A iniciativa “Japão Antigo” da Ancient History Encyclopedia surgiu devido à escassez de informações de acesso livre e digitalmente selecionadas sobre a história antiga do Japão disponíveis online e em inglês. O Leste e o Sudeste Asiático são, sem dúvida, as regiões mais fascinantes do mundo atualmente, devido ao crescimento econômico e à rica herança cultural de seus respectivos países. Enquanto China e Índia têm recebido crescente atenção tanto nas reuniões de diretoria das empresas quanto nas salas de aula ao redor do mundo, o Japão continua sendo uma proeminente potência econômica e cultural, com uma história ao mesmo tempo fascinante e única. O Japão permanece um ator global fundamental em virtude de sua expertise tecnológica, competência em engenharia e recursos financeiros. Como a Ancient History Encyclopedia está ciente do papel que pode desempenhar na facilitação do intercâmbio intercultural, acreditávamos que poderíamos ampliar o interesse pelo Japão e pela história e cultura japonesas, especialmente dentro do nosso ‘público local’ no Reino Unido, por meio da criação e publicação de conteúdo sobre a história e a cultura do Japão.
Ao solicitar uma bolsa de viagem da 'Great Britain Sasakawa Foundation' (Fundação Sasakawa da Grã-Bretanha - ONG) em nome da Ancient History Encyclopedia, anos depois, eu estava otimista de que algo concreto e positivo resultaria dos meus esforços. No entanto, eu não tinha certeza das nossas chances de sucesso, apesar de já termos recebido uma bolsa da British-Korean Society (Sociedade Britânica-Coreana) para cobrir história e cultura coreanas no início daquele ano. Para minha grande satisfação, a Ancient History Encyclopedia recebeu uma bolsa que me permitiria viajar ao Japão por duas semanas, a fim de fotografar artefatos antigos, templos, palácios e santuários para o ‘Projeto Japão Antigo’ da nossa equipe editorial. Eu passaria uma semana visitando museus e locais em Tóquio e na região de Kanto, e na semana seguinte seguiria para Quioto e vários locais na região de Kansai.
Tóquio e Região de Kanto
Ao contrário da minha viagem à Armênia, que aconteceu após a minha viagem ao Japão, eu estava relativamente tranquilo ao embarcar no meu voo para Tóquio a partir de Zurique, pois já havia adquirido antecipadamente um Japan Rail Pass e reservado as minhas excursões turísticas com bastante antecedência. Eu sabia que o Japão fica lotado de turistas em março devido à chegada das flores de cerejeira e às tradicionais festas de hanami, mas, tendo vivido em Manhattan por tantos anos, eu sabia que conseguiria lidar com isso. Após um longo voo sobre a Sibéria, os passageiros foram presenteados com vistas magníficas do Monte Fuji antes de nosso avião pousar no Aeroporto de Narita, em Tóquio. Tomei isso como um presságio auspicioso, de que a viagem e o projeto seriam um imenso sucesso.
Meus primeiros dias em Tóquio foram agitados. Após um dia inicial de adaptação aos arredores em Shinjuku — meu hotspot portátil de Wi‑Fi alugado foi uma verdadeira salvação para me ajudar a me locomover pelo Japão — comecei a visitar vários locais e pontos importantes em Tóquio: o Museu Nacional de Tóquio, o Museu Nezu, o Santuário Meiji, o Santuário Yasukuni e o Templo Sensoji. À noite, eu tinha tempo para visitar outros distritos de Tóquio, como Shibuya e Akihabara, onde costumava jantar. Ao contrário do que alguns possam dizer, Tóquio possui uma boa quantidade de sinalização em inglês. Embora seja uma metrópole imensa e ultramoderna, fiquei impressionado com a eficiência do transporte público no Japão e com o quão bem eu havia percorrido a cidade por meio de suas muitas linhas de metrô e trem (comboio). É bastante fácil chegar aos locais que se deseja visitar, mas sempre é uma boa ideia saber o número correto da saída ao deixar o metrô! Esse detalhe acaba por lhe poupar tempo, visto que as estações podem ser muito maiores do que se esperaria em outros lugares da Ásia ou da Europa.
O Museu Nacional de Tóquio é um dos mais importantes museus do mundo e não deve ser deixado de fora em nenhuma visita à Tóquio. É também um dos maiores museus do mundo. — abriga mais de 110.000 objetos — e as suas galerias de artefatos são tudo menos decepcionantes. Situado em um belíssimo parque chamado “Ueno”, localizado na região leste de Tóquio, passei várias horas explorando as diversas galerias do museu, que incluem tanto obras-primas japonesas quanto asiáticas. Vale destacar a coleção do museu de artefatos pré-históricos e do início da história japonesa, localizada na Galeria Heiseikan. Ali, fotografei muitas das imagens que eram necessárias para a equipe editorial da Ancient History Encyclopedia e que agora aparecem em nossos artigos e definições.
Outro dos meus locais favoritos durante a minha estadia em Tóquio foi o Santuário Sensoji. (É uma atração que não pode faltar em qualquer viagem a Tóquio.) Localizado no distrito oriental de Asakusa, o Templo Sensoji foi originalmente construído em 645 d.C., tornando-se o templo mais antigo de Tóquio. Popular e belíssimo, o Templo Sensoji é um dos locais espirituais mais visitados do mundo, recebendo mais de 30 milhões de visitantes por ano.
Situada ao sudeste do Japão, próxima ao Oceano Pacífico e repleta de dezenas de requintados templos budistas zen medievais e santuários xintoístas, Kamakura é uma verdadeira joia.
Enquanto estava em Tóquio, consegui fazer uma viagem de um dia a Kamakura, que foi a capital do Japão durante o governo do xogunato Kamakura, entre 1189 e 1336. Situada ao sudeste do país, próxima ao Oceano Pacífico e repleta de dezenas de requintados templos budistas zen medievais e santuários xintoístas, Kamakura é uma verdadeira joia. Sua fama deve-se, sem dúvida, à estátua de bronze do Buda Amitabha localizada no Templo Kotoku-in. Embora esta obra-prima icônica seja maior do que se poderia esperar — tem 13,35 metros (43,8 pés) de altura — ela também é oca! Consegui entrar em seu interior por alguns ienes extras e explorar o interior.
Enquanto estava em Kamakura, também consegui visitar a pequena ilha de Enoshima. Os japoneses acreditam que Enoshima teria emergido do fundo do mar no século VI, por Benzaiten, a deusa do entretenimento, da música e do conhecimento. A ilha é inteiramente dedicada a ela e repleta de santuários, altares e esplêndidas vistas do Oceano Pacífico. O ambiente era festivo, pois minha visita coincidiu com o Dia do Equinócio da Primavera (“Shunbun no hi” em japonês), que é um feriado nacional. Era um prazer observar as pessoas em Enoshima: empresários, famílias e jovens lotavam as estreitas ruas da ilha, desfrutando do ar fresco do mar e prestando suas homenagens nos centenas de santuários espalhados por Enoshima.
Quioto
Quando chegou a hora de ir para Quioto, optei por pegar o famoso Shinkansen, ou “trem-bala”. Ele segue a rota Tokaido do Japão, que liga Tóquio a Osaka passando por Shizuoka, Nagoya e Quioto. Essa rota era a ‘estrada principal’ do Japão durante o xogunato Tokugawa, pois ligava Tóquio a Quioto e Osaka. O Japão é maior do que a maioria das pessoas pensa: tem aproximadamente o tamanho da Califórnia ou é um pouco maior que a Itália. A viagem em si dura cerca de três horas, mas me maravilhei ao observar a mudança de cenário ao longo do caminho: pequenas cidades bem organizadas, florestas densas no alto das montanhas, salinas e praias, e o onipresente Monte Fuji.
Quioto foi a capital do Japão durante a maior parte de sua história, e foi em Quioto que a arte e a cultura japonesas floresceram em estreita proximidade com a corte imperial. Minha semana em Quioto estava totalmente reservada: Templo Kinkaku, Palácio Imperial de Quioto, Salão Sanjusangendo, Templo Kiyomizu, Templo To-ji e Floresta de Arashiyama. Também organizei passeios de um dia a Nara, onde visitei o Templo Todaiji e o Santuário Kasuga, assim como a pequena cidade de Uji, onde visitaria o belo Templo Byodin e o Santuário Fushimi Inari, com seus milhares de impressionantes portões torii de cor laranja.
Quioto é muito menor do que Tóquio, mas seu sistema de transporte é igualmente eficiente. É um lugar sofisticado e culto, onde cerimônia, etiqueta e tradição ressoam com grande intensidade. Quioto abriga mais de 2.000 templos e 20% dos Tesouros Nacionais do Japão. Em resumo, há algo para todos os gostos. Um verdadeiro destaque nos meus primeiros dias em Quioto foi visitar o Salão Sanjusangendo. Construído no século XII, o Salão Sanjusangendo é um templo budista dedicado à ‘Kannon de Mil Braços’, a deusa da misericórdia. Este templo abriga mais de mil estátuas em tamanho real da ‘Kannon de Mil Braços’, dispostas em 10 fileiras e 50 colunas. A maioria dessas estátuas data do século XII ou XIII. Vinte e oito divindades guardiãs cercam as mil estátuas de Kannon, que têm suas origens na Índia hindu. O salão em si é uma joia da arquitetura Heian e continua sendo a mais longa estrutura de madeira, com 120 metros de comprimento.
Outro lugar onde a história ganha vida é o Templo To-ji, em Quioto, fundado no início do Período Heian, em 796 d.C. Patrimônio Mundial da UNESCO, o Templo To-ji e seus salões circundantes oferecem ao visitante uma excelente introdução à arquitetura japonesa antiga.
Na minha última noite no Japão, visitei o onsen (águas termais) do meu ryokan (estalagem tradicional), onde refleti sobre a profunda variedade e o esplendor artístico que parecem onipresentes em todo o país. O Japão continua sendo, como sempre, um lugar de contrastes, apesar de suas tradições sociais e culturais profundamente enraizadas. Não é um país que se resuma facilmente a algumas palavras clichês. ‘Enigmático’, ‘encantador’ e ‘iluminador’ são os termos mais adequados que me vêm à mente quando revisito as fotos da minha viagem. O Japão é uma experiência de viagem deslumbrante, e o calor humano, a generosidade e a curiosidade dos japoneses deixaram uma marca indelével na minha mente e no meu coração.
Em nome da Ancient History Encyclopedia, gostaria de agradecer à Great Britain Sasakawa Foundation pela disposição em permitir que compartilhemos a história e o patrimônio do Japão com nossos usuários. Ficamos encantados com a visita e esperamos explorar e divulgar mais da história japonesa novamente em um futuro próximo.
This content was made possible with generous support from the Great Britain Sasakawa Foundation.

