Diamante Cullinan

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Mark Cartwright
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Cullinan I Diamond (by Unknown Artist, Public Domain)
Diamante Cullinan I Unknown Artist (Public Domain)

O Diamante Cullinan foi descoberto no Transvaal, África do Sul, em 1905, e oferecido como presente de aniversário a Eduardo VII da Inglaterra (reinou 1901-1910) pelo Governo do Transvaal. Pesava bem mais de 3.000 quilates, o que o tornou o maior diamante em bruto com qualidade de gema alguma vez encontrado. Quando foi descoberto, estava avaliado em mais de 21 milhões de dólares em valores atuais.

Apesar do seu valor astronómico, o diamante foi, famosamente, enviado por correio registado da África do Sul para Inglaterra. A pedra em bruto foi depois cortada em nove grandes pedras preciosas, tendo cada uma recebido a designação de Cullinan I a IX, e em 96 diamantes menores. O maior de todos é o Cullinan I, de 530 quilates (também conhecido como a Estrela da África), que agora resplandece no cetro real das Joias da Coroa Britânica. É o maior diamante lapidado incolor do mundo. A segunda maior pedra, o Cullinan II (a Segunda Estrela da África, de 317 quilates), foi cravada na Coroa do Estado Imperial, que é utilizada nas coroações dos monarcas britânicos. Os restantes diamantes maiores são usados de diversas formas, como pendentes e broches, e permanecem como parte da coleção privada de joias da família real.

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A Descoberta e a Oferta a Eduardo VII

O diamante Cullinan foi descoberto a 26 de janeiro de 1905 e deve o seu nome a Thomas Cullinan, o presidente da Premier Mine, onde a gema foi encontrada, perto de Pretória, no Transvaal — na altura uma colónia britânica (atualmente uma província da África do Sul). A pedra foi descoberta por Frederick G. S. Wells, o gestor de superfície da mina, que recebeu um bónus de 10.000 dólares pela descoberta. O enorme diamante em bruto pesava 3.106 quilates e media quase 10,1 centímetros de comprimento por 6,35 cm de largura, tornando-o o maior diamante não lapidado alguma vez encontrado. Tratava-se de um exemplar extraordinário de um diamante em bruto, não só pela sua dimensão colossal, mas também pela sua pureza excelente e pela sua cor branco-azulada única. A pedra foi exibida ao público pela primeira vez no Standard Bank de Joanesburgo.

O Governo do Transvaal ofereceu o diamante ao Rei Eduardo VII da Inglaterra como presente pelo seu 66.º aniversário.

Em 1907, a pedra Cullinan, ainda no seu estado bruto, foi enviada para Londres pelos proprietários da Premier Mine Company na tentativa de encontrar um comprador adequado. Curiosamente, foi enviada simplesmente por correio registado, enquanto um engodo foi utilizado num navio couraçado que todos pensavam transportar a verdadeira pedra. Tendo chegado em segurança, nenhum comprador privado demonstrou interesse e, por isso, sob a pressão do Primeiro-Ministro do Transvaal, o General Louis Botha (1862-1919), o Governo do Transvaal comprou a pedra à Premier Mine Company. O preço pago foi de 150.000 libras (mais de 18 milhões de libras ou 21 milhões de dólares em valores atuais).

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Rough Cullinan Diamond
Diamante Cullinan em Bruto Unknown Artist (Public Domain)

Em 1907, o Governo do Transvaal decidiu oferecer o diamante ao Rei Eduardo VII da Inglaterra como presente pelo seu 66.º aniversário. Este presente sumptuoso destinava-se a ajudar a restaurar as relações entre a Grã-Bretanha e a África do Sul, após a Segunda Guerra dos Boeres (1899-1902) entre os dois países. A pedra foi levada por escolta policial para Sandringham House, em Norfolk, para ser apresentada ao rei no dia do seu aniversário, a 9 de novembro de 1907. O rei confiou-a depois à guarda da Scotland Yard, o famoso quartel-general da Polícia Metropolitana, até que fosse decidido o que fazer exatamente com ela.

O Cullinan I: O Cetro do Soberano

No início de 1908, decidiu-se lapidar o diamante bruto e opaco para criar gemas brilhantes. De forma a obter ideias sobre o que fazer exatamente com as futuras pedras preciosas, uma equipa de especialistas visitou as Joias da Coroa Britânica na Torre de Londres para ver onde poderiam ser instaladas. A pedra preciosa foi então enviada para os peritos em diamantes Joseph Asscher e Companhia, em Amesterdão, para ser lapidada. O processo de extração e polimento das gemas cintilantes a partir da enorme massa de pedra bruta começou em fevereiro de 1908, tendo levado oito meses a ser concluído por uma equipa de três especialistas. A peça original foi primeiro dividida em duas partes, com 516,5 e 309 quilates. Só a preparação do sulco para o primeiro corte demorou quatro dias e, quando o próprio Joseph Asscher tentou executá-lo, a lâmina de aço partiu-se. Uma segunda tentativa foi bem-sucedida e a pedra original acabou por ser cortada em sete grandes pedaços. Estes foram depois lapidados e polidos para produzir nove pedras grandes, tendo cada uma recebido o nome, pouco imaginativo, de Cullinan seguido de um algarismo romano de I a IX. O Cullinan I e o II foram formalmente apresentados a Eduardo VII a 21 de novembro de 1908, quase exatamente um ano após ele ter visto a pedra não lapidada pela primeira vez. Este par de gemas — na altura os maiores diamantes lapidados do mundo — foi imediatamente colocado em exibição pública (e sob fortes medidas de segurança) na Torre de Londres.

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British Sovereign's Sceptre with Cullinan I Diamond
Cetro do Soberano Britânico com o Diamante Cullinan I Unknown Artist (Public Domain)

O Cullinan I, com a sua lapidação em forma de pera, era a maior pedra do grupo, pesando uns colossais 530,2 quilates — a título de comparação, o famoso diamante Koh-i-Noor da Índia, que também faz parte das Joias da Coroa Britânica, pesa apenas 105,6 quilates. O Cullinan I é o maior diamante branco lapidado de qualidade superior do mundo; esta magnífica gema acabou, pelo menos, por beneficiar de um nome novo e mais romântico: a Estrela da África. Inicialmente, o Cullinan I e o Cullinan II (ver abaixo) foram combinados no que teria sido um broche pendente deslumbrante, mas bastante pouco prático. Após a morte de Eduardo VII, em 1910, houve uma reconsideração sobre o que fazer com estas joias magníficas.

Todos os sete diamantes Cullinan restantes (do III ao IX) fazem parte da coleção privada de joias da família real.

O Cullinan I foi adicionado ao Cetro do Soberano, pronto para a coroação de Jorge V (reinou 1910-1936) em 1911. Na verdade, era este o destino que a equipa de design original tinha decidido para a maior das pedras logo em 1908. O cetro, também conhecido como o Cetro do Rei, foi fabricado em 1661 para a coroação de Carlos II da Inglaterra (reinou 1660-1685) e simboliza o poder real terreno e a boa governação. A pedra está assente verticalmente entre um suporte de ouro de dois braços no topo do cetro, o que permite que seja vista de todos os ângulos. Este suporte é articulado para permitir que a pedra seja removida facilmente. Devido ao peso extra do diamante, foi necessário reforçar a estrutura do cetro ao longo do seu comprimento. Acima do diamante encontra-se um mundo de ametista, ele próprio cravejado com diamantes e uma grande esmeralda. O cetro, que mede 92,2 cm de comprimento, fez parte das insígnias utilizadas pela Rainha Isabel II na sua coroação em 1953.

British Imperial State Crown
Coroa de Estado Imperial Britânico Cyril Davenport (Public Domain)

O Cullinan II: A Coroa do Estado Imperial

A segunda maior pedra lapidada a partir do diamante original foi o Cullinan II, de lapidação oval. Pesa 317 quilates e adquiriu o nome de Segunda Estrela da África. Em 1910, o Cullinan II foi cravado na Coroa do Estado Imperial de ouro, também conhecida como Coroa de Estado. Esta coroa foi originalmente criada para a coroação da Rainha Vitória (reinou 1837-1901) em 1838, como uma alternativa mais leve à tradicional Coroa de Santo Eduardo. Foi também utilizada por Eduardo VII na sua coroação. A coroa foi remodelada, mantendo o Cullinan II em posição de destaque, e usada por Jorge VI (r. 1936-1952) na sua coroação em 1937, bem como pela sua filha e sucessora, Isabel II, na sua própria coroação.

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O Cullinan II está cravado na parte frontal do aro da coroa, diretamente abaixo de outra gema famosa, o Rubi do Príncipe Negro (que é, na verdade, um balais ou espinela). A famosa Safira de Stuart ocupava anteriormente esta posição, mas foi movida para a parte de trás da coroa para dar lugar ao Cullinan II. Além das coroações, a coroa marca presença em várias ocasiões de Estado, como a sessão anual de Abertura do Parlamento. Tanto a coroa como o cetro com o Cullinan I encontram-se em exibição pública na Jewel House, no interior do quartel de Waterloo da Torre de Londres. Tal como acontece com o Cullinan I, o Cullinan II pode ser facilmente removido da sua cravação na coroa para poder ser usado como pendente ou broche.

Cullinan Diamonds I-IX
Diamantes Cullinan I-IX Unknown Artist (Public Domain)

Os Cullinan III a IX

Os outros sete grandes diamantes lapidados a partir da pedra original, designados de Cullinan III a IX, são todos brilhantes e diamantes consideráveis por mérito próprio. Para tirar o melhor partido do material, foram talhados em várias formas: três são pendeloque (em forma de pera), dois têm lapidação marquise (losangos alongados), um é retangular e outro quadrado. Foram tiradas fotografias para documentar o processo de lapidação e polimento, muitas das quais integram agora a Royal Collection. Para além dos nove grandes, foram lapidados outros 96 pequenos diamantes de talha brilhante a partir da peça original do Cullinan. Restaram ainda fragmentos não polidos que, em conjunto, pesavam nove quilates. Cerca de 65% do diamante em bruto original perdeu-se no processo. As duas peças estrela deste grupo são o Cullinan III, uma pedra em forma de pera com 94,4 quilates, e o Cullinan IV, de lapidação quadrada, que pesa 63,6 quilates.

O Rei Eduardo VII comprou o Cullinan VI e o VIII a Asscher, que ficou com as restantes pedras Cullinan de grande dimensão. O mercador de diamantes holandês também manteve as 96 pedras mais pequenas e os fragmentos não polidos como pagamento pelo trabalho de lapidação da pedra bruta original. O governo sul-africano adquiriu posteriormente todas estas pedras e ofereceu-as à Rainha Maria (nascida Mary de Teck - 1876-1953), consorte de Jorge V, em 1910, para comemorar a formação da União da África do Sul nesse mesmo ano. Em 1911, tanto o Cullinan III como o IV foram cravados na coroa de coroação da Rainha Maria.

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Queen Mary Wearing the Cullinan Diamonds
A Rainha Maria com os Diamantes Cullinan Frédéric Bisson (CC BY)

Como referido, tanto o Cullinan I como o II podem ser removidos das suas cravações e unidos para serem usados como um pendente, algo que foi famosamente feito tanto pela Rainha Alexandra (consorte de Eduardo VII) como pela Rainha Maria. Esta última rainha consorte chegou a usar, em simultâneo, um pendente com o Cullinan I e II e um outro com o Cullinan III e IV na sessão de Abertura do Parlamento a 6 de fevereiro de 1911. Estes dois últimos diamantes, conhecidos carinhosamente pela família real como "as lascas" (the chips), ainda são por vezes usados como um conjunto de broche e pendente, com o Cullinan IV (em forma de gota) suspenso abaixo do Cullinan III (quadrado). Ambas as pedras estão montadas numa delicada estrutura de platina. Esta combinação foi usada pela Rainha e, mais recentemente, pelas Duquesas da Cornualha e de Cambridge. Todos os sete diamantes Cullinan (do III ao IX) passaram a fazer parte da coleção pessoal de joias de Isabel II, que os recebeu por testamento da Rainha Maria em 1953.

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Perguntas & Respostas

Como é que a Rainha Isabel conseguiu o Diamante Cullinan?

A rainha Isabel ficou com o diamante Cullinan porque, em 1908, este foi oferecido como presente de aniversário ao seu bisavô, Eduardo VII de Inglaterra (reinou 1901-1910), pelo Governo do Transvaal.

Onde está agora o diamante Cullinan I?

O diamante Cullinan I encontra-se atualmente no cetro da soberana, guardado na Torre de Londres como parte das joias da coroa britânica.

Quantos diamantes foram lapidados a partir do diamante Cullinan?

O diamante Cullinan pesava mais de 3 000 quilates e foi lapidado em nove pedras grandes e 96 pequenos diamantes de corte brilhante.

Por que razão foi lapidado o diamante Cullinan?

O Diamante Cullinan foi lapidado porque se tratava de um diamante em bruto gigantesco, com 3 000 quilates, e opaco. A lapidação da pedra significava que seria possível obter 9 grandes diamantes sem imperfeições, que poderiam ser incrustados em coroas e cetros ou usados como joias.

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Cartwright, M. (2026, junho 09). Diamante Cullinan. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19785/diamante-cullinan/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Diamante Cullinan." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, junho 09, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19785/diamante-cullinan/.

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Cartwright, Mark. "Diamante Cullinan." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 09 jun 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19785/diamante-cullinan/.

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