O Panteão (Latin: pantheum) é o edifício mais bem preservado da Roma Antiga e foi concluído por volta do ano de 125 d.C. Sua importante cúpula de concreto é um testemunho duradouro da genialidade dos arquitetos romanos. Por permanecer praticamente intacto, o edifício oferece ao visitante contemporâneo uma oportunidade única de retornar dois mil anos no tempo e vivenciar a grandiosidade que foi Roma.
Qual era a função do Panteão?
A função exata do edifício não é conhecida com certeza, mas o nome, o pórtico e a decoração do frontão sugerem que se tratava de algum tipo de templo. No entanto, não há registros de um culto dedicado a todos os deuses, o que leva à hipotese de que o Panteão tenha sido concebido como um espaço onde o imperador podia fazer suas aparições públicas em um cenário que lembrava aos presentes seu status divino, equiparado aos demais deuses do panteão romano e aos imperadores anteriores que haviam sido divinizados. Sabemos, por exemplo, por meio do Plínio, autor romano do século I, que existiram no interior do Panteão estátuas de Vênus (usando uma pérola que pertenceu a Cleópatra), Marte e de Júlio César.
O Panteão foi construído exatamente no local de dois Panteões anteriores, o primeiro encomendado por Marco Vispânio Agrippa (27 - 25 a.C) e a segunda por Domiciano. A primeira construção foi destruída por um incêndio em 80 d.C., enquanto a segunda foi atingida por um raio em 110 e novamente sendo consumida pelo fogo. O terceiro Panteão provavelmente começou a ser construído durante o reinado de Trajano (98 - 117), porém só foi concluída por volta do ano de 125, quando Adriano era o imperador, ali frequentemente reunia o Senado Romano. É essa versão que permanece de pé até os dias de hoje em Roma.
Seguindo o costume habitual de Adriano de dedicar edifícios e monumentos reconstruídos em homenagem a quem os havia erguido originalmente, o Panteão é dedicado a Marco Agripa. A inscrição em latim em destaque na fachada do pórtico diz:
M. AGRIPPA L.F. COS TERTIUM FECIT
(Marcus Agrippa, filho de Lúcio, cônsul por três vezes, construiu isto).
Abaixo da inscrição principal há outra menor, que registra as restaurações realizadas por Séptímio Severo e Caracala no ano de 202, com o texto:
pantheum vetustate corruptum cum omni cultu restituerunt
(com todo o cuidado, restauraram o Panteão, desgastado pelo tempo).
Exterior: O Pórtico
O edifício todo repousa sobre uma base de 1,3 metros de altura, que originalmente avançava mais 7 metros à frente da colunata. A partir das extremidades externas dessa base partiam escadas de mármre amarelo da Numídia. O edifício consiste em duas partes principais - o pórtico, de apresentação claramente inspirada na Grécia Clássica, e o corpo principal circular, de caráter muito mais romano, lembrando a arquitetura das grandes termas imperiais. A estrutura circular foi erguida em tijolo e concreto, mas originalmente era revestida com estuque de mármore branco, de modo a harmonizar visualmente com o pórtico. A cúpula também é feita de concreto, e sua superfície externa era coberta por placas de bronze, removidas por Constante II no ano de 663.
O pórtico mede 33,1 × 13,6 metros e apresenta, na fachada, uma colunata frontal composta por oito colunas coríntias com 11,8 metros de altura. Os fustes monolíticos são de granito cinza de Mons Claudianus e de Assuão, enquanto as bases e os capitéis são de mármore branco pentélico. O frontão acima das colunas hoje está vazio, mas furos de fixação indicam que originalmente havia algum tipo de emblema, possivelmente uma águia ou uma coroa, que teria sido feito em bronze dourado e simbolizava Júpiter. O pórtico era revestido de mármore branco pentélico e decorado com relevos que representam objetos usados em sacrifícios religiosos, como pratos, caixas e machados, além de grinaldas e candelabros. O interior do pórtico mede 34 × 20 metros e possui quatro colunas de tom rosa, que formam três naves. O pavimento é resultado de restauração, mas mantém o desenho original, com retângulos de granito cinza e círculos de mármore branco. O interior do pórtico também era revestido com painéis de mármore, hoje desaparecidos, deixando à vista a alvenaria de tijolos.
Interior: A Cúpula
O Panteão pode muito bem ser o primeiro edifício da arquitetura clássica em que o interior foi concebido de forma deliberada para superar o exterior. A parte circular da construção, ou rotunda, era acessada por duas portas de bronze com 12 × 7,5 metros (as atuais são antigas, mas não são as originais). A rotunda tem 43,2 metros de diâmetro, exatamente a mesma medida da altura máxima da cúpula, que forma um hemisfério perfeito. No ponto mais alto da cúpula há uma abertura para o céu (o óculo) com 8,8 metros de diâmetro, ornado por um friso decorativo em lâminas de bronze. A cúpula é feita de concreto leve, uma mistura de tufo e escória (um tipo de pedra-pomes), e seu interior é ainda aliviado por cinco anéis de 28 caixotões, que diminuem de tamanho à medida que se aproximam do centro da cúpula. É possível que esses elementos tenham sido originalmente revestidos por placas de bronze.
A parede da rotunda tem 6 metros de espessura e abriga sete nichos, alternando entre formas semicirculares (3 nicho) e retangular (4 nicho). O nicho oposto à entrada é o mais imponente e se estende até ao teto. Ele apresenta um friso e uma cornija decorativos em pórfiro vermelho e é ladeado por duas colunas coríntias de mármore púrpura da Frígia. Cada um dos demais nichos possui duas colunas de mármore, púrpura da Frígia nos semicirculares e amarelo da Numídia nos retangulares. Cada nicho contava ainda com três pequenas reentrâncias para estátuas e uma janela, além de outras sete janelas distribuídas ao longo das paredes da rotunda. O pavimento é original e apresenta um padrão quadrado composto por granito cinza, pórfiro vermelho, mármore amarelo da Numídia e mármore púrpura da Frígia.
A História Posterior de Panteão
O Panteão, como todo monumento antigo, passou por uma trajetória marcada por intervenções e transformações. Ainda assim, o edifício chegou aos dias atuais em estado excepcional de conservação, provavelmente porque, relativamente cedo em sua história, foi convertido na igreja de Santa Maria dos Mártires, em 608. Em 1270, uma torre sineira foi acrescentada ao teto do pórtico, sendo posteriormente removida. Em algum momento da Idade Média, o lado esquerdo do pórtico sofreu danos, o que tornou necessária a substituição de três colunas. A primeira delas veio da vila de Domiciano, em Castel Gandolfo, e foi instalada em 1626. As outras duas foram retiradas das Termas de Nero e colocadas no local em 1666. No entanto, essas colunas adicionadas eram de coloração rosa, enquanto originalmente as oito colunas frontais do pórtico eram todas cinzentas, sendo rosadas apenas as quatro colunas internas, feitas de granito de Assuão. Ainda em 1626, o papa Urbano VIII mandou remover todas as vigas de bronze do teto do pórtico e reutilizou o metal para fundir 80 canhões destinados ao Castel Sant’Angelo, a fortaleza da cidade. A existência dessas vigas indica que a cobertura do pórtico era originalmente composta por pesadas telhas de mármore.
Apesar de todas essas alterações, o Panteão continua sendo um dos edifícios mais célebres do mundo e, sem dúvida, o monumento antigo mais bem preservado que chegou até nós. Ele mantém até hoje uma função e um status importantes, pois abriga os túmulos da monarquia italiana, referente ao período de 1870 a 1946, além de outro sepultamento notável, o do artista Rafael, que viveu entre 1483 e 1520.
