Análise de Jogo: 'A Plague Tale: Innocence'

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Jan van der Crabben
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
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A Plague Tale: Innocence é uma verdadeira obra-prima da narrativa interativa. O videojogo (versões para consola na Amazon, versão para PC no Steam) transporta o jogador de volta à França medieval. O país debate-se simultaneamente com a Guerra dos Cem Anos e com a Peste Negra. O jogador controla a Amicia de Rune, a filha adolescente de uma família nobre local, brutalmente assassinada pela Inquisição. Órfã e sem abrigo, a jovem assume os cuidados do irmão de cinco anos, o Hugo de Rune, que padece de uma misteriosa doença denominada «Prima Macula».

As duas crianças encontram-se em fuga da Inquisição (que persegue o Hugo), são fustigadas por habitantes locais que as culpam pela peste e veem-se forçadas a sobreviver a milhares de milhões de ratos que devoram pessoas vivas, mas que temem o fogo.

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Amicia and Hugo de Rune
Amicia e Hugo de Rune Jan van der Crabben (CC BY-NC-SA)

Este é um jogo de sobrevivência em que a infiltração e a evitação de inimigos se sobrepõem ao combate. A única arma da Amicia é a funda, cuja utilidade é limitada perante os cavaleiros da Inquisição. O jogo é claramente direcionado a um público adulto e não o recomendaria para crianças, dado que se revela aterrorizante e, por vezes, perturbador, tanto a nível visual como na vertente da narrativa emocional.

Os Gráficos

A representação que o jogo faz da região da Guiena, no sul de França, durante o final da Idade Média, é muito credível, visualmente atraente e repleta de atmosfera. Embora a recriação do mundo medieval pareça bastante autêntica, é provável que já tenha adivinhado que o jogo não oferece um retrato realista da peste; tudo se reveste de exagero, sejam os milhares de milhões de ratos, a cena com centenas de carcaças de porco empilhadas a uma altura descomunal ou um campo de batalha repleto de milhares de mortos (e milhões de ratos). Além disso, ocorrem acontecimentos de cariz sobrenatural (sem revelar demasiados pormenores).

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Rats in A Plague Tale: Innocence
Ratos em Um Conto da Peste: Inocência Jan van der Crabben (CC BY-NC-SA)

No jogo, os ratos devoram viva qualquer pessoa que se aventure entre eles sem uma aura protetora de luz. Os nossos heróis têm de atravessar catacumbas, campos de batalha e grutas — tudo repleto de ratos. Em seu socorro vêm tochas acesas, candeeiros colocados estrategicamente e poções alquímicas.

Mais tarde, as crianças têm acesso à alquimia, o que permite à Amicia fabricar poções que geram luz (para afastar os ratos), extinguem o chamejante — ou apagam o fogo — (para permitir a aproximação dos ratos) ou fazem os guardas adormecer. Deslocar-se por entre os ratos constitui um dos principais desafios do jogo.

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As Emoções

Em termos emocionais, o jogo é verdadeiramente marcante. Não se trata de um título de carnificina gratuita, mas sim de uma narrativa centrada na família, na amizade e nas relações humanas. A determinada altura, o Hugo descobre que a Amicia lhe mentiu; contudo, por ter apenas cinco anos, é incapaz de compreender que ela o quer apenas proteger — o que acarreta consequências terríveis. Este é um dos raros videojogos em que o jogador sente uma tristeza genuína quando os acontecimentos tomam um rumo trágico.

Ramparts of a Medieval City in A Plague Tale: Innocence
Muralhas de uma Cidade Medieval em A Plague Tale: Innocence Jan van der Crabben (CC BY-NC-SA)

Ao longo da jornada, a Amicia e o Hugo encontram novos aliados que os auxiliam pelo caminho. Entre eles está um jovem estudante de alquimia, que os ajuda a fabricar poções, explosivos e venenos; dois ladrões que se juntam ao grupo e os ajudam a escapar de um acampamento do exército francês; e o filho de um ferreiro, que lhes empresta a sua força prodigiosa.

O aspeto mais fascinante é que todas as figuras heroicas são crianças, que combatem contra cavaleiros fortemente encouraçados. Num confronto direto, não teriam a menor hipótese; por conseguinte, a única forma de sobreviver passa por superá-los através da astúcia.

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Exploring a Battlefield
Explorando um Campo de Batalha Jan van der Crabben (CC BY-NC-SA)

O Áudio

Tal como se pode constatar pelas imagens, os gráficos do jogo são impressionantes; contudo, é no plano sonoro que a obra brilha verdadeiramente. A banda sonora, eminentemente apoiada no violoncelo, desenha melodias, riffs e paisagens sonoras de tom melancólico ou inquietante. Trata-se de uma componente de uma atmosfera verdadeiramente avassaladora!

Além disso, a interpretação vocal é fantástica, pelo menos na versão inglesa do jogo. As personagens transmitem uma sensação de autenticidade, destacando-se de forma particular o Hugo, com cinco anos, cuja actuação soa extremamente credível. Infelizmente, nem a dobragem francesa nem a alemã se revelam particularmente felizes.

Resumo

Em suma, este título é vivamente recomendado. Desde que não revele aversão a ratos e consiga lidar com alguma violência gráfica, a obra proporciona uma excelente experiência de narrativa interativa. O enquadramento medieval é credível — embora não realista —, transportando verdadeiramente o jogador para um universo melancólico e assustador.

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Estilo APA

Crabben, J. v. d. (2026, agosto 22). Análise de Jogo: 'A Plague Tale: Innocence'. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1450/analise-de-jogo-a-plague-tale-innocence/

Estilo Chicago

Crabben, Jan van der. "Análise de Jogo: 'A Plague Tale: Innocence'." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 22, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1450/analise-de-jogo-a-plague-tale-innocence/.

Estilo MLA

Crabben, Jan van der. "Análise de Jogo: 'A Plague Tale: Innocence'." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 22 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1450/analise-de-jogo-a-plague-tale-innocence/.

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