O Mistério da Grande Esfinge

Brian Haughton
por , traduzido por Vívian Andrade Oliveira
publicado em
Translations
Versão Áudio Imprimir PDF

Enterrada por grande parte de sua vida na areia do deserto, um ar de mistério sempre circundou a Grande Esfinge, causando especulação acerca de sua idade e propósito, método de construção, câmaras escondidas, seu papel na profecia, e sua relação com as igualmente misteriosas pirâmides. Grande parte dessa teoria é pelo desespero dos Egiptólogos e dos arqueólogos, que, me parece razoável; apenas tendo dado crédito a teorias que são reforçadas por evidência tangível.

Great Sphinx & Great Pyramid of Giza (Artist's Impression)
Grande Esfinge e Grande Pirâmide de Gizé (Impressão do artista) Mohawk Games (Copyright)

O Mistério da Grande Esfinge

Voltada ao sol nascente, a Grande Esfinge está localizada no planalto do Gizé, cerca de 10 km ao oeste de Cairo, na margem oeste do Rio Nilo. Antigos governantes Egípcios veneravam-na no aspecto do deus do sol, chamando-a de Hora-Em-Akhet ("Horus do Horizonte"). A Esfinge se situa na região da necrópole do ancião Memfis, o local de poder para os faraós, uma pequena distância de três grandes pirâmides, a Grande Pirâmide de Pirâmide de Khufu (Quéops), Khafre (Quéfren) e Menkaura (Miquerinos).

Remover publicidades
Publicidade
Sphinx and Khephren Pyramid
A Grande Esfinge e Pirâmide de Quéfren carinemahy (Copyright)

O monumento é a maior escultura sobrevivente do mundo antigo, medindo 73,5 m em comprimento e em partes 20 m de altura. Parte do uréu (cobra sagrada que protegia contra forças do mal), o nariz e o ritual ostentado está perdido; a ostentação é agora exibida no Museu Britânico. As extensões do lado da cabeça são parte do enfeite da cabeça real. Apesar da cabeça da Esfinge ter sido gravemente afetada por milhares de anos de erosão, traços da pintura original ainda podem ser vistas perto de uma orelha. É pensado que originalmente a face da Esfinge foi pintada de vermelho escuro. Um pequeno templo entre suas patas continham dúzias de alçadas gravadas colocadas pelos Faraós em honra do deus do Sol.

O sonho do Faraó

A Esfinge sofreu gravemente pelo desgaste do tempo, pelo homem e pela poluição moderna. Na realidade, o que a salvou da completa destruição é o fato de que ela está submergida sob a areia do deserto pela maior parte de sua vida. Houve várias tentativas de restaurar a Grande Esfinge ao longo dos milênios, começando 1400 anos antes da Era Cristã com o faraó Tutemés IV. Após cair no sono na sombra da Esfinge enquanto caçava, o faraó sonhou que a grande besta estava sufocando na areia, tragando-a, e e ela o disse que se ele desobstruísse a areia ele obteria a coroa do Alto e do Baixo Egito. Entre as patas da frente da Esfinge existe uma placa de granito, agora chamada de "Placa do Sonho", na qual está gravada a história do sonho do faraó.

Remover publicidades
Publicidade
Arqueólogos acreditam que a parede foi construída por Tutemés IV após seu sonho para proteger a Esfinge contra os ventos do deserto.

Em direção ao fim da Era Cristã em 2010, durante um trabalho de escavação de rotina na área do monumento, arqueólogos egípcios descobriram grandes seções de paredes pavimentadas das quais cada uma eram parte de uma parede maior que alongou por 132 metros (433 pés) em volta da Grande Esfinge. Os arqueólogos acreditam que a parede foi construída por Tutemés IV após seu sonho para proteger a Esfinge contra os ventos do deserto.

Após desobstrução ordenada por Tutemés IV, e, apesar da parede, a escultura colossal uma vez mais se encontrou sob a areia. Quando Napoleão chegou ao Egito em 1798 na Era Cristã, ele encontrou a Esfinge sem seu nariz. No século 18 d.C, desenhos revelaram que o nariz estava perdido muito antes da chegada de Napoleão; uma história diz que o nariz da esfinge foi vítima da prática do período Turco. Outra e talvez a mais provável explicação, é que ele foi arrancado por talhadeiras no século 8 d.C, por um Sufi que considerava a Esfinge um ídolo de sacrilégio. No ano de 1858 d.C, um pouco da areia ao redor da escultura foi desobstruída por Auguste Mariette, o fundador do Serviço de Antiguidades Egípcias, e entre os anos de 1925 e 1936 da Era Comum, o engenheiro francês Emile Baraize escavou a Esfinge em benefício do Serviço de Antiguidades. Possivelmente pela primeira vez desde a antiguidade, a Grande Esfinge estava outra vez exposta aos elementos.

Remover publicidades
Publicidade

Quem a Grande Esfinge representa?

A explicação para a enigmática escultura favorita pela maioria dos Egiptólogos é que Quéfren, um faraó da Quarta Dinastia, teve a pedra moldada em formato de leão com sua própria face ao mesmo tempo em que ocorria a construção da Pirâmide de Quéfren ao lado, por volta de 2540 a.C. Entretanto, não há epígrafes em nenhum lugar que identifiquem Quéfren com a Esfinge, tampouco existe menção em lugar algum de sua construção, o que é de alguma forma enigmático quando considerado a grandeza do monumento. Apesar das reclamações de vários Egiptólogos acerca do contrário, ninguém sabe ao certo quando a Esfinge foi construída ou por quem.

No ano de 1996 d.C, um detetive e expert de Nova Iorque, em identificação, concluiu que a face da Grande esfinge não batia com conhecidas representações do rosto de Quéfren. Ele manteve a ideia de que teria uma maior semelhança com o irmão mais velho de Quéfren, Ratoises. Esse debate ainda prossegue. O mistério da origem da Esfinge e seu propósito tem frequentemente gerado o crescimento de interpretações místicas, como as do ocultista Inglês Paul Brunton e, no ano de 1940 d.C, o controverso psíquico e profeta Americado Edgar Cayce.

A Grande Esfinge foi escavada de uma pedra calcária relativamente macia e natural, deixada na pedreira usada para construir as Pirâmides; as patas anteriores sendo separadamente feitas por blocos de pedra calcária.

Remover publicidades
Publicidade

Uma das principais curiosidades sobre a escultura é que sua cabeça está fora de proporção com seu corpo. Pode ter ocorrido que sua cabeça tenha sido remodelada várias vezes por faraós subsequentes desde que a primeira face foi criada, embora em planos estilísticos isto é improvável de ter sido feito após o período do Velho Reino no Egito (terminado por volta de 2181 a.C). Talvez a cabeça original foi um carneiro ou um falcão e depois foi reconstruído em um formato humano. Vários reparos ao dano da cabeça ao longo dos milhares de anos podem ter reduzido ou alterado as proporções faciais. Qualquer uma dessas explicações podem se dar pelo tamanho pequeno da cabeça em relação ao corpo, particularmente se a Grande Esfinge for mais antiga do que é tradicionalmente acreditado.

A Data da Grande Esfinge

Há um vívido debate nos anos recentes acerca da data do monumento. O autor John Anthony West notou primeiro padrões meteorológicos na Esfinge que eram consistentes com erosão por água ao invés de erosão por vento e areia. Esses padrões pareceram peculiares a Esfinge e não foram encontrados em outras estruturas no planalto. West chamou o Geologista e professor da Universidade de Boston Robert Schoch, que, após examinar os novos achados, concordou que havia evidência de erosão por água.

Apesar do Egito ser árido hoje, por volta de 10.000 anos atrás a ilha era húmida e chuvosa. Consequentemente West e Schoch concluíram que para que existissem os efeitos de erosão por água que eles encontraram, a Esfinge teria que ter entre 7.000 e 10.000 anos. Egiptólogos descartaram a teoria de Schoch como altamente falha; salientando que a única tempestade prevalente de chuva sobre o Egito havia cessado muito antes da Esfinge ser construída. Mais seriamente, por que não havia nenhum outro sinal de erosão por água encontrado no Planalto de Gizé para validar a teoria de West e Schoch? A chuva não poderia ter sido restrita a este único monumento. West e Schoch também foram criticados por ignorar o alto nível de poluição industrial atmosférica durante o último século, o que danificou severamente os monumentos de Gizé.

Remover publicidades
Publicidade
Great Sphinx, Giza
Grande Esfinge, Gizé eviljohnius (CC BY)

Robert Bauval é outro autor com sua própria teoria acerca da data da Esfinge. Bauval publicou um artigo em 1989 d.C mostrando que as três Grandes Pirâmides de Gizé, e sua relativa posição em relação ao Nilo, formaram um tipo de “holograma” 3-D no chão das três estrelas do cinturão de Orion e suas relativas posições à Via Láctea.

Juntamente com impressões digitais do autor de os Deuses, Graham Hancock, Bauval desenvolveu e elaborou a teoria de que a Esfinge, suas pirâmides vizinhas e vários escritos antigos, constituem um tipo de mapa astronômico conectado com a constelação de Orion. A conclusão desses autores é a que a melhor explicação para esse mapa hipotético é a posição das estrelas em 10.500 a.C, colocando a origem da Esfinge ainda mais distante no tempo. Essa data é compreensivelmente disputada por Egiptólogos, já que nenhum outro artefato arqueológico datado naquele período jamais tenha sido descoberto naquela área.

Passagens Secretas?

Existem várias lendas de passagens secretas associadas com a Grande Esfinge. Investigações pela Universidade do Estado de Flórida, Universidade de Waseda no Japão e Universidade de Boston, localizaram várias anormalidades na área ao redor do monumento, apesar de que elas podem ser características naturais. Em 1995 d.C, trabalhadores reformando um estacionamento próximo descobriram uma série de túneis e passagens, duas das quais submergem ainda mais no subterrâneo perto da Esfinge. Robert Bauval acredita que elas são contemporâneas com a própria Esfinge. Entre 1991 e 1993 d.C, enquanto examinando evidência de erosão no monumento utilizando um sismógrafo, o time de Anthony West encontrou evidência de anormalidade na forma de um buraco, espaços e câmaras uniformemente moldadas, alguns metros abaixo do solo, entre as patas e em cada um dos lados da Esfinge. Nenhuma outra inspeção foi permitida.

Remover publicidades
Publicidade

Hoje, a grande estátua está desmoronando devido ao vento, humidade e a fumaça vinda do Cairo. Um grande e custoso projeto de restauração e preservação está em andamento desde 1950 d.C, mas nos primórdios deste projeto, cimento foi usado para reparos, o que foi incompatível com a pedra calcária, e então causou dano adicional a estrutura. Dentro de um período de 6 anos, mais de 2.000 blocos de pedra calcária foram adicionados a estrutura e produtos químicos foram injetados, mas o tratamento falhou. Em 1988 d.C, o ombro esquerdo da esfinge estava em um estado tão grande de deterioração que os blocos estavam caindo. No presente, restauração é ainda um projeto em andamento sob o controle do Conselho Supremo de Antiguidades, que está fazendo reparos ao ombro danificado e tentando drenar um pouco do subsolo. Consequentemente, hoje o foco é na preservação ao invés de mais explorações e escavações, então, nós teremos que esperar um bastante tempo ainda antes da Grande Esfinge revelar seus segredos.

Remover publicidades
Publicidade

Bibliografia

Sobre o Tradutor

Vívian Andrade Oliveira
Vívian é uma estudante de psicologia, tradutora e professora de inglês. Interessada em história, encontrou no World History Encyclopedia uma maneira de aprender, traduzir e ajudar a levar o conhecimento no seu idioma.

Sobre o Autor

Brian Haughton
Pesquisador e autor de obras sobre antigas civilizações, monumentos, lugares sagrados e folclore sobrenatural. É um arqueólogo com especialização pelas Universidades de Nottingham e Birmingham.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Haughton, B. (2025, julho 05). O Mistério da Grande Esfinge. (V. A. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-236/o-misterio-da-grande-esfinge/

Estilo Chicago

Haughton, Brian. "O Mistério da Grande Esfinge." Traduzido por Vívian Andrade Oliveira. World History Encyclopedia, julho 05, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-236/o-misterio-da-grande-esfinge/.

Estilo MLA

Haughton, Brian. "O Mistério da Grande Esfinge." Traduzido por Vívian Andrade Oliveira. World History Encyclopedia, 05 jul 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-236/o-misterio-da-grande-esfinge/.

Remover publicidades