O Período Jomon (cerca de 14 500 – cerca de 300 a.C.) do Japão antigo produziu uma cerâmica singular que o distingue do Período Paleolítico precedente. Os recipientes de cerâmica Jomon são os mais antigos do mundo e a sua decoração impressa, semelhante a uma corda, dá origem à própria palavra jomon, que significa «padrão de corda».
Os recipientes cerâmicos Jomon, sob a forma de peças simples, foram produzidos pela primeira vez por volta de 13 000 a.C. nas proximidades de Shinonouchi, em Nagano, o que os torna nos exemplos mais antigos do mundo. Outro local de produção primordial foi Odai-Yamamoto, em Aomori. As estatuetas de cerâmica Jomon surgiram mais tarde, sendo o exemplo mais antigo conhecido a «Vénus Jomon», que data de cerca de 5000 a.C. Produziam-se dois tipos gerais de cerâmica: um de tom cinzento-escuro, com arestas angulares, decoração de linhas curvas e asas frequentemente moldadas para se assemelharem a cabeças de animais; e outro de tom avermelhado, sem qualquer decoração ou apenas com algumas linhas onduladas ou em ziguezague.
Os oleiros eram, muito provavelmente, semi-especialistas que dedicavam apenas parte do seu tempo à fabricação de cerâmica. Como não foram escavados fornos deste período, pensa-se que os recipientes eram cozidos em fogueiras ao ar livre. Há evidências de trocas de cerâmica produzida localmente entre diferentes comunidades, mas, dado que os recipientes eram muito semelhantes entre si, a troca devia-se, com grande probabilidade, aos próprios bens neles armazenados.
As Formas
Os peritos japoneses em cerâmica Jomon identificaram seis categorias de formas de recipientes:
- Fukabachi: tigelas profundas (o tipo mais comum) e jarros de boca larga, por vezes com o gargalo afunilado.
- Asabachi: tigelas rasas.
- Hachi: tigelas de profundidade média.
- Sara: tigelas tão rasas que se assemelham a pratos.
- Tsubo: recipientes de boca estreita, por vezes com um gargalo longo.
- Chuko: recipientes com bico.
A maioria dos recipientes tem fundo plano ou arredondado, embora os exemplos mais tardios tenham maioritariamente base plana. Para além destes grandes grupos, existem recipientes que se assemelham a lâmpadas ou queimadores de incenso — os quais apresentam aberturas como parte da decoração — e estatuetas. No final do período, é possível categorizar todos os recipientes em dois grupos distintos: peças rústicas e simples, com muito pouca decoração (apenas uma impressão de corda), e peças finas, com uma decoração mais variada. Marcas de exposição ao fogo e um maior desgaste indicam que a cerâmica mais rústica se destinava ao uso diário, enquanto as peças mais finas, habitualmente sem danos, eram reservadas exclusivamente para fins rituais.
A Decoração
Muitos recipientes são, portanto, simples, mas cerca de metade apresenta algum tipo de decoração, sendo a mais típica composta por linhas e ondas feitas pela impressão de uma corda no barro húmido antes da cozedura — daí o nome jomon ou «padrão de corda» para a cerâmica e para este período da história do Japão. Existem algumas diferenças regionais e os peritos identificam, em particular, o estilo chinsen-mon no leste do Japão, onde se usavam conchas para incidir o barro, e o oshigata-mon no oeste, onde as impressões eram feitas com uma cavilha de madeira. A decoração torna-se assinalavelmente mais extravagante em meados do período, com o chamado estilo «chama de fogo» (Umataka Kaen) da região de Hokuriku, e em especial do sítio de Sasayama, na Prefeitura de Niigata, onde os recipientes se cobrem de finos rolos de barro aplicados para formar linhas, espirais e cristas. Rumo ao final do período, a decoração volta a ser minimizada e, em algumas regiões, desaparece por completo.
A Evolução
Quando os migrantes do continente asiático começaram a chegar ao Japão a partir de cerca de 400 a.C. (ou até antes), trouxeram consigo novas técnicas, formas e decorações cerâmicas. É interessante notar que esta expansão de ideias do exterior se refletiu no oeste do Japão, que passou a apresentar uma variação significativamente maior na fabricação de cerâmica do que a zona oriental do arquipélago. A moda da decoração minimalista generalizou-se no oeste do Japão, tal como a distinção entre peças vidradas e não vidradas. Consequentemente, a cerâmica Jomon foi sendo gradualmente substituída pela cerâmica mais fina do Período Yayoi (cerca de 300 a.C. – cerca de 250 d.C.), caracterizada pela ausência de decoração e por uma cor avermelhada. Por sua vez, estas peças viriam a ser substituídas pelo grés Sue, de qualidade superior, introduzido a partir da Coreia no Período Kofun (cerca de 250– 538).
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