Djenné-Djenno

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Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Djenne-Djenno Sculpture (by The Metropolitan Museum of Art, Copyright)
Escultura de Djenné-Djenno The Metropolitan Museum of Art (Copyright)

Djenné-Djenno (também conhecida como Djenne-Jeno, Jenne-Jeno ou Velha Jenne) foi uma cidade antiga localizada no atual Mali, na África Ocidental, que prosperou entre cerca de 250 a.C. e 1100 d.C., o que a torna uma das cidades mais antigas da África Subsariana. Prosperando graças às suas terras agrícolas férteis e ao seu papel como centro de comércio regional, a cidade chegou a ter uma população de cerca de 20 000 habitantes no seu auge. Djenné-Djenno, juntamente com a cidade medieval homónima situada nas proximidades, está classificada como Património Mundial da UNESCO desde 1988.

A Localização e a Geografia

Djenné-Djenno ou Velha Djenné (para a distinguir da cidade medieval posterior com o mesmo nome) situa-se na planície aluvial do Delta Interior do Níger. Fica a 130 quilómetros a sudoeste da cidade moderna de Mopti, no Mali, e a 3 quilómetros de Djenné. O povoamento data de, pelo menos, o século III a.C., e a sua população prosperou graças à abundância de peixe no rio Níger e respetivos afluentes, canais e lagos. O rio trazia também depósitos aluviais para enriquecer os solos da região, tornando possível a agricultura intensiva. Consequentemente, eram cultivadas duas colheitas por ano, que incluíam cereais, arroz africano, legumes (por exemplo, malaguetas e cebolas) e fruta.

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A dimensão de Djenné-Djenno era excecional, mesmo para os padrões atuais da região.

A cidade tornou-se ainda mais próspera graças à sua localização na junção do rio Níger com as rotas terrestres que ligavam o comércio de e para o deserto do Saara e a região da savana do Sudão, a norte, às florestas a sul. O comércio local envolvia a circulação dos produtos alimentares acima mencionados, bem como de peixe seco e óleo de peixe. No final do século III, os comerciantes de Djenné-Djenno tornaram-se ainda mais ambiciosos e passaram a importar pedras para serem utilizadas como mós, bem como minério de ferro e cobre para a metalurgia. A tecnologia de fundição de ferro permitiu a produção de ferramentas e armas mais eficientes. No século VI, as exportações incluíam agora cerâmica de fabrico local (foram encontrados exemplares a 750 km, ou 465 milhas, a norte), talvez trocada por sal, contas de vidro e ouro.

Trans-Saharan Trade Routes
Rotas de Comércio Transsaariano Aa77zz (Public Domain)

Uma Cidade Próspera

Djenné-Djenno tinha uma população de cerca de 20 000 habitantes entre os séculos VI e IX e ocupava uma área de cerca de 300 000 metros quadrados. A cidade pode ter sido o centro de um estado ou reino mais vasto, e há indícios da existência de cerca de 15 povoações mais pequenas nas imediações, algumas separadas umas das outras por apenas algumas centenas de metros. No entanto, qualquer estrutura política não foi — e talvez não possa ser — revelada apenas pela arqueologia, na ausência de um sistema de escrita. Certamente, a dimensão da cidade era excecional, mesmo para os padrões atuais da região, e a presença de oficinas especializadas para oleiros e metalúrgicos em alguns dos pequenos povoados circundantes da cidade sugere algum tipo de centralização.

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A cidade entrou num declínio gradual a partir do século IX e acabou por ser substituída como centro comercial local pela nova cidade de Djenne, fundada no século XIII por comerciantes muçulmanos. Djenné-Djenno foi então praticamente abandonada por razões desconhecidas no século XIV, talvez porque a nova religião muçulmana exigisse um local sem história pagã ou, conforme registado nas tradições orais, porque a população de Djenné-Djenno tivesse simplesmente superado a capacidade da cidade. Fosse qual for a causa do seu declínio, a cidade abriu caminho para impérios sucessivos que, de forma semelhante, exploraram as possibilidades comerciais da África Ocidental, tais como o Império de Gana (séculos VI-XIII), o Império do Mali (1240-1645) e o Império de Songhai (1460-1591).

Os Vestígios Arqueológicos

As escavações no local, realizadas em grande parte por Susan e Roderick McIntosh ao longo de três décadas, revelaram que a cidade possuía uma muralha circundante feita de tijolos de barro, construída por volta do ano de 800. A muralha não é considerada uma fortificação defensiva. Até ao momento, não foram descobertos edifícios de grande dimensão que pudessem ter funcionado como palácios ou templos. Existem vestígios de casas que apresentam um anel circular de fundações em pedra para as paredes, que teriam sido feitas de barro seco e que, entretanto, desapareceram.

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Curiosamente, muitas figuras de terracota apresentam sintomas de doenças tropicais e têm uma cobra a atacá-las.

A cerâmica de maior qualidade de Djenné-Djenno é decorativa e não apenas funcional. As peças são pintadas em várias cores e recebem decoração adicional através da incisão de padrões geométricos e hachuras cruzadas, ou da pressão de pedaços de cordel entrelaçado na superfície exterior antes da cozedura. Foram encontradas peças de joalharia em ouro, bem como objetos fabricados localmente em cobre e bronze, e um pequeno número de contas de vidro, provavelmente provenientes da Índia e trazidas para a cidade por caravanas de camelos trans-saarianas.

Cavalry Warrior, Mali Empire
Guerreiro de Cavalaria, Império do Mali Franko Khoury (Public Domain)

Entre os achados mais interessantes em Djenné-Djenno encontram-se as esculturas de terracota. Estas retratam frequentemente uma figura masculina barbuda, por vezes com capacete e empunhando armas, geralmente a cavalo. Não há representações do que possa ser identificado como governantes ou reis; na verdade, muitas figuras representam pessoas comuns que se encontram frequentemente ajoelhadas ou sentadas e, tal como as figuras dos cavaleiros, têm os rostos voltados para cima, queixos quadrados e pálpebras múltiplas. Tipicamente, vestem apenas uma saia curta, mas ostentam muitos colares e braceletes nos pulsos e tornozelos. Muitas figuras apresentam também escarificação ritual. Muitas figuras também apresentam escarificações rituais. Curiosamente, uma elevada proporção das figuras apresenta sintomas de doenças tropicais e pode ter uma cobra a atacá-las. As figuras têm até 50 cm (20 polegadas) de altura, sendo ocas ou contendo um núcleo de barra de ferro de reforço. Apresentam decoração ou detalhes gravados e algumas mostram vestígios de tintas coloridas. Todas as esculturas de Djenné-Djenno foram encontradas num contexto doméstico, o que sugere que possam ter sido destinadas a santuários domésticos embutidos nas paredes. Certamente, uma forte tradição de culto aos antepassados e uma crença em espíritos protetores do lar persistiram até ao século XIX na região.

Outra peculiaridade do sítio é a descoberta de sepulturas em grandes urnas de cerâmica (até 90 cm de altura e 50 cm de diâmetro) que tinham sido enterradas no solo entre casas particulares. Ao mesmo tempo, existem muitas formas alternativas de sepultamento que, juntamente com as diferenças na arquitetura das casas, sugerem que a cidade era composta por diferentes grupos étnicos africanos ou, pelo menos, por uma população descendente de diferentes povos da região da África Ocidental.

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Bibliografia

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Cartwright, M. (2026, agosto 23). Djenné-Djenno. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18110/djenne-djenno/

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Cartwright, Mark. "Djenné-Djenno." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 23, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18110/djenne-djenno/.

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Cartwright, Mark. "Djenné-Djenno." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 23 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18110/djenne-djenno/.

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