A ascensão da peregrinação cristã começa após a conversão do Imperador Constantino (reinou: 306–337 d.C.) e a legalização do Cristianismo através do Édito de Milão (313). A palavra "peregrino" deriva do latim peregrinus, que significa "estrangeiro" ou "alguém numa jornada", refletindo tanto uma viagem física como uma busca espiritual. A partir do século IV, as viagens a lugares santos tornaram-se parte integrante da prática cristã. A emergência da ideia de uma "Terra Santa" conferiu à fé uma dimensão tangível, ligando a crença à geografia e reforçando o novo papel de Jerusalém e de outros locais sagrados no imaginário cristão.
A peregrinação cristã baseou-se em tradições romanas e gregas mais antigas de lugares sagrados, mas expandiu-se através do culto dos santos e mártires. As relíquias eram vistas como veículos da presença divina, atraindo fiéis aos santuários e criando uma nova paisagem sagrada que se estendia de Jerusalém aos confins da cristandade. Estas jornadas exigiam tempo, recursos e resiliência, expondo os peregrinos a perigos físicos e a provações morais. No entanto, floresceram ao longo da Antiguidade Tardia e da Idade Média, tornando-se atos centrais de devoção, moldando a identidade cristã e ligando as comunidades locais a um mundo espiritual mais vasto.

