Aethelflaed, Senhora dos Mercianos

Joshua J. Mark
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
publicado em
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Aethelflaed (by Anonymous, Public Domain)
Aethelflaed Anonymous (Public Domain)

Aethelflaed (em inglês antigo, Æthelflæd; em português, Etelfleda; reinou 911-918 d.C.) era filha do rei Alfredo, o Grande, de Wessex (reinou 871-899 d.C.) e tornou-se rainha da Mércia após a morte de seu marido, Aethelred (em português, Etelredo), Senhor dos Mercianos (reinou 883-911). Ela é mais conhecida como a "Senhora dos Mercianos", que derrotou os vikings e estabeleceu o domínio inglês, o qual seria consolidado por seu irmão, Eduardo, o Velho (reinou 899-924), e lançaria as bases para o reinado do primeiro rei inglês reconhecido, Aethelstan (Etelstano), que foi rei dos anglo-saxões de 924 a 927 e rei dos ingleses de 927 a 939.

Aethelstan (Etelstano) é reconhecido por historiadores como figura fundamental na história britânica por suas conquistas na derrota do último dos redutos vikings, na centralização do governo e no estabelecimento da Grã-Bretanha como força potente na política europeia. É improvável, no entanto, que ele tivesse conseguido realizar o que realizou não fosse a influência de Aethelflaed (Etelfleda) da Mércia.

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Seu reinado foi tão eficaz que eclipsou o de contemporâneos como seu irmão Eduardo, o Velho, em Wessex e, em sua época, parece ter sido mais respeitada do que até mesmo seu famoso pai. Aethelflaed (Etelfleda) deu continuidade às políticas iniciadas por Alfredo em acordo com Aethelred (Etelredo), mas, após a morte do marido, governou sozinha, orquestrando as políticas e práticas que resultaram na diminuição do poder dos dinamarqueses na Grã-Bretanha e permitiram a unificação do território sob o comando de Eduardo e, posteriormente, de Aethelstan (Etelstano).

Juventude e as Guerras Vikings

NÃO HÁ DÚVIDAS DE QUE AETHELFLAED (ETELFLEDA) FOI CRIADA EM ATMOSFERA DE PIEDADE, ERUDIÇÃO E DEVOÇÃO À FAMÍLIA E À PÁTRIA, CARACTERÍSTICAS MARCANTES DO REI ALFREDO.

Nada se sabe sobre a juventude de Aethelflaed (Etelfleda), e ela só entra nas páginas da história aos 15 ou 16 anos, quando se casou com Aethelred (Etelredo). Sua provável data de nascimento é 870 ou 871, com base na data aproximada de seu casamento. Seu nome provavelmente significa "transbordando de nobreza", de acordo com a estudiosa Joanna Arman (32). "Aethel" significa "nobre", mas o significado de "flaed", novamente de acordo com Arman, não é claro, mas "poderia significar algo como 'inundação' ou algo que transborda" (Idem). Seu nome também foi traduzido como "beleza nobre".

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A mãe de Aethelstan (Etelstano) era Ealhswith, uma nobre da Mércia. Ealhswith vinha de longa linhagem de nobres da Mércia, assim como o pai de Aethelstan (Etelstano), Alfred, descendia da realeza de Wessex. As fontes citam Aethelflaed (Etelfleda) regularmente como a filha mais velha de Alfred, mas não se sabe se ela também era sua filha mais velha. Seu irmão, Eduardo, parece ter sido mais jovem do que ela.

Não há dúvidas, porém, de que os filhos de Alfredo foram criados em atmosfera de piedade, erudição e devoção à família e ao país, características que definiam o rei. Arman observa como as jovens que se dedicavam à igreja e renunciavam ao mundo recebiam boa educação, mas que “há alusões a todos os cinco filhos de Alfredo, incluindo suas duas filhas que não seguiram a vida religiosa, terem recebido educação” (74).

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Da mesma forma que seu irmão Eduardo teve um tutor, Aethelflaed (Etelfleda) também pode ter tido. É evidente, por seu reinado posterior e vida na corte, que ela era altamente educada e culta. É improvável, no entanto, que o próprio Alfredo tenha passado muito tempo com sua filha, já que ele estava ocupado durante toda a infância dela repelindo as incursões vikings em Wessex.

Statue of Aethelflaed
Estátua de Aethelflaed Elliot Brown (CC BY)

Os vikings apareceram pela primeira vez na Grã-Bretanha em 793, quando desembarcaram na costa e saquearam o priorado de Lindisfarne, massacrando os monges e levando tudo de valor. A partir de então, a Grã-Bretanha ficou à mercê desses invasores do mar, que atacavam sem aviso, massacravam indiscriminadamente e saqueavam à vontade.

Por volta de 865, quando Alfredo era príncipe e comandante militar, esses ataques se transformaram em invasões em grande escala sob a liderança de guerreiros habilidosos como Halfdane (865-877) e seu irmão Ivar, o Desossado (cerca de 870). Esses dois comandantes lideraram a invasão maciça do Grande Exército, em 865, que se mostrou invencível, derrotando todas as forças que se opuseram a ela e conquistando todas as regiões em que entrou.

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Alfredo e seu irmão, Aethelred (Etelredo) de Wessex (reinou 865–871), enfrentaram os vikings na batalha em Reading e foram derrotados, mas na Batalha de Ashdown, em janeiro de 871, suas forças combinadas expulsaram os vikings do campo de batalha e provaram a habilidade de Alfredo em combate. Sua vitória, no entanto, não impediu as incursões vikings, e ele foi posteriormente derrotado e forçado a se esconder.

Exílio de Alfredo e Casamento de Aethelfraed (Etelfleda)

EM 886, ALFREDO EXPULSOU OS VIKINGS DE LONDRES E, POUCO DEPOIS, ARRANJOU O CASAMENTO ENTRE SUA FILHA MAIS VELHA, AETHELFLAED (ETELFLEDA), E O REI DA MÉRCIA, AETHELRED (ETELREDO).

Não se sabe se Aethelflaed (Etelfleda) teria acompanhado seu pai ao exílio. As fontes – que se concentram apenas no rei e não em sua família – apenas indicam que Alfredo viajou em segredo, e frequentemente disfarçado, com pequeno grupo de homens. Ele foi forçado a essa situação por um ataque viking a Chippenham, liderado pelo senhor da guerra viking Guthrum (falecido por volta de 890), em 878, que o pegou, juntamente com seu exército, completamente de surpresa.

Alfredo e sua família estavam em Chippenham celebrando o Natal quando o ataque foi lançado e, como qualquer um que não conseguiu escapar foi morto ou escravizado, é mais do que provável que Alfredo tenha levado sua família consigo quando fugiu.

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Após alguns meses escondido e realizando ataques de guerrilha a assentamentos vikings, Alfredo conseguiu mobilizar uma força considerável e derrotou os vikings sob o comando de Guthrum na Batalha de Eddington, em maio de 878. Este foi o confronto decisivo que deu a Alfredo o poder de finalmente ditar as regras aos seus oponentes que, até então em seu reinado, haviam consistentemente mantido a vantagem. Guthrum e trinta de seus chefes foram batizados como cristãos como parte do tratado e juraram não pegar em armas contra Wessex novamente.

Embora os vikings tenham cumprido sua palavra e se mantido longe de Wessex, o tratado não estipulava de forma alguma que eles tivessem que deixar a Grã-Bretanha; e assim eles permaneceram e fortificaram assentamentos previamente estabelecidos na Nortúmbria, Ânglia Oriental e Mércia. Em 886, Alfredo expulsou os vikings de Londres e a assegurou e, pouco depois, arranjou o casamento entre sua filha mais velha e o rei da Mércia, Aethelred (Etelredo).

Casamento e Nascimento de Aelfwynn

Embora, às vezes, se afirme que o casamento de Aethelflaed (Etelfleda) foi arranjado para garantir aliança entre Wessex e Mércia, isso é impreciso. As duas regiões já eram aliadas pelo casamento de Alfredo e Ealhswith décadas antes, e Aethelred (Etelredo) já havia aceitado Alfredo como seu senhor antes de 886. Uma compreensão mais precisa do casamento é que ele foi demonstração de união que não apenas renovou o compromisso de cada região com a outra, mas também fez clara declaração de força aos vikings.

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Aethelred (Etelredo) era pelo menos dez anos mais velho que Etelfleda e provavelmente havia sido prometido a ela desde cedo. Ele aceitou Alfredo como seu suserano já em 883, após a vitória de Alfredo em Eddington. Aethelred (Etelredo) é mencionado como um grande guerreiro cristão que lutou contra os vikings pagãos, mas não há registro de como ele se tornou rei da Mércia. Seja como for, ele controlava a região na década de 880 e era um poderoso senhor da guerra na época do casamento.

St Oswald's Priory, Gloucester
Priorado de Santo Oswaldo, Gloucester Philip Halling (CC BY-SA)

Aethelred (Etelredo) e Aethelflaed (Etelfleda) iniciaram seu reinado na cidade de Gloucester, não muito longe de Wessex e perto das propriedades da família dela. Embora tradições românticas posteriores tenham caracterizado sua união como casamento de conveniência sem amor, não há evidências para essa afirmação. Eles tiveram uma filha, Aelfwynn, que é mencionada pela primeira vez em uma carta de terras de 903, mas não tinha idade suficiente para assiná-la como testemunha legal. Ela pode ter nascido logo após o casamento, mas sua data de nascimento é desconhecida. Guilherme de Malmsbury, escrevendo muito mais tarde, afirma que o nascimento de Aelfwynn quase matou Aethelflaed (Etelfleda) e que ela tomou medidas para garantir que não tivesse mais filhos.

Aethelred (Etelredo) e Aethelflaed (Etelfleda)

Aethelred (Etelredo) e Aethelflaed (Etelfleda) trabalharam em harmonia com Alfredo de Wessex e espelharam seu Sistema Burghal de defesa - no qual cidades fortificadas podiam ser facilmente reforçadas por outras em um dia de marcha - bem como suas políticas educacionais. Seguindo o exemplo de Alfredo, eles convidaram homens de saber de outros países para a Mércia para ensinar latim aos seus clérigos e promover outros objetivos educacionais. Eles também restauraram, melhoraram e reconstruíram cidades e vilas que haviam sido danificadas ou destruídas durante as Guerras Vikings.

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A paz que Alfredo conquistou dos vikings em Eddington e depois em Londres, no entanto, foram apenas tréguas temporárias na luta entre o povo da Grã-Bretanha e os invasores nórdicos. Embora o período posterior tenha sido um pouco menos tenso, os ataques vikings e as dificuldades entre os colonos vikings e outros continuaram e, em 892, a situação piorou quando nova horda de invasores vikings chegou sob a liderança do invasor viking Hastein (também grafado como Hastings). Alfredo e Aethelred (Etelredo) travaram repetidos confrontos contra Hastein de 892 até que Hastein desaparece da história, em 896. Ele pode ter sido morto em batalha, mas parece que isso teria sido registrado; muito provavelmente ele deixou a Grã-Bretanha ou morreu de causas naturais.

O rei Alfredo morreu em 899 e foi sucedido por seu filho Eduardo. Eduardo enviou seu filho, Aethelstan, para a corte da Mércia em 900, para ser criado por Aethelred (Etelredo) e Aethelflaed (Etelfleda) junto com a filha deles. Aethelstan permaneceria na Mércia durante toda a sua juventude, sendo educado na corte com seu primo Aelfwynn, e mais tarde adquiriria experiência militar em campanhas com Aethelred (Etelredo) e depois com Aethelflaed (Etelfleda).

England Around 910 CE
Inglaterra por volta de 910 Philg88 (CC BY-SA)

O rei e a rainha da Mércia foram grandes patronos da igreja e dotaram livremente diferentes priorados e igrejas com grandes somas de dinheiro. Eles enviaram um grupo de ataque a território hostil para recuperar os ossos de Santo Osvaldo – o piedoso rei da Nortúmbria que havia fundado o priorado de Lindisfarne – e construíram um priorado para abrigá-los em Gloucester. Ambos seriam sepultados neste edifício, perto das relíquias do santo, após suas mortes.

Eles foram especialmente generosos com a igreja de Worcester que, em troca, concordou em rezar por eles e dedicar serviços ou pelo menos salmos em sua honra e por sua saúde contínua. Apesar dessas orações, por volta de 902, Aethelred (Etelredo) foi acometido por uma doença que parece tê-lo incapacitado. Ele pioraria nos anos seguintes e, durante esse tempo, Aethelflaed (Etelfleda) governou efetivamente sozinha.

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A Batalha de Chester

Fontes deste período fazem referência à doença de Aethelred (Etelredo) e deixam claro que Aethelflaed (Etelfleda) era o poder dominante na Mércia. A história mais famosa vem dos Anais Irlandeses e narra como, em 907, um viking norueguês chamado Ingimund veio da Irlanda com suas tropas até “Aethelflaed (Etelfleda), Rainha dos Saxões, pois seu marido Aethelred (Etelredo) estava doente na época”, pedindo um lugar onde pudesse se estabelecer em paz (170).

COM AETHELRED (ETELREDO) DOENTE, PARECE TER SIDO AETHELFLAED (ETELFLEDA) QUEM PREPAROU O PLANO DE BATALHA QUE SALVOU A CIDADE DE CHESTER.

Ela concedeu-lhe terras perto da cidade de Chester (no noroeste da Inglaterra, às margens do rio Dee, próximo à fronteira com o País de Gales), mas, depois de ele ter assentado o seu povo lá, ele notou que havia áreas ainda mais atraentes ao redor das que lhe haviam sido dadas. Ele então reclamou aos dinamarqueses vizinhos e a outros noruegueses que lhe haviam dado muito pouco quando merecia muito mais e iniciou plano para tomar Chester à força.

Aethelred (Etelredo) é mencionado repetidamente ao longo desta história como estando "doente", "muito doente" ou "doente e à beira da morte" (171-173). Mensageiros chegaram à corte para contar à rainha sobre o plano de Ingimund e, embora Aethelred (Etelredo) seja citado como parte da resposta, parece ter sido Aethelflaed (Etelfleda) quem preparou o plano de batalha que salvou a cidade.

Ela primeiro reuniu um grande exército e depois instruiu o povo de Chester sobre como posicionar as tropas fora da cidade e lutar com os portões abertos. Dentro das muralhas da cidade, uma tropa de cavalaria muito maior seria posicionada e, em determinado momento, o exército do lado de fora deveria ceder diante dos vikings e recuar pelos portões abertos, onde a tropa de cavalaria seria lançada contra os invasores.

Ao mesmo tempo, Aethelflaed (Etelfleda) escreveu aos irlandeses que haviam se aliado a Ingimund e apelou a eles como amigos que haviam sido injustiçados por um inimigo comum. Ela perguntou por que eles estavam lutando em nome daqueles que haviam invadido seu próprio país contra seu povo, que nunca lhes havia feito mal algum, e sugeriu ainda que os chefes irlandeses perguntassem aos vikings quais terras e bens lhes haviam sido prometidos por arriscarem suas vidas por uma causa que não era a sua. Sua carta foi eficaz e, pouco antes ou durante a batalha, os irlandeses mudaram de lado.

A defesa de Chester funcionou quase como Aethelflaed (Etelfleda) havia planejado. Os defensores recuaram e a cavalaria massacrou os vikings que os seguiram. Os atacantes, porém, recusaram-se a desistir, e a batalha continuou enquanto os habitantes de Chester defendiam a cidade, despejando cerveja fervente sobre os vikings das muralhas. Quando os vikings se defendiam com escudos, os defensores atiravam colmeias de abelhas enquanto continuavam a escaldar os vikings com cerveja até que o ataque fosse interrompido e a cidade salva.

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Miniature of Aethelflaed
Miniatura de Aethelflaed Unknown (Public Domain)

Senhora dos Mércios

Aethelred (Etelredo) morreu em 911 sem deixar herdeiro homem, e Aethelflaed (Etelfleda) tornou-se a única governante sob o título de "Senhora dos Mércios". Na obra "Vida do Rei Alfredo", de Asser (escrita por volta de 893), o autor discorre longamente sobre o costume em Wessex de não permitir que uma mulher se sentasse como rainha ao lado de um rei, devido a uma rainha anterior que abusou de seu poder e posição. Na Mércia, no entanto, o reinado era respeitado há muito tempo, embora nenhuma mulher jamais tivesse governado o reino sozinha. É mérito de Aethelflaed (Etelfleda) o fato de não haver registro de qualquer contestação à sua sucessão.

Seu irmão, Eduardo, tomou ou recebeu Londres e as terras circundantes dela logo após a morte de Aethelred (Etelredo), e essa transação foi interpretada por alguns historiadores posteriores como selando acordo no qual Eduardo reconheceu a legitimidade do reinado de Aethelflaed (Etelfleda). Eduardo e Aethelflaed (Etelfleda) trabalharam juntos posteriormente para expandir o sistema de burh (cidade fortificada) de ambas as regiões e uni-las para uma rede de defesa mais coesa.

Arman observa como “ocasionalmente, eles traziam exércitos consigo para limpar seus caminhos de quaisquer vikings” (160). Os burhs de Eduardo foram construídos como uma demonstração de autoridade real e força militar, enquanto, de acordo com Arman, Aethelflaed (Etelfleda) tinha um foco diferente:

Aethelflaed (Etelfleda) parece ter afirmado seu senhorio garantindo que seu reino estivesse bem defendido. Seus novos burhs eram mais do que apenas estruturas defensivas; eram também cidades planejadas. Dentro das muralhas de muitos burhs, as ruas foram dispostas ordenadamente de acordo com o antigo padrão romano, com quatro ruas principais que se cruzavam de norte a sul e de leste a oeste, e ruas laterais menores que se ramificavam delas. As pessoas eram incentivadas a se estabelecer, e os homens que serviam na guarnição podem ter recebido lotes “burgage” dentro da cidade, onde podiam morar com suas famílias. (162)

Aethelflaed (Etelfleda) supervisionou a construção desses burhs entre 912 e 917, enquanto também repelia ataques vikings e cuidava dos assuntos de governar a Mércia. Em 909, Eduardo lançou ofensiva no Danelaw, na qual os soldados saquearam aldeias e massacraram habitantes por mais de um mês. Em retaliação, os vikings contra-atacaram a Mércia.

Em 916, um abade chamado Ecgberht foi assassinado junto com seus companheiros, possivelmente durante uma missão diplomática da Mércia para o País de Gales. Arman, citando a Crônica Anglo-Saxônica, escreve: "A resposta de Etelflada foi rápida, decisiva e implacável. Em três dias, nos contam, ela reuniu um exército e marchou para o País de Gales." (191).

Em 917, ela novamente liderou suas tropas em campanha contra os dinamarqueses de Derby e saiu vitoriosa. No ano seguinte, marchou sobre Leicester, que se rendeu sem lutar, e essas vitórias convenceram os dinamarqueses de York a se submeterem pacificamente ao seu domínio. Os principais homens de York estavam se preparando para uma submissão formal quando Aethelflaed (Etelfleda) morreu em Tamworth, possivelmente de derrame, em 12 de junho de 918.

Aethelstan
Aethelstan Corpus Christi College, Cambridge (Public Domain)

Legado

Sua filha, Aelfwynn, sucedeu-a, mas apenas por alguns meses, antes de ser deposta por Eduardo, que reivindicou a Mércia para Wessex e uniu as regiões sob seu domínio. Aelfwynn foi levada para Wessex por Eduardo, mas o que aconteceu com ela depois disso é desconhecido. Os mercianos opunham-se à dominação de Wessex e parece provável que Eduardo tenha posicionado seu filho, Aethelstan – que a essa altura era mais príncipe da Mércia do que de Wessex – como mediador nesse período. Quando Eduardo morreu, em 924, seu filho de um segundo casamento, Aelfweard, sucedeu-o, mas morreu apenas 16 dias depois.

Aethelstan foi proclamado rei pelos mercianos e, em seguida, foi aceito com relutância pelos nobres de Wessex para se tornar Rei dos Anglo-Saxões e, eventualmente, o primeiro rei reconhecido do povo inglês. Entre suas primeiras conquistas, destaca-se a conclusão da obra iniciada por Aethelflaed (Etelfleda), com a conquista da cidade de York e a unificação da Inglaterra sob um único governante, em 927.

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Aethelstan cresceu na corte de sua tia e tio na Mércia. Sua educação foi inteiramente de responsabilidade deles e, muito provavelmente, essa responsabilidade recaiu mais sobre Aethelflaed (Etelfleda) do que sobre seu marido. As grandes realizações de Aethelstan na educação, no direito, na política externa e em projetos de construção teriam sido influenciadas por seus primeiros anos na corte da Mércia.

Historiadores dois séculos depois escreveriam sobre Aethelflaed (Etelfleda) como uma grande governante, muito mais do que escreveriam sobre Eduardo ou mesmo Alfredo, o Grande, e reconheceriam sua influência sobre o príncipe que se tornou o maior rei de sua época. Esses mesmos historiadores, principalmente Guilherme de Malmsbury, também reconhecem a importância de Aethelflaed (Etelfleda) por si só como uma mulher que governou efetivamente seu reino durante período de crise e deixou legado duradouro para seu povo não apenas por meio de sua influência sobre seu sobrinho, mas principalmente por suas próprias realizações.

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Sobre o Tradutor

Raimundo Raffaelli-Filho
Médico, professor de Clínica Médica (MD, PHD) e apaixonado por História, particularmente pela Antiga e Medieval, especialmente pelo Império Romano.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2025, dezembro 11). Aethelflaed, Senhora dos Mercianos. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16851/aethelflaed-senhora-dos-mercianos/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Aethelflaed, Senhora dos Mercianos." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, dezembro 11, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16851/aethelflaed-senhora-dos-mercianos/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Aethelflaed, Senhora dos Mercianos." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 11 dez 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16851/aethelflaed-senhora-dos-mercianos/.

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