O Filme "Os Sete Reis Devem Morrer" - Precisão Histórica

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Michael McComb
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
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"Os Sete Reis Devem Morrer" (2023) é um filme de drama histórico baseado no romance Warlord (“Chefe Miliar”; 2020), de Bernard Cornwell e é sequência da série de TV The Last Kingdom (“O Último Reino”; 2015-2022). O filme é dirigido por Edward Bazalgette e produzido pela Carnival Films, retrata os eventos que antecederam a “Batalha de Brunanburh” (937), na qual o Rei Æthelstan (Etelstano) da Inglaterra (reinado de 924 a 939) derrotou uma aliança de escoceses e vikings.

Uhtred of Bebbanburg in Seven Kings Must Die
Uhtred de Bebbanburg em Netflix (Copyright, fair use)

Contexto e O Último Reino

O protagonista do filme é o guerreiro e nobre fictício Uhtred de Bebbanburg (atual Bamburgh). Em "O Último Reino" (The Last Kingdom), Uhtred é capturado/adotado pelos vikings quando criança, aprendendo a amar seus costumes e fé pagã, apenas para mais tarde se ver relutantemente servindo a Alfredo, o Grande, Rei de Wessex e líder da resistência inglesa à conquista viking. Como comandante-chefe de Wessex, ele ajuda Alfredo e seus filhos a derrotar os vikings e reconquistar o sul da Inglaterra. A série termina com Uhtred finalmente recapturando sua fortaleza natal no norte, Bebbanburg, com a ajuda do filho de Alfredo, Eduardo, o Velho. No entanto, depois disso, ele declara Bebbanburg independente de Wessex, o que Eduardo vê como grande ato de traição. Isso faz com que “O Último Reino” termine com a Inglaterra dividida em três: o sul da Inglaterra sob o domínio de Wessex; York, liderada pelo chefe viking Rognaldr; e Bebbanburg, governada por Uhtred.

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O FILME CONSEGUE CAPTURAR BEM A INCERTEZA QUE SE SEGUIU À MORTE DE EDuaRDo.

Durante o reinado de Eduardo, Uhtred foi nomeado guardião do filho mais velho do rei, Æthelstan (Etelstano). Embora Uhtred e Æthelstan tivessem relação de pai e filho, isso muda em “Os Sete Reis Devem Morrer” (Seven Kings Must Die). Retornando ao sul para herdar o trono da Saxônia Ocidental de seu pai, suas ambições expansionistas o colocam em conflito com Uhtred, já que ambos reivindicam o norte da Inglaterra. Ao mesmo tempo, o crescente poder de Æthelstan irrita os vikings e seus vizinhos celtas, que se unem na Batalha de Brunanburh para impedir seu domínio sobre a Grã-Bretanha.

O filme tem sido frequentemente elogiado e criticado por sua precisão e imprecisões históricas. O quão fielmente o filme se manteve fiel aos eventos históricos reais e aos líderes desse período será discutido abaixo.

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Aviso: Alerta de spoiler! Se você ainda não assistiu ao filme, talvez não queira ler mais nada.

A Crise de Sucessão de 924

O filme "Sete Reis Devem Morrer" começa com a morte de Eduardo, o Velho, em 924, e a consequente crise de sucessão entre seu filho mais velho, Æthelstan, e seu segundo filho, Aelfweard.

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Havia diversas complicações em relação ao status dos dois irmãos. A mãe de Æthelstan, Ecgwynn (primeira esposa de Eduardo), era de posição social inferior, e a mãe de Aelfweard, Aelfflaed (segunda esposa de Eduardo), conferia ao segundo filho legitimidade que seu irmão mais velho não possuía. Æthelstan também cresceu na Mércia (as Midlands), longe dos poderosos da capital, Winchester (em Wessex), onde Aelfweard passou sua juventude e era o preferido. O filme retrata bem a incerteza que se seguiu à morte de Eduardo, o conflito entre seus filhos e a nuvem de legitimidade questionável que pairava sobre Æthelstan.

British Isles at the Beginning of the 10th Century
Ilhas Britânicas no Início do Século X Ikonact (CC BY-SA)

Ambos os irmãos são mostrados declarando-se o herdeiro legítimo, desembainhando a espada e reunindo exércitos. A crise é resolvida em Aylesbury, onde Aelfweard é sitiado pelo exército de Æthelstan. Convencido de que está em desvantagem numérica, Aelfweard se rende ao irmão, mas é imediatamente assassinado.

O plano de sucessão de Eduardo é desconhecido. Talvez ele pretendesse dividir seu reino entre seus filhos – Mércia para Æthelstan, Wessex para Aelfweard. De qualquer forma, historicamente, os dois irmãos reagiram à morte do pai assegurando suas respectivas bases de poder (na Mércia e em Wessex). Após algumas semanas de impasse, Aelfweard morreu em Oxford enquanto viajava para o norte para conversar com o irmão. Como observou o historiador Marc Morris, "Esta não foi a única vez em que a morte fez intervenção conveniente e oportuna durante uma disputa de sucessão anglo-saxônica" (260). Não se sabe se Æthelstan mandou matar o irmão. As fontes contemporâneas simplesmente mencionam a morte sem causa ou culpado. Æthelstan, no entanto, mais tarde desempenhou um papel na morte de um terceiro irmão, Edwin. E, portanto, não hesitava em agir impiedosamente contra membros da família.

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Rei Æthelstan

Æthelstan é apresentado em “O Último Reino” como um menino. Criado por Uhtred, ele se torna um jovem príncipe muito capaz e sensato, espadachim brilhante e amigo tanto de cristãos quanto de pagãos. Ele está destinado a ser o rei perfeito. No entanto, entre a série de TV e o filme, ele retorna à corte de seu pai e é fortemente influenciado por sacerdotes devotos da Saxônia Ocidental. Como Uhtred é informado, "Ele não é mais o menino despreocupado que criou. Ele se aprofundou muito em sua fé." Assim, no filme, ele é transformado em rei cruzado mal preparado: severo com os pagãos, austero, piedoso, arrogante e, em última análise, governante incompetente que promove bajuladores e trai seus verdadeiros amigos.

Aethelstan in Seven Kings Must Die
Æthelstan em Netflix (Copyright, fair use)

A falta de material de origem contemporâneo levou muitos estudiosos a lutarem para descobrir muito sobre a verdadeira personalidade de Æthelstan. Sarah Foot, autora de “Æthelstan: O Primeiro Rei da Inglaterra” (Æthelstan: The First King of England; 2011), concluiu que "Æthelstan, o homem, permanece elusivo" (3). Podemos, no entanto, extrair algumas informações sobre quem era “Æthelstan, o homem”, a partir de suas ações. Sabemos, por exemplo, que ele jurou honrar sempre São Osvaldo quando menino; ele era colecionador de livros e relíquias religiosas e fez doações generosas para igrejas em todo o seu reino. Portanto, podemos afirmar com certeza que Æthelstan era um homem devoto e piedoso, como demonstrado em “Os Sete Reis Devem Morrer”. Embora suas realizações fossem tais que ele deve ter sido um líder muito capaz e competente.

O principal conselheiro de Æthelstan no filme é Ingimundr, um nobre astuto, manipulador e inteligente de ascendência viking. Ele se estabeleceu em Runcorn (noroeste da Inglaterra), converteu-se ao cristianismo e tornou-se servo leal da coroa inglesa. Tal história não é tão inverossímil quanto possa parecer. Wessex havia conquistado grandes extensões de terras vikings no norte e leste da Inglaterra no início do século X. No entanto, ao se renderem à coroa e à religião inglesas, muitas das elites nórdicas sobreviventes permaneceram na Inglaterra, mantendo suas terras e estatuto. De fato, muitos desses condes vikings subjugados – com nomes escandinavos imponentes, como Guthrum, Grim Gunner e Fraena – são registrados na corte de Æthelstan. (Woodman 74).

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No filme, a origem da ascensão de Ingimundr é revelada como sendo seu relacionamento homossexual com o rei. A representação de Æthelstan como homossexual permanece fiel à sua descrição no romance Warlord, no qual o filme "Os Sete Reis Devem Morrer" é baseado. Seu autor, Bernard Cornwell, explica:

A história registra que ele [Æthelstan] nunca se casou, o que é incomum num rei devido ao desejo de deixar herdeiro, e também que ele gostava de enfeitar o cabelo com cachos dourados, e com base nessa pequena evidência, decidi que ele poderia ter sido homosexual. (Craig)

Certamente era raro um rei medieval não se casar. Seu dever era garantir que tivesse filhos para dar continuidade à linhagem familiar. No entanto, Æthelstan tinha dois irmãos mais novos – Edmundo e Edredo – que ainda eram bebês na época de sua ascensão ao trono. Se ele tivesse se casado e gerado filhos próprios, teria criado crise de sucessão entre seus (futuros) filhos e seus irmãos. Portanto, não se casar parece ter sido decisão política, e não pessoal. Ele pode ter morrido solteiro. Pode ter usado anéis no cabelo. Mas não há evidências de que ele fosse homossexual.

927: Aethelstan Invade a Nortúmbria

Em "Os Sete Reis Devem Morrer", pouco depois de herdar o sul da Inglaterra (Ânglia Oriental, Mércia e Wessex), Æthelstan volta seu olhar para o norte. A Nortúmbria (norte da Inglaterra) estava dividida entre Bebbanburgh, de Uhtred, e York, onde seu governante viking, Rognaldr, acabara de morrer.

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A morte de Rognaldr coloca Uhtred e Æthelstan em conflito. Ambos se consideram sucessores naturais do antigo Rei de York, mas Æthelstan age primeiro. Cruzando a fronteira entre Mércia e Nortúmbria, ele captura York e exige submissão e tributo de todos os reinos vizinhos: galeses, Bebbanburgh, Escócia, Strathclyde, Shetland, Órcadas e Mann.

Statue of King Aethelstan
Estátua do Rei Æthelstan Smabs Sputzer (CC BY)

O rei galês, Hywel, juntamente com Owain de Strathclyde e Constantino da Escócia, cederam às suas exigências – os demais recusaram. O filho de Hywel é feito refém para garantir sua lealdade, monumentos antigos sagrados para o povo de Owain são derrubados e impostos são cobrados de Constantino. Como Uhtred observa, "Ele [Æthelstan] tenta humilhar homens poderosos". Chocado com a conduta do rei, Uhtred se recusa a jurar lealdade, pelo que é deposto de Bebbanburg e exilado do novo reino inglês.

Grande parte disto está correto. A conquista de York por Æthelstan em 927 precedeu exigência de submissão dos outros reis da Grã-Bretanha. De fato, mais tarde naquele ano, os governantes da Escócia, Strathclyde, País de Gales e Bebbanburg reconheceram Æthelstan como seu suserano – tradicionalmente visto como o estabelecimento do Reino da Inglaterra. De fato, seu domínio impôs duras obrigações aos seus novos súditos, como explica Michael Wood: "Afinal, o amplo império de Æthelstan sobre os escoceses e galeses era mantido unido pela coerção: pagamento de tributo; reféns; comparecimento à corte do rei" (22).

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Onde o filme se distancia da realidade histórica é na recusa de Uhtred em se submeter a Æthelstan. Em 927, o verdadeiro Senhor de Bebbanburg, Ealdred (reinado de 913 a 933), jurou lealdade a Æthelstan. Ele e os seus sucessores geralmente acolheriam bem o poder dos saxões ocidentais no norte, como forma de contrabalançar o domínio viking sobre a região.

A Preparação para Brunanburh

O nome do filme vem dos sonhos de uma dama da casa de Uhtred. Ela ouve uma profecia de que "sete reis devem morrer" – uma visão da ruína e da destruição que Brunanburh trará.

Somos apresentados a esses "sete reis" um a um, cada um com uma legenda na tela listando seu título.

  1. Constantino, Rei da Escócia
  2. Æthelstan, Rei da Inglaterra
  3. Owain, Rei de Strathclyde
  4. Hywel, Rei de Gales
  5. Sem nome, Rei das Órcadas
  6. Sem nome, Rei (da ilha) de Mann
  7. Sem nome, Rei das Shetland

É claro que nem todos morrem, mas todos lutam em Brunanburh.

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O arquiteto por trás da preparação para Brunanburh no filme é Anlaf. Um poderoso saqueador viking de Dublin, ele reúne uma aliança anti-Æthelstan composta por Dublin, Escócia, Strathclyde, Órcadas, Mann e Shetland, que luta contra os ingleses e galeses em Brunanburh. À medida que Æthelstan se torna mais poderoso e agressivo, conquistando York e exigindo homenagem dos outros reis da Grã-Bretanha, Anlaf consegue persuadir esses reis marítimos menores das ilhas vikings (Órcadas, Mann e Shetland) e os mais poderosos Constantino e Owain a se juntarem à sua aliança. A lógica básica dessa coalizão, explica Anlaf, é que nenhum rei sozinho pode impedir o domínio de Æthelstan sobre a Grã-Bretanha; somente unindo forças eles podem derrotá-lo.

O FILME RETRATA CONSTANTINo COM PRECISÃO, MOSTRANDO-O INICIALMENTE HESITANTE EM SE ALIAR AOS VIKINGS.

Esta é uma representação razoavelmente bem explicada da criação da aliança anti-inglesa/Æthelstan de 933 a 937. Há muito debate sobre se os governantes de Mann, Shetland e das Órcadas eram membros da aliança que lutou em Brunanburh, mas é verdade que esses reis do mar frequentemente buscavam liderança na Dublin viking. O filme também apresenta Constantino com precisão como inicialmente hesitante em se aliar aos vikings. Afinal, ele havia passado a vida lutando contra eles. Mas, à medida que Æthelstan começou a expandir a sua autoridade para o norte, Constantino estava disposto a ficar do lado de qualquer um que ajudasse a proteger sua fronteira sul.

O filme, no entanto, teria se beneficiado ao esclarecer a origem dinástica de Anlaf. Seu motivo para construir sua grande aliança e enfrentar Æthelstan nunca é claramente apresentado. Seguindo a linha de muitos chefes nórdicos em “O Último Reino”, ele é apenas mais um senhor da guerra viking com uma espada afiada, cobiçando toda a riqueza, tributo, gado, propriedades, escravos e glória que a Inglaterra tem a oferecer. No entanto, Anlaf pertencia à família viking mais prestigiosa das Ilhas Britânicas. Conhecidos como os "Ivarids" (descendentes de Ivar, o Desossado), eles governaram Dublin e York intermitentemente por três gerações. Os tios de Anlaf governaram York e ele esperava governá-la um dia. Contudo, quando Æthelstan conquistou York, em 927, rompeu os laços entre York e Dublin e negou a Anlaf sua futura herança. Sua motivação para enfrentar Æthelstan, então, centrava-se na reconquista de York, o que está completamente ausente do filme.

A Batalha de Brunanburh

O filme "Os Sete Reis Devem Morrer" apresenta a Batalha de Brunanburh, que ocorreu em Wirral, no noroeste da Inglaterra. Embora a localização de Brunanburh continue sendo muito debatida – alguns preferem um campo de batalha em Yorkshire – o filme segue a opinião de Warlord e da maioria dos estudiosos, que defendem Wirral.

Uhtred retorna ao serviço de Æthelstan antes da batalha e é informado de que é "uma batalha que não pode ser vencida", pois os ingleses tinham um exército e seus oponentes tinham seis (Dublin, Escócia, Strathclyde, Mann, Shetland e Órcadas). Na realidade, os dois lados eram mais equilibrados. A única fonte medieval que compara o tamanho dos exércitos é a “Saga de Egil”, narrativa islandesa do século XIII sobre a batalha. Este relato mostra Æthelstan inicialmente em desvantagem numérica, mas ele persuade os invasores a iniciarem negociações de paz enquanto aguarda secretamente reforços, garantindo que, quando as negociações inevitavelmente falharem, ele os igualará em tamanho.

Uhtred of Bebbanburg and His Followers at Brunanburh
Uhtred de Bebbanburg e Seus Seguidores em Brunanburh Netflix (Copyright, fair use)

O exército inglês em Brunanburh é apresentado no filme como duas unidades. Uma liderada por Uhtred, a outra por Æthelstan, com a assistência do Rei Hywel, de Gales. Há vários problemas com essa configuração. Hywel não estava presente em Brunanburh, preferindo permanecer neutro. É evidente que o fictício Uhtred também não desempenhou nenhum papel na verdadeira Brunanburh. Além disso, em 937, o verdadeiro Senhor de Bebbanburg, Oswulf, também estava ausente da batalha. Os verdadeiros comandantes das duas divisões inglesas em Brunanburh eram Æthelstan e seu irmão, Edmund – um general precoce de 16 anos.

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A batalha em si, em “Os Sete Reis Devem Morrer”, é retratada como um confronto bastante convencional. Ambos os lados se alinham em formação de escudos; o exército escocês-viking (muito barulhento e furioso) ataca os ingleses, iniciando troca de empurrões e estocadas. Como não temos informações sobre a própria batalha, o filme tem o direito de tomar liberdades criativas significativas.

Uma fonte que temos, no entanto, é um poema de guerra contemporâneo sobre Brunanburh. O filme certamente segue alguns aspectos do poema. Por exemplo, é revelado que os ingleses têm uma unidade secreta de cavalaria escondida na floresta. Emboscando os escoceses e vikings por trás, ela garante a vitória inglesa. O poema não faz referência a emboscadas. No entanto, sugere que os ingleses (ou melhor, os saxões ocidentais) usaram cavalaria, embora esta tenha sido mobilizada após a batalha para abater aqueles que fugiam:

Os saxões ocidentais, em suas fileiras, cavalgaram

durante o longo, longo dia, o povo odioso

abatendo os fugitivos da batalha pelas costas

com espadas afiadas.

(Hostetter)

Em Brunanburh, em “Sete Reis Devem Morrer”, cinco príncipes pertencentes ao exército invasor morrem. "Cada homem aqui deixou um herdeiro", diz Constantino da Escócia a seus companheiros reis após a batalha. Isso parece derivar de um verso do poema: "Cinco jovens reis jaziam mortos no campo de batalha", que o filme interpreta como se referindo a príncipes em vez de "jovens reis" propriamente ditos (Hostetter).

O próprio Constantino certamente perdeu um filho na batalha, como explicado numa das passagens mais trágicas do poema:

Assim também o sábio e velho Constantino chegou,

O veterano, à sua terra natal no norte

Em fuga; ele não tinha motivos para se regozijar

Naquele encontro; pois ali perdeu amigos

E foi privado de parentes na luta

Naquele campo de batalha, e deixou seu filho

Destruído pelos ferimentos naquele sombrio lugar de matança,

O jovem na luta. O homem de cabelos grisalhos

Tinha poucos motivos para se vangloriar daquela batalha (Campbell)

Final

O filme termina na fortaleza de Uhtred, Bebbanburg. Após ser atingido por uma lança no abdômen, ele jaz em seu leito de morte (ou melhor, em sua cadeira de morte), assistido por seu filho, seus criados, Æthelstan e Edmund. Ali, ele finalmente jura submissão a Æthelstan, juntamente com Bebbanburgh. Este momento é apresentado como o nascimento e a consolidação da Inglaterra como um único reino. Embora seja cena comovente, também é enganosa. Apresenta a data da unificação inglesa como 937 (após a Batalha de Brunanburh). Na realidade, o Senhor de Bebbanburgh se submeteu a Æthelstan em 927, uma década antes da batalha. A Batalha de Brunanburh, portanto, não foi uma luta que levou à criação do reino inglês. Foi uma defesa de um reino inglês jovem, mas já estabelecido.

Bamburgh Castle
Castelo de Bamburgh Matthew Hartley (CC BY-SA)

Conclusão

"Os Sete Reis Devem Morrer" é a primeira representação televisiva da Batalha de Brunanburh. Portanto, os interessados, incluindo eu mesmo, devem estar gratos por a atenção pública ter sido direcionada a este período importante e muitas vezes esquecido da história inglesa. Os fatos básicos apresentados estão corretos. Æthelstan herdou o trono após uma crise de sucessão, em 924. Ele conquistou York em 927 e exigiu submissão de seus reis vizinhos, que se aliaram aos vikings, mas foram derrotados pelos ingleses na Batalha de Brunanburh, em 937.

No entanto, existem algumas imprecisões desnecessárias. A falta de ligação de Anlaf com York faz com que sua invasão da Inglaterra pareça motivada unicamente pela ganância, tornando-o personagem sem profundidade. Ele não poderia ter sido mais bem apresentado como um senhor da guerra enfurecido pela perda de sua herança legítima?

Existem várias imprecisões sobre Æthelstan, particularmente ao retratá-lo como um governante incompetente. As principais imprecisões, no entanto, dizem respeito ao protagonista fictício Uhtred. O drama pessoal e o conflito entre ele e Æthelstan sobrepõem-se à precisão histórica, apresentando relação distorcida e conflituosa entre as Casas de Wessex e Bebbanburg, quando na realidade eram aliados firmes, o que foi fator significativo na unificação da Inglaterra.

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Sobre o Tradutor

Raimundo Raffaelli-Filho
Médico, professor de Clínica Médica (MD, PHD) e apaixonado por História, particularmente pela Antiga e Medieval, especialmente pelo Império Romano.

Sobre o Autor

Michael McComb
Michael McComb graduated from Manchester Metropolitan University with a MA in History in 2022 and has written for The Historians Magazine, The Collector, Medieval Living, and Lessons from History.

Cite Este Artigo

Estilo APA

McComb, M. (2026, fevereiro 26). O Filme "Os Sete Reis Devem Morrer" - Precisão Histórica. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2892/o-filme-os-sete-reis-devem-morrer---precisao-histo/

Estilo Chicago

McComb, Michael. "O Filme "Os Sete Reis Devem Morrer" - Precisão Histórica." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, fevereiro 26, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2892/o-filme-os-sete-reis-devem-morrer---precisao-histo/.

Estilo MLA

McComb, Michael. "O Filme "Os Sete Reis Devem Morrer" - Precisão Histórica." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 26 fev 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2892/o-filme-os-sete-reis-devem-morrer---precisao-histo/.

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