Yama

Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Yama (by Unkown Artist, Public Domain)
Yama Unkown Artist (Public Domain)

Yama (ou igualmente Iama) é o deus hindu da morte, rei dos antepassados e juiz final do destino das almas; também conhecido como o «Restritor», Pretaraja ou «Rei dos Fantasmas», Dharmaraja ou «Rei da Justiça»; e como Daksinasapati é considerado o regente do Quarto Sul. Pode ser referido simplesmente como «Morte» – Antaka, Kala ou Mrtyu. Devido à sua responsabilidade pela tomada de boas decisões com base nos registos das ações duma pessoa, o deus está particularmente associado ao Estado de direito. Analogamente, está presente na mitologia iraniana, na mitologia tradicional chinesa e japonesa e em elementos do budismo.

Relações Familiares de Yama

Yama é filho do deus do sol Vivasvat (ou Visvavasu em outras versões) e de Saranyu-Samjna (Consciência); é irmão de Manu ou Vaivasvata e, também, tem uma irmã gémea, Yami (ou Yamuna). Em alguns mitos, Yama e Yami são os primeiros humanos e criadores da raça humana, mas noutras versões Yama é o primeiro humano a morrer e, portanto, o primeiro a passar para o outro mundo. É considerado o pai de Yudhisthira, um dos cinco príncipes Pandu. As suas consortes são Hemamala, Vijaya e Susila.

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Yama Como Juiz das Almas

Ao contrário do deus dos mortos ou do submundo noutras culturas, Yama nem sempre é descrito como um punidor dos malvados. No entanto, o deus é temido por alguns, especialmente devido aos seus dois grandes cães, criaturas assustadoras que têm quatro olhos e guardam o caminho que os mortos devem percorrer até cehgar a Yama. Os cães são por vezes enviados ao mundo dos vivos para chamar as almas até Yama; contudo noutras versões, é um pássaro que desempenha esta função, chamando os mortos à cidade do deus, Yamapura, nas profundezas do submundo sombrio. Noutra versão ainda, Agni (o deus hindu do fogo e filho de Yama e Yami) conduz os mortos até Yama.

os bons desfrutarão da felicidade eterna e brilharão como estrelas nos céus celestiais.

Quando as almas chegam ao palácio Kalici de Yama, são recebidas primeiro pelo porteiro de Yama, Vaidhyata, e depois por dois assistentes, Kalapurusa e Chanda (ou Mahachanda), que as conduzem a uma audiência com o grande deus. Primeiro, o escrivão de Yama, Citragupta, lê as ações mundanas, que consulta no enorme registo, o Agrasandhani, depois com base nelas, Yama senta-se no trono do julgamento (Vicarabhu) e considera as três opções que tem à sua disposição: a primeira e a melhor é receber a imortalidade ao beber soma e ser enviado para viver para sempre com os sábios e santos pitrs ou Manes, dos quais Yama é rei. Aqui, os bons desfrutarão da felicidade eterna e brilharão como estrelas nos céus celestiais. A segunda opção é ser enviado de volta para o mundo e renascer para, por assim dizer, ter outra oportunidade de levar uma vida boa, embora não necessariamente como humano. A terceira e a pior opção é ser enviado para os 21 níveis do inferno; quanto mais baixo o nível, pior o castigo.

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A Maldição de Yama

Yama aparece num episódio pouco lisonjeiro nos Puranas, quando tenta pontapear a sua mãe Samjna (ou, noutra versão, Chaya, uma das criadas do pai), Yama só conseguiu receber uma maldição da potencial vítima: foi condenado a ter uma perna terrivelmente ferida que nunca sarou e ficou infestada de vermes. Felizmente para Yama, o pai deu-lhe um galo que comeu todos os vermes da perna e, eventualmente, recuperou o suficiente, pois a perna permanentemente danificada valeu-lhe o nome de Sirnapada ou «pé encolhido».

Yama na Arte

Na arte hindu, Yama é frequentemente retratado com pele ou verde ou azul e vestindo uma túnica vermelha. Desloca-se num búfalo (ou elefante) e costuma carregar uma maça ou vara — feita de uma parte do sol — e um laço, este último simbólico do seu papel como captor de almas. Na verdade, por vezes, é conhecido como Pasi, «o portador do laço».

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No Tibete, Yama é conhecido como Gsin-rje, e o deus é frequentemente representado com um rosto demoníaco e pisando violentamente uma pessoa. Yama aparece em pose semelhante nos relevos em Angkor Wat, no Camboja. Por fim, é uma figura familiar em muitos templos chineses, onde é conhecido como Yen-lo wang.

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Bibliografia

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Mark Cartwright
Mark é escritor, pesquisador, historiador e editor. Tem grande interesse por arte, arquitetura e por descobrir as ideias compartilhadas por todas as civilizações. Possui mestrado em Filosofia Política e é Diretor Editorial da WHE.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2025, novembro 02). Yama. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13915/yama/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Yama." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, novembro 02, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13915/yama/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Yama." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 02 nov 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13915/yama/.

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