Heinrich Bullinger

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Heinrich Bullinger (by Hans Asper, Public Domain)
Heinrich Bullinger Hans Asper (Public Domain)

Heinrich Bullinger (1504-1575) foi um reformador, ministro e historiador suíço que sucedeu a Ulrico Zuínglio (1484-1531) como líder da Reforma Protestante na Suíça e tornou-se o elo de ligação teológico entre o trabalho de Zuínglio e o de João Calvino (1509-64). Mais conhecido pela sua obra Confissões Helveticas (Helvetisches Bekenntnis) que influenciou as outras seitas Protestantes.

Bullinger estudava para padre católico quando conheceu o trabalho de Martinho Lutero (1483-1546), e abraçou a visão Protestante, após ouvir os sermões de Zuínglio, decidindo adoptar a interpretação deste do Cristianimo, cuja visão radical de converção dos católicos resultou nas Guerras de Kappel, onde acaba por ser morto em batalha em 1531. Sucedendo-o, Bullinger assume a posição de padre na Grossmünster (Grande Catedral) de Zurique.

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Reconhecendo que a politização do Cristianismo de Zuínglio inspirou a guerra e custou a vida a 500 cidadãos de Zurique, Bullinger concordou com o Concelho da cidade de que não haveria referências políticas nos seus sermões e focar-se-ía somente nas escrituras. Supervisionou todas as igrejas sob a sua alçada ao mesmo tempo que cuidava dos programas educacionais, escrevia sermões teológicos e históricos, e correspondia-se com vários monarcas e outros reformadores sobre questões religiosas.

É tido como o precursor do conceito de Teologia da Aliança, mais tarde popularizado por Calvino, com quem se correspondia regularmente e cujos ensinamentos influenciou. Embora não seja tão conhecido como figuras como Lutero, Zuínglio e Calvino, Bullinger desempenhou um papel igualmente significativo na Reforma Protestante, preservando a visão inicial de Zuínglio de justificação pela fé e da Bíblia como a única autoridade espiritual, até que pudesse ser totalmente desenvolvida por Calvino, cujas obras influenciaram então o estabelecimento de igrejas protestantes.

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Educação e Conversão

Bullinger nasceu a 18 de julho de 1504 na cidade de Bremgarten, Suíça, filho de Heinrich Bullinger e da sua mulher de direito comum Anna Wiederkehr. O pai Heinrich era pároco e, como tal não deveria casar-se, contudo, como muitos padres por toda a Europa, contornou a política da Igreja contra o casamento clerical pagando a taxa anual ao seu bispo. O jovem Heinrich foi o quinto filho desta união, e desde cedo o pai o encorajou a seguir o sacerdócio, ensinando-o em casa. Aos doze anos foi enviado para a escola em Emmerich, onde foi apresentado aos teólogos escolásticos cujas obras versavam sobre a formação clerical, nomeadamente Agostinho de Hipona (354-430), Tomás de Aquino (circa 1225-1274) e João Duns Escoto (circa 1265-1308). Foi reconhecido como um estudioso de notável capacidade e encorajado a prosseguir os estudos.

Bullinger rejeitou o programa educacional da igreja, cujO método era a memorização da liturgia ignorando a bíblia, e instituiu o estudo da bíblia e a sua interpretação.

Em 1519, com apenas 14 anos ingressou na Universidade de Colónia, onde leu as obras do teólogo, filósofo e sacerdote humanista Erasmo de Roterdão (1466-1536), bem como as de Martinho Lutero e de Filipe Melâncton (1497-1560). Em 1521, Lutero foi condenado como herege e proscrito após a Dieta de Worms, e, de acordo com o decreto clerical, os cidadãos queimavam os livros de Lutero na época em que Bullinger estudava em Colónia.

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A reação da Igreja aos ensinamentos de Lutero apenas encorajou o interesse de Bullinger, que os leu juntamente com o famoso tratado de Melâncton, Loci Communes, levando-o a repensar a sua devoção à Igreja Católica e a abraçar o movimento reformado dos luteranos. Encorajado por esta nova visão, leu a Bíblia por si próprio e convenceu-se da afirmação de Lutero de que o indivíduo era justificado por Deus apenas através da fé em Cristo, e não pelos preceitos da Igreja ou pelas suas próprias obras.

Licenciou-se da universidade em 1522 e, em 1523, tornou-se diretor da Abadia de Kappel, em Kappel am Albis. Rejeitou o programa educacional da Igreja, que ensinava a memorização da liturgia e ignorava a Bíblia, e instituiu o estudo e a interpretação da Bíblia. Não escondeu das autoridades as suas crenças e as suas novas políticas, tendo encontrado a aprovação dos seus superiores imediatos, já que permaneceu no cargo de 1523 a 1529, durante o qual elegeu a literacia bíblica acima da liturgia e mudou os serviços de culto da missa católica para o serviço protestante reformado.

Zuínglio e o Regresso a Casa

Em 1527, viajou para Zurique e ouviu a pregação de Zuínglio e do seu co-reformador Leo Judd (1482-1542). Foi instantaneamente atraído pela visão de Zuínglio que, tal como a de Lutero, enfatizava somente a fé e Cristo como os meios de salvação. Zuínglio também pregava a Bíblia como a única autoridade em assuntos seculares e defendia uma Suíça Protestante unida, modelada na comunidade do cristianismo primitivo descrita no Livro dos “Atos dos Apóstolos”. Este conceito atraiu Bullinger, que conferenciou em privado com Zuínglio, e em 1528 acompanhou-o à Disputa em Berna.

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Naquele mesmo ano, Bullinger aceitou um cargo de meio período na aldeia de Hausen, perto de Kappel am Albis, onde começou a pregar a visão Reformada em junho. No entanto, enquanto o jovem Bullinger se movia em direção ao cristianismo Reformado, o pai seguindo o mesmo caminho, em 1529 declarou-se um proponente evangélico, sendo forçado a renunciar ao cargo de pároco. Bullinger deixou o cargo em Kappel, regressa a casa e assume o posto do pai, expulso pelos paroquianos que rejeitaram a Reforma, contudo quando Bullinger chegou, foi bem recebido, mesmo pregando a mesma visão e, na verdade, uma versão muito mais radical das convicções do pai.

Kappel am Albis
Kappel am Albis Schulerst (CC BY-SA)

Os sermões de Bullinger contra a veneração de ícones encorajaram o povo de Bremgarten a destruí-los, a partir vitrais e a queimar imagens e estatuária como símbolos de idolatria. Não é claro o motivo pelo qual os paroquianos rejeitaram o protestantismo do pai e abraçaram o do filho, contudo um aspeto notável do caráter de Bullinger era o calor e a compaixão que atraíam as pessoas para ele.

As Guerras de Kappel e a Grossmünster

En 1529, Bullinger encontrava-se em Bremgarten quando Zuínglio apelou à conversão forçada dos cantões (províncias) católicos, dando início à Primeira Guerra de Kappel. As hostilidades foram evitadas por uma delegação protestante de Berna, enquanto os exércitos já estavam mobilizados no campo em Kappel, estabelecendo a Paz de Kappel am Albis. Zuínglio aceitou os termos de paz, mas continuou a apelar à ação militar e às conversões forçadas para concretizar a sua visão de um país protestante unido.

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Incapaz de obter o apoio das outras cidades protestantes para uma invasão dos cantões católicos, Zuínglio contentou-se com um bloqueio, privando os católicos de sal, cereais e outras necessidades essenciais. Os cantões católicos responderam em outubro de 1531, marchando sobre Zurique na Segunda Guerra de Kappel, durante a qual Zuínglio caiu em batalha juntamente com outros 500 homens. Os católicos atacaram novamente a 24 de outubro, pondo fim à guerra e oferecendo termos que permitiam a Zurique e aos outros cantões praticar qualquer forma de cristianismo que desejassem, desde que deixassem os católicos em paz.

Zwingli's Death on the Battlefield of Kappel
A Morte de Zuínglio no Campo de Batalha de Kappel August Weckesser (Public Domain)

Em Zurique, a reação às Guerras de Kappel foi rápida e o movimento de Zuínglio estagnou sob as críticas à sua militância, à politização da religião e à morte de 500 pessoas. Segundo a estudiosa Lyndal Roper, Zuínglio tinha apresentado as guerras como ordenadas por Deus e assegurado aos seus seguidores que triunfariam em nome de Deus. Quando a Segunda Guerra de Kappel correu mal para Zurique, Roper observa que um concidadão gritou para Zuínglio:

Disseste-nos que eles fugiriam, que as suas balas ricocheteariam neles... Tu cozinhaste esta papa e também puseste as cenouras – agora tens de nos ajudar a comê-la. (pág. 335).

Este sentimento cresceu, e o movimento de Zuínglio ficou em perigo quando os católicos reafirmaram o controlo sobre regiões que tinham sido evangelizadas por protestantes, enquanto os seguidores de Zuínglio em Zurique questionavam os preceitos que tinham abraçado antes de Kappel. Bremgarten foi retomada pelos católicos, e Bullinger e a sua família – que em 1531 incluía Anna Adischwyler e um bebé – fugiram para Zurique. Bullinger tinha moderado as suas opiniões depois da destruição causada pelos seus sermões de 1529, e 9 de dezembro de 1531, com 27 anos de idade foi aceite pelo Concelho da cidade como sucessor de Zuínglio na Grossmünster.

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Bullinger, o Moderado

A primeira prioridade de Bullinger foi estabilizar o movimento desviado pelo apoio político de Zuínglio à ação militar. O estudioso Diarmaid MacCulloch observa:

Pouco se deveu a Zuínglio a recuperação da sua obra em Zurique. A Reforma da cidade foi reconduzida à estabilidade por Heinrich Bullinger, um homem sábio e paciente, e um grande pregador. (pág. 176).

A TEOLOGIA DA ALIANÇA DE BULLINGER AFIRMAVA QUE DEUS TINHA OFERECIDO UM ACORDO À HUMANIDADE, O QUAL OS CRISTÃOS ERAM OBRIGADOS A HONRAR ATRAVÉS DA OBEDIÊNCIA À VONTADE DIVINA.

Bullinger concordou com o Concelho da cidade, que se opunha a qualquer politização do púlpito e manteve o foco na pregação inspiradora da Bíblia e na aplicação dos princípios bíblicos à vida dos seus paroquianos. O Concelho da cidade nomeou-o antistes (Ministro Principal) e, nesta qualidade, foi responsável por muitas outras igrejas da região, além da Grossmünster, supervisionando pessoalmente a conduta dos pastores. Bem como orientou o sistema educacional de Zurique, mantendo os mesmos altos padrões que havia tido durante a sua juventude na escola e enfatizando a importância da literacia bíblica.

O casal teve onze filhos e adotaram outros que ficaram órfãos, abrindo as portas de casa a qualquer pessoa necessitada e acolhia frequentemente refugiados que fugiam da perseguição doutras regiões ou cantões católicos vizinhos. Além da sua ação altruísta, das suas responsabilidades como pastor da Grossmünster e das suas iniciativas educacionais, foi um escritor prolífico, correspondendo-se com outros reformadores por toda a Europa, bem como escrevendo as suas próprias obras sobre teologia e história.

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Teologia da Aliança e Obras Famosas

Um dos conceitos mais importantes para o desenvolvimento posterior do cristianismo Protestante foi a Teologia da Aliança de Bullinger, que afirmava que Deus ofereceu um acordo à humanidade de que os cristãos eram obrigados a honrar através da obediência à vontade divina. A Teologia da Aliança definia a relação humana com o divino como um pacto – uma aliança – pela qual uma das partes fornecia algo de valor – a graça da salvação – em troca de reconhecimento através da devoção grata e obras que manifestassem a gratidão. Não havia nada que se pudesse fazer para merecer a salvação – era uma dádiva gratuita de Deus que só se tinha de aceitar – mas esperava-se que se refletisse a dádiva na própria vida através das boas acções.

Bullinger explorou este conceito através da sua famosa obra Décadas (Dekaden, 1549-1552). O académico Frank N. Magill comenta:

As Décadas consistem de cinco grupos de dez sermões publicados [entre 1549-1551]. Os sermões foram amplamente lidos e exerceram considerável influência fora da Suíça, especialmente na Igreja de Inglaterra, durante o reinado da Rainha Isabel I, onde eram leitura obrigatória para aqueles que estudavam para serem pregadores. (pág. 382).

As Décadas foram escritas em latim e depois traduzidas para inglês em quatro volumes em 1577, 1584 e 1587. Entre os tópicos abordados estavam a predestinação; a graça de Deus; a natureza do divino; a autoridade das escrituras que revelam a natureza divina; e uma definição da verdadeira Igreja em oposição aos falsos ensinamentos. Magill resume os pensamentos de Bullinger sobre este último tópico:

A Igreja de Roma não é a verdadeira Igreja; esta última é constituída interiormente por verdadeiros crentes e é visivelmente encontrada onde quer que a Palavra de Deus seja fielmente pregada e os sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor sejam devidamente administrados. (pág. 381).

Aqui, abordava a questão central do que constitui o cristianismo, que, na sua opinião – conforme desenvolvido a partir dos ensinamentos de Lutero e Zuínglio – significava centrar a vida no Ministério de Jesus Cristo, conforme revelado na Bíblia, e rejeitar quaisquer práticas ou políticas que desviassem deste caminho.

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Ao articular esta visão, esperava fornecer uma base com a qual tanto luteranos quanto pró Zuínglio e outros pudessem concordar, e desenvolveu ainda mais nas Confissões Helvéticas (Zweites Helvetisches Bekenntnis), que estabeleceram uma visão unificadora da teologia e prática protestante. A Primeira Confissão Helvética (Confessio Helvetica prior, 1536) foi escrita por Bullinger e Leo Judd, com contribuições de outros teólogos protestantes, abordando as cismas entre luteranos e outros sobre a natureza e a observância correta da Ceia do Senhor. A Segunda Confissão Helvética (Confessio Helvetica posterior, 1562) foi escrita apenas por Bullinger e tratou dos princípios, doutrinas e rituais reformados, apresentando uma visão unificadora da fé protestante, que tentava reconhecer e sintetizar as diferenças de interpretação.

Statue of Heinrich Bullinger
Estátua de Heinrich Bullinger Dennis Jarvis (CC BY-SA)

Além destas obras, escreveu a história de Zurique (Geschichte der Stadt Zürich - Tigurinerchronik" ou "Von denn Tigurineren und der Statt Zurich Sachen 1574) e, em 1548, contribuiu para o Consensus Tigurinus (Consenso de Zurique) de João Calvino que também tentava unificar as diferentes seitas protestantes. No cerne deste documento, tal como na Primeira Confissão Helvética, estava uma discussão sobre o significado da Ceia do Senhor, abordando a visão luterana (de que Cristo estava presente no ritual) e a compreensão reformada (de que o rito era simplesmente uma memória do sacrifício de Cristo), e o batismo. O documento pretendia apresentar uma visão moderada com a qual a maioria pudesse concordar.

Bullinger foi um correspondente prolífico, e ainda existem 12.000 das suas cartas, mais do que de qualquer outro reformador; escreveu e preservou cuidadosamente a sua correspondência para publicação, a fim de evitar o tipo de deturpação que sentia que Zuínglio havia sofrido aquando da publicação póstuma das suas cartas. O estudioso Mark Greengrass observa:

Heinrich Bullinger manteve a sua correspondência, fornecendo, deste modo, aos investigadores o núcleo do que é a maior coleção de cartas dos reformadores protestantes do século XVI – mais de 12.000 cartas. (Rublack, pág. 437).

Também supervisionou a publicação das suas cartas e de outras obras protestantes, de forma a assegurar a precisão na nomeação dos intervenientes e do movimento em geral.

Calvino e Influência

Embora o conceito de predestinação – que algumas pessoas são eleitas por Deus para a salvação e outras não – seja geralmente atribuído a Calvino, tal conceito foi sugerido por Lutero e desenvolvido por Bullinger na obra Décadas. A predestinação é entendida de forma diferente, mas, geralmente, sustenta que Deus tem o controlo completo sobre tudo o que acontece na nossa vida, fundamentado em passagens das escrituras como o Salmo 139:15-16, que reza:

15 † Nada da minha substância escapava

quando era formado no silêncio,

tecido nas estranhas da vida humana.

16 Vossos olhos contemplaram-me em embrião;
todos os dias se inscreviam no Vosso livro,

até antes que um só deles existisse.

(Costa, Arlindo (†) et al.. Bíblia Sagrada. 11.ª Edição. Lisboa: Difusora Bíblica (Missionários Capuchinhos), 1984, pág. 803)

A vida é predistinada - até ao momento da morte – mesmo antes do nascimento, e não há nada que se possa fazer sobre o assunto. De acordo com este ponto de vista – Deus tem um plano, somente conhecido por Si e que deverá ser aceite como tal, de acordo com a natureza de Deus, mesmo que não se compreenda o porquê.

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A predestinação não absolve ninguém da responsabilidade pessoal, contudo, mesmo que a vida já esteja delineada, espera-se que se honre Deus através das decisões e ações resultantes; porque Deus é Onisciente, Onipotente e sumamente Bom. Por exemplo, Deus pode ter predestinado que alguém seja tentado a roubar uma certa quantia de dinheiro, contudo não ordenou como se responderá à tentação ou ao ser apanhado se se ceder, embora a ação já seja conhecida. Quando alguém é apanhado e punido, cabe ao indivíduo responder com arrependimento e devoção contínua à compreensão da vontade divina, mesmo que tal não seja compreensível. Bullinger enfatizou que a graça salvadora de Deus estava ao alcance todos; só se era condenado se se rejeitasse tal graça.

Statue of Heinrich Bullinger
Estátua de Heinrich Bullinger Dennis Jarvis (CC BY-SA)

Ao apresentar este ponto, rejeitava a alegação de que Deus era a causa do pecado ou de qualquer tipo de mal. Observa que Deus era totalmente bom, mas que as tentações para pecar ou praticar atos vis faziam parte do plano de Deus para testar a fé e encorajar a alcançar a Sua graça; seja resistindo à tentação, seja arrependendo-se do pecado (se se caiu). Calvino usou este pensamento e desenvolveu o conceito de predestinação, argumentando que Deus, a fonte de todas as coisas, era como um Autor cujas personagens têm apenas o livre arbítrio, concedido para que se tecesse a vida.

O exercício desta vontade resume-se em aceitar ou rejeitar a mensagem de salvação com base na história da vida já escrita, ou, por outras palavras, nenhuma. Uma vez que Deus está no controlo, tudo o que se faz – bom ou mau – já foi decretado. Calvino rejeitou o livre arbítrio como um desafio à soberania de Deus. Para Calvino, se alguém é eleito para ser salvo, deve louvar a Deus pela sua bondade; se alguém é predestinado à condenação, deve também louvar a Deus pela sua justiça; seja como for, nada se pode fazer para alterar o destino.

Conclusão

Bullinger correspondia-se regularmente com Calvino, bem como com monarcas, incluindo Eduardo VI e Isabel I de Inglaterra, encorajando-os na formação de políticas protestantes ou na resolução de dificuldades teológicas. Correspondia-se igualmente com os príncipes luteranos na Alemanha, como Filipe I de Hesse, um dos líderes da fação protestante na Guerra de Esmalcalda (1546-1547), travada para preservar o Protestantismo na Alemanha, bem como com outros reformadores na Inglaterra e noutros países. Ao fazê-lo, ajudou a espalhar a crença Protestante mais do que qualquer outro reformador antes de Calvino.

Mapa das Religiões Dominantes na Europa Século XVI
Religiões na Europa no Século XVI Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

A prioridade de Bullinger era melhorar a vida dos outros e atender quer às suas necessidades físicas quer às espirituais. Para tal, trabalhou consistentemente de forma a resolver as diferenças entre as seitas protestantes que conduziram à violência e ao que considerava como atos não cristãos. Embora fosse dedicado à sua família, tratava tanto a família quanto os outros com a mesma gentileza, compaixão e inclusão, mesmo em 1564 e 1565, quando perdeu a mulher e uma filha (ou filhas) de peste, tendo ele mesmo padecido da doença.

Morre a 17 de setembro de 1575, após 40 anos de ministério na divulgação da visão e unificação Protestante, e os esforços envidados permitiram que Calvino desenvolvesse uma teologia sistemática, que abordava os pontos divergentes das fés luterana e reformada, embora, ainda hoje, subsista uma parte desta discórdia. Nos dias de hoje, é ofuscado pelas figuras mais conhecidas de Lutero, Zuínglio e Calvino, mas, no seu tempo – e nos anos imediatos – foi considerado o principal pensador e escritor da Reforma, cujas obras foram mais amplamente lidas e muito mais influentes do que as das tidas principais figuras da Reforma Protestante.

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2025, agosto 25). Heinrich Bullinger. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20515/heinrich-bullinger/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Heinrich Bullinger." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 25, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20515/heinrich-bullinger/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Heinrich Bullinger." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 25 ago 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20515/heinrich-bullinger/.

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