Entrevista: Projeto de Digitalização dos Arquivos da UNESCO

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Marion Wadowski
por , traduzido por Filipa Oliveira
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A Ancient History Encyclopedia estabeleceu uma parceria com os Arquivos da UNESCO, o que nos deixa muito entusiasmados. A nossa missão está em perfeita sintonia com a da UNESCO, que visa promover a paz e a compreensão internacional no mundo através do património cultural e da educação. Reunimo-nos com Adam Cowling, gestor do projeto de digitalização, para falar sobre o projeto e os seus objetivos futuros. O trabalho que realizam nos seus arquivos é absolutamente fascinante.

UNESCO Archivist at Work
Arquivista da UNESCO no Trabalho UNESCO (Copyright)

AHE: Fale-nos sobre o seu projeto. Qual é a sua missão? Quais são os seus objetivos?

AC: Este é um projeto verdadeiramente empolgante, porque nos arquivos e nas coleções audiovisuais históricas da UNESCO é possível encontrar testemunhos de mais de 70 anos de ideias e ações em prol da paz e da compreensão internacional, no âmbito dos vastos domínios de competência da Organização. Esta riqueza de conhecimento e experiência está em risco, em particular as coleções audiovisuais que remontam ao final da década de 1940 (incluindo filmes, vídeos, gravações de áudio e fotografias).

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O projeto de digitalização visa ajudar a preservar, mas também a disponibilizar partes essenciais da nossa memória coletiva a um vasto público.

Para preservar o património documental partilhado da UNESCO, tivemos de agir rapidamente, antes que fosse tarde demais. Assim, os Arquivos da UNESCO lançaram uma iniciativa de digitalização, cuja primeira fase decorre até outubro de 2019. Em fevereiro deste ano, instalámos um laboratório de digitalização no local, na sede da UNESCO, em Paris. Até ao momento, digitalizámos mais de 500 000 páginas, 5 000 fotografias e 75 horas de filmes e vídeos… e estamos apenas a começar.

Este projeto visa ajudar a preservar, mas, claro, também disponibilizar partes essenciais da nossa memória coletiva a um vasto público. Os arquivos em papel que estamos a digitalizar já estão abertos ao público nos Arquivos da sede da UNESCO, mas a maioria das coleções audiovisuais tem estado inacessível ao público em geral até agora. Estes arquivos e coleções estão a ser disponibilizados ao longo do projeto em digital.archives.unesco.org para que o mundo os possa explorar e descobrir.

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AHE: Pode falar-nos um pouco mais sobre como se iniciou o projeto?

AC: Na sequência de uma transferência interna das coleções audiovisuais históricas da Divisão de Informação Pública para os Arquivos da UNESCO, em 2015, lançámos um apelo à angariação de fundos junto dos Estados-Membros da UNESCO. Graças ao generoso apoio do Governo do Japão, conseguimos lançar esta ambiciosa primeira fase em 2017.

AHE: Quais foram os maiores desafios que teve de enfrentar?

AC: Esta iniciativa não é, na verdade, apenas um único projeto; é mais como cinco ou seis. Cada formato a ser digitalizado (por exemplo, ficheiros de arquivo, volumes encadernados, fotografias, gravações de áudio, filmes de 16 mm e vídeos Umatic) requer um tratamento e conhecimentos especializados diferentes. Também ficámos entusiasmados por lançar um subprojeto experimental de crowdsourcing, mas, para ser sincero, essa nova abordagem à geração de metadados é um território inexplorado para nós, enquanto equipa de projeto.

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Além disso, o nosso nível de conhecimento sobre cada coleção no âmbito do projeto variava significativamente. O nosso conhecimento das coleções textuais já era sólido, uma vez que se trata de material com o qual trabalhamos e ao qual proporcionamos acesso diariamente, mas, como já foi referido, as coleções audiovisuais eram quase completamente novas (e desconhecidas) para nós. Tivemos um período de tempo relativamente curto para nos familiarizarmos com estas coleções e nos tornarmos especialistas no conteúdo. Devido à antiguidade do material, restavam poucas pessoas que nos pudessem dar uma ideia do que iríamos encontrar, de como estava organizado e inventariado, e do estado atual de conservação.

Além disso, claro, um dos maiores desafios foi, em primeiro lugar, encontrar o apoio financeiro necessário para dar início a um projeto de tão grande escala. Os Arquivos da UNESCO nunca tinham realizado a digitalização de registos textuais e audiovisuais nesta escala antes, pelo que demorou algum tempo e foi necessário convencer para encontrar um parceiro que confiasse na nossa capacidade de o levar a cabo com sucesso.

Surveying Abu Simbel's Great Temple
Levantamento do Grande Templo de Abu Simbel UNESCO / Paul Almasy (Copyright)

AHE: Sei que este é o primeiro passo do vosso projeto. O que se segue?

AC: Consideramos que o património institucional da UNESCO é um património partilhado e esperamos que as pessoas se interessem em juntar-se a nós nesta viagem de descoberta. O que estamos a digitalizar no âmbito deste projeto de dois anos é uma parte fundamental do património institucional da UNESCO, mas é apenas uma pequena parte.

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Ainda temos muitos tesouros por desvendar, incluindo mais de 10 km de arquivos históricos, 170 000 fotografias incríveis, 2 000 filmes extremamente interessantes, horas e horas de áudio e as muitas histórias a serem reveladas através da exploração destas coleções. Estamos à procura de mais parceiros e esperamos que outros queiram juntar-se a nós.

AHE: Estamos muito entusiasmados com a nossa parceria! De que forma é que parceiros como a Ancient History Encyclopedia podem ajudar-vos a alcançar os vossos objetivos?

AC: Também estamos muito entusiasmados! Criar parcerias para alcançar objetivos comuns é, sem dúvida, a forma de concretizar as coisas. Estamos ansiosos por trabalhar com a AHE no desenvolvimento de módulos educativos imersivos que liguem artigos de alta qualidade, revistos por pares, a meios digitalizados, de modo a proporcionar aos participantes novas formas de utilizar, explorar e aprender com os arquivos.

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Agradecemos o apoio e as propostas de parceria para:

  • Utilizar o nosso conteúdo digital para investigação arquivística
  • Apresentar dados encontrados nos arquivos com criatividade e impacto
  • Contar histórias a partir dos arquivos de formas novas e inovadoras
  • Financiar a digitalização de mais arquivos
  • Alcançar públicos mais vastos e diversificados, divulgar a informação e incentivar as pessoas a explorar e utilizar os arquivos, bem como transmitir a ideia de que os arquivos da UNESCO constituem um património partilhado.

Para se tornar um parceiro, contacte os Arquivos da UNESCO.

Este outono, iremos também pedir ao público que nos apoie no site de crowdsourcing Heritage Helpers, para nos ajudar a criar dados detalhados para as 5 000 fotografias digitalizadas incríveis.

AHE: Alguma palavra final do arquivista que há em si?

AC: O poeta mexicano e segundo Diretor-Geral da UNESCO, de 1948 a 1952, Jaime Torres-Bodet, afirmou certa vez que os arquivos, em vez de serem «vastas necrópoles», são locais onde se podem encontrar «as experiências, aventuras, riscos e dramas» da sociedade. Ele via os arquivos como essenciais para a «continuidade da consciência humana» e para a possibilidade de um bom governo. Os arquivos são, segundo ele, os «vestígios instrutivos da vida».

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Cite Este Artigo

Estilo APA

Wadowski, M. (2026, agosto 11). Entrevista: Projeto de Digitalização dos Arquivos da UNESCO. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1279/entrevista-projeto-de-digitalizacao-dos-arquivos-d/

Estilo Chicago

Wadowski, Marion. "Entrevista: Projeto de Digitalização dos Arquivos da UNESCO." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 11, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1279/entrevista-projeto-de-digitalizacao-dos-arquivos-d/.

Estilo MLA

Wadowski, Marion. "Entrevista: Projeto de Digitalização dos Arquivos da UNESCO." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 11 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1279/entrevista-projeto-de-digitalizacao-dos-arquivos-d/.

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