Soma

O Elixir dos Deuses Hinduístas
Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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The Moon (by Frode Steen, CC BY)
A Lua Frode Steen (CC BY)

O soma era uma bebida à base de sumo fermentado que, segundo se acreditava, era consumida pelos deuses hindus e pelos seus antigos sacerdotes, os brahmanas, durante os rituais. Considerado um elixir, o seu consumo não só curava doenças como também trazia grandes riquezas. O soma é personificado pelo deus com o mesmo nome, que é também o deus dos sacrifícios e que, em alguns textos, pode ser associado à Lua. A bebida é descrita e elogiada de forma célebre numa mandala no Rigveda, o texto sagrado hindu.

A Bebida Soma

Talvez tenha sido utilizada pela primeira vez na antiga Pérsia; o sumo de Soma pode ter-se derivado da seiva leitosa fermentada da Asclepias acida, uma trepadeira que prospera em zonas montanhosas. Outros candidatos à origem da bebida, ou a alguns dos seus ingredientes, incluem cogumelos alucinógenos, mel, canábis, lótus azul, leite e romã.

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Na mitologia, os deuses alcançaram a imortalidade ao beberem Soma, sendo esta a bebida preferida do grande deus Indra. Entregaram então a bebida ao deus arqueiro Gandharva para que a guardasse, mas um dia Agni, o deus do fogo, roubou-a e entregou-a à raça humana. Não só era consumida pelos sacerdotes devido à sua natureza sagrada, como também lhe eram atribuídas qualidades estimulantes, conferindo a quem a bebia um aumento de energia e de estado de alerta. Estes efeitos fizeram com que a bebida fosse considerada divina desde a antiguidade; uma bebida que aproximava os humanos do divino. Era também frequentemente oferecida em libações aos deuses pelos fiéis.

Soma é considerado a divindade que supervisiona os sacrifícios religiosos hindus.

O Deus Soma

A bebida foi personificada como o deus Soma, considerado o mais primitivo entre os deuses e um portador de saúde e riqueza; em muitos aspetos, ele é semelhante aos deuses gregos e romanos do vinho, Dionísio e Baco, enquanto a bebida é o equivalente à ambrosia nessas tradições. Além disso, Soma é considerado a divindade que supervisiona os sacrifícios religiosos hindus e representa a direção nordeste. Nos textos religiosos dos Puranas, Soma é descrito a conduzir uma carruagem de três rodas, puxada por uma parelha de dez cavalos de um branco puro.

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Mais tarde, Soma foi também identificado com o deus da Lua Osadhipati (ou, alternativamente, Chandra), uma extensão natural do papel deste último como senhor das ervas. Nos Puranas, Soma, na qualidade de deus da Lua, surge em vários Puranas distintos, muitas vezes com descrições contraditórias. Pode ser, consoante as versões, filho de Atri (o sábio e um dos dez senhores da criação), de Prabhakara (da estirpe de Atri), de Parjanya (o deus védico da chuva) ou de Dharma (outro sábio antigo). Numa outra versão ainda, Soma nasceu da agitação do oceano leitoso quando o mundo foi criado pela primeira vez. É também, de forma confusa, descrito como um guerreiro da casta kshatriya e como um sacerdote da casta brahmana . Nos Vedas, Sita, a filha de Savita, o Sol, era a amante de Soma, mas as suas companheiras mais famosas são Rohini e Tara.

Soma e Rohini

Um dos mitos mais pitorescos envolvendo Soma é aquele em que, na sua forma de Lua, casou-se ambiciosamente com todas as 27 filhas de Daksa, o grande sábio. O número destas belezas não é coincidência, pois são a personificação dos 27 asterismos lunares. Soma, talvez inevitavelmente, desenvolveu uma preferência por Rohini (a Vermelha — a constelação de Touro), a quarta irmã, o que provocou grande inveja entre as outras 26. Em conjunto, elas queixaram-se ao pai, mas este nada pôde fazer quanto à preferência de Soma. Como resultado, Daksa amaldiçoou Soma para que nunca tivesse filhos e, pior ainda, garantiu que morresse lentamente de tuberculose. Ao ouvirem isto, as filhas de Daksa acharam que o pai tinha ido longe demais e imploraram-lhe que não fosse tão severo. Consequentemente, Daksa alterou a sua maldição para que, em vez de morrer completamente, Soma morresse temporariamente e depois rejuvenescesse num ciclo contínuo. E esta foi a explicação para o declínio periódico da Lua.

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Soma e Tara

Noutro episódio famoso da mitologia hindu, o amoroso Soma raptou, desta vez, Tara, a esposa de Brhaspati, o deus-sacerdote que atuava como mensageiro e elo de ligação entre a humanidade e os deuses. Ao raptar Tara, Soma desencadeou uma guerra entre os deuses e os demónios (asura), à qual só a intervenção do poderoso Brahma pôs fim. Tara foi então devolvida à sua família, mas não sem antes ter engravidado do filho de Soma, Budha (que não deve ser confundido com Buda), a personificação do planeta Mercúrio e pai da raça lunar.

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Cartwright, M. (2026, outubro 04). Soma: O Elixir dos Deuses Hinduístas. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14376/soma/

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Cartwright, Mark. "Soma: O Elixir dos Deuses Hinduístas." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, outubro 04, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14376/soma/.

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Cartwright, Mark. "Soma: O Elixir dos Deuses Hinduístas." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 04 out 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14376/soma/.

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