O relato de testemunha ocular de Margarida de Valois sobre o Massacre do Dia de São Bartolomeu está entre os mais famosos. Também é o único registro escrito do evento deixado por um membro da família real francesa daqueles dias. Tal relato aparece em suas memórias como Carta V, descrevendo a noite antecedente ao massacre e os acontecimentos que Margarida testemunhou ao longo dela.
Margarida de Valois (1553-1615) foi filha de Catarina de Médici (1519-1589) e do Rei Henrique II da França (1547-1559). Prometida a Henrique de Navarra (1553-1610; mais tarde, este veio a se tornar o Rei Henrique IV da França) ela se uniu ao noivo num casamento arranjado cujo propósito era encorajar a reconciliação entre católicos e protestantes (huguenotes) na França, os quais vinham se combatendo em conflito armado desde 1562. O casamento, orquestrado pela católica Catarina de Médici e a mãe de Henrique, a Rainha protestante Joana de Albret, foi concebido como um grande evento para a celebração da tolerância religiosa através da união entre uma noiva católica e um noivo protestante.
Marcado para 18 de agosto de 1572, o casamento atraiu grandes multidões de protestantes para a esmagadoramente católica cidade de Paris, incluindo os principais líderes dos huguenotes. Entre estes estavam: Henrique de Navarra, o noivo; Henrique de Bourbon, Príncipe de Condé (1552-1588); e Gaspar II de Coligny, Almirante da França (1519-1572). Alguns dias após o casamento, em 22 de agosto, um atentado foi feito à vida de Coligny, ferindo-o gravemente, e os líderes protestantes exigiram uma resposta apropriada por parte do Rei católico Carlos IX (rei de 1560 a 1574), como também do conselho da cidade e de Catarina de Médici. Receberam, então, destes as garantias de que o asssassino seria capturado e punido, enquanto, ao mesmo tempo, o Rei, a Rainha-Mãe e o referido conselho tramaram um plano para assassinar todos os líderes protestantes, pois temiam que um motim viesse a ocorrer com o propósito de vingar Coligny.
A trama foi formalizada na noite de 23 de agosto de 1572 (algumas vezes tida como o início do massacre) e posta em execução no começo do dia seguinte, com o assassinato de Coligny e outros líderes, para, então, se estender a quaisquer huguenotes. Estima-se que 5.000 protestantes foram mortos em Paris nos dias que se seguiram às primeiras mortes. Os números, no total, foram tão altos que chegaram, possivelmente, a uma faixa entre 25.000 a 30.000, uma vez que as notícias do massacre parisiense se espalharam, e outras cidades da França acharam por bem fazer o mesmo. Há um número de relatos de testemunhas oculares do incidente advindos de diferentes áreas de Paris, mas somente o de Margarida foi feito por um membro da família real francesa. Nele se encontram detalhes do que ocorreu no palácio durante o massacre. A tão esperada reconciliação nunca se materializou, e as Guerras Religiosas Francesas continuariam, assim, até o ano de 1598.
Histórico
Tensões entre protestantes e católicos vinham crescendo desde 1534, quando Francisco I da França (François I, rei de 1515 a 1547) revogou sua política de tolerância em relação aos protestantes, após o chamado Caso dos Cartazes, evento em que mensagens anticatólicas foram afixadas e expostas em Paris e outras cidades. O filho de Francisco I, Henrique II, continuou a perseguição de seu pai aos protestantes até que foi mortalmente ferido num torneio de justas e faleceu em 1559. Foi, então, sucedido pelo seu filho de 15 anos, Francisco II da França (François II, rei de 1559 a 1560), o qual, apesar de já ter idade suficiente para governar por si só, foi controlado por sua mãe, Catarina de Médici.
Esta, por sua vez, convidou dois poderosos nobres católicos da família Guise para aconselharem o rei: Francisco, Duque de Guise (1519-1563), e o irmão deste, Carlos, Cardeal de Lorena (1524-1574), os quais isolaram e separaram o monarca de seus conselheiros anteriores, dos quais se destacam Luís de Bourbon, Príncipe de Condé (1530-1569, pai de Henrique I de Bourbon) e o Almirante Coligny. Em resposta, estes homens juntaram-se naquilo que ficou conhecido como a Conspiração de Amboise, uma trama para sequestrar Francisco II e neutralizar a influência dos irmãos Guise, em 1560. O plano foi descoberto, com muitos dos conspiradores sendo aprisionados ou executados (Condé foi preso, Coligny deixado intocado), e os Guise se valeram do episódio: usaram-no em propaganda antiprotestante.
Francisco II morreu em 1560 e foi sucedido por seu irmão, Carlos IX. Em 1562, Francisco, Duque de Guise, trouxe o estopim das Guerras Religiosas Francesas (1562-1598) ao massacrar membros de uma congregação protestante no chamado Massacre de Vassy, e Luís de Bourbon (que havia sido solto de seu cárcere) respondeu a isso com a tomada da cidade de Orleães pelas mãos protestantes. As três primeiras Guerras levaram ambos à morte, tanto Condé quanto Francisco, Duque de Guise, assim como a centenas de outros combatentes, e por volta de 1572, havia um ressentimento "cozinhado em fogo brando" de ambos os lados da peleja.
Casamento e Massacre
Catarina de Médici propôs o casamento arranjado a Joana de Albret num esforço para atenuar essas tensões ao unir uma católica e um protestante em matrimônio. A Rainha protestante morreu de causas naturais em junho de 1572, e rumores se espalharam entre os huguenotes de que ela teria sido envenenada por Catarina, acentuando as já referidas tensões. A extravagância do casamento real, ademais, só tornou pior a situação, visto que as colheitas haviam sido pobres naquele ano e os impostos, altos, de maneira que a gente comum já se encontrava ressentida sem o acrescímo de contendas religiosas e conspirações de intriga política e assassinato.
Com as tensões afloradas, o Almirante Coligny foi ferido numa tentativa de assassinato em 22 de agosto, e temendo represálias, o conselho da cidade, Catarina e Carlos IX entraram em comum acordo para levarem um plano a cabo: executar todos os demais líderes protestantes na noite do dia 23. Tal plano foi posto em ação na manhã seguinte com o assassinato de Coligny e, em seguida, de outros proeminentes huguenotes. Os plebeus, seguindo o comando dos soldados reais, começaram, então, a massacrar todos os protestantes ou simpatizantes de huguenotes na cidade. Muitos católicos, no entanto, aterrorizados com a mortandade, esconderam protestantes em seus porões e sótãos.
Um número de huguenotes - incluindo Henrique de Navarra e Henrique I de Bourbon - prometeu converter-se ao Catolicismo para salvarem-se a si mesmos (eles ignoraram tal compromisso uma vez que viram-se seguros fora da cidade). Outros ainda conseguiram se disfarçar de católicos - ao carregarem um livro de orações católico ou meios semelhantes a este - ou se esconderam o melhor que puderam. Não houve como escapar da cidade pois Carlos IX havia ordenado que os portões fossem fechados e trancados na noite anterior, e correntes foram amarradas ao longo das ruas para prevenir quaisquer movimentos em larga escala.
O Texto
O seguinte relato começa com a noite de 23 de agosto e vai até o dia 24, se estendendo a momentos posteriores. Os nomes na última frase do primeiro parágrafo são todos de líderes protestantes mortos no massacre. O Senhor de Guise mencionado por Margarida é Henrique I, Duque de Guise (1550-1588), filho de Francisco, Duque de Guise. Sua irmã, a quem ela se refere como Lorena, é Cláudia da França, Duquesa de Lorena (1547-1575), que havia retornado a Paris para o casamento. O texto foi retirado das Memórias de Margarida de Valois, pgs. 39-43, Carta V:
O Rei Carlos, um príncipe de grande prudência, sempre prestando uma particular deferência à sua mãe e sendo muito apegado à Religião Católica, agora convencido das intenções dos huguenotes, adotou a súbita resolução de seguir o conselho de sua mãe e colocar-se a si mesmo sob a salvaguarda dos católicos. Isso, contudo, não se deu sem o profundo arrependimento em que se encontrou, em razão de ele não ter tido, em seu poder, o meio por que salvasse Teligny, La Noue e o Senhor de La Rochefoucauld.
Ele foi aos aposentos da Rainha sua mãe, e, chamando a si o Senhor de Guise e todos os príncipes e oficiais católicos, dediciu, para aquela noite, o "Massacre de São Bartolomeu".
Imediatamente pôs todos a trabalhar; correntes foram estendidas ao longo das ruas, os sinos de alarme foram soados, e todo homem dirigiu-se ao seu posto, de acordo com as ordens que recebera, seja para atacar os alojamentos do Almirante, seja os de outros huguenotes. O Senhor de Guise precipitou-se aos do Almirante, e Besme, um cavalheiro a serviço do primeiro e alemão por nascimento, forçou entrada na câmara de Coligny e lhe tirou a vida com uma adaga, arremessando, em seguida, o corpo deste por uma janela em direção ao seu mestre.
Eu estava plenamente ignorante do que viria a seguir. Observava cada um em seus movimentos: os huguenotes, levados ao desespero pelo ataque à vida do Almirante, e os Guises, temendo que não deviam ter lhes feito justiça, sussurando tudo que encontravam aos ouvidos.
Os huguenotes suspeitavam de mim pois era católica, e os católicos, porque me casara com o Rei de Navarra, que era um huguenote. Sendo esse o caso, não houve quem me dissesse uma sílaba sequer sobre o assunto.
À noite, quando fui aos aposentos da Rainha minha mãe, pus-me sobre um cofre próximo à minha irmã Lorena, a qual não pude senão observar, aparentando estar ela bastante cabisbaixa. A Rainha minha mãe estava conversando com alguém, mas, tão logo ela avistou-me, propôs-me que fosse para a cama. Como eu me fosse embora dali, minha irmã me agarrou pela mão e me parou, derramando, ao mesmo tempo, um dilúvio de lágrimas: "Pelo amor de Deus", gritou ela, não te apartes desta câmara!" Eu fiquei grandemente alarmada com tal exclamação, e a Rainha minha mãe, percebendo o que se deu, chamou minha irmã e a repreendeu muito severamente. Minha irmã replicou que isso era mandar-me para ser sacrificada, pois, se alguma descoberta fosse feita, eu seria a primeira vítima da vingança deles. A Rainha minha mãe respondeu-lhe que, se aprouvesse a Deus, eu não me machucaria, mas era necessário que eu me fosse, para prevenir a suspeita que a minha permanência poderia levantar.
Eu percebi que havia alguma coisa encaminhada da qual não tinha conhecimento, mas que não podia, também, fazer qualquer coisa fora do que elas me dissessem.
A Rainha, novamente, propôs-me que eu fosse para a cama, num tom peremptório. Minha irmã desejou-me uma boa noite, suas lágrimas correndo velozmente, mas não ousou dizer-me uma só palavra a mais; e eu saí dos aposentos reais mais morta que viva.
Tão logo eu chegara em meus aposentos, ajoelhei-me e orei a Deus, pedindo-lhe que me tomasse em sua proteção e me salvasse; de quem ou do que, contudo, isso ignorava. Neste ponto, o Rei meu esposo, o qual já se encontrava na cama, chamou-me a ele. Fui-lhe ao encontro e me deparei com a cama cercada por trinta ou quarenta huguenotes, os quais eram completamente desconhecidos para mim; pois, apesar de casada, não o era ainda mais que por um curtíssimo tempo. Todo o discurso deles, durante a noite, foi sobre o que acontecera ao Almirante e a resolução de que fossem todos, no dia seguinte, demandar justiça real contra o Senhor de Guise. Havendo a recusa por parte do Rei, eles mesmos aplicariam o castigo.
No tocante a mim, estive incapaz de dormir uma piscadela a noite inteira, por manter-me pensando na aflição e nas lágrimas de minha irmã, as quais tanto me haviam alarmado, embora não tivesse sombra de conhecimento acerca da causa que as gerara. Assim que o dia raiou, o Rei meu esposo disse que iria se levantar e jogar tênis até que o Rei Carlos se levantasse. Em seguida, então, iria imediatamente ao Rei demandar justiça. Ele deixou os aposentos, e todos os seus gentis-homens o seguiram.
Tão logo contemplara a luz do dia já firmado, eu compreendi que todo o perigo do qual minha irmã me falara tivera, então, seu fim; e estando inclinada ao dormir, propus à minha ama que selasse logo a porta, determinando-me a tomar algum repouso. Dentro de quase uma hora, eu fui despertada por um violento ruído na porta, feito com mãos e pés, e uma voz que gritava "Navarra! Navarra!" Minha ama, pensando que o Rei meu esposo estava ali, foi à porta, com pressa a abriu, quando um gentil-homem, chamado Senhor de Teian, correu a dentro do quarto e se jogou imediatamente sobre a minha cama. Havia recebido um ferimento de espada em seu braço e tinha outro, feito por um pique. Estava sendo perseguido por quatro arqueiros, os quais o seguiram até meus aposentos. Percebendo a estes, saltei de minha cama, e o pobre cavalheiro após mim, segurando-me rápido pela cintura. Eu não o conhecia até então; não estava segura de que ele veio a mim sem intenção de me fazer mal, ou mesmo se os arqueiros estavam o perseguindo ou a mim. Nessa situação, eu bradei alto de medo, e ele o fez igualmente, por ser mútuo o nosso temor. A essa altura, pela providência de Deus, o Senhor de Nançay, capitão da guarda, veio aos meus aposentos, e, vendo-me cercada daqueles homens, ainda que não pudesse evitar de ter compaixão por minha pessoa, mal teve forças para refrear sua risada. No entanto, ele repreendeu os arqueiros por sua indiscrição, muito severamente, e os guiou para fora de minha câmara. Diante do meu pedido, ele concedeu ao pobre cavalheiro permanecer com sua vida, e eu o coloquei sobre a cama em meu armário. Fiz-lhe curativos para seus ferimentos e não deixei que saísse de meu apartamento até que estivesse perfeitamente curado. Eu troquei meus trajos, pois estavam manchados com o sangue deste homem, e, enquanto isso eu fazia, o Senhor de Nançay relatou-me as operações da noite precedente, assegurando-me que o Rei meu esposo estava seguro e, naquele momento, em seus aposentos é que se encontrava. Disfarçou-me com uma capa e me conduziu ao apartamento de minha irmã, Senhora de Lorena, onde cheguei mais que meio morta. Assim que passamos pela antecâmara, todas as portas que ali se notavam se escancararam, e um cavalheiro de nome Bourse, perseguido pelos arqueiros, corria com um pique lhe atravessando o corpo, caindo morto, em seguida, aos meus pés. Como se houvesse sido morta pelo mesmo golpe, eu caí, mas fui pega pelo Senhor de Nançay antes de chegar ao chão. Tão logo me recobrei deste desfalecer, eu fui aos aposentos de minha irmã, imediatamente seguida pelo Senhor de Mioflano, primeiro gentil-homem do Rei meu esposo, e Armagnac, seu primeiro valet de chambre, os quais ambos vieram a mim implorar para que salvasse suas vidas. Eu fui e me lancei de joelhos diante do Rei meu irmão e da Rainha minha mãe e obtive as vidas deles.
Cinco ou seis dias depois, aqueles que haviam engendrado esta trama, considerando-a como incompleta, enquanto o Rei meu esposo e o Príncipe de Condé permaneciam vivos, já que sua intenção não era se desfazer somente dos huguenotes, mas também dos príncipes de sangue de um mesmo modo; sabendo eles que nenhuma tentativa poderia ser feita contra o meu esposo enquanto eu continuasse a ser sua esposa, criaram um plano no qual iriam sugerir a Rainha minha mãe que eu me divorciasse dele. Concordemente, num dia santo, quando esperava por ela na capela, ordenou-me ela a declarar-lhe, sob juramento, se eu acreditava ser meu esposo como os outros homens. "Pois", disse-me ela, "se ele não for, eu posso facilmente obter para ti o divórcio". Supliquei-lhe para que cresse não estar eu suficientemente apta a lhe responder uma tal pergunta, e pude apenas replicar, como a Dama Romana fez a seu esposo, quando este a repreendeu por não lhe informar de seu fétido hálito, que, nunca tendo se aproximado de quaisquer outros homens para conhecer a diferença, pensara que todos eram semelhantes no tocante àquilo. "Mas", disse-lhe eu, "Senhora, sendo que colocaste esta questão para mim, eu posso apenas declarar que estou contente em permanecer como estou"; isto disse pois suspeitava do esquema para separararem-me de meu esposo, cujo intento era obrar alguma aleivosia contra ele.
Conclusão
Henrique de Navarra e Henrique I de Bourbon, Príncipe de Condé, puderam ambos escapar de Paris, rumando em direção ao sul, e, mais tarde, lideraram forças protestantes contra Henrique I, Duque de Guise, e Henrique III da França (rei de 1574 a 1589 e sucessor de Carlos IX). O casamento de Henrique de Navarra e Margarida de Valois falhou espetacularmente em conquistar a paz tão esperada e a reconciliação pretendidas. O Massacre do Dia de São Bartolomeu começou em menos de uma semana após o casamento, com a mortandade parisiense encorajando atos semelhantes em outros lugares, e a quarta das Guerras Religiosas Francesas teve seu início com a França dividida entre a vasta população católica do norte e os protestantes, ao sul.
O casamento de Henrique e Margarida também não foi feliz, visto que ela se mostrou incapaz de lhe dar um herdeiro. Ambos foram infieis, tendo outros amantes, e, em 1585, a esposa católica abandonou seu esposo protestante para unir-se a Henrique I, Duque de Guise, e à Liga Católica deste, contra Henrique de Navarra. Ela o havia deixado por pequenos períodos antes disso, e sua mãe, desaprovando, deserdou-a e nunca mais lhe falou novamente. Um anulamento do casamento foi concedido, a pedido de ambas as partes, em 1599.
Henrique de Navarra, percebendo que Paris jamais aceitaria um rei protestante, converteu-se ao Catolicismo e sucedeu a Henrique III após a morte deste, tornando-se Henrique IV da França, o qual deu fim às Guerras Religiosas Francesas, ao menos oficialmente, por meio do Édito de Nantes, em 1598. Foi assassinado por um fanático católico em 1610, e Margarida, por sua vez, morreu em 1615, vítima de uma doença. Apesar de encerradas tais Guerras, as quais vinham assolando o país desde 1562, as divisões causadas pela intolerância religiosa e pelo ódio continuaram, e foi algo claramente ingênuo se pensar que um casamento poderia, de alguma forma, ter reconciliado as facções em guerra. Três anos após a morte de Margarida de Valois, diferenças religiosas viriam a dar forma a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), a qual custaria outros 8 milhões de vidas além das que já se haviam perdido nos conflitos passados.
