Arretium

Mark Cartwright
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
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Detail, Chimera of Arezzo (by mbalestrieri, CC BY)
Quimera de Arezzo (Detalhe) mbalestrieri (CC BY)

Arretium (atual Arezzo) foi uma importante cidade etrusca localizada no extremo nordeste da Etrúria, na Itália central. Florescendo como centro comercial e manufatureiro, Arretium conseguiu superar sua rivalidade com Roma e continuar sendo uma cidade próspera durante o período imperial. Embora grande parte da sua arquitetura antiga tenha desaparecido, um legado significativo do período etrusco é a magnífica estátua de bronze conhecida como a Quimera de Arezzo, talvez a mais bela obra de arte sobrevivente dessa cultura.

Primeiros Assentamentos

Embora a ocupação humana do local remonte ao período Paleolítico, Arretium teve início relativamente tardio em comparação com outros sítios etruscos que surgiram no período Villanova (1100-750 a.C.). A Arretium etrusca foi estabelecida, na verdade, em algum momento do século VI a.C. Arretium prosperou devido à sua localização geográfica na confluência dos vales dos rios Tibre e Arno. O assentamento também estava situado perto de uma abertura nos Montes Apeninos, proporcionando acesso à região costeira do Adriático, no leste da Itália, para toda a Etrúria.

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Arretium Etrusca

Prosperando como centro comercial, a cidade também fabricava seus próprios produtos, particularmente obras em bronze, cerâmica e estátuas de terracota. Os artistas de Arretium produziram talvez a mais bela obra de arte etrusca sobrevivente, a "Quimera de Arezzo". Esta representação da criatura mítica, parte leão, parte cabra e parte serpente, datada do século V-IV a.C. e primorosamente fundida em bronze, foi milagrosamente encontrada em uma vala, em 1553, durante a construção de novas fortificações por Cosimo de Medici, Grão-Duque da Toscana. Atualmente, ocupa lugar de destaque no Museu Arqueológico Nacional de Florença.

Etruscan Civilization
Civilização Etrusca NormanEinstein (GNU FDL)

Relações com Roma

Arretium tinha relação conturbada com a sua poderosa vizinha, Roma. Segundo Dionísio de Halicarnasso, a cidade aliou-se aos latinos durante o século VI a.C. nas suas batalhas contra o rei romano Tarquínio Prisco. Ilustrando a natureza ambígua das relações etrusco-romanas ao longo dos séculos, o historiador romano Lívio afirma que Roma, na verdade, ajudou Arretium, em 302 a.C., ou pelo menos sua aristocracia governante. O clã dominante dos Cilnii enfrentava uma revolta popular da classe baixa cada vez mais desiludida e pediu ajuda a Roma. Uma força romana foi enviada, mas foi atacada e sofreu pesadas baixas em uma emboscada. Uma segunda força, maior, liderada pelo ditador Marco Valério Máximo, rapidamente restabeleceu a ordem. Roma começava a demonstrar interesse alarmante nos assuntos etruscos.

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Rusellae (a moderna Roselle) foi saqueada em 294 a.C., alerta contundente sobre a futilidade de se opor a Roma. Segundo Lívio, as cidades etruscas de Volsínio, Perúsia e Arrétio negociaram então a paz com Roma. O preço por trégua de 40 anos foi de 500.000 asnos por cidade. A trégua não durou muito, pois, em 284 a.C., Volsínio aproveitou-se da invasão de um exército gaulês para se juntar a eles e atacar Arrétio, então leal a Roma. Um exército romano de socorro foi derrotado, mas no ano seguinte os romanos, liderados por Públio Cornélio Dolabela, obtiveram vitória decisiva na Batalha do Lago Vadimo.

Minerva of Arezzo
Minerva de Arezzo Egisto Sani (used with permission) (Copyright)

Durante a segunda metade do século III a.C., Arretium também foi atacada por Cartago. No entanto, a cidade foi aliada (ainda que passiva) de Aníbal durante os seus ataques na Itália durante a Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.), apesar de ter prometido lealdade a Roma anteriormente e de frequentemente servir como importante base romana para lançar ataques no norte da Itália. Na complexa e delicada situação de um exército estrangeiro na Itália e cidades etruscas de lealdade duvidosa, Roma tentou garantir maior lealdade tomando como reféns alguns membros das famílias governantes de Arretium. Quando os romanos venceram Cartago, a falta de apoio de Arretium não foi esquecida e a cidade foi obrigada a pagar indenização na forma de milhares de peças de armas e armaduras de bronze.

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Arretium parece ter se estabelecido como uma cidade menor dentro do crescente Império Romano. No século II a.C., parte do seu território foi redistribuído a veteranos romanos, mas a cidade se beneficiou por ser o primeiro ponto de parada da Via Cássia, que ligava Roma a Aquileia, cruzando os Apeninos. No início do século I a.C., Arretium foi elevada à categoria de município. A cidade então tomou a fatídica decisão de apoiar o lado errado na guerra civil romana, apoiando Caio Mário. O vencedor, Sula, estabeleceu uma colônia e reassentou seus veteranos em Arretium, em 80 a.C.; Júlio César faria exatamente o mesmo antes do final do século.

Superados os problemas iniciais com a expansão romana, Arretium tornou-se uma cidade romana relativamente próspera no início do período imperial, sem dúvida impulsionada pelo fato de Caio Mecenas, grande confidente do imperador Augusto, ser natural de Arretium. Entre os benefícios, destacam-se a construção de um anfiteatro, um teatro, um fórum e termas romanas. A cidade também se tornou importante centro de produção da cerâmica terra sigillata de Arretium, com sua distinta cor coral, que era amplamente exportada para todo o mundo romano. A cidade caiu gradualmente no esquecimento a partir do século II d.C., quando Trajano decidiu conectar a Via Cássia diretamente a Florença, contornando Arretium e privando-a de seu tráfego comercial. A cidade recuperaria parte de sua antiga glória no final da Idade Média, quando se tornou novamente uma cidade-estado independente.

Vestígios Arqueológicos

Assim como outras cidades etruscas que foram posteriormente reconstruídas na Idade Média e que continuaram a ser habitadas até hoje, a arqueologia da antiga Arretium encontrou dificuldades. Existem vestígios de muralhas de fortificação da época. Dois santuários etruscos nos arredores de Arretium são indicados pela presença de oferendas votivas. Um deles, a Fonte Veneziana (nome derivado de uma fonte próxima a um dos portões da cidade), continha cerca de 200 itens em um poço votivo. Entre eles, figuras de bronze de humanos e animais (algumas com decoração em folha de ouro), vasos de cerâmica e placas anatômicas de olhos, braços, pernas e bustos. O segundo depósito, em Monti Falterona, era um lago utilizado entre os séculos VI e III a.C., onde eram lançadas oferendas como pontas de flecha, pepitas de bronze, fragmentos de cerâmica e figuras de bronze. Belos exemplos desta última categoria são uma cabeça masculina de bronze e uma estatueta de guerreiro, ambas agora no Museu Britânico, em Londres.

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The Arringatore (Orator)
O Arringatore (Orador) corneliagraco (CC BY)

Do período romano, restam vestígios de oficinas de cerâmica e algumas residências particulares. Além disso, ainda se encontra in situ um trecho inferior e vários arcos do anfiteatro romano, que permitem vislumbrar o formato da construção.

Além da magnífica Quimera já mencionada, outras belas estátuas de bronze incluem a 'Minerva de Arezzo' (séculos III-I a.C.), estatueta do século IV a.C. representando dois bois e um lavrador, e uma figura em tamanho natural do século I a.C., conhecida como Arringatore ou 'Orador'. Esta última obra foi descoberta perto do Lago Trasimeno, em 1566. A figura confiante, com o braço erguido em súplica e vestindo toga, talvez seja a resposta para a frequente pergunta 'o que aconteceu com os etruscos?': eles se tornaram romanos.

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Sobre o Tradutor

Raimundo Raffaelli-Filho
Médico, professor de Clínica Médica (MD, PHD) e apaixonado por História, particularmente pela Antiga e Medieval, especialmente pelo Império Romano.

Sobre o Autor

Mark Cartwright
Mark é escritor, pesquisador, historiador e editor. Tem grande interesse por arte, arquitetura e por descobrir as ideias compartilhadas por todas as civilizações. Possui mestrado em Filosofia Política e é Diretor Editorial da WHE.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2026, fevereiro 20). Arretium. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10104/arretium/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Arretium." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, fevereiro 20, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10104/arretium/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Arretium." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 20 fev 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10104/arretium/.

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