Como as Nações Unidas Nasceram da Segunda Guerra Mundial

Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Os Aliados reuniram-se em várias conferências, entre 1941 e 1945, para discutir como garantir um mundo mais pacífico e cooperativo após a conclusão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Para promover a cooperação global, facilitar o comércio livre e prestar ajuda a países devastados pela guerra e em vias de desenvolvimento, foram formadas as Nações Unidas, juntamente com outros novos organismos internacionais, tais como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e o Tribunal Internacional de Justiça. Esperava-se que este terrível conflito global tivesse, pelo menos, conduzido a uma solução para uma paz duradoura.

UN Headquarters, New York
Sede das Nações Unidas, Nova Iorque Neptuul (CC BY-SA)

O Caminho para a Cooperação Internacional

O primeiro organismo político verdadeiramente global foi a Sociedade das Nações, nascida do Tratado de Versalhes, que tinha terminado formalmente a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Num projeto impulsionado pelo Presidente dos EUA, Woodrow Wilson (1856-1924), a Sociedade foi fundada em janeiro de 1920 para promover a paz e o bem-estar mundial. Forneceu um fórum, na sua sede em Genebra, onde 44 países prometeram resolver disputas internacionais pacificamente. Qualquer Estado que atacasse outro seria sujeito à ação coletiva de todos os outros membros, primeiro sob a forma de sanções económicas e, se necessário, de ação militar. Esta ideia era conhecida como "segurança coletiva". Outros objetivos incluíam a promoção da cooperação internacional em questões económicas e sociais, particularmente nos campos da saúde e das comunicações.

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Ao contrário do que aconteceu com a Sociedade das Nações, o Senado dos Estados Unidos ratificou a Carta das Nações Unidas.

Infelizmente, a Sociedade das Nações sofria de várias fraquezas inerentes. Talvez a mais significativa tenha sido a ausência dos Estados Unidos, uma decisão tomada porque os isolacionistas dominavam a política norte-americana do pós-guerra. A Sociedade também não conseguiu responder adequadamente a vários desafios diretos, nomeadamente a ocupação da Manchúria, na China, pelo Japão, em 1931, e a invasão da Abissínia (atual Etiópia) pela Itália, em 1935. A consequência das fraquezas da Sociedade foi que os membros individuais começaram a concentrar-se não na segurança coletiva, mas na realização dos seus próprios tratados e no uso da força militar para alcançar objetivos de política externa. Por volta de 1939, a Sociedade tinha sido marginalizada no que toca aos assuntos mundiais, mas a ideia essencial seria reavivada, mesmo enquanto o mundo estava totalmente ocupado com o maior conflito alguma vez vivido.

League of Nations Cartoon
Caricatura da Sociedade das Nações Leonard Raven-Hill (Public Domain)

Como Garantir a Paz?

A visão comum entre os Aliados (nomeadamente os EUA, a Grã-Bretanha, a França e a URSS) durante a Segunda Guerra Mundial era que o comércio livre, a ausência de tarifas e a estabilidade económica e política tornavam a paz muito mais provável do que a guerra entre Estados. Os países não tinham cooperado em questões de finanças e economia durante a década de 1930, e sentia-se amplamente que essa tinha sido uma das causas da Segunda Guerra Mundial.

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Roosevelt e Churchill persuadiram Estaline a juntar-se a uma futura organização internacional destinada a perpetuar a paz mundial.

O Presidente Franklin D. Roosevelt (1882-1945) tinha sido, durante muito tempo, um defensor da ideia de que a Sociedade das Nações deveria ter uma organização internacional sucessora que pudesse promover a paz mundial após a conclusão da Segunda Guerra Mundial. Esta organização chamar-se-ia Nações Unidas (ONU). Roosevelt já tinha feito alguns avanços nesse sentido quando assinou a Carta do Atlântico com o Primeiro-Ministro britânico Winston Churchill (1874-1965) a 14 de agosto de 1941. Esta carta estabelecia que todos os povos — vencedores ou vencidos na guerra — "tinham direito à autodeterminação e a uma parte justa dos recursos mundiais" (Boatner, pág. 647), isto é, acesso a recursos naturais e redes comerciais.

Seguiu-se a Declaração das Nações Unidas de 1 de janeiro de 1942, feita conjuntamente por Roosevelt e Churchill. A declaração incluiu a primeira utilização oficial do termo "Nações Unidas" para se referir a uma organização internacional de cooperação. A declaração foi assinada pelos EUA, Reino Unido, URSS e China, bem como por outros 22 Estados numa data posterior. A isto seguiu-se a Declaração das Quatro Potências, assinada em Moscovo a 30 de outubro de 1943, novamente pelos EUA, Reino Unido, URSS e China, que reiterou a promessa de que uma organização internacional de paz e cooperação seria criada assim que a guerra terminasse. Este sentimento foi reforçado na Conferência de Teerão, de novembro-dezembro de 1943, onde Roosevelt, Estaline e Churchill se reuniram.

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Roosevelt & Churchill, Casablanca Conference
Roosevelt e Churchill, Conferência de Casablanca Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

A Conferência de Bretton Woods

A Conferência de Bretton Woods realizou-se em Bretton Woods, no estado norte-americano de New Hampshire, entre 1 e 22 de julho de 1944, igualmente conhecida como Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas. As decisões tomadas pelos delegados de 44 Estados tiveram um impacto duradouro. Os dois homens mais responsáveis pela reunião foram John Maynard Keynes (1883-1946), o economista e consultor governamental britânico, e Harry Dexter White (1892-1948), então secretário-adjunto do Tesouro dos EUA.

Em Bretton Woods, a ideia da ONU deu mais um passo significativo para se tornar realidade quando se decidiu criar o Fundo Monetário Internacional (FMI). O FMI iniciou as suas operações em dezembro de 1945 e contava com 22 países participantes. O FMI foi concebido para atuar como um banco central e ajudar certos Estados a corrigir desequilíbrios de pagamentos internacionais, o que se esperava que estabilizasse as taxas de câmbio internacionais e impedisse a utilização de barreiras comerciais, tais como tarifas.

Paralelamente ao FMI, os delegados de Bretton Woods criaram também o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), que mais tarde viria a ser conhecido simplesmente como Banco Mundial. O BIRD recebeu 10 mil milhões de dólares como capital para iniciar o seu trabalho de ajuda à reconstrução dos países após a destruição e perturbação da Segunda Guerra Mundial. O BIRD destinava-se também a ser uma fonte de ajuda para os países em vias de desenvolvimento.

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Nem todos os Estados concordaram com as decisões tomadas em Bretton Woods. A URSS, o Haiti, a Libéria e a Nova Zelândia declararam que não estariam sujeitos às decisões tomadas na conferência.

Churchill, Roosevelt, & Stalin in Yalta, 1945
Churchill, Roosevelt e Estaline em Ialta, 1945 Imperial War Musuems (CC BY-NC-SA)

A Conferência de Dumbarton Oaks

A Conferência de Bretton Woods foi seguida pela Conferência de Dumbarton Oaks, realizada na Universidade de Harvard, reunindo delegados de 39 Estados, primeiro de 21 de agosto a 28 de setembro de 1944 e, depois, após a substituição da delegação da URSS por uma da China, numa segunda fase que decorreu de 29 de setembro a 7 de outubro. A conferência estabeleceu em detalhe (12 capítulos de texto) a forma como as Nações Unidas seriam geridas. A organização tomaria decisões através de uma combinação entre o Conselho de Segurança (com poderes executivos) e a Assembleia Geral de todos os Estados-membros. Foi também decidido estabelecer um Tribunal Internacional de Justiça.

A promessa de que a URSS participaria numa futura organização das Nações Unidas foi assegurada na Conferência de Ialta, de 4 a 11 de fevereiro de 1945, quando Roosevelt, Churchill e Estaline se reuniram mais uma vez. Um relutante Estaline foi também persuadido a permitir que a França tivesse um lugar permanente no executivo da ONU, o Conselho de Segurança. Uma organização genuinamente internacional, que incluía os atores mais poderosos do mundo, parecia agora uma possibilidade realista. No entanto, ainda havia muitos céticos; muitos diplomatas e políticos mais cínicos continuavam convencidos de que os Estados poderosos não renunciariam a parte da sua soberania em favor da ONU, e que a política mundial continuaria, como sempre fora, a ser impulsionada pelos interesses próprios de certos países influentes. O tempo diria se esta visão era demasiado pessimista ou não.

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Signing the UN Charter
A Assinatura da Carta das Nações Unidas United Nations (CC BY-NC-ND)

A Formação das Nações Unidas

A Organização das Nações Unidas (ONU) tornou-se finalmente uma realidade na Conferência de São Francisco, mais formalmente conhecida como a Conferência das Nações Unidas, que decorreu de 25 de abril a 26 de junho de 1945. O Presidente Roosevelt tinha falecido a 12 de abril e havia dúvidas sobre se a conferência seguiria em frente. O vice-presidente de Roosevelt, Harry S. Truman (1884-1972), tornou-se o novo presidente. Truman deu luz verde para a realização da conferência, explicando mais tarde: "Disse que era o que Roosevelt queria, e que tinha de acontecer se quiséssemos manter a paz. E essa foi a primeira decisão que tomei como Presidente dos Estados Unidos" (Moskin, 9). O discurso de Truman abriu a conferência e, nele, afirmou enfaticamente: "Já não podemos permitir que qualquer nação, ou grupo de nações, tente resolver os seus argumentos com bombas e baionetas" (Moskin, pág. 146).

Cinquenta países participaram em São Francisco e assinaram a Carta de Segurança das Nações Unidas a 26 de junho, que estabeleceu, de acordo com os princípios definidos na Conferência de Dumbarton Oaks, o Conselho de Segurança da ONU com os seus cinco membros permanentes: EUA, URSS, Reino Unido, China e França, cada um com direito de veto. Inicialmente, a URSS queria que o direito de veto incluísse a rejeição de sequer discutir uma questão, mas esta posição foi suavizada para um veto após o debate da questão pelo Conselho de Segurança. Seis outros membros juntar-se-iam ao conselho numa base rotativa. Os Estados mais pequenos não ficaram muito satisfeitos com o direito de veto dos "Cinco Grandes", mas sem ele, é altamente provável que nem os EUA nem a URSS tivessem aderido à ONU. Todos os signatários podiam enviar uma delegação de cinco pessoas para a Assembleia Geral, e todos os membros tinham direito a um voto.

Flag of the United Nations
Bandeira das Nações Unidas Wilfried Huss (Public Domain)

Ao contrário do que aconteceu com a Sociedade das Nações, o Senado dos Estados Unidos ratificou a Carta da ONU por 89 votos a favor e dois contra. Truman comentou que "A ação do Senado faz avançar substancialmente a causa da paz mundial" (Moskin, 234). Ainda havia algumas questões por resolver, sendo a mais significativa a inclusão da Argentina pró-fascista como membro, mas a exclusão da Polónia pró-comunista (embora esta viesse a assinar a carta quatro meses depois).

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As Nações Unidas entraram oficialmente em funcionamento a 24 de outubro de 1945, com a sua sede estabelecida em Nova Iorque. A primeira reunião da Assembleia Geral da ONU realizou-se a 10 de janeiro de 1946 e, duas semanas depois, foi tomada a sua primeira resolução: garantir o uso pacífico da energia atómica e a eliminação de armas atómicas. A 17 de janeiro, o Conselho de Segurança realizou a sua primeira reunião. A Sociedade das Nações foi formalmente extinta em abril desse ano, e os seus tratados e ativos foram transferidos para a ONU.

As Nações Unidas, hoje expandidas para 193 Estados-membros, continuam a funcionar como um organismo que promove os quatro objetivos definidos na sua carta: manter a paz e a segurança internacionais, desenvolver relações amistosas entre as nações, promover a cooperação para resolver problemas internacionais e respeitar os direitos humanos, e garantir que a ONU seja um ponto focal harmonizador entre todas as nações para atingir os seus objetivos. O dia 24 de outubro é celebrado mundialmente como o Dia das Nações Unidas.

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Cartwright, M. (2026, julho 10). Como as Nações Unidas Nasceram da Segunda Guerra Mundial. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2946/como-as-nacoes-unidas-nasceram-da-segunda-guerra-m/

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Cartwright, Mark. "Como as Nações Unidas Nasceram da Segunda Guerra Mundial." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 10, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2946/como-as-nacoes-unidas-nasceram-da-segunda-guerra-m/.

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Cartwright, Mark. "Como as Nações Unidas Nasceram da Segunda Guerra Mundial." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 10 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2946/como-as-nacoes-unidas-nasceram-da-segunda-guerra-m/.

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