Edward England

Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Pirate Sloop (by Starz Entertainment, Copyright, fair use)
Balandra Pirata Starz Entertainment (Copyright, fair use)

Edward England foi um pirata irlandês que pirateou nas Caraíbas, no Atlântico Oriental e no Oceano Índico entre 1717 e 1720, durante a Idade de Ouro da Pirataria (1690-1730). A carreira pirata do Capitão England, bem-sucedida mas breve, terminou quando foi abandonado pela sua tripulação na ilha Maurícia, em 1720.

O Início de Carreira

O Capitão England tem o seu próprio capítulo no célebre "quem é quem" dos piratas, A General History of the Robberies and Murders of the Most Notorious Pyrates (Uma História Geral dos Roubos e Assassinatos dos Piratas Mais Notórios), compilado na década de 1720. O livro foi atribuído na página de rosto a um Capitão Charles Johnson, mas este é, talvez, um pseudónimo de Daniel Defoe (embora os académicos ainda debatam a questão, e Charles Johnson possa ter sido um especialista em pirataria real, ainda que totalmente desconhecido). Tal como acontece com muitos outros piratas, a General History é uma fonte inestimável sobre a carreira de England, mesmo que existam adições fictícias à informação factual laboriosamente recolhida de fontes como registos judiciais, documentos oficiais e cartas do período.

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O verdadeiro nome de Edward England era possivelmente Jasper Seager (ou Seegar). Como muitos piratas da época, England foi obrigado a juntar-se a uma tripulação pirata depois de o navio em que servia ter sido capturado. England tinha sido oficial numa balandra jamaicano quando este foi tomado por Christopher Winter, que estava sediado no refúgio pirata de Nova Providência, nas Bahamas. A General History faz a seguinte avaliação, nada desfavorável, do carácter de England:

England era um daqueles homens que parecia ter uma dose de razão que lhe deveria ter ensinado coisas melhores. Tinha muita bondade e não lhe faltava coragem; não era avarento e sempre se opôs aos maus-tratos que os prisioneiros recebiam: ter-se-ia contentado com pilhagens moderadas e travessuras menos nefastas, se os seus companheiros tivessem sido levados ao mesmo temperamento, mas ele era, geralmente, contrariado.

(pág. 114)

Mapa da Costa Firme e dos Refúgios de Piratas nas Caraíbas, cerca de 1670
Mapa da Costa Firme Espanhola e os Refúgios de Piratas das Caraíbas cerca de 1670 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Na sequência dos ataques bem-sucedidos aos piratas no seu refúgio de Nova Providência (atualmente Nassau) por Woodes Rogers, Governador das Bahamas a partir de 1717, England atravessou o Atlântico para continuar a sua pirataria noutros locais. Vários navios mercantes foram capturados nos Açores, nas ilhas de Cabo Verde e ao largo da costa da África Ocidental.

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Em 1718, o próprio England obrigou um homem, de outra forma honesto, a tornar-se pirata quando capturou o galês Howell Davis, que tinha sido imediato num navio negreiro, o Cadogan de Bristol. O capitão do Cadogan foi assassinado e o comando do navio negreiro foi entregue a Davis, apesar de este se ter recusado a assinar formalmente os artigos do navio de England e a tornar-se parte da sua tripulação pirata. Impressionado com a coragem de Davis, England permitiu-lhe seguir viagem. Davis acabou em Barbados, onde foi capturado. Conseguiu escapar da prisão e continuou uma carreira de pirata em ambos os lados do Atlântico, uma aventura que terminou com a sua morte na ilha do Príncipe, em 1719.

Sabe-se que Edward England hasteava a versão agora clássica da bandeira pirata Jolly Roger, com um crânio humano branco sobre tíbias cruzadas.

England foi, durante algum tempo, um associado do mais bem-sucedido de todos os piratas na chamada Idade de Ouro, Bartholomew Roberts (também conhecido como "Black Bart" Roberts, c. 1682-1722). No mundo relativamente pequeno dos piratas, Roberts assumiu o comando da tripulação de Howell Davis após a morte deste último. Roberts e England operaram ao largo da costa da Guiné, na África Ocidental. England operava dois navios: o seu próprio sloop e outro navio capturado, rebatizado como Victory. O comando deste último foi entregue a John Taylor e, juntos, pilharam a costa ocidental da Índia e tomaram mais navios como presas. Quando necessário, os mantimentos eram carregados na base pirata de Madagáscar.

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A Pirataria em Alto Mar

Sabe-se que Edward England hasteava a versão agora clássica da bandeira pirata Jolly Roger, com um crânio humano branco sobre tíbias cruzadas num fundo preto. Hasteada antes de um ataque para incentivar a rendição imediata, England usava frequentemente outras bandeiras em simultâneo, como a bandeira vermelha (para indicar que não seria dada quartel) e a Union Jack.

The Jolly Roger
A Bandeira Pirata WarX (CC BY-SA)

No início de 1719, England capturou a balandra Pearl e adaptou-o para o tornar mais rápido e manobrável, de modo a poder abandonar o seu próprio sloop, no típico processo pirata de aumentar gradualmente a dimensão dos navios, captura após captura. As superestruturas do navio foram removidas e ele foi rebatizado como Royal James. Em 1719, o Royal James foi utilizado com sucesso, capturando pelo menos 12 presas ao largo da costa da África Ocidental, incluindo o Bentworth de Bristol, de 12 canhões. Todas estas presas são catalogadas por Johnson/Defoe com os seus nomes, efetivos da tripulação e poder de fogo.

No Oceano Índico, o Capitão England venceu uma batalha duramente disputada contra o Cassandra, um navio da Companhia Britânica das Índias Orientais.

Em 1720, England aumentou novamente o tamanho da sua frota após capturar um navio ao largo de Madagáscar, abandonando então o Royal James. Rebatizou este novo navio como Fancy, que ostentava 34 canhões — um número impressionante para um navio pirata, embora inferior ao dos navios de guerra menos armados da época. A tripulação de cerca de 180 homens de England era composta por europeus, indígenas americanos e africanos; estes últimos eram escravos capturados em navios ou que tinham escapado à sua vida terrivelmente dura numa plantação colonial.

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A tripulação de England obteve o seu maior espólio nas ilhas Mascarenhas, perto de Madagáscar. A vítima foi um navio português que, com 60-70 canhões, teria sido demasiado poderoso para os piratas considerarem um alvo, não estivesse ele a passar por reparações após ter sido severamente fustigado por uma tempestade recente. O navio transportava uma grande quantidade de bens de elevado valor e, algo ainda mais valioso do que isso, o vice-rei de Goa portuguesa. De acordo com a General History, a parte de longe mais cintilante da carga eram diamantes no valor de 3 a 4 milhões de dólares, o suficiente para 42 diamantes para cada membro da tripulação de England.

Edward England, Fancy & Cassandra
Edward England, Fancy & Cassandra Unknown Artist (Public Domain)

A Batalha com o Cassandra

Entre julho e agosto de 1720, o Fancy e o Victory (ainda comandado por Taylor) foram severamente testados num encontro perto da ilha de Johanna (atualmente Anjouan, no grupo das Comores), no Oceano Índico, com um navio da Companhia Britânica das Índias Orientais, o Cassandra. Este último estivera na companhia de outros dois navios mercantes, mas estes abandonaram o capitão do Cassandra, James McRae, para enfrentar tanto o Fancy como o Victory, com um poder de fogo combinado de 64 canhões. McRae dá o seguinte relato da batalha que se seguiu, numa carta datada de 16 de novembro de 1720:

[Ficámos] envolvidos com inimigos bárbaros e desumanos, com as suas bandeiras negras e sangrentas a pairar sobre nós, sem a mínima esperança de escapar a ser feitos em pedaços. Mas Deus, na sua boa Providência, determinou o contrário, pois apesar da superioridade deles, enfrentámo-los durante cerca de três horas, tempo durante o qual o maior recebeu alguns tiros na linha de flutuação, o que os obrigou a afastar-se um pouco para tapar as fugas.

O outro tentou tudo o que pôde para nos abordar, remando com os seus remos, estando a meio comprimento de navio de nós durante mais de uma hora, mas, por boa fortuna, disparámos sobre todos os seus remos, despedaçando-os, o que os impediu e, por consequência, salvou as nossas vidas.

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Cerca das 4 horas, estando a maioria dos oficiais e homens posicionados no convés de ré mortos e feridos... tentámos encalhar o navio... tivemos uma vantagem considerável ao ter uma bordada virada para a proa dele, causando-lhe grandes danos... [mas] muitos dos meus homens foram mortos ou feridos e sem esperança de não sermos todos assassinados por conquistadores bárbaros e enfurecidos, ordenei a todos os que podiam que entrassem no escaler sob a cobertura do fumo das nossas armas, de modo que, com o que alguns fizeram nos barcos e outros a nadar, a maioria de nós que pôde chegou a terra às 7 horas. Quando os piratas subiram a bordo, fizeram em pedaços três dos nossos homens feridos. Eu, com alguns dos meus homens, apressei-me o mais que pude para a cidade do Rei, a 25 milhas de distância, onde cheguei no dia seguinte, quase morto de cansaço e perda de sangue, tendo sido gravemente ferido na cabeça por uma bala de mosquete.

(citado em Konstam, The Pirate Ship (A Embarcação Pirata), págs. 35-7)

O Capitão England conquistou o prémio, embora ao elevado custo de danos consideráveis nos seus dois navios e à perda de mais de 90 homens. A carga do Cassandra foi pilhada e avaliada em cerca de 75 000 libras (mais de 15 milhões de libras ou 20 milhões de dólares nos dias de hoje), acrescida do bónus de uma caixa de medicamentos.

O Abandono

Embora alguns capitães piratas fossem destituídos por serem demasiado cruéis com os cativos e com a sua própria tripulação, Edward England era considerado pelos seus homens como demasiado brando com os prisioneiros, pelo que foi destituído do comando. Depois de se ter pensado que England permitira a fuga de McRae, os homens do capitão pirata decidiram que aquela era a gota de água e votaram o seu abandono na ilha Maurícia, juntamente com outros três homens. A England, como era costume no abandono, foi dado apenas um barril de água, uma pistola e alguma pólvora, para que se pudesse suicidar quando a situação se tornasse realmente difícil. No entanto, a Maurícia não era (nem é) uma ilha deserta, e o empreendedor England conseguiu encontrar comida, adquirir ou construir um pequeno barco ou jangada e chegar ao refúgio pirata em Madagáscar. O destino final de England não é conhecido com certeza, mas é muito provável que tenha morrido na pobreza e no anonimato — o destino de muitos piratas a partir de 1720, à medida que a Marinha Real aumentou significativamente a sua presença na região e os mares se tornaram mais seguros para os navios mercantes.

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Cartwright, M. (2026, agosto 01). Edward England. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20092/edward-england/

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