O Império Sassânida (224-651, também conhecido como Sassânida, Sasanida ou Sassânida) foi o último império persa pré-islâmico, fundado em 224 por Ardashir I, filho de Papak, descendente de Sasan, e terminou em 651, quando foi derrubado pelo califado árabe Rashidun. É considerado pelo povo iraniano como um ponto alto da sua civilização, pois, após a queda do Império Aqueménida (cerca de 550-330 a.C.) às mãos de Alexandre, o Grande, em 330 a.C., a cultura persa manteve-se através do Império Partiano (247 a.C. - 224 d.C.) e atingiu o apogeu no período sassânida; não houve outro estado que realmente se sentisse «iraniano» após a sua queda.
Após a morte de Alexandre em 323 a.C., o planalto iraniano caiu nas mãos de Seleuco I Nicátor (reinou 305-281 a.C.), nas Guerras dos Diadocos (generais de Alexandre), que estabeleceu o estado helenístico conhecido como Império Selêucida (312-63 a.C.), principalmente no que hoje é a República Islâmica do Irão, embora no seu apogeu o império se estendesse da atual Turquia ao atual Paquistão. Embora certamente influenciados pelo povo iraniano sobre o qual governavam, os selêucidas ainda se mantinham fiéis às suas origens greco-macedónias e, portanto, não eram vistos como governantes nativos pelos súbditos.
Em 155 a.C., os partas conquistaram todos os territórios iranianos do Império Selêucida; um grupo de iranianos do nordeste, embora certamente revigorantes para os seus súbditos iranianos, ainda eram fortemente influenciados pela cultura helenística. São mais conhecidos no mundo europeu como antagonistas do Império Romano, e a cultura parta é frequentemente negligenciada nos livros de História. Os próprios partas caíram perante o persa Artaxes I (Artaxerxes I), natural da província de Fars (originalmente conhecida como Pars, de onde advém a palavra persa), e de onde vieram os aqueménidas, tendo instaurado a sua própria dinastia sob o nome de família do seu antepassado Sasan.
Os sasanidas iniciaram então um processo que restabeleceria os valores da cultura iraniana. Embora certamente ainda helenizados, os sasanidas iniciaram um processo de «iranização» diferente dos partas que os precederam: o zoroastrismo tornou-se uma das pedras fundamentais do Império — no entanto, desempenhariam um papel importante as minorias religiosas como os judeus, os cristãos, os maniqueístas e outras crenças do povo iraniano, tendo alguns dos reis sassânidas casado com mulheres judias e cristãs.
Durante 400 anos, o Império Sasânida foi a principal potência no Próximo Oriente, rivalizando com o Império Romano tardio. Além disso, manteve relações com a Dinastia Tang da China e com vários reinos indianos, onde se apreciavam grandemente os seus produtos e cultura.
Monarcas Notáveis do Império Sassânida
A família sassânida tem várias origens possíveis relacionadas com a genealogia do fundador da dinastia, Artaxes I, nascido em 180. Estas origens ligam-no aos aqueménidas ou aos kayânidas, ambos importantes para a identidade iraniana: o primeiro é um império e uma dinastia históricos, e o segundo é uma dinastia mitológica de reis profundamente relacionada com o zoroastrismo e a tradição mitológica iraniana.
Artaxes I (180-240, reinou de 224 a 240) deu especial importância a três assuntos: centralização do poder; instauração do zoroastrismo como religião oficial do Estado; e atenção à rivalidade persa com Roma. Tudo isto significava grandes reformas. A centralização era uma tarefa especialmente difícil, uma vez que os partas mantinham uma aliança federativa de pequenos reinos. O zoroastrismo, embora sempre presente, passaria a estar ligado à organização do Império e tornou-se de grande importância para o sistema de administração do governo persa, especialmente porque a legitimidade do sistema estabelecido pelos sassânidas baseava-se na sua linhagem divina. As guerras com Roma pareciam inicialmente estagnadas pelo constante avanço-recuo entre os dois impérios, principalmente na Mesopotâmia e na Arménia. Já reinando conjuntamente com o filho Sapor I, caber-lhe-ia a tarefa de acabar com a guerra.
Sapor I (215-270, reinou de 240 a 270) foi um importante rei principalmente pela sua capacidade de reafirmar o poder sassânida no Irão e pela sua proeza militar na luta contra Roma. Embora durante a maior parte da história do Império Sassânida houvesse a tática de avanço-recuo na Mesopotâmia e na Arménia, Filipe, o Árabe (imperador romano de 244-24) cederia a Sapor I a fim de garantir o seu poder sobre Roma, assinando um tratado que entregaria a Arménia à Pérsia. O rei persa, vendo a fraqueza existente do Império Romano, continuou os seus ataques e desferiu um golpe especial na moral romano ao capturar o imperador romano Valeriano. As informações fornecidas pelo Šahrestānīhā ī Ērānšahr («Capitais Provinciais do Irão») identificam Sapor como um prolífico fundador de cidades, o que parece ter sido o início da política de urbanização sassânida identificada por Touraj Daryaee em Sasanian Persia: The Rise and Fall of an Empire (Pérsia Sassânida: A Ascensão e a Queda de um Império) (2009).
Sapor II (reinou 309-379), diz-se que foi coroado rei ainda no ventre de sua mãe, mas esta lenda vem do fato de ter sido escolhido como rei logo após o nascimento. O seu pai foi assassinado e os nobres que estavam a assumir o poder decidiram coroar o recém-nascido, que esperavam moldar, em vez de arriscar e confiar a coroa a qualquer um dos seus irmãos mais velhos. Provou ser um líder enérgico e imaginativo, levando o império ao seu auge no seu tempo, comprometendo-se a escrever as escrituras zoroastrianas e expandindo os seus territórios, aproveitando-se do enfraquecimento do Império Romano.
Reinado de Cosroes I
Cosroes I (501-579, reinou 531-579) é o mais importante e o mais famoso dos reis sassânidas. Bem-sucedido tanto nas funções militares como administrativas, tornar-se-ia o ideal iraniano de rei. Teve, igualmente, destaque na literatura iraniana e as suas reformas foram provavelmente o que sustentou o Império Sassânida durante os 100 anos que se seguiram. As reformas fiscais fortaleceram a corte, eliminando os privilégios especiais dos grandes, ou Uzurgans, que governavam os seus territórios e que podiam tributar a população, mas não a si próprios. Ao reformar o sistema, o Estado conseguiu estabelecer um imposto fixo que ajudaria a prever o montante das receitas. Muitas destas reformas são consideradas pelo estudioso Touraj Daryaee como antigos projetos do seu pai, Cavades (rreinou 488-496, 498-531), durante cujo reinado incentivou revoltas massivas e o aparecimento do Mazdaquismo (um culto que favorecia a classe baixa) para enfraquecer os nobres.
As táticas militares e as forças armadas persas passaram, igualmente, por grandes reformas, principalmente direcionadas a lidar com as muitas fronteiras do império. O Império Sassânida tinha os romanos a oeste, os hunos a leste e os árabes a sul, todos os quais exigiam um exército capaz de reagir rapidamente, pelo que o império foi dividido em quatro regiões, cada uma controlada por um general. Tal como para a maioria dos reis sassânidas, as guerras com Roma continuaram num interminável avanço-recuo, principalmente favorável aos sassânidas, já que os romanos e depois os bizantinos estariam ocupados com as invasões germânicas.
Provavelmente, a conquista mais importante de Cosroes foi a busca pelo conhecimento e a atenção especial dada à Academia de Gundeshapur; que foi um dos centros de aprendizagem mais importantes da história mundial, pois procurava textos de todos os países vizinhos, desde filósofos gregos a textos religiosos iranianos e obras indianas, traduzindo-os não só para o persa médio, mas também para o grego e outras línguas — um conhecimento académico mais tarde herdado pelos árabes e depois transmitido à cultura europeia.
Isdigerdes III — o Último Rei Sassânida
O último rei sassânida, Isdigerdes III (624-651, reinou de 632 a 651), ascendeu ao trono quando tinha apenas oito anos de idade. Devido à situação caótica do império, o rei foi coroado não na capital, mas na província de Persis, berço da dinastia sassânida, tendo governado durante a invasão muçulmana do Império Sassânida e obrigado a se deslocar de província em província para reunir recursos e poder lutar contra os invasores árabes.
Entre 629 e 630, o Império Sassânida sofreu a perda do Iémen, Omã e Bahrein; pouco depois, em 633, o estado cliente sassânida de Hira também foi conquistado, retirando, deste modo, um estado-tampão entre os iranianos e os árabes. Em 633, o exército sassânida foi derrotado pelo exército muçulmano na Batalha de D'at al-Salasel. Mais derrotas se seguiram e, em 634, Suade (nome usado nos primórdios do Islão para designar o sul do Iraque) ficou sob o controlo muçulmano. Em 636, na batalha de Madār, as forças sassânidas perderam completamente o sul da Mesopotâmia para o exército árabe. Finalmente, em 637, ocorreu a batalha de al-Qadisiyyah, na qual pereceu o general iraniano Rostam ī Farroxzad bem como a maior parte do exército.
O rei fugiu da capital e dirigiu-se para Ray, mas pouco depois, em 640, os árabes conseguiram tomar o coração do Irão e o rei não teve outra escolha senão avançar mais para o leste. Após as graves insurreições nas províncias orientais de Sistão e Kerman também resultaram em derrota, o governante (Marzbān - Marzobã) de Marw recusou-se a ajudar o rei fugitivo. Acredita-se que Isdigerdes III tenha sido assassinado por um moleiro local perto de Marw em 651.
O império sassânida ficou sob o controlo árabe, mas a herança cultural persa continuou a exercer uma influência duradoura no mundo muçulmano emergente.
