História da Assíria

Jan van der Crabben
por , traduzido por Cláudia Barros
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A fundação da dinastia Assíria remonta a Zulilu, que se diz ter vivido depois de Bel-kap-kapu (c. 1900 AEC), antecessor de Shalmaneser I. A cidade-Estado de Assur começa a ganhar destaque no norte da Mesopotâmia, no momento em que vai fundando inúmeras colónias na Capadócia. O rei Shamshi-Adad I (1813-1791 AEC) expande as fronteiras de Assur derrotando o reino de Mari, originando o primeiro reino assírio.

Com ascensão de Hammurabi da Babilónia (c. 1728-1686 AEC) e a sua aliança com Mari, a Assíria acaba conquistada e reduzida a um mero estado vassalo da Babilónia.

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Período Médio Assírio

No século XV AEC, os hurritas de Mitani saqueiam Assur, tornando a Assíria sua vassala. Quando Mitani colapsa sob a pressão dos hititas na Anatólia, Assur consegue reerguer-se novamente com Ashur-uballit I (1365-1330 AEC). Ashur-uballit casa a filha com o governante cassita da Babilónia, gerando consequências desastrosas: a facção cassita da assassina o rei e coloca outro pretendente no trono. Ashur-uballit marcha até à Babilónia com a pretensão de se vingar do cunhado.

Shalmaneser I (1274-1245 AEC) declara o cessar da vassalagem da Assíria à Babilónia e anuncia a supremacia do reino sobre a Ásia ocidental. Defronta os hititas na Anatólia, conquista Carquemis e estabelece novas colónias na Capadócia. O seu filho Tukulti-Ninurta I (governa entre 1243-1207 AEC) conquista a Babilónia e mata o rei Bitilyasu, convertendo a Assíria na grande potência da Mesopotâmia. Governa a partir da Babilónia durante sete anos e assume o antigo título de "Rei da Suméria e Acádia". Durante uma revolta, é morto pelo próprio filho, Ashur-nadin-apli. Neste contexto, a Babilónia encontra-se novamente independente.

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Tiglath-pileser I (1114-1076 AEC), um dos mais célebres conquistadores da Assíria, extende o império até à Arménia, a Norte, e à Capadócia, a Oeste. Este caçou touros selvagens no Líbano e foi presenteado com um crocodilo por um faraó egípcio.

King Ashurnasirpal II
Rei Assurnasirpal II Jan van der Crabben (Photographer) (Copyright)

Pouco se sabe sobre os sucessores de Tiglath-pileser, sendo que é com Assurnasirpal II (883-858 AEC) que o nosso conhecimento acerca da história assíria continua. O império expande-se novamente em todas as direções, e todos os palácios, templos e restantes monumentos erguidos por Assurnasirpal II, testemunham um desenvolvimento notável na riqueza e na arte. Nimrud (a conhecida cidade bíblica de Calá) torna-se na residência favorita do monarca, o qual se distinguiu pelas terríveis crueldades cometidas. O filho, Shalmaneser II (1031-1019 AEC) continua a expandir o império, militarizando-o cada vez mais.

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DURANTE O PERÍODO MÉDIO ASSÍRIO, AS CIDADES DE ASSUR, NIMRUD, E NíNiVE GANHAM DESTAQUE NO VALE DO TIGRE.

Quando, em 747 AEC, Nabu-nazir sobe ao trono da Babilónia, a Assíria encontrava-se no meio de uma revolta. Em 746 AEC, Calá associa-se aos rebeldes e o seu líder Pulu muda o nome para Tiglath-pileser III, assume o poder e inaugura uma nova era política.

Durante o Período Médio Assírio, as cidades de Assur, Nimrud, e Nínive, ganham destaque no Vale do Tigre. A Babilónia mantém-se como a maior e mais importante cidade da altura.

Império Neo-Assírio

Sob o reinado de Tiglath-pileser II (governa entre 745-727 AEC) ergue-se o Império Neo-Assírio, que difere do primeiro pela sua maior consolidação. Pela primeira vez na história a ideia de centralização foi introduzida na esfera política; as províncias conquistadas foram organizadas debaixo de um vasto leque de burocracia, segundo a qual cada distrito pagaria um tributo fixo e forneceria um contingente militar.

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As forças assírias cedo se tornam num exército fixo, originando uma máquina militar imparável. A política assíria virou as atenções para a conquista do mundo já conhecido. Com este objetivo em mente, Tiglath-pileser III consegue controlar as principais vias de comércio do Mediterrâneo, juntamente com os portos fenícios, tornando-se no senhor da Babilónia. Em 729 AEC, no auge da sua ambição, é-lhe investida a soberania da Ásia na cidade sagrada da Babilónia. Com a conquista de Israel (745-727 AEC), a primeira vaga de deportações israelitas havia começado.

Map of Jewish Deportations
Mapa das deportações de judeus Joelholdsworth (GNU FDL)

A Tiglath-pileser sucede-lhe o filho Shalmaneser V (governa entre 727-722 AEC), que acaba por morrer pouco tempo depois. Sargão II (governa entre 722-705 AEC) apodera-se do trono, conquista a fortaleza hitita de Carquemis e anexa Ecbátana. Em virtude das suas proezas militares, foi considerado como o sucessor de Sargão da Acádia. O seu filho Sennacherib (governa entre 704-681 AEC) pouco hábil nos assuntos governativos, não chega a ser coroado na Babilónia, e acaba por a destruir. Sob o seu reinado, Nínive, famosa pela sua biblioteca de tabuinhas de escrita cuneiforme, ascende como o novo centro de poder assírio. O reinado de Sennacherib, na realidade, foi vivido entre algum terror, e só após o seu assassinato é súbditos e inimigos puderam respirar de alívio.

Neo-Assyrian Empire
Império Neoassírio Ningyou (Public Domain)

Esarhaddon (governa entre 681-669 AEC) sucede a Sennacherib, tendo sido quem restituiu a antiga glória da Babilónia, convertendo-a na segunda capital do império. Em 674 AEC, invade e conquista o Egito. Dois anos mais tarde, o povo egípcio amotina-se, e durante a revolta Esharddon adoece e morre.

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A Esarhaddon sucede Ashurbanipal (685-627 AEC), coroado novo rei do império assírio, e o seu irmão Samas-sum-yukin é proclamado vice-rei da Babilónia. Samas não granjeou grande popularidade entre o povo babilónico, que acaba por se revoltar contra o vice-rei. Passados alguns anos em guerra, durante os quais o Egito consegue obter a independência com a ajuda de mercenários enviados por Giges da Lídia, a rebelião babilónica chega ao fim. Pouco depois, o reino de Elam revolta-se, a capital Susa é arrasada e o império começa a ficar sem recursos.

King Ashurbanipal
Rei Assurbanípal Artaxiad (GNU FDL)

Os citas e os cimérios invadem a Assíria, a partir do Este e do Norte, e após a morte de Ashurbanipal, o império entra em colapso devido às pressões externas. Nabopolassar (governa entre 625-605 AEC) e o rei Ciaxares dos Medos (governa entre 625-585 AEC), destroem Nínive em 612 AEC, marcando o findar do Império Assírio.

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Bibliografia

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Sobre o Tradutor

Cláudia Barros
Licenciada em Arqueologia, em 2018, pela Universidade do Minho (Braga, Portugal). Mestre em Arqueologia pela mesma instituição (2021). Aluna de Doutoramento em Ciências da Cultura - especialização em Egiptologia e Assirologia (ELACH-UMINHO). Membro do CEHUM, NETCult, GELA, ARCE. Docente em Egiptología en Medellín (Colômbia).

Sobre o Autor

Jan van der Crabben
Jan é o fundador e CEO da World History Encyclopedia, liderando esta organização sem fins lucrativos para melhor cumprir a missão de envolver pessoas com patrimônio cultural e melhorar a educação histórica em todo o mundo. Possui um MA em War Studies pelo King's College.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Crabben, J. v. d. (2020, setembro 23). História da Assíria. (C. Barros, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-106/historia-da-assiria/

Estilo Chicago

Crabben, Jan van der. "História da Assíria." Traduzido por Cláudia Barros. World History Encyclopedia, setembro 23, 2020. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-106/historia-da-assiria/.

Estilo MLA

Crabben, Jan van der. "História da Assíria." Traduzido por Cláudia Barros. World History Encyclopedia, 23 set 2020, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-106/historia-da-assiria/.

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