As Cartas de Paulo, o Apóstolo, aos Gentios

Rebecca Denova
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Paulo era um membro dos Fariseus, um grupo judaico do século I. Teve uma revelação de Jesus Cristo ressuscitado onde Jesus o encarregou de ser o apóstolo (mensageiro) dos Gentios (não-judeus). Após esta experiência, viajou por todo o Império Romano, espalhando a "boa nova" de que Jesus em breve regressaria do Céu para instaurar o reino de Deus na Terra.

Folio of Early Pauline Espitles
Folio de Epístolas Paulinas Antigas Heycos (Public Domain)

No Novo Testamento, temos 14 Cartas (Epístolas) tradicionalmente atribuídas a Paulo, mas o consenso entre os estudiosos é que, das 14, sete foram realmente escritas por ele:

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  • 1 Tessalonicenses
  • Gálatas
  • Filémon (Filemom)
  • Filipenses
  • 1 e 2 Coríntios
  • Romanos

Ainda se debate entre alguns estudiosos a autoria de 2 Tessalonicenses, Efésios e Colossenses. As outras cartas importantes (1 e 2 Timóteo e Tito) foram muito provavelmente escritas por discípulos de Paulo, que usaram o seu nome para ter autoridade. As cartas que sobreviveram datam entre os anos de 52 e de 60, do século I. Embora seja impossível determinar com exatidão quando é que as cartas de Paulo foram reunidas, Clemente, um bispo de Roma por volta dos anos 90, já citava a ‘Primeira Carta aos Coríntios’.

A Essência das Cartas

É nas cartas de Paulo que o nome de Jesus é combinado com Cristo, o termo grego para a palavra hebraica Messias ("ungido").

Compreendemos que estas cartas são circunstanciais, não foram escritas como uma teologia sistemática ou como tratados sobre o Cristianismo. As cartas são respostas a problemas e situações específicas que surgiam nas comunidades de Paulo. Ele passava um tempo nas cidades, fundava um grupo e depois seguia viagem. Recebia cartas e, às vezes, relatórios com perguntas detalhadas ou conselhos sobre como resolver conflitos. Infelizmente, enquanto que as cartas de Paulo foram guardadas e postas em circulação, as cartas originais das comunidades não foram preservadas. A reconstrução dos problemas originais só pode ser feita através das respostas de Paulo.

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Conhecido como o convertido mais famoso da história (do ‘Livro os Atos dos Apóstolos’), "converção" não é o termo mais preciso para se lhe aplicar. A conversão pressupõe a mudança de um tipo de crença para outro, contudo na época, não havia essencialmente uma religião cristã para a qual ele se pudesse converter; e o próprio Paulo é ambíguo ao referir ao que se considerava:

20*Fiz-me judeu, com os judeus... (...). Comporto-me como os que estão debaixo da Lei, (...) 21*com os que estão fora da Lei, comporto-me como se estivesse fora da Lei, para os ganhar, (se bem que não esteja fora da Lei de Deus, mas sob a Lei de Cristo.)... 22*(...). ... Fiz-me tudo, para todos, (...). (1 Coríntios 9:20-22 - Costa, A. (†) et al.. Bíblia Sagrada. 11.ª Ed. Lx: Dif Bíblica (MC), 1984, pág. 1511)

Apostle Paul Mosaic
Mosaico do Apóstolo Paulo Edgar Serrano (CC BY-NC-SA)

É melhor seguir o que o próprio Paulo diz sobre o que lhe aconteceu, ou seja, que foi "chamado". Tal está de acordo com a tradição de como os profetas de Israel eram chamados para suas missões individuais.

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11†Faço-vos saber, irmãos, que o Envagelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. 12*Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo. (Gálatas 1:11-12, idem, pág. 1533).

Paulo defendia que esta experiência lhe dava tanta autoridade quanto o círculo original de Jerusalém (Pedro, Tiago e João). O seu chamado para ser o Apóstolo dos Gentios foi chocante porque, como ele mesmo admitia abertamente, havia "perseguido a igreja de Deus" (ibidem 1:13). Nunca explicou de fato o que fez, nem por que o fez. É nas cartas de Paulo que o nome Jesus é combinado com Cristo, a palavra grega para o hebraico Messias ("ungido"). Entendido como um título, "Jesus, o Cristo", a expressão tornou-se comum para indicar a sua identidade e função.

A Entrada dos Gentios

Tanto o ‘Livro os Atos dos Apóstolos’ quanto a carta de Paulo aos ‘Gálatas’ descrevem uma reunião em Jerusalém para resolver uma situação inesperada. Quando os missionários levaram os ensinamentos de Jesus de Nazaré a outras cidades, perceberam que os gentios queriam juntar-se-lhes. "Gentios" é o termo genérico para qualquer pessoa que não fosse judia. Muitos não-judeus participavam frequentemente nas sinagogas nas cidades, pois admiravam os ensinamentos e a ética judaica. Conhecidos como "tementes a Deus" no ‘Livro os Atos dos Apóstolos’ (aqueles que respeitavam o Deus de Israel), já estariam familiarizados com as referências bíblicas nos ensinamentos dos seguidores de Jesus.

Necessitavam somente decidir se estes não-judeus poderiam juntar-se ao movimento sem antes se tornarem judeus. O judaísmo tinha marcadores de identidade únicos, como a circuncisão, as leis alimentares e a observância do sábado, todos baseados na Lei de Moisés. Na reunião, foi decidido que não precisavam ser circuncidadas nem seguir as outras questões de identidade, mas deveriam abster-se de coisas "contaminadas pelos ídolos" (Livro os Atos dos Apóstolos 15:20) e evitar a carne de animais estrangulados ou caçados na natureza. Também deveriam abandonar a "imoralidade sexual", o que pode ser uma referência à necessidade de seguir as leis judaicas relacionadas com o incesto, e não as da cultura dominante. Paulo sentiu-se justificado por esta decisão, pois era exatamente isto ele ensinava que há anos nas suas comunidades.

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Paul the Apostle
Paulo, O Apóstolo RomanZ (CC BY-NC-SA)

Embora já tivesse sido tomada uma decisão em Jerusalém, o tema da inclusão dos gentios aparentemente continuou a ser debatido nas comunidades. Este problema é abordado em todas as cartas de Paulo. Em ‘Gálatas’, Paulo inicia a carta reclamando que, após a sua saída da região, falsos apóstolos vieram e ensinaram "um evangelho diferente" (Gálatas 1:6). Por outras palavras, alguns membros continuavam a insistir que os gentios deveriam converter-se primeiro ao judaísmo. Os argumentos de Paulo a favor da inclusão dos gentios sem a necessidade de conversão ao judaísmo incluíam uma forte polêmica contra os falsos apóstolos, no que, às vezes, era bastante rigoroso. Isto levou à ideia equivocada de que Paulo ensinava contra a sua antiga religião em detrimento da nova.

Mas, em relação à identidade étnica, a Lei de Moisés era direcionada apenas aos judeus; nunca se esperou que os gentios adotassem marcadores de identidade judaica. Todos os profetas de Israel previram que, nos últimos dias, alguns gentios se converteriam e adorariam o Deus de Israel, seriam parte de Israel, mas manteriam a sua identidade étnica como gentios. Tudo o que Paulo escreveu sobre o judaísmo e os gentios estava relacionado com isto. A conversão dos gentios convenceu Paulo de que o que os profetas haviam predito estava acontcendo nas comunidades dos crentes.

Escatologia e Provações de Paulo

Paulo via-se a si e aos seus seguidores como a última generção da velha ordem.

Ao ler as cartas de Paulo, é importante lembrar que, no contexto das suas missões, trabalhava dentro de um prazo limitado. Jesus havia ensinado sobre a iminência do reino de Deus há cerca de 20 anos. Para Paulo tal estava para acontecer, embora "o tempo é (em) breve" (1 Coríntios 7:29). Paulo não fundava uma nova religião; acreditava que sua geração seria a última antes do fim dos tempos, quando o universo seria transformado e todas as convenções sociais seriam alteradas. Paulo adotou uma crença cristã primitiva, conhecida como parúsia ("segunda vinda" ou "segunda aparição"), de que Cristo regressaria à Terra para cumprir as profecias do fim dos tempos. Paulo via-se a si mesmo e aos seus companheiros de fé como a última geração da velha ordem.

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A partir das cartas de Paulo, entendemos que, ao chegar a uma cidade, atraía seguidores, tanto das comunidades das sinagogas quanto do fórum. Embora todas as Bíblias em inglês traduzam estas comunidades como "igrejas", estas como edifícios tipo ‘igreja’ só existiram cerca de 300 anos depois. "Igreja" é a tradução do grego ecclesia e significava "assembleia". As cidades do império tinham assembleias de cidadãos locais que formavam o governo na forma de magistrados eleitos, e Paulo aparentemente aplicou este modelo. Os seus seguidores reuniam-se em casas particulares, e ele menciona nas suas cartas muitas das pessoas que abriam as casas para as reuniões.

Na ‘Segunca Carta aos Coríntios’ lamenta de não ter o mesmo respeito que os outros apóstolos:

São ministros de Cristo? - Falo a delirar - eu ainda mais: Muito mais pelos trabalhos, muito mais pelas prisões, imensamente mais pelos açoites, pelos frequentes perigos de morte. Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez apedrejado; três vezes naufraguei, e passei no abismo uma noite e um dia. (2 Cor. 11:23-25, ibid, pág. 1529).

As chicotadas faziam parte das punições da sinagoga por violações da Lei de Moisés (Lei Mosaica), e Paulo nunca deu detalhes sobre o assunto. A punição romana para a desordem civil era dada por vergastadas. Nas suas cartas, Paulo referiu-se aos seus constantes sofrimentos para validar o quanto tinha trabalhado em benefício dos crentes.

Gálatas

Nesta ‘Carta aos Gálatas’, Paulo introduziu o que se tornaria um de seus ensinamentos mais famosos: "o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo" (Gálatas 2:16). As Bíblias em inglês traduzem a palavra grega pistis como "fé", mas ela significava "lealdade". Neste sentido, lealdade aos ensinamentos de Cristo, conforme transmitidos por Paulo. (Foi daqui que Martinho Lutero retirou o conceito de que a salvação vem apenas pela fé.) No entanto, o que Paulo queria dizer era que os gentios eram admitidos sem "as obras da Lei", referindo-se às barreiras físicas que mantinham os judeus e os gentios separados.

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Circumcision
Circuncisão Lawrence OP (CC BY-NC-ND)

Nas suas cartas, Paulo tentou consistentemente eliminar as barreiras sociais e culturais no grupo. Uma vez admitidos, os gentios tinham que seguir os preceitos da Lei de Moisés. Como fariseu, a Lei de Moisés tinha um grande significado para si, e usava repetidamente citações da Lei de Moisés em relação à ética e ao comportamento. Nnunca poderia dizer que a Lei não era boa, mas quando se tratava dos gentios, considerava que os rituais físicos de Moisés não deveriam ser exigidos. Em ‘Gálatas’, Paulo escreveu que Deus deu a Lei como um pedagogus (um tutor, um guia), para definir o pecado. Sem a Lei, não poderíamos saber o que é certo ou errado. Mas agora, Cristo tinha vindo como o teleos (fim ou objetivo) da Lei.

"Justificado" era uma daquelas palavras gregas que tinham vários significados. Nas Bíblias em inglês, às vezes é traduzida como "justified" (justificado) e outras vezes como "righteoused" (tornado justo), para ser declarado "justo". O conceito de Paulo foi mais plenamente explicado na sua carta aos Romanos. Onde apresentou a morte de Jesus como uma expiação pelo pecado de Adão - que resultou na punição da morte humana, e a morte de Cristo resultou na vida eterna (ressurreição). Os crentes foram absolvidos (justificados) desta punição; Paulo acreditava que a sua geração, literalmente, não sofreria morte física. A Igreja posterior reteve o conceito de parúsia, mas agora para uma data futura. Os cristãos ainda morreriam fisicamente, mas teriam a oportunidade de vida eterna no céu.

1 Tessalonicenses

Uma das primeiras cartas de Paulo, a comunidade de Tessalônica tinha-lhe escrito com um certa angústia. Membros da comunidade haviam morrido antes do retorno de Cristo. Paulo respondeu:

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15* (...), conforme a palavra do Senhor: por ocasião da vinda do Senhor, nós os que estivermos vivos, não precedemos os mortos. 16(...), à voz do Arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do Céu e os que morreram em Cristo, ressurgirão primeiro. 17*Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens; iremos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. 18Consolai-vos, portanto uns aos outros com estas palavras. (1 Tessalonicenses 4:15-18, ibid., pág. 1557).

Esta passagem foi posteriormente adotada por crentes cristãos no século XVII para postular o conceito conhecido como "o arrebatamento", ou seja, a ida dos bons cristãos para o céu antes que se iniciasse a violência dos últimos dias, conforme descrita no Livro do Apocalipse.

Anastasis Scene in Chora Museum
Cena da Anástase no Museu de Chora Hagia Sophia Research Team (CC BY-NC-SA)

Filipenses

Paulo apresentou uma combinação confusa sobre Jesus: Jesus era tanto uma figura divina preexistente, presente na criação, quanto "3*(...) nascido da descendência de David, (...) 4constituído Filho de Deus em todo o Seu poder, segundo o Espírito de Santificação pela Sua Ressuireição dentre os mortos Jesus Cristo, Senhor Nosso (Romanos 1:3-4, ibidem, pág. 1483). Um hino antigo recitado por Paulo é encontrado em Filipenses 2:6-11:

6*†(Jesus) Ele que era de condição divina não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus; 7 Mas despojou-se a Si mesmo tomando a condição de servo, tornando-Se semelhante aos homens, 8*humilhou-Se a Si mesmo, feito obidiente até à morte e morte na cruz. 9Por isso é que Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todo o nome, 10*para que ao nome de Jesus, todo o joelho se dobre nos Céus, na terra e nos Infernos 11e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai. (Costa, A. (†) et al.. Bíblia Sagrada. 11.ª Ed. Lx: Dif Bíblica (MC), 1984, pág. 1547).

"... e Lhe deu um nome que está acima de todo o nome " é o Tetragrama (YHWH), o nome de Deus. O que “todo joelho se dobre" significava adoração, num conceito milenar de curvar-se diante de imagens de vários deuses. Filipenses 2:6-11 é essencialmente uma exegese (interpretação) de Isaías 45-53, conhecido como as passagens do "servo sofredor". O servo sofredor humilhou-se em obediência, sofreu e morreu, apenas para ser ressuscitado e exaltado acima de todos os outros e colocado ao lado de Deus no trono celestial. Alguns judeus interpretaram a passagem em Isaías para significar que Deus se havia manifestado neste servo. A ideia de que Deus estava literalmente presente em Jesus foi mais tarde canonizada no conceito da trindade, com o Primeiro Concílio de Niceia no ano de 325 declarando que Deus e Jesus eram da mesma essência.

Muito provavelmente, terá causado problemas o fato de os crentes cristãos adorarem Jesus como Deus e a exigência de Paulo de que os gentios cessassem a idolatria, o que levou às suas provações nas sinagogas, bem como nos fóruns públicos.

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1 & 2 Coríntios

1 Coríntios 13 contém o sermão de Paulo sobre o verdadeiro significado do amor mútuo na comunidade.

A correspondência com os Coríntios é uma janela fascinante para uma das primeiras comunidades cristãs. Depois de Paulo ter partido, recebeu relatos de que os coríntios haviam interpretado mal muitos de seus ensinamentos. Ao longo de 1 Coríntios, repreende a comunidade por estabelecer facções ou grupos separados. Divergiam no conceito de quem era melhor: os tinha sido batizados por Paulo, por Apolo (um cristão de Alexandria) ou por Pedro. Processavam-se uns aos outros nos tribunais públicos e estavam confusos sobre se as viúvas deveriam volta a casar; competiam sobre quem tinha os melhores "dons do espírito" (falar em línguas, profecia, cura), e a lembrança da ceia do Senhor reduziu-se a brigas por comida e bebida. Alguns membros, também, tinham começado a ensinar contra o conceito da ressurreição dos mortos.

Enquanto Paulo abordava todos estes problemas, a carta contém o que se tornaria alguns dos elementos mais espirituais e esclarecedores do ensino cristão. 1 Coríntios 13 contém o sermão de Paulo sobre o verdadeiro significado do amor mútuo na comunidade e 1 Coríntios 15 é o único lugar no Novo Testamento que descreve como será a ressurreição, à medida que os crentes são transformados em corpos espirituais para dar as boas-vindas ao regresso de Cristo.

2 Coríntios é uma auto-reflexão esotérica sobre a experiência de Paulo de ter viajado fora do corpo para os céus, onde lhe foram mostrados os segredos dos últimos dias. Esta carta incorpora visões filosóficas e conduziu muitos a analisarem-no à luz de Paulo o místico.

Romanos

Esta carta é uma das mais completas, pois apresentava-se aos romanos e, simultaneamente, explicava os seus ensinamentos. Muitos dos temas das outras cartas são repetidos, e mais completamente elaborados nesta missiva final que resume a teologia paulina. Em Romanos 7, efletiu sobre a causa de por que é que os humanos pecam. Numa passagem complicada, afirmou que, apesar da Lei (saber o que é certo e errado), pecamos porque o poder do pecado é uma força ativa dentro de nós. A morte e ressurreição de Cristo (assumindo o poder do pecado) libertou deste poder aqueles que têm fé em Cristo.

Saints Peter and Paul, from a Catacomb Etching
São Pedro e São Paulo, Gravura em uma Catacumba Anonymous (CC BY-SA)

Em Romanos, encontramos uma das raras vezes em que se dirigiu a seus companheiros judeus:

2sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração. 3*Porque eu mesmo quisera ser separado de Cristo em favor dos meus irmãos, que são do mesmo sangur que eu, segundo a carne, 4que são israelitas, aos quais pertencem a filiação adoptiva, a glória, as alianças, a legislação, o culto as promessas;

(Romanos 9:2-4, idem, pág. 1493).

Assim que os judeus vissem o que aconteceu aos gentios, por fim, arrepender-se-iam e aceitariam a boa nova de Cristo e creriam. Enquanto isto, os gentios não se devem vangloriar da sua boa sorte, pois são secundários.

25†Eu não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para vos não considerardes sábios: Deu-se o endurecimento duma parte de Israel, até que a totalidade dos gentios tenha entrado, 26e então Isreal inteiro será salvo,(...). (Romanos 11:25-26, Ibid, pág. 1496).

Paulo não indicou um prazo nem a ideia de uma pecentagem, mas isto era o que entendia como sendo o seu papel na salvação: o reino aguardava o trabalho crucial de Paulo entre os gentios e, então, os judeus viriam a crer.

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Em termos de influência e números, não temos dados definitivos sobre quantas pessoas Paulo doutrinou e se converteram. Mas em meados do século II, os ensinamentos de Paulo foram a base do dogma cristão. Ao citar Paulo, consistentemente, referiam-se a ele como "o Apóstolo", um título do qual se ele teria orgulhado.

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Bibliografia

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Rebecca Denova
Rebecca I. Denova, Ph.D. é Professora Emérita de Cristianismo Primitivo no Departamento de Estudos Religiosos da Universidade de Pittsburgh. Ela escreveu recentemente um livro didático, "The Origins of Christianity and the New Testament" [As Origens do Cristianismo e do Novo Testamento], publicado pela Wiley-Blackwell.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Denova, R. (2025, outubro 14). As Cartas de Paulo, o Apóstolo, aos Gentios. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1841/as-cartas-de-paulo-o-apostolo-aos-gentios/

Estilo Chicago

Denova, Rebecca. "As Cartas de Paulo, o Apóstolo, aos Gentios." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, outubro 14, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1841/as-cartas-de-paulo-o-apostolo-aos-gentios/.

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Denova, Rebecca. "As Cartas de Paulo, o Apóstolo, aos Gentios." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 14 out 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1841/as-cartas-de-paulo-o-apostolo-aos-gentios/.

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