"Sobre os Hereges e Aqueles que os Queimam" de Hubmaier

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Balthasar Hubmaier (cerca de 1480–1528) foi um teólogo católico que se converteu à seita protestante anabatista em 1525. A sua obra Von Ketzern und ihren Verbrennern (1524 - Sobre os Hereges e Aqueles que os Queimam) foi um apelo à tolerância religiosa, escrito antes da sua conversão a uma seita perseguida tanto por católicos como por protestantes, que rejeitaram o texto como herético.

Balthasar Hubmaier
Balthasar Hubmaier Christoffel van Sichem (Public Domain)

Embora Hubmaier tenha escrito a obra como católico, ela foi adotada pelos anabatistas para denunciar a prática, tanto dos tribunais católicos como dos protestantes, de acusar os heterodoxos de heresia e condená-los à morte. A Igreja já executava "hereges" há séculos naquela época e, assim que as seitas protestantes se estabeleceram, mantiveram essa prática. Embora católicos e protestantes parecessem não concordar em mais nada, encontraram um terreno comum na perseguição do "outro", e o seu inimigo comum após 1525 tornou-se a seita anabatista, que rejeitava os princípios de ambos e, exceto por alguns líderes radicais, defendia o pacifismo.

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Uma vez que Hubmaier se tornou anabatista, o seu trabalho – tal como o de todos os anabatistas – foi condenado como herético, apesar de ele citar regularmente a Bíblia ao longo do texto para apoiar as suas alegações. O seu argumento central é simplesmente que a prática de queimar pessoas vivas como hereges não é bíblica, pois contradiz as palavras e o exemplo de Jesus Cristo e, portanto, é, na verdade, maligna e obra de Satanás. O texto de Hubmaier foi amplamente divulgado após a publicação, pois ele tinha sido um pregador católico popular, mas, após a sua conversão, caiu em desgraça, exceto entre os anabatistas. Hubmaier e a sua esposa, Elizabeth (nascida Hügline), seriam eventualmente executados por heresia em 1528, mas as suas obras foram preservadas pelos anabatistas, que continuam a prosperar sob vários nomes nos dias de hoje.

O Início da Vida e a Reforma

Sabe-se pouco sobre o início da vida de Hubmaier, exceto que nasceu na Baviera em 1480, frequentou a Escola Latina em Augsburgo e era estudante na Universidade de Friburgo em 1503. Em 1512, recebeu o seu doutoramento pela Universidade de Ingolstadt e aceitou o cargo de vice-reitor em 1515. A sua erudição e talento como pregador atraíram a atenção da congregação em Ratisbona (Regensburg), e ele mudou-se para lá como pároco em 1516.

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Hubmaier organizou o pogrom que expulsou a comunidade judaica de Ratisbona.

Em 1519, em resposta à crescente tensão entre os cristãos e os judeus de Ratisbona, Hubmaier organizou o pogrom que expulsou a comunidade judaica da cidade, destruiu o seu cemitério e sinagoga, e confiscou os seus bens. Túmulos e lápides do cemitério, juntamente com as ruínas da sinagoga, foram despedaçados e utilizados como material de construção para uma capela erguida no antigo local da sinagoga. Não parece que este pogrom tenha tido qualquer relação com a posterior conversão de Hubmaier, mas é possível que a violência exercida contra a comunidade judaica o tenha inclinado para o pacifismo do movimento anabatista.

Nesta época, as obras de Martinho Lutero (1483–1546) já circulavam e Ulrico Zuínglio (1484–1531) pregava a reforma em Zurique. As 95 Teses de Lutero iniciaram o que viria a ser a Reforma Protestante em 1517, mas Hubmaier não parece ter respondido a este desafio à autoridade da Igreja até 1522, quando conheceu o académico humanista e teólogo Erasmo de Roterdão (1466–1536) em Basileia. Erasmo defendia reformas na Igreja antes mesmo de Lutero iniciar a sua cruzada, mas nunca se separou dela. Algo nesse encontro, muito provavelmente a filosofia humanista de Erasmo e a sua lealdade à Igreja, encorajou Hubmaier a procurar Zuínglio em Zurique para um debate em 1523; foi aí que conheceu os jovens que viriam a estabelecer o movimento anabatista.

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Os Anabatistas e a Conversão de Hubmaier

Conrad Grebel (cerca de 1498–1526) e Felix Manz (cerca de 1498–1527) tinham sido seguidores de Zuínglio, até romperem com ele após a Segunda Disputa de 1523 (durante a qual Zuínglio defendeu as suas crenças), quando sentiram que ele tinha comprometido questões importantes para agradar ao conselho da cidade. Mais tarde, juntou-se-lhes George Blaurock (cerca de 1491–1529), um antigo sacerdote que também se sentia desiludido com os aparentes compromissos de Zuínglio. Estes três formaram os "Irmãos Suíços" (Schweizer Brüder), que compreendiam a Bíblia como a palavra literal de Deus e opunham-se à prática da Igreja Católica e das seitas protestantes emergentes, lideradas por Lutero e Zuínglio, de defender apenas o que se ajustava à sua interpretação do Cristianismo nas Escrituras e ignorar o que não lhes convinha.

Entre as suas questões centrais estavam o batismo infantil, a Missa Católica, os dízimos e o serviço militar por parte dos cristãos. Afirmavam que nenhuma destas práticas era apoiada pela Bíblia, assim como não o era a prática de queimar pessoas vivas pelas suas crenças religiosas. Tinham especial divergência quanto ao batismo infantil porque, para eles, a Bíblia era clara ao indicar que apenas um adulto tinha o poder de escolher ser batizado, sendo a tradição do batismo infantil uma invenção da Igreja que não alcançava nada. Segundo eles, os cristãos não se comportavam de acordo com o modelo de Cristo ou dos seus discípulos, e a versão reformada do Cristianismo não era melhor do que a antiga fé que tinha sido rejeitada.

Mapa das Religiões Dominantes na Europa Século XVI
Mapa das Religiões na Europa no Século XVI Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Em janeiro de 1525, Blaurock, Grebel, Manz, Wilhelm Reublin (1484 –1559) e outros batizaram-se uns aos outros na sua nova fé e, segundo a obra Von der Herkunft der Täufer (Origem dos Anabatistas), de Blaurock, Hubmaier juntou-se a eles posteriormente, tendo sido batizado por Reublin. Por esta altura, já tinha casado com Elizabeth (1524), abraçado a visão reformada do Cristianismo e abandonado essa mesma visão em prol do Anabatismo. Não é de estranhar que o pacifismo dos anabatistas o tenha atraído, uma vez que a sua obra Sobre os Hereges e Aqueles que os Queimam lê-se como um tratado anabatista sobre a não-violência. Os anabatistas adotaram rapidamente o pacifismo como um princípio central da sua fé, em conformidade com o mandamento bíblico "Não matarás", e à medida que o movimento se desenvolveu, isto tornar-se-ia uma característica definidora da sua fé.

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Não é claro se houve um único evento que inspirou a conversão de Hubmaier ao movimento anabatista, mas parece ter sido encorajada pela sua disputa de 1523 com Zuínglio, durante a qual ele – tal como Grebel e os outros – reconheceu que a visão reformada de Zuínglio, que ele alegava basear-se inteiramente nas escrituras, apoiava princípios não bíblicos, incluindo o batismo infantil e o uso de violência tanto na conversão como na supressão da heresia. O académico Brad S. Gregory observa como os anabatistas rejeitaram os sistemas de crenças cristãs existentes porque, como viam as coisas, nem católicos nem protestantes aderiam ao modelo de Cristo e do Cristianismo primitivo:

Os verdadeiros cristãos sempre foram perseguidos, não perseguidores [como escreve o autor anabatista Hans de Ries] "não há indicação mais segura da falsa Igreja que luta contra Cristo do que o assassínio de hereges, ou melhor, de alegados hereges, porque por mais terrível que seja a heresia, esta é a mais terrível de todas."

(pág. 319)

A obra de Hubmaier, Sobre os Hereges e Aqueles que os Queimam, antecede a obra de de Ries, Martelaers Spiegel (Espelho dos Mártires) (1631-1632), em mais de 100 anos e, durante todo esse tempo, teve tão pouco efeito em impedir execuções religiosas como quando foi publicada em 1524. Não há provas de que a obra de Hubmaier tenha tido qualquer efeito na perseguição católica aos protestantes, nos ataques protestantes aos católicos, ou em protestantes a matar outros protestantes devido a disputas doutrinárias em qualquer altura. Ainda assim, é possível que ele tivesse a esperança de que as pessoas prestassem mais atenção à sua mensagem e poupassem a ele e aos seus companheiros "Irmãos Suíços". Contudo, a sua insistência e prática do batismo de adultos, o pacifismo e a recusa em pagar dízimos levaram à sua condenação tanto por católicos como por protestantes, que os rotularam depreciativamente de anabatistas (rebatizadores) e começaram a persegui-los em Zurique, com o incentivo de Zuínglio, a partir de 1526.

Maximilian Simonischek as Huldrych Zwingli
Maximilian Simonischek como Ulrico Zuínglio Ascot Elite (Copyright)

O texto Sobre os Hereges e Aqueles que os Queimam consiste em 36 pontos concisos com citações bíblicas como suporte. Tal como em todas as obras de Hubmaier, termina com o seu lema pessoal, "A Verdade é Imortal", e ele parece ter considerado o seu argumento como amplamente evidente por si só. Ao expor os seus pontos de forma tão sucinta quanto possível, e fornecendo apoio bíblico para eles, parece ter acreditado que seriam bem recebidos e facilmente implementados. Isso não se verificou, especialmente para os anabatistas, incluindo Hubmaier e a sua esposa.

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Hubmaier culpa o mau exemplo dado pelo clero católico por encorajar aquilo que depois condenavam como "heresia".

Hubmaier atribui ao mau exemplo dado pelo clero católico o incentivo àquilo que, posteriormente, condenavam como "heresia", e concentra-se na parábola de Cristo sobre o trigo e o joio para defender a tolerância e a contenção. Hubmaier argumenta que só Deus pode julgar alguém e que cabe a Deus, não ao homem, punir justamente pelo pecado. Em vez de executar aqueles com ideias diferentes, diz ele, deve-se tentar convencê-los do seu erro ou simplesmente deixá-los em paz.

A passagem que se segue foi extraída de A Reformation Reader: Primary Texts with Introductions, editada por Denis R. Janz, págs. 202-203, originalmente reimpressa conforme a tradução do inglês de Balthasar Hubmaier: The Leader of the Anabaptists por Henry C. Vedder, AMS Press, 1971:

  1. Hereges são aqueles que se opõem perversamente às Sagradas Escrituras; o primeiro deles foi o diabo quando disse a Eva: "Certamente não morrereis" (Génesis 3:4), juntamente com os seus seguidores.
  2. Também são hereges aqueles que cobrem as Escrituras com um véu e as interpretam de outra forma que não a que o Espírito Santo exige; como aqueles que proclamam em toda a parte uma concubina como um benefício, pastoreando e governando a igreja em Roma, e forçando-nos a acreditar nessa conversa.
  3. Aqueles que são assim devem ser vencidos com conhecimento sagrado, não com ira, mas com suavidade, ainda que as Sagradas Escrituras contenham ira.
  4. Mas esta ira das Escrituras é verdadeiramente um fogo espiritual e um zelo de amor, que não arde sem a Palavra de Deus.
  5. Se não quiserem ser ensinados por provas fortes ou razões evangélicas, então que sejam, e deixai-os enfurecer-se e enlouquecer (Tito 3:2, 3), para que os que são imundos se tornem ainda mais imundos (Apocalipse 22:11).
  6. A lei que condena os hereges ao fogo edifica tanto Sião em sangue como Jerusalém em perversidade.
  7. Portanto, serão arrebatados em suspiros, pois os juízos de Deus (a quem compete julgar) ou os convertem ou os endurecem, para que o cego guie o cego e tanto o seduzido como o sedutor vão de mal a pior.
  8. Esta é a vontade de Cristo, que disse: "Deixai crescer ambos até à ceifa, para que, ao colherdes o joio, não arranqueis também o trigo com ele" (Mateus 13:29). "Porque é necessário que haja também heresias entre vós, para que os aprovados se tornem manifestos entre vós" (I Coríntios 11:19).
  9. Embora experimentem isso, não são afastados até que Cristo diga aos ceifeiros: "Colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar" (Mateus 13:30).
  10. Esta palavra não nos ensina a ociosidade, mas a luta; pois devemos contender incessantemente, não com os homens, mas com a sua doutrina ímpia.
  11. Os bispos vigilantes são a causa das heresias. "Dormindo os homens, veio o inimigo" (Mateus 13:25).
  12. Novamente: "Bem-aventurado o homem que vigia à porta da câmara do noivo" (Provérbios 8:34) e não dorme nem "se assenta na roda dos escarnecedores" (Salmos 1:1).
  13. Daqui segue-se que os Inquisidores são os maiores hereges de todos, uma vez que, contra a doutrina e o exemplo de Cristo, condenam os hereges ao fogo e, antes do tempo da colheita, arrancam o trigo com o joio.
  14. Pois Cristo não veio para assassinar, destruir e queimar, mas para que aqueles que vivem possam viver mais abundantemente (João 10:10).
  15. Devemos orar e esperar pelo arrependimento, enquanto o homem viver nesta miséria.
  16. Um turco ou um herege não é convencido pelo nosso ato, quer com a espada quer com o fogo, mas apenas com paciência e oração; e assim devemos aguardar com paciência o juízo de Deus.
  17. Se fizermos de outra forma, Deus tratará a nossa espada como restolho e o fogo ardente como zombaria (Jó 41:29).
  18. Tão impura e afastada da doutrina evangélica está toda a ordem dos frades pregadores, da qual, até agora, têm vindo unicamente os inquisidores.
  19. Se estes soubessem de que espírito devem ser, não perverteriam tão descaradamente a Palavra de Deus, nem gritariam tantas vezes: "Ao fogo, ao fogo!" (Lucas 9:54-56).
  20. Não é desculpa (como eles tagarelam) dizerem que entregam os ímpios ao poder secular, pois aquele que assim entrega, peca mais profundamente (João 19:11).
  21. Pois cada cristão tem uma espada contra os ímpios, que é a Palavra de Deus (Efésios 6:17), mas não uma espada contra os malignos.
  22. O poder secular coloca, justa e corretamente, à morte os criminosos que ferem os corpos dos indefesos (Romanos 13:3, 4). Mas aquele que é de Deus não pode ferir ninguém, a menos que primeiro abandone o evangelho.
  23. Cristo demonstrou-nos isto claramente, dizendo: "Não temais os que matam o corpo" (Mateus 10:28).
  24. O poder secular julga os criminosos, mas não os ímpios, que não podem ferir nem o corpo nem a alma, sendo antes um benefício; portanto, Deus pode, na Sua sabedoria, extrair o bem do mal.
  25. A fé, que flui da fonte do evangelho, vive apenas em contendas, e quanto mais rudes estas se tornam, tanto maior se torna a fé.
  26. O facto de nem todos terem sido ensinados na verdade do evangelho deve-se aos bispos, não menos do que ao povo comum – estes porque não se preocuparam em procurar um pastor melhor, aqueles porque não desempenharam o seu cargo adequadamente.
  27. Se o cego guiar o cego, segundo o justo juízo de Deus, ambos cairão juntos na cova (Mateus 15:14).
  28. Portanto, queimar hereges é, na aparência, professar Cristo (Tito 1:10, 11), mas, na realidade, negá-Lo e ser mais monstruoso do que Jeoiaquim, o Rei de Judá (Jeremias 36:23).
  29. Se é blasfémia destruir um herege, quanto mais o será reduzir a cinzas um arauto fiel da Palavra de Deus, sem condenação, não levado a tribunal pela verdade.
  30. O maior engano dos povos é um zelo por Deus que é gasto sem base bíblica: a salvação da alma, a honra da igreja, o amor pela verdade, a boa intenção, o uso do costume, os decretos episcopais, o ensino da razão que advém da luz natural. Pois são setas mortais quando não são guiadas e dirigidas pelas Escrituras.
  31. Não devemos presumir, levados pelo engano do nosso próprio propósito, fazer melhor ou de forma mais segura do que aquilo que Deus falou pela Sua própria boca.
  32. Aqueles que confiam na sua boa intenção e pensam fazer melhor são como Uzá e Pedro. Este último foi chamado Satanás por Cristo (Mateus 16:23), mas o primeiro teve um fim miserável (I Crónicas 13:10).
  33. Elnatã, Delaías e Gemarias agiram sabiamente ao resistir a Jeoiaquim, Rei de Judá, quando este lançou o livro de Jeová ao fogo (Jeremias 36:25).
  34. Mas, no facto de que, depois de um livro ter sido queimado, Baruque, por direção expressa de Jeremias, escreveu outro muito melhor (Jeremias 36:27-32), vemos o justo castigo de Deus sobre a queima injusta. Pois assim será que sobre aqueles que temem a geada, cai uma neve fria (Jó 6:16).
  35. Mas não consideramos que tenha sido anticristão queimar os seus numerosos livros de encantamentos, como mostra o facto nos Atos dos Apóstolos (Atos 19:19). É uma pequena coisa queimar papel inocente, mas apontar um erro e refutá-lo pelas Escrituras, isso é arte.
  36. Agora é claro para todos, até para os cegos, que uma lei para queimar hereges é uma invenção do diabo. A Verdade é Imortal.

Conclusão

Infelizmente, a afirmação de Hubmaier não era clara para todos. Em dezembro de 1525, Zuínglio mandou prender Hubmaier como herege por pregar contra o batismo infantil e defender a visão anabatista do Cristianismo. Hubmaier foi torturado até se retratar e foi libertado, retractando-se posteriormente da sua retratação e mudando-se com a sua esposa para a Morávia em 1526.

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A perseguição de Zuínglio aos anabatistas continuou em Zurique ao longo desse ano e entrou pelo seguinte com a execução de Felix Manz em janeiro de 1527; no mesmo dia, George Blaurock foi açoitado e exilado. Mais três anabatistas foram afogados em Zurique antes de os restantes se mudarem para outros lugares, e pensa-se que Conrad Grebel, que tinha deixado a cidade em 1525, tenha morrido de peste apenas porque não existe qualquer registo da sua execução.

Memorial Plaque Honoring Balthasar Hubmaier
Placa Memorial em Homenagem a Balthasar Hubmaier GuentherZ (CC BY)

Hubmaier estabeleceu-se em Nikolsburg, na Morávia (atual Mikulov, na República Checa), onde fundou uma comunidade anabatista e converteu várias pessoas antes de ser preso, juntamente com Elizabeth, e acusado de heresia. Foi novamente torturado, mas não se retratou, sendo queimado na fogueira a 10 de março de 1528. Três dias mais tarde, Elizabeth Hubmaier foi amarrada, atada a uma pedra e afogada pelas mesmas autoridades cristãs que tinham executado o seu marido e que, claramente, nunca tinham levado a peito a mensagem da sua obra.

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Perguntas & Respostas

Quem foi Balthasar Hubmaier?

Balthasar Hubmaier foi um teólogo católico que se converteu ao movimento anabatista durante a Reforma Protestante e se tornou um dos seus líderes mais conhecidos.

Qual é a obra mais famosa de Balthasar Hubmaier?

Hubmaier tem muitas obras famosas, mas a mais conhecida é «Sobre os Hereges e Aqueles que os Queimam», um apelo à tolerância religiosa e ao fim das execuções por motivos religiosos.

De que trata o livro «Sobre os Hereges e Aqueles que os Queimam»?

A obra «Sobre os Hereges e Aqueles que os Queimam» foi publicada em 1524 sob a forma de um pequeno panfleto com 36 afirmações acompanhadas de referências bíblicas. Utilizando a Bíblia como fundamento para as suas alegações, Hubmaier defende que a execução de pessoas por serem consideradas «hereges» é contrária à Bíblia, anticristã e deve ser interrompida.

O livro «Sobre os Hereges e Aqueles que os Queimam» teve alguma influência?

A obra de Humbaier não teve grande influência e foi, em grande parte, ignorada tanto pelos católicos como pelos protestantes, que continuaram a prática de queimar na fogueira as pessoas condenadas por heresia.

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