Civilização Muisca

Mark Cartwright
por , traduzido por Matheus Kunitz Daniel
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Muisca Gold Figure (by Metropolitan Museum of Art, Copyright)
Figura Muisca de Ouro Metropolitan Museum of Art (Copyright)

A civilização Muisca (ou Chibcha) floresceu na antiga Colômbia entre 600 e 1600. O seu território abrangia o que hoje é Bogotá e seus arredores, e eles ganharam fama duradoura como a origem da lenda de El Dorado. Os Muisca também deixaram um legado artístico significativo em seu excelente trabalho com ouro, grande parte dele sem igual por qualquer outra cultura das Américas.

Sociedade & Religião

Os Muisca viviam em assentamentos dispersos pelas planícies elevadas dos Andes, no leste da atual Colômbia. Importantes cerimônias anuais relacionadas à religião, à agricultura e à elite governante ajudavam a unir essas diversas comunidades. Sabemos que tais cerimônias envolviam um grande número de participantes e incluíam cantos, queima de incenso e música de trombetas, tambores, chocalhos, sinos e ocarinas (flautas de cerâmica em formato bulboso). As comunidades também eram ligadas pelo comércio, e havia até uma circulação de artesãos habilidosos, especialmente ourives, entre as cidades Muisca.

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Os Muisca pegavam cabeças-troféu de seus inimigos derrotados e, às vezes, sacrificavam cativos.

Fundados pela figura lendária de Bochica, que veio do leste e ensinou moralidade, leis e ofícios, os Muisca eram governados por chefes auxiliados por líderes espirituais. Os Muisca controlavam e defendiam seu território com armas como porretes, propulsores de lanças, flechas e lanças. Os guerreiros também tinham capacetes protetores, peitorais com armadura e escudos. Os Muisca pegavam cabeças-troféu de seus inimigos derrotados e, às vezes, sacrificavam cativos para apaziguar seus deuses. No entanto, a guerra era altamente ritualizada e provavelmente em pequena escala. Há amplas evidências, por exemplo, de que mercadorias como ouro, conchas, penas, peles de animais, tabaco, sal, folhas de coca e outros alimentos eram comercializadas com culturas colombianas vizinhas, como os Tolima e os Quimbaya. Os bens preciosos eram reservados para a elite Muisca, assim como a caça e a carne.

Idolatrando o sol, os Muisca também tinham uma reverência especial por objetos e lugares sagrados, como certas rochas, cavernas, rios e lagos. Nesses locais, eles deixavam oferendas votivas (tunjos), pois eram considerados um portal para outros mundos. Os deuses mais importantes dos Muisca eram Zue, o deus sol, e Chia (grafado alternativamente como Chie), a deusa lua. Também conhecemos Chibchacum, o patrono dos metalúrgicos e comerciantes. O tipo mais comum de oferenda aos deuses eram alimentos, juntamente com tunjos típicos de cobras e figuras planas masculinas, femininas e de animais feitas em liga de ouro, que eram colocadas em locais sagrados. Membros da elite da sociedade também podiam ser enterrados em locais de importância religiosa, sendo primeiro secos e depois envoltos em muitas camadas de tecidos finos, e finalmente colocados em uma tumba sentados em seu assento de autoridade, um pequeno banco ou tianga, e cercados pelos bens preciosos que haviam desfrutado em vida.

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Muisca Tunjo
Tunjo Muisca (Chibcha) Ignacio Perez (CC BY-NC-SA)

El Dorado

Os Muisca hoje são mais famosos pela lenda de El Dorado ou 'O Dourado'. Uma cerimônia Muisca realizada no Lago Guatavita, na verdade apenas um dos muitos tipos, envolvia um governante coberto com pó de ouro que era então levado em uma jangada até o centro do lago, onde saltava nas águas em um ato de purificação e renovação ritual. Os súditos Muisca também jogavam objetos preciosos no lago durante a cerimônia, não apenas ouro, mas também esmeraldas.

Os espanhóis, ao ouvirem essa história, permitiram que sua imaginação e sede de ouro saltassem além dos limites da realidade e logo surgiu a lenda de uma cidade magnífica construída com ouro. Naturalmente, como nunca existiu em primeiro lugar, a cidade jamais foi encontrada, e até o lago teimosamente se recusou a revelar seus segredos, apesar de várias tentativas custosas ao longo dos séculos.

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Arte Muisca

As figuras na arte Muisca são frequentemente transformacionais, por exemplo, um homem com elementos de um pássaro, o que pode representar as visões alucinatórias dos xamãs induzidas pelo consumo de folhas de coca ou yopo (sementes trituradas). Animais como morcegos, felinos, cobras, jacarés e anfíbios também eram temas populares. Os Muisca não restringiram a sua produção artística ao ouro, mas também criaram tecidos finos de lã ou algodão, e este último também podia ser pintado.

Os desenhos típicos Muisca incluem espirais e outras formas geométricas e de encaixe. Também eram produzidas cerâmicas (incluindo figuras de argila) e pedras semipreciosas esculpidas. As mulheres Muisca não eram apenas tecelãs habilidosas, mas igualmente hábeis na cestaria e no trabalho com penas. A maioria dos exemplos foi descoberta em tumbas e, assim, escapou da cobiça dos invasores europeus no início do século XVI e de ladrões de túmulos posteriores.

Muisca Double Eagle Pendant
Pingente Duplo de Águia Muisca Metropolitan Museum of Art (Copyright)

Para os Muisca, o ouro era o material de escolha, pois era valorizado por suas propriedades lustrosas e transformacionais e por sua associação com o sol. Não era usado como moeda, mas sim como meio artístico. O ouro era extraído de veios expostos e garimpado em rios de montanha. O ouro e sua liga tumbaga (uma mistura de ouro e cobre com traços de prata) eram usados para fazer tunjos, como figuras e máscaras, recipientes para coca (poporos) com colheres de cal, e também joias requintadas – tipicamente peitorais, brincos e argolas nasais. Os ourives Muisca empregavam uma ampla gama de técnicas em seu trabalho, como fundição por cera perdida, douramento por depleção (que dá um acabamento bicolor), repuxo, soldagem, granulação e filigrana. O ouro também era transformado em finas lâminas martelando-se em bigornas de pedra redondas ou moldes de pedra esculpidos usando um martelo oval de pedra ou metal.

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Talvez uma das mais belas peças Muisca, e uma evidência sólida da cerimônia de El Dorado, seja uma jangada de liga de ouro sobre a qual estão figuras, uma das quais é maior e, usando um cocar, é indubitavelmente o 'Dourado'. Foi descoberta em uma caverna perto de Bogotá e era um tunjo. A peça tem 10 x 20 cm, com a figura principal tendo 10 cm de altura, e atualmente reside, junto com muitas das mais belas peças Muisca sobreviventes, no 'Museo del Oro do Banco de la República', em Bogotá, Colômbia.

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Sobre o Tradutor

Matheus Kunitz Daniel
Professor de inglês, game designer e escritor. Entusiasta de história desde criança, traduzo textos com rigor e narrativa fluida, unindo precisão acadêmica e experiência em criação de mundos imersivos.

Sobre o Autor

Mark Cartwright
O Mark é o Diretor Editorial da WHE e é mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador a tempo inteiro, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem a arte, a arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2026, abril 13). Civilização Muisca. (M. K. Daniel, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13898/civilizacao-muisca/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Civilização Muisca." Traduzido por Matheus Kunitz Daniel. World History Encyclopedia, abril 13, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13898/civilizacao-muisca/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Civilização Muisca." Traduzido por Matheus Kunitz Daniel. World History Encyclopedia, 13 abr 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13898/civilizacao-muisca/.

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