Vestuário no Império Mongol

Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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O vestuário usado pelos mongóis nos séculos XIII e XIV, tal como a maioria dos outros aspetos da sua cultura, refletia o seu estilo de vida nómada no clima frequentemente rigoroso da estepa asiática. Os artigos típicos incluíam chapéus de feltro, casacos compridos com mangas largas e calças largas e práticas. Como o exército mongol se baseava em cavalaria rápida e ligeiramente armada, os recrutadores adotavam habitualmente uma abordagem descontraída de "aparecer como se está" em relação aos uniformes, de modo que a roupa usada tanto na guerra como na paz era muitas vezes muito semelhante. As unidades de cavalaria pesada usavam armaduras feitas de materiais acolchoados, couro endurecido e peças de metal. Muitas das roupas mongóis do período medieval continuam a ser usadas hoje em dia por povos nómadas em toda a Eurásia.

Mongolian Deel Robe
Túnica Deel Mongol Amgaab (CC BY-SA)

O Clima e a Significância

O clima típico da estepa asiática é frio, seco e ventoso. Os invernos podem ser longos — de setembro a maio — e extremamente frios (atingindo até -34 °C ou -30 °F). Os verões são curtos, mas podem ser quentes, ultrapassando os 30 °C (86 °F). O vestuário precisava, portanto, de ser quente e durável, mas também em camadas para os raros momentos em que as temperaturas disparavam. Como os mongóis estavam frequentemente em movimento e andavam a cavalo, a sua roupa tinha também de permitir total liberdade de movimentos.

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As peles exóticas ou difíceis de obter, como as de leopardo-das-neves e lince, eram especialmente apreciadas e reservadas para a elite mongol.

Outra consequência da vida nómada era a ausência de um grande número de bens materiais; por conseguinte, o tecido e o vestuário constituíam um dos ativos mais importantes de uma família, sendo oferecidos como presentes e como parte do dote de uma noiva. Amigos do sexo masculino e irmãos de sangue trocavam frequentemente um cinto de couro, enquanto os governantes ofereciam vestuário suntuoso a outros governantes como presentes diplomáticos e a altos funcionários em ocasiões especiais, tais como nascimentos reais e casamentos, ou para recompensar serviços leais. Até a ausência de roupa tinha significado, como quando os cintos e chapéus eram postos de lado antes das orações (incluindo pelos cãs), os cintos dos espectadores tinham de ser retirados e colocados sobre o ombro durante as cerimónias de sucessão para demonstrar obediência, e, por vezes, o acusado num tribunal era despido antes da sentença.

Os Materiais

As ovelhas forneciam lã para fazer feltro, o qual não precisa de ser tecido, sendo fabricado batendo a lã para fazer com que as suas farpas microscópicas formem folhas entrelaçadas. O feltro era utilizado para vestuário, cobertores e tendas yurt (geres), que ainda hoje são utilizadas pelos nós nomadas da Ásia. As cabras eram criadas em grandes quantidades e constituíam a principal fonte de couro.

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The Mongol Scroll, 1293 CE
O Pergaminho Mongol, 1293 dC Mōko Shūrai Ekotoba (Public Domain)

Através da caça, do comércio ou do tributo pago pelos povos conquistados, os mongóis obtinham peles como as de marta, esquilo, coelho, raposa, macaco, cão, cabra e lobo. Peles exóticas ou difíceis de obter, como as de leopardo-das-neves e lince, eram especialmente apreciadas e reservadas para os membros da elite da sociedade. Nos períodos mais frios, as peças de vestuário de pele eram usadas em camada dupla, com a camada interior a ter o pelo virado para dentro e a camada exterior no sentido inverso. Materiais como a seda podiam ser obtidos através do comércio e tornaram-se muito mais facilmente acessíveis assim que os mongóis conquistaram a China; tanto os homens como as mulheres usavam roupa interior feita deste material.

A peça de vestuário exterior mais reconhecível dos homens e mulheres mongóis, ainda hoje amplamente utilizada, era o robe curto ou deel.

A tarefa das mulheres mongóis era fazer feltro, couro e roupas, e depois repará-los. A lavagem era uma tarefa que não acontecia com muita frequência devido à escassez de água no ambiente tipicamente árido da estepa. Viajantes estrangeiros da época comentam frequentemente a sujidade dos mongóis e das suas roupas, bem como hábitos como o de limparem as mãos às calças depois de comer. Em todo o caso, a lavagem regular não era desejável para o vestuário exterior nómada, uma vez que este era frequentemente lubrificado com gordura animal para o tornar resistente ao vento e à água.

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O Vestuário Exterior

A peça de vestuário exterior mais reconhecível dos homens e mulheres mongóis, ainda hoje amplamente utilizada, era o robe curto ou deel. Este casaco comprido de uma só peça era dobrado e fechado no lado esquerdo do peito (com o peito esquerdo sobreposto ao direito) através de um botão ou atacador posicionado logo abaixo da axila direita. Alguns deel tinham bolsos e as mangas normalmente chegavam apenas até ao cotovelo. O forro exterior do robe era de algodão ou seda, e as versões mais pesadas possuíam um forro adicional de pele ou feltro, ou um acolchoamento de chumaço. O forro interior era tipicamente virado um pouco para o exterior da peça nas mangas e na bainha. Para quem o podia pagar, o robe podia ter um rebordo de pele exótica na gola e nas extremidades.

Mongol Warriors in Deel Robes
Guerreiros Mongóis em Túnicas Deel Unknown Artist (Public Domain)

Usava-se um cinto de couro largo, que continha úteis bolsas pendentes e podia ser decorado com ornamentos metálicos vistosos (sendo o metal de qualquer espécie uma raridade para os povos nómadas). Os cintos das mulheres eram ainda mais decorados do que os dos homens. No inverno, usava-se um casaco pesado de pele ou feltro por cima da túnica deel. Sob a túnica, podia vestir-se outro robe fino ou uma simples camisa interior de algodão ou seda. As calças eram usadas por baixo da omnipresente túnica. As calças de inverno podiam ser feitas inteiramente de pele ou ter acolchoamento de algodão, lã ou seda, sendo este último um excelente isolante leve.

Os Chapéus e as Botas

As botas eram feitas de feltro ou couro, com a sola a consistir habitualmente numa camada espessa de feltro, e eram suficientemente altas para enfiar as calças por dentro. As botas não tinham saltos e apertavam-se firmemente com atacadores. Os pés mantinham-se aquecidos com meias grossas de feltro. O clássico chapéu mongol era cónico, feito de feltro e pele, com abas para as orelhas e uma aba virada para cima na parte frontal. Por vezes, a pala estava dividida em duas. No verão, podia usar-se um lenço de cabeça leve para proteger do sol.

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Os homens e as mulheres da elite distinguiam-se por ostentarem algumas penas de pavão nos seus chapéus. Uma das poucas áreas em que as mulheres se distinguiam dos homens — e apenas no caso das mulheres da elite — era o elaborado toucado boqta, decorado com pérolas e penas. Ainda hoje é possível ver estes toucados quando, por exemplo, as mulheres cazaques participam em festividades tradicionais. Embora tanto os homens como as mulheres usassem brincos, as mulheres também acrescentavam decorações de metal, pérolas e penas ao cabelo. Por outro lado, os homens não tinham muitas oportunidades para fazer o mesmo, uma vez que pareciam barbear a coroa da cabeça, deixando por vezes apenas uma tira fina de cabelo na parte frontal e com madeixas a cair até às sobrancelhas. O cabelo deixado na parte de trás da cabeça era geralmente cultivado comprido e preso em duas tranças. Nas ilustrações medievais, os homens mongóis surgem frequentemente com uma barba de cavanhaque rala e um bigode descaído.

Mongol Clothing of the Imperial Court
Vestuário da corte imperial mongol smartneddy (CC BY-SA)

A Corte Imperial

Quando os mongóis conquistaram a China da Dinastia Song (960–1279), alguns dos governantes e elementos da elite adotaram vestuário de estilo chinês, como túnicas de seda ricamente bordadas. Marco Polo (1254–1324), o viajante veneziano que serviu Kublai Khan (reinado de 1260–1294) e relatou as suas experiências em As Viagens (circuladas a partir de cerca de 1298), deixou a seguinte descrição das sumptuosas roupas usadas na corte da Dinastia Yuan mongol durante importantes festividades religiosas:

...o Grande Cã veste-se com um traje sumptuoso de tecido de ouro e, na mesma ocasião, vinte mil nobres e oficiais militares são por ele vestidos com trajes semelhantes ao seu em termos de cor e forma; no entanto, os materiais não são igualmente ricos. São, contudo, de seda e da cor do ouro; e, juntamente com o traje, recebem igualmente um cinto de couro de camurça, artisticamente trabalhado com fio de ouro e prata, bem como um par de botas. Alguns dos vestidos são ornamentados com pedras preciosas e pérolas no valor de mil bezantes de ouro.

(Livro II, Cap. XI)

Este relato demonstra claramente que o traje tradicional mongol não tinha sofrido alterações profundas, mudando apenas os materiais com que era fabricado. No outro extremo da escala do vestuário, Marco Polo refere também que os monges que encontrou na Mongólia usavam roupa de Cânhamo de cor preta ou escura.

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Mongol Warrior Helmet
Capacete de Guerreiro Mongol 江戸東京博物館、熊本県立美術館 (CC BY-SA)

Os Guerreiros Armados

Embora os guerreiros usassem sensivelmente as suas roupas de tempo de paz, muitos adicionavam armadura de forma sensata para se protegerem melhor. A armadura mongol era habitualmente leve, de modo a não impedir a velocidade dos cavaleiros nem o uso do arco. Um casaco acolchoado ou um blusão de couro oferecia alguma proteção contra flechas, e a túnica tradicional podia ser reforçada com tiras de couro endurecido, osso ou metal. Aprendendo com os chineses, podia usar-se uma camisa interior de seda, uma vez que esta tinha a útil propriedade de se enrolar à volta da ponta da flecha em caso de impacto, protegendo a ferida e facilitando a remoção do projétil.

A armadura de placas e a cota de malha eram raras, sendo mais comum o uso de pequenas placas de metal ou pedaços de couro endurecido cosidos para formar um traje. As peças de couro recebiam frequentemente uma camada de laca preta rudimentar para as tornar impermeáveis. A costura era feita com tiras de couro, e um cronista medieval registou que a armadura metálica mongol estava tão bem polida que se podiam usar as peças como espelho. Os casacos de armadura, tal como o deel, desciam até aos joelhos e cobriam apenas a parte superior dos braços. Algumas descrições contemporâneas mencionam uma sobrecasaca de seda usada por cima da armadura, que podia apresentar bordados complexos. Os guerreiros usavam tipicamente botas grossas de couro. Na outra extremidade do corpo, a cabeça era protegida por um capacete de ferro ou de couro endurecido, por vezes com uma proteção para o pescoço e uma ponta ou esfera central no topo com um penacho.

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Cartwright, M. (2026, julho 29). Vestuário no Império Mongol. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1455/vestuario-no-imperio-mongol/

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Cartwright, Mark. "Vestuário no Império Mongol." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 29, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1455/vestuario-no-imperio-mongol/.

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Cartwright, Mark. "Vestuário no Império Mongol." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 29 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1455/vestuario-no-imperio-mongol/.

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