a mais do que propósitos funcionais; servia também a propósitos ideológicos e sociais. Em termos simples, mais uma vez, a seleção e o uso da casa de quatro divisões ocorreram devido a uma decisão coletiva tomada pelo grupo em resposta ao seu comportamento étnico.

Reconstructed Israelite House
Reconstrução de Casa Israelita Talmoryair (Public Domain)

Influência Socioeconómica

Em posição contrária de estudiosos como Shlomo Bunimovitz, Dever, Faust e Killebrew, Finkelstein é um forte defensor do aparecimento da casa de quatro divisões como resultado de condições socioeconómicas. Tal não quer dizer que os estudiosos supra mencionados desconsiderem completamente esta teoria, mas argumentam que a uniformidade e a sobrevivência da estrutura por mais de seiscentos anos sugerem algo mais complicado. Embora eu concorde com o argumento, a interpretação das condições socioeconómicas ainda requer atenção para se obter uma melhor compreensão do contexto de desenvolvimento da casa de quatro divisões.

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Se aceitarmos a teoria de que a casa de quatro divisões se desenvolveu originalmente em resposta às condições socioeconómicas e também aceitarmos a teoria de que os habitantes das terras altas centrais eram principalmente agricultores e pastores de subsistência, então, seria útil um exame das condições ambientais para interpretar a evolução das casas de quatro divisões. Infelizmente, “não podemos pintar um panorama verdadeiramente realista da área na Idade do Bronze e do Ferro, porque os arqueólogos raramente registraram evidências úteis para reconstruir o ambiente antigo” (Stager, pág. 4). Stager cria um quadro sombrio, mas continua a teorizar que o solo das terras altas centrais provavelmente assemelhava-se à terra rosa, o solo mais comum no mundo mediterrâneo. Este solo é descrito como raso, mas fértil, e a produção agrícola começou já em 1200 a.C. com o aparecimento de terraços, sugerindo, portanto, que as terras altas centrais eram ideais para o cultivo e a habitação, o que é facilmente comprovado pelo exame do número de povoamentos durante a Idade do Ferro.

Como já investigamos a estrutura deste tipo de casa, a disposição da habitação pode ser facilmente interpretado como prático para a vida agrícola. Na verdade, assim como Finkelstein, Stager sugere que foi a adaptação bem-sucedida da casa de quatro divisões à vida agrícola que foi a primeira e mais importante característica da construção, um conceito que também é apoiado por Bloch-Smith, sugerindo que a estrutura da casa de quatro divisões "favorece a função em vez de uma lógica étnica"(Bloch-Smith, pág. 44). É claro que a casa de quatro divisões é interpretada como ideal para a vida agrícola, e com razão. Mas para Stager, Bloch-Smith e Finkelstein, desconsiderarem um significado mais profundo parece nada menos que problemático.

Finkelstein e Neil Asher Silberman argumentam com razão sobre a dificuldade de distinguir entre "expressões de estatos e manifestações de etnia", perguntando como um indivíduo pode determinar o que é uma escolha estilística e o que é um marcador étnico (Finkelstein, pág. 203). Este tipo de questão já foi abordado anteriormente com o problema da interpretação e da colocação entre parênteses da visão do mundo de cada um. Francamente, além dos textos bíblicos, que foram escritos e compilados muito mais tarde por uma "comunidade judaica restaurada" em resposta à perturbação e dispersão de ambas as comunidades e tradições, (Gottwald, pág. 38) há uma completa falta de material escrito sobre as terras altas durante a Idade do Ferro. Finkelstein também enfatiza a falta de cemitérios e objetos funerários, fontes tipicamente significativas para determinar práticas cultuais e religiosas, além de templos, santuários e altares, todos igualmente inexistentes. Sem tais evidências, a tradição cerâmica, a tradição arquitetónica e os hábitos alimentares são tudo o que resta para a investigação, tornando a interpretação da identidade de um grupo muito mais complicada.

Discordando de Dever, que sugere que a casa de quatro divisões dos "israelitas" foi adotada das planícies, Finkelstein argumenta que a única casa da Idade do Bronze que pode ser identificada como um protótipo desta casa é encontrada em Tel Batash. É certo que isto contradiz a teoria de Dever, mas, em seguida, descarta de imediato a ligação entre a casa de quatro divisões e um grupo étnico, argumentando que a adaptação de tal estrutura se deve simplesmente à “condição socioeconómica dos seus habitantes e à necessidade de se adaptarem ao ambiente montanhoso” (Finkelstein, pág. 201). Este argumento teria mais peso se fossem fornecidas porvas ou discussões adicionais para apoiar a afirmação preconceituosa; no entanto, da forma como está, Finkelstein apresenta-se como um estudioso com visão limitada. Dito isto, Finkelstein não está totalmente errado na sua teoria; simplesmente está focando no argumento de forma muito restrita. Bunimovitz, Dever, Faust e Killebrew apoiam a origem socioeconómica do tipo de casa de quatro divisões; isto nunca é contestado. No entanto, argumentar que o tipo estrutural que sobreviveu por tantos séculos serviu apenas a uma função socioeconómica e mais nenhuma outra é certamente ilógico.

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Simplesmente, argumentar que a casa de quatro divisões não tinha significado maior do que fins utilitários e agrícolas é negligente. A maneira como estudiosos como Finkelstein abordam o conceito de interpretar a etnia por meio dos registros arqueológicos é claramente predeterminada, como se não tivesse sido feita nenhuma tentativa de investigar o conceito. Na verdade, há uma pergunta simples que Bunimovitz e Faust abordam que pode ser muito útil para pessoas como Finkelstein: se a casa de quatro divisões era tão adequada para a vida campreste ou agrícula de subsistência, porque é que foi descontinuada após a destruição do Primeiro Templo e os períodos neobabilônico e persa? Não há evidências de mudanças significativas nos padrões de subsistência após o século VI a.C., então este tipo de casa poderia representar a “casa israelita”, como sugerido por Dever, talvez descontinuada após o exílio babilónico, além das outras reformas da época? Neste momento, não há evidências suficientes para confirmar ou refutar a teoria, mas certamente é uma questão que deve ser abordada pelos estudiosos que interpretam as casas de quatro divisões.

A casa de quatro divisões não deve ser completamente desconsiderada como um possível marcador étnico. Na verdade, Emberling sugere que uma estrutura familiar tem a capacidade de ser "metodologicamente valiosa devido à sua relação próxima e significativa com a vida quotidiana" (Emberling, pág. 325). Carol Meyers argumenta que a casa representava o "locus mais importante da produção económica e da interação social nas sociedades tradicionais" (Meyers, pág. 427) e até mesmo Stager afirma que a "casa (família)" estava no centro das esferas sociais cada vez mais amplas (Stager, pág. 22). É certo que este último se referia à família ou aos indivíduos dentro da estrutura habitacional, mas o princípio permanece o mesmo: a casa era e pode ser entendida como socialmente significativa.

Através desta perspetiva, é totalmente prático interpretar a casa de quatro divisões como um marcador étnico, devido à sua relação direta com a vida quotidiana dos membros de um grupo étnico. Isto é defendido através da compreensão de que a casa de quatro divisões servia como uma representação física de uma identidade comunitária ou étnica que era expressa através de símbolos mutuamente compreendidos dentro do grupo. A casa de quatro divisões foi a criação de um ambiente construído, não ocorreu por acaso e deve ser entendida como uma resposta às divisões sociais, bem como ambientais ou económicas. É verdade que Finkelstein e Stern não argumentam contra a teoria de que as casas de quatro divisões devem ser entendidas como resultado de circunstâncias sociais, mas também não argumentam a favor dela. Na verdade, parecem ignorar completamente vários fatores sociais, como se nenhum deles fosse fator na formação de uma identidade étnica.

Como mencionado anteriormente, MacKay apresenta a psicologia, os relacionamentos, a família, a comunidade, a nação, etc. como fatores influentes para a identificação da etnia. Proponho adaptar a lista para incluir divisões sociais mais específicas, como género, geração e posição social, conforme sugerido por Bunimovitz e Faust, bem como religião ou culto. Todos os fatores aqui enumerados têm a capacidade de influenciar o desenvolvimento das estruturas domésticas e da sociedade em geral, como sugerido por Finkelstein e Stager; no entanto, estes fatores também são capazes de influenciar a compreensão e a identificação de um grupo sobre si mesmo. Por outras palavras, o que estudiosos como Finkelstein e Stager parecem não compreender, ou ignorar, é a importância da influência que as divisões sociais podem ter sobre a arquitetura doméstica.

Conceitos como género, geração, posição social e religião são facilmente interpretados como fatores influentes no desenvolvimento de um grupo social, mas também podem ser entendidos como influentes na criação da identidade do grupo. Então, porque é que é tão irracional supor que a identidade coletiva de um grupo se refletiria nas tradições arquitetónicas, especialmente aquelas que perduraram por um período tão longo num estado cristalizado ou uniforme? É certo que as influências ambientais e económicas devem ser consideradas ao interpretar as tradições arquitetônicas, mas não são os únicos recursos disponíveis nem devem ser os únicos a serem considerados.

Funções Igualitárias e de Pureza

Ao descrever a estrutura e a possível função da casa de quatro divisões, parece ser expressa uma comunidade igualitária semelhante à sociedade dentro da tradição bíblica. Como este tema surge em várias fontes académicas, merece atenção especial e, portanto, vamos examiná-lo mais de perto aqui, além das questões de pureza. Além das evidências que sugerem que as comunidades compostas por casas de quatro divisões eram autossuficientes, a disposição da casa diz-nos muito mais. Sim, as comunidades parecem ter sido autossuficientes, mas também parecem ter demonstrado valores igualitários ou comunitários, bem como valores de pureza.

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Começando pelos valores igualitários, este conceito é expresso através da forma "árvore" da planta, tal como descrito por Bunimovitz e Faust. Esta planta permite o acesso imediato a partir do pátio central a qualquer divisão da casa, um conceito em contraste direto com as casas contemporâneas no norte de Israel, tais como Tell Keisan, Tel Qiri e Tel Hadar. Nestas casas contemporâneas, as plantas exigem que o morador entre em cada divisão numa sequência específica, sugerindo uma natureza hierárquica. Isto é relativamente ausente nas casas de quatro divisões das terras altas centrais, com exceção da subdivisão de divisões entre a população rural e a elite. Mesmo assim, isso é limitado devido à falta de profundidade da casa e à simplicidade da configuração.

Então, a falta de profundidade ou hierarquia de acesso pode realmente representar uma sociedade igualitária? Determinar a solução para tal questão é problemático, mas as evidências assim o sugerem. Nesta situação, o texto bíblico pode ser benéfico, embora seja importante utilizá-lo com cautela. O texto bíblico serve como um excelente recurso no que diz respeito à vida social da antiga população judaica, ou judaica, mas deve ser entendido como as memórias e interpretações de eventos "históricos" e identidade de grupo através dos olhos de uma geração que existiu muito depois dos eventos em questão. Assim, a natureza igualitária dos antigos israelitas, conforme expressa pelos autores posteriores, pode representar um mito legitimador ou, pior ainda, uma história fabricada.

Voltando aos vestígios arqueológicos, talvez a casa de quatro divisões não represente a natureza igualitária descrita no texto bíblico. Na verdade, a variação no tamanho das casas apoia a teoria, sugerindo a existência de famílias pobres e ricas; no entanto, de uma forma um tanto complicada, o texto bíblico apoia a construção do valor igualitário da casa de quatro divisões. Se o texto bíblico for entendido como representando uma interpretação posterior ou uma mitologia "legitimadora" da identidade israelita, então a aparente qualidade igualitária encontrada na casa de quatro divisões também pode ser interpretada como uma forma simbólica da identidade israelita. Essencialmente, tanto o texto bíblico quanto a casa de quatro divisões representam um esforço consciente da comunidade para expressar uma qualidade específica. O fato de que foi feito um esforço sugere que esta qualidade em questão era importante para a comunidade e atestada por aqueles fora dela, possivelmente demonstrada pela aparência de casas de tamanhos variados. Isto é, havia uma razão por trás da necessidade de expressar o conceito de identidade de maneira tão pública ou visível.

Além da associação com sociedades igualitárias, as preocupações com a pureza também estão associadas aos textos bíblicos, à identidade judaica posterior e ao plano “em forma de árvore” da casa de quatro divisões. Em termos da disposição da casa de quatro divisões, acredita-se que as preocupações e os valores de pureza sejam demonstrados pela capacidade de um morador entrar em qualquer divisão diretamente do pátio central. Este conceito de acessibilidade demonstrado através da disposição lembra ao observador as leis bíblicas de pureza expressas em Levítico 12, nas quais as mulheres menstruadas são consideradas "impuras". Embora não sejam obrigadas a sair de casa, é razoável supor que se esperava que ficassem em quartos separados para não tornar os outros habitantes da casa igualmente impuros.

Através da análise da planta da habitação, a privacidade é considerada importante de acordo com o "movimento" que ocorria dentro da casa. Se não fosse pela privacidade, então a regulação do contato provavelmente estava implícita, conforme refletido na natureza da própria casa. Conforme expresso anteriormente através de uma análise da natureza igualitária da casa de quatro divisões, fica claro que os habitantes tinham acesso a qualquer um das divisões adjacentes diretamente da sala central ou do pátio. Se as leis de pureza expressas no texto bíblico devem ser interpretadas como factuais, então a disposição da moradia deve tê-o refletido; e assim a natureza do texto bíblico é questionada mais uma vez. Os antigos israelitas estavam realmente preocupados com as leis de pureza ou isso foi resultado da história deuteronómica tentando enfatizar temas específicos, como o êxodo e a aliança? Ou o texto bíblico era uma reminiscência da tradição arquitetónica em que a identidade étnica era expressa por meio de acomodações materiais feitas em resposta às regulamentações de pureza estabelecidas? Supondo que a última hipótese esteja correta, então as leis de pureza expressas no texto bíblico não são totalmente inventadas. Isto não significa que a narrativa que acompanha as leis seja inteiramente factual, mas talvez as origens dessas leis possam estar associadas aos indivíduos que habitavam as casas de quatro divisões. Se for esse o caso, então as leis de pureza que existem na forma final da Bíblia Hebraica representam uma memória distorcida originária da Idade do Ferro. Talvez as fontes anteriores utilizadas pelos autores bíblicos incluíssem tradições arquitetónicas, além de fontes escritas desconhecidas. Isto parece totalmente plausível, uma vez que a arquitetura já foi estabelecida como uma forma de comunicação e uma expressão ou resultado da identidade grupal e do comportamento étnico. Infelizmente, como costuma acontecer nos estudos bíblicos, este argumento é totalmente conjectural. Simplesmente não possuímos indícios diretas suficientes para provar ou refutar a legitimidade histórica de toda a Bíblia Hebraica, nem possuímos evidências suficientes para determinar se a casa de quatro divisões demonstrava ou não uma sociedade igualitária preocupada com as leis de pureza.

Estilo Egípcio e Militante?

Até agora, examinámos a estrutura e as características socioeconómicas da casa de quatro divisões, mas ainda não foi devidamente abordada uma análise das origens deste tipo de habitação. Tanto Michael M. Homan como Manfred Bietak apresentaram hipóteses interessantes que sugerem uma origem egípcia e militar. Mais especificamente, Homan e Bietak entendem que a origem é numa tenda. Pode-se imaginar imediatamente o Tabernáculo, e esta é certamente uma semelhança que Homan aborda, associando-o à tenda e ao acampamento militar de Ramsés II e à batalha de Qedesh durante o século XIII a.C.. Na verdade, a semelhança entre os dois é notavelmente forte, apoiando a teoria de que os autores bíblicos foram inspirados por fontes não israelitas; embora seja provável que os autores bíblicos tenham recolhido o conhecimento através de fontes israelitas anteriores, em vez de diretamente dos egípcios.

Homan descreve o acampamento militar de Ramsés como possuindo uma escala de 2:1, com uma entrada no meio da parede curta, orientada para o leste. Localizada diretamente no meio do acampamento, havia uma longa tenda, com proporções de 3:1, e uma tenda de recepção de 2:1 no interior. As proporções e a orientação do acampamento militar são demonstradas por Homan como diretamente correlacionadas com as do Tabernáculo, conforme descrito no relato bíblico do autor P, a fonte sacerdotal. Homan sugere que os paralelos entre o acampamento militar egípcio e o Tabernáculo fortalecem “o papel de Yahweh como um deus guerreiro” (Homan, pág. 114). Agora, determinar se esta afirmação de Yahweh como um deus guerreiro é verdadeira ou imprecisa está fora do foco deste artigo; no entanto, a sugestão de que os antigos israelitas se inspiraram nos modelos estilísticos e militantes egípcios sugere uma teoria interessante sobre as origens. Claramente, a descrição do Tabernáculo não se desenvolveu no vácuo. É claro que é possível que as semelhanças entre o Tabernáculo e o acampamento militar de Ramsés sejam mera coincidência, mas Homan fornece outros exemplos do mundo antigo que sugerem paralelos semelhantes para refutar esta hipótese, incluindo: santuários beduínos e pré-islâmicos em tendas, mitologia ugarítica e hitita, santuários portáteis da Fenícia e Cartago e mesopotâmicos.

Para explicar as semelhanças marcantes entre o Tabernáculo e o acampamento militar egípcio, Homan sugere que o autor bíblico responsável por descrever o Tabernáculo, ou seja, o autor P, utilizou os registros históricos que tinha à disposição. Tais registros podem ter descrito pictórica ou verbalmente um santuário israelita anterior em forma de tenda, mas a metodologia é muito semelhante à que encontramos ao longo deste artigo. Os textos bíblicos parecem ser o resultado de uma tentativa de autoatribuição e autoidentificação. Como uma construção pós-exílica, o autor do texto teria lutado com a construção da identidade e a representação de uma herança comum ou identidade étnica. Como Gottwald descreve, os membros de uma população “autodefinida” muitas vezes associam significados à sua etnia reivindicada. Como tal, é provável que as semelhanças compartilhadas entre o Tabernáculo e o estilo do acampamento militar egípcio ilustrem esta prática de autoatribuição, ao mesmo tempo em que servem como um exemplo adicional em comparação com a autoatribuição produzida através do desenvolvimento da casa de quatro divisões.

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Devemos observar, no entanto, que a influência egípcia sobre o estilo arquitetónico israelita não se limitou ao tabernáculo. Na verdade, Bietak argumenta que foram descobertas evidências de uma casa de quatro divisões em Medinet Habu, ao lado do templo mortuário de Ramsés III. Esta estrutura foi identificada como uma cabana de trabalhadores, em conformidade com a típica configuração da casa de quatro divisões. Os trabalhadores teriam habitado tais estruturas após a morte de Ramsés III, aproximadamente em 1153 a.C., quando receberam a ordem de demolir o templo de Ramsés III. Isto coloca a cabana dos trabalhadores como contemporânea direta da casa de quatro divisões localizada em Canaã, proeminente entre 1200 e 568 a.C., de acordo com Bietak. Como a cabana corresponde à disposição da casa de quatro divisões, parece provável que os habitantes da cabana dos trabalhadores em Medinet Habu fossem israelitas e, se não fossem israelitas, então deviam ser "proto-israelitas".

Se os habitantes das cabanas dos trabalhadores eram ou não israelitas é uma questão demasiado abrangente para os parâmetros deste artigo. No entanto, a existência de uma casa de quatro quartos contemporânea muito longe das terras altas centrais é extremamente importante. Como sugerem evidências como as semelhanças entre o Tabernáculo e o acampamento militar egípcio, a tradição arquitetónica israelita pode ter sido o produto de influências externas, talvez sem conhecimento ou inconscientemente. Supondo que o tipo de casa de quatro divisões tenha sido influenciado por uma tradição egípcia, ou que a casa de quatro divisões fosse uma tradição “israelita” posteriormente transferida para o Egito, o significado atribuído à estrutura, expresso através da disposição e da popularidade, é palpável. Quer a casa de quatro divisões se tenha originado no Egito ou em Canaã, os paralelos entre as duas localizações geográficas sugerem uma expressão étnica portátil através do uso da arquitetura que não pode ser ignorada.

Conclusão

Ao longo deste artigo, a identidade étnica dos habitantes que utilizavam casas de quatro divisões nas terras altas centrais foi descrita como maleável e autoatribuída. Através de uma análise da estrutura, função e possíveis teorias de origem e influência, o uso da arquitetura foi demonstrado como um exemplo de comunicação não verbal que buscava articular a identidade coletiva do grupo. Através de um exame cruzado dos vestígios arqueológicos e do texto bíblico, observou-se um esforço consciente de autoatribuição por parte do grupo, tentando expressar qualidades particulares, como pureza e igualitarismo, através de uma tradição arquitetónica. Estas qualidades não foram expressas apenas através da casa de quatro divisões, mas também através da uniformidade com que foram descobertas, o que sugere um "princípio taxonómico" específico de um determinado grupo étnico. Essencialmente, isto significa que, ao viverem neste estilo específico de casa, os ocupantes estavam constantemente conscienlizados de princípios como pureza e igualitarismo, ao mesmo tempo que demonstravam um forte senso de "nós" ou homogeneidade, em contraste com o "outro". Em conclusão, proponho simplesmente o seguinte: a casa de quatro divisões representava um esforço consciente da comunidade que a desenvolveu e utilizou para expressar visualmente a compreensão da sua identidade étnica. Fatores como pureza e valores igualitários podem ter sido demonstrados através do uso de planos não hierárquicos e um nível específico de privacidade; fatores que o grupo considerava importantes para a própria identidade e essenciais para o comportamento étnico. Talvez o mais importante seja que, com a cristalização do tipo de casa de quatro divisões, foi alcançado um senso de uniformidade, produzindo com sucesso um meio proeminente de autoexpressão.

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Bibliografia

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Dana Murray
Estudante de doutoramento com interesse em arte, arquitetura e religião da Grécia Antiga e do Próximo Oriente.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Murray, D. (2025, dezembro 03). Etnicidade e Identidade Dentro da Casa de Quatro Divisões. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-728/etnicidade-e-identidade-dentro-da-casa-de-quatro-d/

Estilo Chicago

Murray, Dana. "Etnicidade e Identidade Dentro da Casa de Quatro Divisões." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, dezembro 03, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-728/etnicidade-e-identidade-dentro-da-casa-de-quatro-d/.

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Murray, Dana. "Etnicidade e Identidade Dentro da Casa de Quatro Divisões." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 03 dez 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-728/etnicidade-e-identidade-dentro-da-casa-de-quatro-d/.

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