Segundo a lenda, Éfeso foi fundada pela tribo das Amazonas, as grandes guerreiras. Pensa-se que o nome da cidade derivará de "Apasas", o nome duma cidade no "Reino de Arzaua" que significa a "cidade da Deusa Mãe".
Alguns académicos defendem que o sinal do lábrys (lábris), o machado duplo da deusa mãe que adornava o palácio de Cnossos, Creta, teve origem em Éfeso, e como em Creta estava associado apenas a divindades femininas, é possível que estivesse originalmente associado à deusa Ártemis em Éfeso, cujo templo era uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
Éfeso foi habitada desde o fim da Idade do Bronze, mas a localização foi alterada devido a inundações e aos caprichos de vários governantes. Embora os Léleges e Cápios estejam entre os primeiros habitantes da cidade, as migrações jónicas começaram por volta de 1200 a.C. e Éfeso é conhecida principalmente como uma cidade grega jónica, e faz parte da Lista da UNESCO como Património Mundial.
Éfeso Grega
A cidade foi fundada pela segunda vez pelo jónico Ândrocolo, filho de Codro, e as cidades estabelecidas após as migrações jónicas uniram-se numa confederação sob a tutela de Éfeso. A região foi devastada durante a invasão Ciméria no início do século VII a.C., mas sob o domínio dos reis Lídios, Éfeso tornou-se uma das cidades mais ricas do mundo Mediterrâneo pelo comércio.
Éfeso foi um centro de ensino; e o berço e lar do grande filósofo pré-socrático Heráclito de Éfeso (cerca de 500 a.C.). As mulheres gozavam de direitos e privilégios iguais aos dos homens, e existem registos de artistas, escultoras, pintoras e professoras, incluindo a artista Timarete (por volta do século V a.C.), conhecida pela sua pintura de Ártemis. À noite, as ruas da cidade eram iluminadas com lamparinas de óleo, um luxo que poucas cidades podiam pagar, e os cidadãos desfrutavam de um padrão de vida significativamente elevado.
Sob o governo do Rei Creso da Lídia (cerca de 585- cerca de 546 a.C.), iniciou-se a construção do grande Templo de Ártemis em Éfeso, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Destruído, pela primeira vez, por um incêndio em 356 a.C., (na mesma noite em que Alexandre, o Grande nasceu) por um homem que queria tornar-se famoso por este ato; consequentemente, os Efésios recusaram-se a registar o seu nome (embora mais tarde se tenha tornado conhecido).
A derrota de Creso por Ciro II (o Grande, reinou cerca 550-530 a.C.), Rei da Pérsia, colocou toda a Anatólia sob domínio Persa, mas Éfeso continuou a prosperar como um importante porto comercial. Quando as cidades-estado jónicas se revoltaram contra o domínio Persa no século V a.C., Éfeso manteve-se neutra e, desta forma, escapou à destruição sofrida por tantas outras cidades às mãos dos Persas.
Éfeso Helénica
Éfeso permaneceu sob domínio Persa até ser libertada por Alexandre, o Grande, em 334 a.C.. Ao entrar em Éfeso e ao ver a reconstrução do Templo de Ártemis ainda incompleta, Alexandre ofereceu-se para o reconstruir. Os Efésios, no entanto, recusaram a oferta, alegando que não era apropriado que um deus construísse um templo para outro, lisonjeando-o como uma divindade, evitaram um dívida para com Alexandre.
Lisímaco, um dos generais de Alexandre que se tornou governante da região após a morte de Alexandre, iniciou a renovação e desenvolvimento da cidade, à qual chamou Arsineia em homenagem à sua esposa Arsínoe II. Construiu um novo porto, ergueu muralhas defensivas nas encostas dos montes Panayýr e Bülbül e mudou a cidade cerca de três quilómetros para sudoeste. Os Efésios, no entanto, recusaram-se a deixar as suas casas e o local tradicional da idade, então Lisímaco mandou bloquear o sistema de esgotos da cidade durante uma grande tempestade, tornando assim as casas inabitáveis e forçando os cidadãos a mudarem-se. Em 281 a.C., a cidade foi refundada com o antigo nome de Éfeso e, novamente, reconhecida como um dos portos comerciais mais importantes do Mediterrâneo.
Éfeso Romana
Em 129 a.C., de acordo com o testamento deixado por Átalo, Rei de Pérgamo, o Império Romano herda Éfeso, e, durante este período, os pesados impostos taxados pelo governo Romano conduziram a que Mitrídates VI (de Ponto) (reinou 120-63 a.C.) se revolte e, em 88 a.C., ocorreu um massacre contra todos os habitantes de língua latina da cidade (e regiões circundantes) durante o evento que ficou conhecido como as Vésperas Asiáticas (Vésperas efésias ou Vésperas de 88 a.C.). Planeadas e executadas por Mitrídates VI, as Vésperas Asiáticas resultaram na morte de mais de 80.000 romanos e cidadãos italianos na região da Ásia Menor num só dia, e Éfeso, claro, sofreu perdas significativas com as outras cidades e aldeias.
Éfeso sofreu graves danos no terramoto do ano de 17 d.C., mas, após a recuperação, tornou-se, novamente, um centro muito importante de comércio. O historiador Aristio, e outros, descrevem Éfeso como sendo reconhecida por todos os habitantes da região como o centro comercial mais importante da Ásia. Permaneceu, também, um centro político e intelectual proeminente, ostentando a impressionante Biblioteca de Celso e a segunda escola de filosofia no Egeu.
A partir do século I, Éfeso foi visitada repetidamente pelos primeiros Cristãos (notavelmente São Paulo, que pregou e foi 'vaiado' no teatro), e diz-se que Maria, a mãe de Jesus, se retirou para lá com São João (o túmulo de João e a casa de Maria ainda podem ser visitados hoje). O Livro Bíblico de ‘Efésios’ é uma epístola escrita por Paulo à comunidade Cristã em Éfeso. A cidade tornou-se famosa mais tarde pela Gruta dos Sete Adormecidos, onde sete santos cristãos que foram emparedados numa gruta acima de Éfeso pela sua fé em 'tempos pagãos', dormiram durante duzentos anos, e emergiram depois do Cristianismo ter ascendido ao poder, provando assim a 'verdade' da fé na ressurreição do corpo.
Declínio
Depois do Cristianismo se ter tornado a religião dominante da região, Éfeso declinou em cultura e em atividades intelectuais. O Imperador Teodósio I (reinou 379-395), um fervoroso apoiante do Cristianismo, mandou fechar todos os templos e escolas pagãs, e as mulheres foram reduzidas a um estatuto de cidadãs de segunda classe, deixando de estar autorizadas a ensinar homens ou a trabalhar de forma independente nas artes. Os decretos de Teodósio I resultaram em mudanças semelhantes noutros lugares, mas parecem mais dramáticos em Éfeso devido ao alto grau de cultura que a cidade desfrutava antes da ascensão do Cristianismo.
Proíbiram a adoração da antiga deusa mãe Ártemis e uma multidão Cristã destruíu o Templo de Ártemis, sendo as ruínas usadas como pedreira para material de construção para outros projetos locais, como igrejas. As ruas, antes adornadas com estátuas, bem conservadas e iluminadas pelas lamparinas a óleo à noite, caíram em decadência e escuridão, pois a atenção dos agora cidadãos Cristãos de Éfeso estava direcionada para a Segunda Vinda da Luz do Mundo, o novo deus Jesus Cristo.
