Religião na América Colonial

Joshua J. Mark
por , traduzido por Gabriela Henriques
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A religião na América Colonial era dominada pelo Cristianismo. Apesar disso, o Judaísmo era praticado em pequenas comunidades após 1654. Denominações cristãs incluíam os Anglicanos, Batistas, Católicos, Congregacionalistas, Pietistas holandeses, Luteranos, Metodistas, Quakers, entre outros. A religião fazia parte das vidas dos colonos e orientava as suas formas de enxergar o mundo.

As Novas Colônias Inglesas foram fundadas por separatistas – Anglicanos que defendiam a separação da Igreja Anglicana – e Puritanos – que buscavam purificar o Anglicanismo das influências e práticas Católicas. Enquanto isso, as colônias do Meio e as do Sul foram fundadas pelos Anglicanos, Quakers, ou no caso de Maryland, Católicos e Protestantes não conformistas.

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Pilgrims Going to Church
Peregrinos a Caminho da Igreja George Henry Boughton (CC BY-NC-SA)

Apesar de a mesma visão ser compartilhada entre congregações e comunidades, interpretações da Bíblia e práticas se diferenciavam entre colônias, mesmo que seguissem uma mesma denominação. Os Puritanos de Boston, por exemplo, se diferenciavam dos Puritanos separatistas da Colônia de Plymouth e dos Puritanos de Salem, que se orientaram diferentemente dos de Connecticut, e o meso vale para os Anglicanos de Virginia e os das Carolinas.

Judeus e Católicos eram uma minoria e geralmente perseguidos por causa da sua fé. Eles eram acusados de bruxaria e considerados como culpados pelas más colheitas e má sorte em geral. Por volta de 1700, as práticas religiosas de Americanos Nativos foram condenadas como satânicas e foram praticadas em segredo, ou, pelo menos, não divulgadas pelos participantes. O Ateísmo não era tolerado, e crenças como o deísmo só se desenvolveram no século XVIII. Cristianismo Protestante, entendido como "religião revelada" (baseado nas escrituras) era a força religiosa dominante, a qual moldou a cultura colonial e, juntamente com o racionalismo Protestante do século XVIII, foi fundamental para a fundação e diversificação dos Estados Unidos da América.

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Novas Colônias Inglesas

As primeiras colônias da Nova Inglaterra foram fundadas entre 1620-1638 por separatistas e Puritanos almejando estabelecer comunidades religiosas em que pudessem congregar livremente. Ambas as seitas foram perseguidas na Inglaterra, e uma vez que foram consolidadas na América do Norte, começaram a perseguir as outras comunidades. A afirmação de terem fundado comunidades baseadas na liberdade religiosa só era aceita em suas próprias crenças, com a exceção dos assentamentos em Rhode Island, as quais enfatizavam a tolerância religiosa. As colônias da Nova Inglaterra fizeram da religião o pilar fundamental das pessoas ao redor. Todo o trabalho e as atividades de lazer eram interrompidas nas tardes de sábado, quando todos os pensamentos dos membros das comunidades deveriam se concentrar exclusivamente em Deus até domingo à noite. Aos domingos, o dia do descanso, passavam o dia na igreja.

A PARTICIPAÇÃO NA IGREJA ERA OBRIGATÓRIA E AS ATIVIDADES DURAVAM O DIA TODO COM UMA PEQUENA PAUSA PARA O ALMOÇO.

As atividades na Igreja duravam o dia todo com uma pequena pausa para o almoço que era oferecido em uma casa de sábado próxima (também conhecida como "casa do meio-dia") – uma espécie de taverna ou estabelecimento construído perto da casa de reuniões especificamente para esse propósito. As pessoas não eram permitidas de retornar para as suas casas até que as atividades na Igreja aos domingos fossem finalizadas. Os sermões costumavam durar cerca de três a cinco horas, depois eram feitas leituras de textos bíblicos e canções de hinos sem o acompanhamento de nenhum instrumento musical. Muitas pessoas das comunidades eram analfabetas, por isso, um diácono cantava um verso do hino e a congregação repetia. Por causa disso, assim como as orações, os hinos cantados levavam bastante tempo.

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Ao longo da semana, os cidadãos podiam escolher usar roupas coloridas, mas aos Domingos, eles deveriam usar roupas pretas ou escuras que representavam arrependimento e a busca pela santificação. A participação na Igreja era obrigatória, e quando os tambores (ou trompete, concha ou sino) tocavam sinalizando o início das atividades dominicais, todos os cidadãos deveriam ir até as casas de reunião e se assentar nos lugares determinados (um diácono ou sacristão percorria as casas para inspecionar e garantir que todos, exceto os doentes, tivessem ido à igreja). Os lugares eram marcados conforme a condição social, os líderes sempre sentavam nas fileiras da frente, e os outros atrás deles. Caso alguém sentasse em um lugar que não fosse seu, seria considerado uma forte ofensa, e este poderia ser multado severamente. Homens e mulheres sentavam separadamente em algumas igrejas e juntos noutras, e os meninos e meninas em ambos os casos sentavam separados. Os meninos, por serem considerados mais indisciplinados, sentavam nos lugares mais à frente onde pudessem ser monitorados. Os meninos que se comportavam mal durante o culto eram espancados publicamente ou disciplinados de outras maneiras posteriormente.

As Colônias do Meio e as do Sul

As colônias do Meio eram controladas pelos holandeses até 1664 e seguiam as políticas holandesas de tolerância religiosa e valorização da diversidade. As comunidades judias escolheram se instalar primeiro em Nova Amsterdão (posteriormente chamada de Nova York) em 1654, e a residência judaica mais antiga ainda existente na América do Norte, a Gomez Mill House em Newburgh, Nova Iorque, data de cerca de 1714. Embora certamente houvesse conflitos religiosos entre diferentes comunidades cristãs na região, eles não eram tão acentuados quanto na Nova Inglaterra, onde os dissidentes eram exilados e enforcados com muito mais frequência.

Em 1681, o rico quaker William Penn (1644-1718) fundou a Pensilvânia, que acolhia pessoas de diversas crenças, bem como nativos americanos de diferentes tribos. Ao contrário de outras colônias, a Pensilvânia não impunha leis religiosas rígidas, mas a interpretação Quaker do cristianismo influenciava seu código legal, e esperava-se que as pessoas frequentassem cultos religiosos semanalmente. A Pensilvânia foi a primeira colônia a condenar a escravidão e os maus-tratos aos nativos americanos, e também a primeira a aprovar uma lei que exigia tolerância religiosa e respeito mútuo entre pessoas de diferentes crenças.
As casas de reunião Quaker, assim como as de outras denominações, também eram usadas para assembleias municipais e para anunciar avisos públicos.

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William Penn
William Penn Brooklyn Museum (CC BY)

Os troncos e pelourinhos (instrumentos de contenção para punição) geralmente ficavam do lado de fora da casa de reuniões, na praça da cidade. As casas de reuniões em Nova York, Delaware, Nova Jersey e Pensilvânia não eram pintadas, pois isso era considerado um sinal de vaidade. Eram feitas de madeira ou pedra, com papel oleado nas janelas e, mais tarde, painéis de vidro pregados nos peitoris. O interior da casa de reuniões era escuro, com bancos no centro e ao longo das paredes e, se a comunidade tivesse condições, uma galeria nos fundos, acessível por uma escada, onde se sentavam as camadas mais baixas da sociedade – os escravos africanos e os nativos americanos.

As igrejas reformadas holandesas em Nova York tinham um sino pendurado em uma árvore em frente ou acima da porta, que era tocado para chamar as pessoas aos cultos, enquanto outras denominações disparavam um tiro, tinham uma pessoa designada para soar uma concha ou tocar um tambor. Uma vez dado o sinal, como nas igrejas da Nova Inglaterra, esperava-se que as pessoas comparecessem independentemente da estação do ano ou do clima. A acadêmica Alice Morse Earle comenta:

As Igrejas não tinham aquecimento. Poucas tinham fogões até meados do século XIX. O frio dos edifícios úmidos, nunca aquecidos do outono à primavera, e fechados e escuros durante toda a semana, era difícil de suportar para todos. Em algumas das primeiras casas de reunião construídas em madeira, sacos de pele feitos de peles de lobo eram pregados aos assentos e, no inverno, os assistentes da igreja enfiavam os pés neles. Os cães também tinham permissão para entrar na casa de reunião e deitar-se aos pés de seus donos. Açoitadores ou espanta-cães eram designados para controlá-los e expulsá-los quando se tornavam indisciplinados ou insuportáveis. (347)

Peles de lobo também eram pregadas nas paredes de uma casa de reuniões ou igreja para isolamento, e tanto homens quanto mulheres levavam regalos feitos com pele de animais para a Igreja para manter as mãos aquecidas. As mulheres também levavam aquecedores de pés – pequenos recipientes de metal sobre plataformas de madeira cheios de brasas da fogueira da família – para aquecer os pés.
Essas considerações sobre calor e conforto também foram observadas nas Colônias do Sul, embora não na mesma medida. A Colônia de Jamestown, na Virgínia, fundada em 1607, realizou suas primeiras reuniões religiosas no forte antes de poder construir uma casa de reuniões. A participação à Igreja era obrigatória na Virgínia com o mesmo rigor que na Nova Inglaterra.

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Historic Jamestowne
Jamestown Histórica Ken Lund (CC BY-SA)

Os Cavaleiros da Virgínia eram um grupo de autoproclamados "Guardiões do Domingo" que faziam cumprir as regras relativas à conduta das pessoas aos domingos. Não era permitido trabalhar, comercializar qualquer tipo de mercadoria, nem realizar atividades de lazer, e todos deveriam permanecer na Igreja – exceto durante o intervalo permitido para o almoço – durante todo o dia. Quando Sir Thomas Dale (1560-1619) chegou em 1611 e estabeleceu suas rígidas leis de disciplina e regras para a colônia, ele também declarou que a ausência à igreja deveria ser punida com a morte – embora essa política nunca tenha sido implementada. A Igreja Anglicana dominava a Virgínia, e as seitas dissidentes eram frequentemente perseguidas. Depois de 1750, quando um grande número de batistas migrou para a região, eles eram frequentemente presos, assediados, espancados e convidados a ir para outro lugar.

Maryland foi inicialmente fundada como um refúgio para católicos romanos que observavam a missa aos domingos, mas não durante todo o dia. Colonos protestantes que migraram da Nova Inglaterra e das Colônias Centrais eventualmente expulsaram os magistrados católicos, deportaram padres jesuítas e outros católicos e, posteriormente, remodelaram a colônia à sua própria imagem entre 1644 e 1646, dominada pelo protestantismo anglicano.

As colônias da Carolina, e posteriormente a Geórgia, eram mais diversas religiosamente, com uma grande comunidade batista na Geórgia. Embora os anglicanos não fossem a maioria, frequentemente ocupavam posições de poder. Assim como nas outras colônias, a religião influenciava o cotidiano, mas rituais comumente associados à prática religiosa hoje em dia – como casamentos e funerais – não estavam inicialmente ligados a uma Igreja específica, podendo ser eventos civis.

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Casamentos & Funerais

Casamentos, como qualquer aspecto da vida, eram conduzidos de maneira diferentemente de acordo com a região ou colônia. O acadêmico David Freeman Hawke observa:

O casamento, na Inglaterra uma cerimônia padronizada controlada pela Igreja Anglicana, assumiu diversas formas na América. Os passos que o antecederam permaneceram relativamente constantes – negociações entre pais ou responsáveis ​​sobre o dote, seguidas de um noivado, ou compromisso, como seria chamado mais tarde – mas a própria cerimônia variava bastante. Os holandeses e os alemães da Pensilvânia a realizavam em seus idiomas nativos. Os Quakers a realizavam em suas casas de reunião, onde, para espanto dos estranhos, um casal sem o auxílio do clero ou de qualquer autoridade secular casava-se com votos muitas vezes de sua própria criação. No Sul, o rito anglicano incorporado no Livro de Oração Comum permaneceu intacto, mas o governo local interveio no que antes era domínio exclusivo da igreja. (92)

Casamentos na Nova Inglaterra podiam ser oficiados por qualquer homem com mais de 21 anos e em boa situação perante a comunidade, enquanto nas Colônias Centrais um casal podia ser casado por uma autoridade civil ou religiosa e, tal como na Nova Inglaterra, o casamento não era considerado um evento significativo. Acreditava-se que era natural que as pessoas se casassem e, em alguns casos, os casais viviam juntos sem qualquer tipo de cerimónia formal, embora isso fosse considerado um comportamento escandaloso.

Os funerais eram mais padronizados e sempre presididos por um clérigo da denominação religiosa à qual o falecido pertencia. O corpo era preparado para o sepultamento em casa pelas mulheres da família e, em seguida, enterrado em um terreno na propriedade da família, no cemitério da cidade ou, eventualmente, no cemitério da Igreja ou da casa de reuniões. As primeiras lápides eram simples placas de pedra colocadas aos pés da sepultura para impedir que o espírito do falecido – ou o próprio corpo – saísse. Isso se baseava na crença cristã de que Deus ressuscitaria os mortos no Juízo Final e que o espírito de alguém poderia reanimar um cadáver; temia-se que alguns espíritos não quisessem esperar e pudessem despertar antes, desejando retornar para casa. Com o tempo, a simples lápide se transformou em uma lápide tumular, que passou a servir ao mesmo propósito, mas agora eram monumentos ornamentados com inscrições em homenagem ao falecido, colocados na cabeceira da sepultura, onde o espírito poderia vê-los, apreciá-los e descansar em paz.

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Plymouth Burial Hill
Cemitério Burial Hill de Plymouth c_neuhaus (CC BY-NC-ND)

Os funerais seguiram essa mesma progressão do simples para o complexo. Inicialmente, um funeral era um evento semi-privado, restrito à família e amigos próximos, mas com o tempo se transformou em um evento social no qual os vizinhos eram convidados a prestar suas últimas homenagens e, em seguida, participar de uma refeição comunitária. Hawke comenta:

A refeição antes modesta após o funeral transformou-se num banquete. Os abastados e até mesmo aqueles que não podiam pagar distribuíam presentes caros aos presentes – lenços, luvas, até anéis de ouro. Como observa John C. Miller, "Os funerais tendiam a tornar-se uma oportunidade maior para a ostentação de riqueza do que para o luto." (93-94)

O funeral era um dos poucos rituais fora do culto dominical incentivados pelos puritanos da Nova Inglaterra, que seguiam o mesmo modelo de banquetes comunitários, muitas vezes bastante suntuosos, após o sepultamento. O que antes era um simples serviço fúnebre, no qual um ministro podia proferir algumas palavras sobre a sepultura, também evoluiu para um evento elaborado, em que a família pagava um ministro para fazer um sermão completo e um elogio fúnebre ao falecido. Isso passou a ser considerado um aspecto necessário do sepultamento para garantir que o falecido descansasse em paz e não voltasse para assombrar os vivos.

Superstições & Escravidão

Crenças que hoje são consideradas superstições eram entendidas como simples fatos da vida pelos colonos. Fantasmas eram aceitos como parte do mundo natural, assim como bruxas, demônios, anjos e outros espíritos. Como a Bíblia era considerada a palavra infalível de Deus, e como ela deixava claro que tais entidades existiam, não havia como negar sua existência sem questionar a autoridade bíblica. Sinais e presságios, acreditava-se que seriam providenciados por Deus para ajudar as pessoas a compreender melhor o mundo visível e invisível ao seu redor.

Aqueles que eram contrários à prática da escravidão eram considerados rebeldes que não tinham uma verdadeira compreensão da palavra de Deus e da visão cristã.

Por exemplo, o trovão em um funeral era considerado um bom presságio apenas se soasse após a conclusão do ritual; era interpretado como um sinal de que o espírito do falecido havia chegado ao céu. Se o trovão soasse durante o funeral, no entanto, acreditava-se que o espírito havia sido condenado ao inferno. Nesse caso, o julgamento havia sido feito de acordo com a justiça e a misericórdia divinas de Deus, e nada mais podia ser feito. Contudo, era possível afastar o azar regularmente em outras circunstâncias carregando amuletos, talismãs, recitando a Oração do Senhor com frequência e tomando outras precauções para agradar a Deus e evitar a atenção do diabo.

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Entre esses argumentos, acreditava-se que estava a aceitação da escravidão como parte do plano de Deus. Além de incentivar a crença em entidades sobrenaturais, a Bíblia também apoiava a escravidão por meio das narrativas do Antigo Testamento e das epístolas do Novo Testamento, especialmente a conhecida passagem "Escravos, obedeçam a seus senhores terrenos" em Efésios 6:5 e a história do escravo Onésimo no Livro de Filémom, que retorna voluntariamente ao seu senhor.

Aqueles que eram contrários à prática da escravidão eram vistos da mesma forma que os dissidentes religiosos minoritários: rebeldes que não possuíam uma verdadeira compreensão da palavra de Deus e da visão cristã. Com exceção da Província da Pensilvânia, que condenava a prática, a escravidão era um aspecto aceito da vida em todas as colônias e era tolerada, e às vezes até mesmo incentivada, inclusive na Pensilvânia. Africanos e nativos americanos foram regularmente escravizados pelos colonos brancos desde cerca de 1640 na Virgínia até o fim da Guerra Civil Americana em 1865.

Ensinar um escravo a ler – mesmo a ler a Bíblia – era contra a lei em muitas colônias, especialmente no sul, pois acreditava-se que isso contrariava o plano de Deus. Um escravo instruído era considerado perigoso, pois poderia incitar uma insurreição, e também porque colocava em risco a própria alma ao seguir um caminho – como a educação – que lhe era negado por Deus.

Conclusão

Quaisquer que fossem as diferenças entre os colonos e suas diversas congregações, eles concordavam com o versículo de Eclesiastes 5:2 – "Deus está no céu, e você está na terra; portanto, sejam poucas as suas palavras" – no sentido de que Deus era uma realidade, os seres humanos estavam sujeitos à vontade de Deus revelada na Bíblia, e o indivíduo não tinha o direito de questionar a autoridade e a inerrância da Bíblia. Essa autoridade, contudo, era definida pela denominação cristã majoritária e, a menos que alguém fosse enforcado ou executado por dissidência, podia deixar a colônia e formar a sua própria, baseada em uma interpretação diferente da Bíblia.

A Colônia da Baía de Massachusetts inspirou a colonização dos atuais estados de Rhode Island, Connecticut e New Hampshire, exilando dissidentes, mas, entre 1659 e 1661, enforcou Quakers (conhecidos como os Mártires de Boston) por disseminarem crenças consideradas disruptivas. Pessoas das Colônias Centrais que se opunham à diversidade religiosa frequentemente migravam para as Colônias do Sul, especialmente Maryland e Virgínia, onde o anglicanismo já estava firmemente estabelecido por volta de 1700.

A diversidade religiosa na América e seus conflitos decorrentes persistiram ao longo do século XVIII, mas após o Grande Despertar das décadas de 1730 e 1740 – um movimento de renascimento espiritual que incentivava um relacionamento pessoal com Deus – o racionalismo protestante prevaleceu entre as classes altas, o que eventualmente começou a influenciar as camadas mais baixas. Os Pais Fundadores abraçaram o conceito de religião natural – a existência de Deus manifestada através do mundo natural – em detrimento do conceito de religião revelada – a vontade de Deus revelada pelas escrituras.

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Os filósofos racionalistas começaram a exercer maior influência sobre a cultura colonial, levando à rejeição de crenças firmemente arraigadas do passado, incluindo o direito divino dos reis e outras formas de autoridade divinamente ordenada. Embora a religião revelada tenha permanecido uma constante na cultura americana, a religião natural e o racionalismo protestante incentivaram o movimento que eventualmente levou à Guerra da Independência Americana (1775-1783) e à fundação dos Estados Unidos da América.


 

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Sobre o Tradutor

Gabriela Henriques
Gabriela Henriques é historiadora pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), mestranda em História Social. Tenho interesse nas áreas de História do Brasil Republicano e minhas linhas de pesquisa são História Social, História do Trabalho e História das mulheres.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2026, janeiro 22). Religião na América Colonial. (G. Henriques, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1726/religiao-na-america-colonial/

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Mark, Joshua J.. "Religião na América Colonial." Traduzido por Gabriela Henriques. World History Encyclopedia, janeiro 22, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1726/religiao-na-america-colonial/.

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Mark, Joshua J.. "Religião na América Colonial." Traduzido por Gabriela Henriques. World History Encyclopedia, 22 jan 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1726/religiao-na-america-colonial/.

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