P. G. T. Beauregard

O Defensor Confederado dos Direitos Civis
Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Confederate General P. G. T. Beauregard (by Mathew Brady, Public Domain)
General Confederado P. G. T. Beauregard Mathew Brady (Public Domain)

Pierre Gustave Toutant-Beauregard (P. G. T. Beauregard, 1818-1893) foi um engenheiro e general confederado durante a Guerra Civil Americana. É famoso por ter sido o primeiro general nomeado para comandar o Exército Provisório dos Estados Confederados (a 1 de março de 1861) e o oficial confederado que ordenou os primeiros disparos na Batalha de Fort Sumter, a 12 de abril de 1861, dando início à guerra. Como tal, tornou-se o primeiro herói de guerra da Confederação, e a sua popularidade no Sul aumentou ainda mais depois de ter comandado o Exército Confederado (juntamente com o general Joseph E. Johnston) na Primeira Batalha de Bull Run (Primeira Manassas), a 21 de julho de 1861, a primeira grande batalha da Guerra Civil e uma vitória decisiva da Confederação.

A propensão de Beauregard para organizar planos de batalha complexos — que eram frequentemente irrealistas ou impraticáveis —, bem como a sua contenda contínua com o presidente confederado Jefferson Davis, afastaram-no dos holofotes, uma vez que Davis o destituiu repetidamente do comando e o enviou para o teatro de operações ocidental da guerra. Comandou na Batalha de Shiloh (6-7 de abril de 1862) e ficou famoso por ter repelido as tropas da União durante o Cerco de Petersburg (9 de junho de 1864 a 25 de março de 1865), considerado o seu maior feito de comando durante a guerra.

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Contudo, devido à sua rivalidade com Davis, bem como aos atritos com outros oficiais, Beauregard não é hoje tão conhecido como outros generais confederados que combateram no teatro de operações oriental da guerra ou aqueles que mantiveram o comando, essencialmente por serem amigos de Davis, como Braxton Bragg.

Além disso, após o conflito, foi um dos poucos generais confederados — tal como James Longstreet e William Mahone — que defendeu os direitos civis no Sul, o sufrágio dos negros e a desagregação racial, o que o tornou impopular entre aqueles que se agarravam ao mito da «Causa Perdida» e procuravam devolver o Sul ao seu estado pré-guerra através das políticas de Jim Crow.

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A Infância e West Point

Beauregard nasceu na Paróquia de St. Bernard, na Louisiana, a 28 de maio de 1818, filho de Jacques Toutant-Beauregard e Helene Judith de Reggio. Era o terceiro filho de uma família crioula da Louisiana e tinha três irmãos e três irmãs. A sua família alargada incluía muitos crioulos de cor e, em criança, brincava frequentemente com os seus primos de tez escura e com rapazes escravos.

A admiração de Beauregard por Bonaparte viria mais tarde a influenciar muitos dos seus complexos planos de batalha durante a Guerra Civil.

Cresceu na plantação de cana-de-açúcar de Contreras, onde tinha nascido, cuidado por uma escrava chamada Mamie Françoise Similien, que o considerava um dos seus filhos. A sua família era católica e, tal como a maioria dos crioulos, falava francês. Como os seus pais eram abastados, foi enviado para escolas privadas na juventude e, posteriormente, para Nova Iorque, para frequentar a «escola francesa» durante quatro anos, a fim de aprender inglês. Alguns dos diretores dessa escola tinham sido oficiais sob o comando de Napoleão Bonaparte, e as suas histórias inspiraram Beauregard a escolher uma carreira militar.

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Entrou na Academia Militar de West Point em 1834 e formou-se em segundo lugar na sua turma em 1838, tendo-se especializado como engenheiro militar e artilheiro. Estudou as campanhas de Napoleão ao longo dos seus anos em West Point e adotou um estilo de vestuário francês singular, de tal forma que os seus colegas de turma o chamavam de «Pequeno Napoleão». A sua admiração por Bonaparte viria mais tarde a influenciar muitos dos seus complexos planos de batalha durante a Guerra Civil. A sua tez mais escura também lhe valeu as alcunhas de «Pequeno Crioulo» e «Pequeno Francês Negro».

Diz-se que Beauregard foi aluno e, posteriormente, assistente de Robert Anderson, o futuro comandante do Forte Sumter, contra quem Beauregard viria a disparar em 1861. Esta afirmação é contestada pelo estudioso Sean Michael Chick, que escreve:

Após a formatura, Beauregard terá supostamente servido como assistente do seu professor favorito, Robert Anderson, o instrutor de artilharia. No entanto, Anderson já tinha deixado West Point, o que torna a história provavelmente apócrifa.

(pág. 8)

Anderson servia como primeiro-tenente na Segunda Guerra Seminole em 1837, mas parece ter regressado a West Point em 1839. O estudioso T. Harry Williams observa:

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O professor favorito de [Beauregard] era o instrutor de artilharia Robert Anderson, que se recusaria a entregar o Forte Sumter ao seu antigo aluno na cena inicial da guerra. As relações entre os dois eram aparentemente próximas, pois logo após a formatura, Beauregard serviu durante algum tempo como assistente de Anderson.

(pág. 8)

A afirmação de Williams é a geralmente aceite pelos historiadores e é corroborada pelas cartas de Beauregard.

Beauregard casou-se com Marie Antoinette Laure Villere, filha de um proprietário de plantações da Louisiana, em 1841, e o casal teve três filhos. Marie faleceu ao dar à luz a terceira filha, Laure, em 1850. Entre cerca de 1842 e 1847, Beauregard e a sua família viveram no Bairro Francês de Nova Orleães, onde ele trabalhou como engenheiro militar.

A Guerra Mexicano-Americana e a Vida Entre as Guerras

Em 1847, Beauregard foi enviado para o México para servir como engenheiro na Guerra Mexicano-Americana sob o comando do general Winfield Scott, tendo participado em várias batalhas, incluindo Contreras, Churubusco e Chapultepec. Foi promovido a capitão e, posteriormente, a major e, em Chapultepec, manifestou reservas quanto ao plano de Scott de um assalto frontal ao Portão da Candelária da cidade, sugerindo, em vez disso, uma manobra de diversão no portão e um ataque à fortaleza. Scott concordou com ele, e o seu plano resultou na vitória.

Durante a Batalha de Chapultepec, Beauregard foi ferido no ombro e na perna, mas continuou a campanha e foi um dos primeiros oficiais a entrar na Cidade do México, pondo fim à guerra.

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Fall of Chapultepec 1847
Queda de Chapultepec 1847 Unknown Artist (Public Domain)

Em 1848, regressou à Louisiana e trabalhou na reparação de fortes, nomeadamente o Forte Jackson e o Forte St. Philip, no rio Mississippi. Era um fervoroso democrata sulista que apoiou a campanha de Franklin Pierce à presidência em 1852 e foi recompensado com o cargo de engenheiro-superintendente na Alfândega dos EUA em Nova Orleães, que ocupou entre 1853 e 1860.

Foi nomeado superintendente de West Point em janeiro de 1861, mas ocupou esse cargo apenas por alguns dias, uma vez que o seu estado natal, a Louisiana, se separou da União a 26 de janeiro de 1861, e o governo dos EUA revogou as suas ordens. Beauregard considerou esta uma ação injusta e injustificada, pois acreditava que a Louisiana tinha o direito de se separar e não representava, de forma alguma, uma ameaça para o governo dos EUA. No entanto, caso as hostilidades eclodissem, compreendia que teria de lutar pelo seu estado natal, uma decisão que muitos oficiais confederados tomaram.

A Guerra Civil

Regressou à Louisiana, na esperança de ser nomeado comandante do exército do estado, mas essa honra coube a Braxton Bragg. Beauregard foi nomeado general-de-brigada no Exército Provisório dos Estados Confederados a 1 de março de 1861 e recebeu ordens para assumir o comando das defesas de Charleston, na Carolina do Sul, chegando ao local a 3 de março de 1861.

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Confederate General P.G.T. Beauregard, 1861
General Confederado P.G.T. Beauregard, 1861 Thomas Cantwell Healy (Public Domain)

Batalha de Fort Sumter

O major Robert Anderson, que comandava as forças da União no porto de Charleston, tinha transferido os seus homens do Forte Moultrie para o Forte Sumter na noite de 26 de dezembro de 1860, pouco depois de a Carolina do Sul ter-se separado da União a 20 de dezembro. As autoridades de Charleston consideraram isto um ato hostil, uma vez que Sumter era mais fácil de defender do que Moultrie e representava uma ameaça direta para a cidade de Charleston.

Após a chegada de Beauregard à cidade, este enviou a Anderson caixas de brandy, uísque e charutos – mas Anderson ordenou que fossem devolvidas, pois não considerava que os presentes fossem apropriados dadas as circunstâncias.

No entanto, a 6 de abril, escreveu a Beauregard:

Espero sinceramente que nada venha a alterar, nem que seja minimamente, a grande consideração e estima que, há tantos anos, nutro por si. Sou, caro General, seu…

Beauregard respondeu:

Deixe-me assegurar-lhe, Major, que nada faltará da minha parte para preservar as relações amigáveis e as impressões que têm existido entre nós há tantos anos.

(Chadwick, pág. 268)

Mesmo assim, Charleston não podia permitir que uma guarnição da União fortificasse uma posição tão próxima da cidade, e Beauregard exigiu que Anderson rendesse Sumter. Anderson recusou e, às 4h30 da manhã de 12 de abril de 1861, Beauregard ordenou às suas tropas que abrissem fogo contra o forte, dando início à Guerra Civil.

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Bombardment of Fort Sumter
Bombardeio do Forte Sumter Unknown Artist (Public Domain)

As tropas de Anderson resistiram ao bombardeamento, ripostando, até 13 de abril, quando se renderam. Beauregard, fiel à sua palavra, não fez prisioneiros e permitiu que Anderson e a guarnição regressassem à cidade de Nova Iorque. Anderson, no Norte, e Beauregard, no Sul, tornaram-se heróis nacionais.

Primeira Batalha de Bull Run (Primeira Manassas)

A Beauregard foi confiado o comando das tropas na Primeira Batalha de Bull Run (Primeira Manassas), a 21 de julho, juntamente com o general Joseph E. Johnston. Enfrentaram as forças da União sob o comando do brigadeiro-general Irvin McDowell (um dos colegas de turma de Beauregard em West Point) e, inicialmente, o dia não lhes correu bem. A batalha virou a favor dos confederados à tarde, com a captura dos canhões da União e a famosa investida de Stonewall Jackson, que levou o Exército da União à retirada (relatada pelo jornalista William H. Russel na sua obra Panic at Bull Run - Pânico em Bull Run).

First Battle of Bull Run (First Manassas), 21 July 1861
Primeira Batalha de Bull Run (Primeiro Manassas), 21 de julho de 1861 Kurz & Allison (Public Domain)

A batalha constituiu uma derrota esmagadora para o Norte e uma grande vitória para o Sul, mas Beauregard e Johnston não conseguiram perseguir o Exército da União até Washington, D.C., o que, segundo o oficial de estado-maior de Beauregard e mais tarde artilheiro, E. P. Alexander, foi um erro imperdoável, como ele deixa claro na sua crítica à batalha, Losing an Opportunity at Bull Run (A Oportunidade Perdida em Bull Run).

O facto de Beauregard não ter prosseguido a perseguição deu início ao atrito entre ele e Jefferson Davis, mas existe uma diferença de opinião considerável entre os apoiantes de cada um, mesmo hoje em dia, quanto a quem foi o culpado. Beauregard alegou que teria prosseguido a perseguição, mas foi impedido por Davis; Davis alegou que sugeriu veementemente a perseguição, mas foi dissuadido por Beauregard e Johnston. Na verdade, o Exército Confederado estava demasiado desorganizado em Bull Run para ter perseguido eficazmente o inimigo naquela noite, e uma chuva forte no dia seguinte impediu qualquer ação adicional. Beauregard foi promovido a general de divisão no Exército Confederado na sequência da sua vitória.

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Entre os muitos problemas que ambos os exércitos enfrentaram a 21 de julho, destacou-se a confusão causada por uniformes e bandeiras semelhantes. Beauregard resolveu esta questão ao conceber a Bandeira de Batalha Confederada, o estandarte mais famoso da Confederação.

Shiloh e Charleston

Beauregard, que inicialmente era muito estimado por Davis, rapidamente se tornou um incómodo ao criticar publicamente o presidente pelas suas decisões em Bull Run e ao recusar-se a aceitar ordens dos membros do gabinete de Davis. Davis passou a considerar Beauregard arrogante e pretensioso e, por isso, enviou-o para o teatro de operações do Oeste em março de 1862, essencialmente para o afastar do caminho.

O general da União Ulysses S. Grant estava em ação no Oeste desde 1861 e tinha vencido a Batalha de Fort Henry a 6 de fevereiro de 1862 e a Batalha de Fort Donelson (11-16 de fevereiro de 1862). Em março, Grant avançava em direção a Corinth, no Mississippi, para se juntar ao exército comandado pelo major-general Don Carlos Buell.

Map of the American Civil War, 1861-1865
Mapa da Guerra Civil Americana, 1861-1865 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Beauregard era o segundo no comando do general Albert Sidney Johnston e, juntos, deslocaram o seu Exército do Mississippi para interceptar Grant. Beauregard planeou um ataque complexo, ao estilo napoleónico, que resultou em desorganização no campo de batalha. Ainda assim, conseguiu fazer recuar Grant e, quando Johnston foi mortalmente ferido, Beauregard assumiu o comando total na Batalha de Shiloh (6-7 de abril de 1862).

Ao cair da noite do dia 6, Beauregard cancelou o ataque, confiante de que Grant tinha sido derrotado, e planeou destruir as forças da União na manhã seguinte. Durante a tarde do dia 6, no entanto, as forças de Buell tinham chegado e, na manhã do dia 7, Grant lançou um contra-ataque que expulsou Beauregard do campo de batalha e o forçou a recuar para Corinth. Grant foi substituído pelo Major-General Henry W. Halleck, um comandante muito mais tímido, que avançou lentamente sobre Corinth, dando tempo a Beauregard para organizar uma defesa que incluía a circulação de comboios vazios, recebidos com vivas das suas tropas, sugerindo a chegada de reforços. Halleck demorou tanto tempo a avançar sobre Corinth que, quando finalmente o fez, Beauregard já tinha escapado e levado as suas tropas para Tupelo, no Mississippi.

Beauregard supervisionou a realização de experiências com submarinos, num esforço para quebrar o bloqueio da União ao porto de Charleston.

Nessa altura, exausto, Beauregard tirou licença médica — mas sem enviar um pedido formal a Davis — e, por isso, Davis substituiu-o pelo antigo rival de Beauregard, o general Braxton Bragg. Beauregard protestou, mas Davis não lhe deu ouvidos e enviou Beauregard de volta a Charleston para supervisionar as defesas. Ao longo de 1863, Beauregard defendeu Charleston contra os ataques da União, especialmente ao Forte Sumter, que se encontrava sob controlo confederado desde abril de 1861.

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Foi sob o comando de Beauregard que teve lugar a famosa Segunda Batalha de Fort Wagner (18 de julho de 1863), na Ilha de Morris, durante a qual o regimento de soldados negros do 54.º de Massachusetts, sob o comando de Robert Gould Shaw, liderou o ataque da União — episódio que foi dramaticamente retratado no filme Tempo de Glória (tít. orignal: Glory), de 1989.

Beauregard supervisionou a experimentação com submarinos durante este período, num esforço para romper o bloqueio da União ao porto de Charleston. Envolveu-se no desenvolvimento do submarino H.L. Hunley e ordenou a instalação da haste fixada à proa que lançaria a carga explosiva. O Hunley atacou com sucesso e afundou o USS Housatonic a 17 de fevereiro de 1864, mas afundou-se imediatamente a seguir.

Petersburg e a Rendição

Em 1860, dez anos após perder a sua primeira mulher, Beauregard casou-se pela segunda vez com Marguerite Caroline Deslonde. Enquanto inspecionava fortificações na Flórida, recebeu um telegrama a informá-lo de que Caroline tinha falecido a 2 de março de 1864, após uma longa doença. Beauregard não pôde abandonar o seu posto, e a imprensa do Norte publicou editoriais alegando que a sua negligência tinha levado à morte da sua mulher, o que provocou uma reviravolta na opinião pública contra ele. As forças da União supervisionaram o regresso dos restos mortais dela de Nova Orleães para a sua casa.

Beauregard solicitou licença para recuperar da morte da sua mulher e de um grave problema na garganta de que sofria, mas esta foi-lhe negada, tendo-lhe sido ordenado que se dirigisse à Carolina do Norte para preparar a defesa da Virgínia. Foi durante este período que assumiu o comando das tropas em Petersburg, na Virgínia, em junho de 1864, defendendo a cidade contra Ulysses S. Grant até março de 1865, considerada a sua melhor ação em toda a guerra.

Union Troops Assault Petersburg, 15 June 1864
Bombardeamento de Fort Sumter, Tropas da União Assaltam Petersburg, 15 de junho de 1864 Edwin Forbes (Public Domain)

A Confederação estava a desmoronar-se à medida que Grant continuava a perseguir Robert E. Lee e William Tecumseh Sherman avançava pelo Sul na sua «Marcha para o Mar». A saúde de Beauregard também se deteriorava, tendo sido substituído por Joseph E. Johnston. Depois de Lee se ter rendido a Grant em Appomattox Court House, a 9 de abril de 1865, Beauregard e Johnston renderam-se a Sherman em Durham, na Carolina do Norte, a 26 de abril, e a guerra terminou efetivamente.

A Vida Após a Guerra

Após a guerra, Beauregard regressou a Nova Orleães, prestou juramento de lealdade aos Estados Unidos em setembro de 1865 e foi oficialmente perdoado pelo presidente Andrew Johnson, em 1868, pelo seu papel na Guerra da Rebelião. Recebeu propostas de países estrangeiros para liderar os seus exércitos, mas optou por uma vida tranquila como civil.

Beauregard defendeu abertamente os direitos civis e o sufrágio dos negros e apelou à desegregação.

Em 1869, recebeu uma patente para o teleférico, que introduziu em Nova Orleães, e desempenhou as funções de engenheiro-chefe e superintendente da New Orleans, Jackson, and Great Northern Railroad. Desempenhou também as funções de superintendente da Louisiana State Lottery Company e, tal como muitos outros oficiais da Guerra Civil, contribuiu com artigos sobre o conflito para várias publicações periódicas.

Durante este período, defendeu também abertamente os direitos civis e o sufrágio para os negros, liderando o Movimento de Unificação da Louisiana em 1873. Beauregard apelou à integração das escolas, à igualdade na educação e na propriedade, e ao fim da segregação em locais públicos e nos transportes públicos. Os estudiosos ainda debatem se o fez devido à sua crença na igualdade das raças, incutida nele desde a infância, ou se se tratou de uma manobra política para utilizar o sufrágio dos negros como meio de derrotar as políticas dos republicanos radicais e manipular a população negra do Sul para servir os interesses dos brancos.

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Conclusão

Quaisquer que tenham sido as suas motivações, o resultado, caso tivesse sido aceite, teria estabelecido os direitos civis para os negros no Sul cerca de 80 anos antes do Movimento dos Direitos Civis de meados do século XX. As suas iniciativas foram, no entanto, rejeitadas, e outras políticas com conotações raciais foram implementadas, tal como viria a acontecer com o grande trabalho de William Mahone na Virgínia.

É irónico, portanto, que a estátua equestre de P. G. T. Beauregard, outrora localizada à entrada do City Park, em Nova Orleães, tenha sido removida em maio de 2017, no âmbito da iniciativa da cidade de retirar os monumentos aos líderes confederados. Embora a sua defesa dos direitos civis no Sul não possa realmente ser comparada à de Longstreet ou Mahone, ele pareceu ter mudado de opinião e tentou corrigir os erros do passado.

Monument to P. G. T. Beauregard
Monumento a P. G. T. Beauregard Infrogmation (CC BY-NC-SA)

Beauregard faleceu durante o sono a 20 de fevereiro de 1893, aos 74 anos, vítima de uma doença cardíaca, e foi sepultado no Cemitério de Metairie, no subúrbio de Metairie, em Nova Orleães. A sua defesa dos direitos civis tornou-o impopular no Sul – e, por isso, a sua posição em Petersburg e a vitória em Bull Run desvaneceram-se na memória coletiva.

Hoje em dia, Beauregard é frequentemente agrupado com outros generais sulistas da Guerra Civil sob a designação de «confederado» e menosprezado — ou foi simplesmente esquecido, uma vez que não recebeu a mesma cobertura mediática elogiosa que Robert E. Lee, Stonewall Jackson ou J. E. B. Stuart após a guerra —, mas continua a ser uma das figuras mais interessantes e enigmáticas da Guerra Civil Americana, e a sua história merece maior atenção.

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Perguntas & Respostas

Quem foi P. G. T. Beauregard?

P. G. T. Beauregard foi um general confederado na Guerra Civil Americana; foi o oficial que ordenou o bombardeamento do Forte Sumter em abril de 1861, dando início à guerra, e o comandante das forças confederadas na sua vitória na Primeira Batalha de Bull Run (Primeira Manassas), a 21 de julho de 1861. Após a guerra, tornou-se um defensor dos direitos civis e do sufrágio dos negros.

Era P. G. T. Beauregard negro?

O general P. G. T. Beauregard era um crioulo branco da Luisiana, mas tinha uma tez mais escura do que os seus camaradas generais confederados.

Será que P. G. T. Beauregard defendeu realmente os direitos civis no Sul?

Sim. Após a Guerra Civil, P. G. T. Beauregard defendeu a desegregação, os direitos civis, a igualdade de oportunidades na educação e na propriedade, e o sufrágio para os negros. Contudo, desconhece-se se o fez de forma sincera ou como forma de contrariar as políticas dos republicanos radicais.

Como morreu P. G. T. Beauregard?

P. G. T. Beauregard faleceu durante o sono, vítima de uma doença cardíaca, a 20 de fevereiro de 1893, aos 74 anos.

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Mark, J. J. (2026, setembro 04). P. G. T. Beauregard: O Defensor Confederado dos Direitos Civis. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-28936/p-g-t-beauregard/

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Mark, Joshua J.. "P. G. T. Beauregard: O Defensor Confederado dos Direitos Civis." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, setembro 04, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-28936/p-g-t-beauregard/.

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Mark, Joshua J.. "P. G. T. Beauregard: O Defensor Confederado dos Direitos Civis." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 04 set 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-28936/p-g-t-beauregard/.

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