Os Druidas foram uma classe especial de indivíduos nas antigas culturas celtas e eram conhecidos por sua grande sabedoria e conhecimento das tradições. Eles não eram apenas sacerdotes que administravam todos os rituais religiosos, como sacrifícios (incluindo humanos), mas também ofereciam ajuda prática interpretando eventos da natureza, adivinhando o futuro e criando poções medicinais, especialmente por meio do uso de plantas sagradas, como o visco.
Além disso, os druidas eram os depositários da história da comunidade e podiam ser convocados para impor interdições rituais (ou, de modo menos preciso, lançar feitiços) sobre indivíduos, assegurando o cumprimento das normas da sociedade. Evidências de que havia mulheres druidas na antiguidade são escassas, bem como informações sobre os druidas em geral, o que levou a especulações e suposições muitas vezes fantasiosas em períodos posteriores. Os druidas e a religião celta entraram em declínio após a perseguição pelos romanos no século I e, posteriormente, com a chegada do cristianismo em toda a Europa.
Nota sobre as Fontes
Não há uma grande quantidade de material antigo escrito disponível sobre os druidas, e o que existe provém ou de autores gregos e romanos, ou de fontes literárias medievais, como os poemas mitológicos irlandeses. As consequências disso são a pouca atenção dada às culturas celtas fora das Ilhas Britânicas e da Gália, e a ausência de informações anteriores ao período romano, quando o druidismo já estava em declínio. Outro problema é a confusão e as comparações inadequadas feitas por autores da Antiguidade entre os druidas e homens sábios de diferentes tradições culturais, como os magos da Pérsia, os pitagóricos gregos e os ascetas indianos. No entanto, obras como A Guerra das Gálias de Júlio César (cerca de 100-44 a.C.) fornecem informações inestimáveis sobre essa misteriosa classe de sacerdotes que não deixou nenhum registro sobre suas crenças e práticas.
O Prestígio dos Druidas
A palavra druida deriva de druides/druidae em latim, druad em irlandês antigo e dryw em galês. Poucos estudiosos hoje concordam com a visão tradicional de que o nome deriva de uma combinação de duas ou mais palavras celtas que significam "conhecimento", "carvalho" ou "conhecimento do carvalho" (dru-vid-es). Como depositários do conhecimento acumulado da comunidade – transmitido oralmente pelos mais velhos aos mais novos – os druidas gozavam de elevado prestígio social nas sociedades celtas. Segundo Júlio César, eles não pagavam impostos e não eram obrigados a prestar serviço militar. É provável que alguns aconselhassem governantes em assuntos religiosos e presidissem questões judiciais, como casos criminais, disputas de herança e conflitos sobre fronteiras. Os druidas também supervisionavam a realização de juramentos por guerreiros para demonstrar sua lealdade a um líder. Os druidas assinalavam sua condição distinta em relação aos demais por meio de longas vestes brancas e, possivelmente, também pelo uso de ornamentos de cabeça incomuns. Achados arqueológicos desse tipo de adorno, claramente destituídos de qualquer função militar, podem corresponder àqueles outrora utilizados pelos druidas. Tais ornamentos consistiam, geralmente, em peças de bronze em forma de folhas, cones ou discos, por vezes acrescidas de adornos em forma de chifres ou galhadas.
Não está claro se os druidas tinham sua própria hierarquia interna além da distinção entre os experientes e os novatos, mas Júlio César observa que na Gália um druida-chefe era eleito e ocupava o cargo vitaliciamente. Os druidas tinham locais sagrados onde se reuniam para eventos anuais. Júlio César menciona a área dos Cárnutos (atual Chartres), na região central da França, e sabemos que Mona (atual Anglesey, no País de Gales) era considerada uma ilha sagrada para os druidas.
Os novatos passavam cerca de 20 anos aprendendo o conhecimento de forma oral de seus mestres druidas. A ênfase no aprendizado oral pode ter sido o reflexo do desejo de manter o conhecimento dos druidas exclusivo para os iniciados, mais do que uma falta de letramento. Podem ter existido algumas mulheres druidas, mas não há evidências claras sobre elas, exceto em fontes posteriores e, geralmente, apenas na Gália e na Irlanda. No entanto, como observa a historiadora Chiara Tommasi, essas fontes "são de confiabilidade duvidosa e provavelmente deveriam ser descartadas" (Bagnall, 2329). Além disso, há evidências de guerreiras celtas e, sem dúvida, a ausência de evidências pode funcionar como uma via de mão dupla - também não há registro de que as mulheres não tivessem permissão para se tornarem druidas.
O Papel dos Druidas
Os druidas eram considerados intermediários dos deuses e, por isso, suas oferendas e sacrifícios poderiam manter essas poderosas divindades satisfeitas e, assim, diminuir as provações que regularmente infligiam aos humanos. Como observou Júlio César:
Os druidas oficiam o culto aos deuses, regulam os sacrifícios públicos e privados e decidem sobre todas as questões religiosas. Grande número de jovens os procuram para receber instrução, e eles são muito respeitados pelo povo.
(A Guerra das Gálias, VI:13)
O poder dos druidas e seu monopólio sobre as cerimônias religiosas significavam que qualquer um que desconsiderasse suas decisões corria o risco de ser excluído dos rituais, o que, na prática, tornava essa pessoa impura e uma forasteira dentro da própria comunidade. Um druida podia impor interdições ou proibições a indivíduos conhecidos como geissi (ou geis) na Irlanda ou simplesmente lançar feitiços (mesmo que este termo talvez não seja o ideal por suas conotações de magia). Tais interdições poderiam ser mundanas, como não comer um tipo específico de carne, mas se não fossem obedecidas, acreditava-se que logo chegaria a morte ou o infortúnio para o infrator e seus parentes.
Os druidas também eram chamados para explicar e controlar forças sobrenaturais e os impressionantes fenômenos naturais. Nessa condição, os druidas também afirmavam prever o futuro e, por isso, deveriam interpretar corretamente os presságios. Por essa razão, os druidas eram grandes astrônomos e especialistas no uso de calendários. Escritores romanos às vezes atribuem tarefas de adivinhação a uma classe separada de indivíduos, os videntes. Outra figura que também é equiparada aos druidas é o fili ou poeta-historiador erudito da antiga Irlanda. Além de compor elogios fúnebres e invectivas, os fili também transmitiam oralmente para a próxima geração o folclore da comunidade e estavam envolvidos de alguma forma com códigos legais e profecias. Se druidas, videntes e fili eram indivíduos separados ou se tratava de características de um mesmo indivíduo ainda é um assunto muito debatido por estudiosos.
Uma outra função dos druidas era preparar poções com as quais podiam reforçar suas interdições e feitiços. O uso de objetos para lançar feitiços ou maldições sobre inimigos era uma prática bastante comum em toda a antiguidade em muitas culturas. Entretanto, a associação dos druidas com a magia provavelmente deriva da demonização das práticas e praticantes pagãos por escritores cristãos medievais. Uma habilidade muito mais provável é o conhecimento de medicamentos e curas naturais para doenças comuns. Os druidas coletavam plantas como o visco e frequentemente o faziam à noite, pelo menos de acordo com Plínio, o Velho (23-79 d.C.) em sua História Natural. Plínio descreve druidas fazendo viagens noturnas a bosques sagrados para cortar ramos de ervas e plantas com suas foices de ouro, uma imagem que certamente ficou gravada no imaginário popular.
O visco era particularmente importante para os druidas, pois era um símbolo tradicional de vida e fertilidade, por ser uma planta perene e manter suas folhas mesmo quando a árvore hospedeira perde toda a sua folhagem no inverno. Como Plínio descreve aqui:
Os druidas… não consideram nada mais sagrado do que o visco e a árvore em que ele cresce, desde que seja um carvalho… Sob a árvore eles preparam um sacrifício e uma festa religiosa, e trazem dois touros brancos cujos chifres são atados pela primeira vez. Um sacerdote vestido de branco sobe na árvore, corta o visco com um gancho de ouro e o colhe em um manto branco. As vítimas são sacrificadas com orações ao deus para tornar esta oferenda propícia.
(História Natural, 16: 95)
Plínio continua mencionando que o momento dos rituais e a colheita do visco eram muito importantes, até mesmo relacionados a dias específicos no calendário:
[O visco] é colhido com muita cerimônia, se possível no sexto dia da lua… Eles escolhem este dia porque, embora a lua ainda não tenha atingido metade do seu tamanho, ela já tem influência considerável.
(ibid., 16:249)
Rituais, Sacrifícios e Sepultamentos
Os druidas presidiam a todos os tipos de cerimônias religiosas nas comunidades celtas. As oferendas eram feitas em locais naturais importantes, como rios, nascentes, lagos e turfeiras. Colinas e bosques de árvores sagradas, especialmente carvalhos, também sediavam rituais. Todos esses lugares eram considerados pontos de encontro entre o mundo físico e o sobrenatural. Orações eram feitas, e alimentos, armas e bens preciosos eram ritualisticamente oferecidos aos deuses.
Após uma batalha, guerreiros inimigos capturados eram às vezes sacrificados aos deuses. Sacrifícios de animais e humanos eram oferecidos como um grande presente e destinados a apaziguar as muitas divindades celtas, ou eram mortos para fins de adivinhação. As vítimas, tanto animais quanto humanas, eram cuidadosamente observadas enquanto morriam, pois os druidas tentavam interpretar seus estertores, jorros de sangue ou até mesmo a maneira como caíam no chão, a fim de lançar luz sobre o futuro. Uma dessas possíveis vítimas, conhecida como o Homem de Lindow, descoberto em Lindow Moss, um pântano de turfa perto de Cheshire, na Inglaterra. Este jovem ilustra o cuidado que era tomado com as vítimas antes de sua jornada final para o Outro Mundo. O Homem de Lindow viveu no máximo na virada dos séculos I e II, e ele tinha unhas bem cuidadas, estava com boa saúde e em seu estômago havia visco e bolos de aveia queimados. Ele morreu daquilo que parece ter sido a maneira padrão para mortes rituais: golpeado na cabeça, estrangulado e com a garganta cortada. O cadáver era então colocado na água por algum tempo e depois enterrado.
Os druidas também teriam presidido cerimônias fúnebres mais pacíficas. Há sólidas evidências arqueológicas indicando que os celtas acreditavam em vida após a morte e os druidas podem ter propagado a ideia de que a alma deixava o corpo apenas para reaparecer em outro após a morte (embora essa crença pudesse ter sido perpetuada por governantes ávidos por insuflar coragem em seus guerreiros em batalha). Em sepultamentos como os de grandes guerreiros e governantes, os indivíduos eram enterrados junto com seus pertences pessoais, armas e objetos preciosos, como joias de ouro. Alternativas ao enterro eram cremações e descarnizações, onde o cadáver era deixado exposto aos elementos por um período e os ossos, em seguida, eram enterrados ou guardados para futuras cerimônias religiosas.
Declínio
Os druidas entraram em declínio durante a ascensão do Império Romano, talvez porque fossem muito importantes como uma força de união para as culturas que os romanos tentavam suplantar. Uma outra razão era a aversão romana por sacrifícios humanos, apesar de seu apreço por esportes sangrentos e execuções gráficas. Uma terceira razão era o choque ideológico, com Roma sendo uma cultura materialista e hierárquica, enquanto a dos druidas era uma cultura espiritual e centrada na moralidade, com crença na propriedade coletiva. Vários imperadores tentaram erradicar completamente os druidas, notadamente Tibério (que reinou de 14 a 37 d.C.) e Cláudio (que reinou de 41 a 54 d.C.). Em 59 d.C., o centro druida em Anglesey foi sistematicamente atacado por um exército romano.
A mais disseminada ameaça aos druidas veio com a cristianização da Europa Ocidental e Central, desde o final da Antiguidade até o período medieval. O druidismo conheceu uma espécie de renascimento a partir do século XVII. Contudo, é discutível o quanto há em comum entre os druidas da Antiguidade e seus equivalentes mais modernos, questão que tem recebido pouca atenção por parte de estudiosos mais rigorosos das sociedades celtas antigas. Esse período marcou também o início de investigações sistemáticas sobre os druidas e os celtas, dando origem a interpretações frequentemente fantasiosas, porém duradouras, como a ideia de que os monumentos megalíticos espalhados pela Europa teriam sido templos druidas, apesar de tais estruturas antecederem em milhares de anos o aparecimento dos druidas no registro histórico.
